Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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A Demência e os Comportamentos Desafiantes

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O que causa os comportamentos desafiantes?

Existem vários factores que podem estar na origem das alterações comportamentais manifestadas por uma pessoa com demência.

A integridade do funcionamento cerebral determina a forma como o indivíduo vê e interpreta o seu ambiente. No caso de uma pessoa com demência, o comprometimento cerebral pode levar a que tenha uma percepção da realidade diferente da das outras pessoas (por exemplo, pode estar desorientada no tempo e no espaço e pode não se lembrar de algum evento recente). No entanto, o facto da pessoa ter uma visão diferente da dos outros não é suficiente para gerar comportamentos desafiantes. Estes normalmente surgem quando a pessoa com demência é confrontada com uma realidade que, pela doença, não é a sua. Por exemplo, tentar convencer a pessoa com demência que não está a ver a sua mãe, mas sim o seu reflexo no espelho pode levar a um quadro de agitação e agressividade.

Alguns especialistas acreditam também que os comportamentos desafiantes manifestados por pessoas com demência reflectem uma tentativa de expressar uma necessidade que não está a ser satisfeita (por exemplo a fome ou um momento de maior aborrecimento) ou um esforço para satisfazer essa necessidade por si próprio (sair porta fora por acreditar que está na hora de ir trabalhar ou de ir buscar os filhos à escola).

Como posso minimizar estes comportamentos?

Quando a pessoa com demência manifesta um comportamento indesejado, a primeira reacção de quem a rodeia é de tentar modificar esse comportamento. No entanto, o mais provável é a pessoa com demência não responder favoravelmente à sua solicitação. Em vez disso, tente diminuir a intensidade do comportamento da seguinte forma:

  • Faça o seguinte exercício mental: lembre-se que aquele comportamento é resultante de uma patologia que perturba o funcionamento cerebral. Tente não levá-lo a peito.
  • Se o comportamento for agressivo, retire-se da situação. Dê algum espaço à pessoa e, passado algum tempo, reaproxime-se calmamente dela. Evite ao máximo discutir.
  • Utilize um tom de voz calmo e suave.
  • Pense se existe algum factor que possa estar na origem daquele comportamento. Estará a pessoa com fome? Cansada? Com dores? Aborrecida? A sentir-se ? Poderá ser um efeito secundário da medicação?
  • Responda à emoção subjacente e não ao comportamento. Se a pessoa com demência estiver constantemente a perguntar por determinado membro familiar, pode precisar de ser assegurada de que essa pessoa está em segurança. Não contrarie e não tente empregar um raciocínio lógico, pois poderá frustrar a pessoa com demência.
  • Pode ser útil manter um diário onde se regista a hora a que o comportamento ocorreu e possíveis factores desencadeadores para identificação de padrões e posterior definição de um plano de intervenção.

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Validar. Participar. Distrair.

Se a pessoa com demência está sempre a perguntar pela mãe, tentar distraí-la imediatamente pode nem sempre funcionar. Para além disso, ao interromper o comportamento, perde uma boa oportunidade para perceber porque é que este ocorreu.

Experimente primeiro validar a emoção que está por detrás. “Estou a ver que tem saudades da sua mãe. Porque não me fala um bocadinho dela? Como é que ela é? O que gosta de fazer com ela?” (Evite confrontar a pessoa com o facto de que a mãe faleceu).

De seguida, participe com a pessoa numa actividade relacionada, por exemplo, consultar álbuns de fotografias ou livros de memórias. Agora a pessoa está distraída a realizar uma actividade e já não se encontra focada naquele comportamento inicial potencialmente disruptivo. Está pronta a passar à actividade seguinte.

 

Revisão Clínica: Margarida Rebolo