Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Como Encontrar Actividades Adequadas

Como encontrar actividades adequadas à pessoa com Alzheimer e outras demências?

Os momentos em família podem ser muito benéficos para a pessoa com Alzheimer ou outra demência, desde que ocorram num ambiente tranquilo e não conflituoso. No entanto, encontrar atividades adequadas à pessoa em questão pode não ser tarefa fácil. Aqui vão algumas dicas:

  •  Procure encontrar uma actividade que seja do agrado da pessoa: Tenha em conta a sua personalidade e os interesses que tinha antes de ficar doente. Lembre-se que se não estiver motivada não se irá dedicar à tarefa que lhe propôs. Nas fases iniciais da Doença de Alzheimer as memórias mais remotas estão, por norma, mais preservadas do que as memórias mais recentes. Pergunte a outros familiares que tipo de actividades a pessoa gostava de fazer quando era mais nova (ir ver um bailado, ir à praça escolher produtos frescos, fazer puzzles, etc).
  •  Se já não for possível manter as actividades do passado, procure novos interesses: Por exemplo, quem anteriormente se ocupava a produzir coisas poderá gostar de ajudar a cozinhar; quem se ocupava a consertar coisas poderá gostar de tomar conta do jardim/horta ou ajudar em tarefas simples de bricolage; alguém que tenha uma “veia” artística poderá gostar de criar obras de arte (pintura, escultura, etc…).
  • Limite a duração da actividade (15-20 minutos): A doença de Alzheimer ou outra demência pode levar a que a pessoa não consiga manter a concentração durante muito tempo, pelo que prolongar a sua participação na tarefa poderá gerar sentimentos de aborrecimento ou mesmo de frustração. Se, por um lado, a duração da actividade deve ser curta, por outro, é necessário dar tempo à pessoa para a realizar sem pressão, mesmo que não a termine no tempo destinado. Faça uma pausa e retome-a se ainda houver vontade ou passe para a actividade seguinte.
  • Simplifique as actividades ou preste uma assistência adequada: Faça as adaptações necessárias para a pessoa conseguir levar a tarefa a cabo. Por exemplo: tricotar um cachecol em vez de uma camisola, deitar os ingredientes do bolo na taça (já medidos e organizados em cima da bancada), utilizar individuais com o desenho da localização dos talheres/prato/guardanapo/copo para facilitar a tarefa de pôr a mesa. É muito importante não tomar tudo por sua conta. Isto irá ajudar a que a pessoa se sinta mais envolvida na tarefa e demonstra que a sua intenção não é a de questionar as suas capacidades.
  • Assegure-se de que a pessoa pratica algum tipo de exercício físico: O exercício físico é fundamental para a saúde de todos e as pessoas com Alzheimer ou outra demência não são excepção. Comece por confirmar com o médico se existem riscos inerentes à prática de exercício (por exemplo, patologia cardíaca ou pressão arterial não controlada) e quais os exercícios mais indicados para o seu familiar. Algumas sugestões incluem fazer jardinagem, passear, dançar ou nadar. Para quem tem mobilidade reduzida, poderá optar-se por fazer exercícios na cadeira (jogar petanca sentado). Pare ao primeiro sinal de cansaço ou frustração.

Algumas sugestões de actividades:

  • Tarefas domésticas: Ajudar nas tarefas domésticas pode dar à pessoa com Alzheimer ou outra demência a sensação de que tem um objectivo (regar as plantas, pôr a mesa, encher o jarro da água). Mesmo que as tarefas não necessitem realmente de ser feitas, encoraje a pessoa a fazê-las e elogie a sua colaboração (cuidado para não parecer um elogio forçado).
  • Conversação: Pode ser uma boa oportunidade para membros mais jovens da família interagirem com a pessoa com Alzheimer ou outra demência. É importante envolver a pessoa na conversa, não interromper as suas frases e não ignorar a sua presença. Alguns temas que podem ajudar a desencadear uma conversa: futebol, notícias no jornal, vídeos na internet. Quando a comunicação verbal não é possível, a comunicação não-verbal (contacto visual, gestos, toque) pode ser igualmente impactante.
  • Música: Mesmo numa fase de deterioração mais avançada, as actividades relacionadas com a música (ouvir música, cantar, marcar um ritmo com o pé ou dançar ao som de música) podem continuar a ser muito prazerosas. Estudos sugerem que a música pode ajudar a melhorar o humor, o comportamento e o bem-estar. O género de música preferido da pessoa deve ser privilegiado.

NOTA: Dado que tanto a actividade mental como a física consomem uma parte substancial da nossa reserva energética, poderá ser uma boa ideia encorajar a ingestão de água e de alimentos saudáveis e nutritivos no final de cada actividade ou nos momentos de pausa.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo