Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Todos os Artigos com a Tag: Terapia

Estimulação magnética transcraniana nas doenças do cérebro

Com o aumento da esperança média de vida, aumenta também a comorbilidade de patologias associadas ao envelhecimento e a consequente busca por novas terapias e abordagens de tratamento das doenças do cérebro. Neste contexto específico, as técnicas de neuromodulação, onde se enquadra a Estimulação Magnética Transcraniana (TMS – sigla inglesa), têm tido avanços promissores e suscitado grande interesse por parte da comunidade científica pelo seu potencial terapêutico, nomeadamente após um AVC.

A  TMS é considerada uma técnica de neuromodulação não invasiva porque não implica nenhum procedimento doloroso nem envolve instrumentos que rompam as barreiras naturais do corpo humano.

Esta técnica é baseada no princípio da indução electromagnética, ou seja, um pulso de corrente electromagnética passa por uma bobine, colocada sobre a cabeça da pessoa e induz um campo eléctrico no cérebro.

A TMS modifica a excitabilidade entre os neurónios e activa diferentes estruturas do cérebro ao longo de conecções específicas.

A utilização clínica da TMS obedece a normas éticas e a procedimentos bem estabelecidos  que minimizam quaisquer riscos e fazem com seja considerada uma técnica segura para a modulação não-invasiva de regiões corticais.

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Diversos estudos  demonstraram que a técnica pode ser útil para várias condições neurológicas (por exemplo, Acidente Vascular Cerebral) e condições psiquiátricas (como a depressão major ou alucinações auditivas). No entanto, não se trata de uma cura mas sim de uma intervenção complementar cuja plena potencialidade ainda está a ser investigada.  Novos estudos estão a ser desenvolvidos e espera-se que em breve a sua aplicação possa ser realizada em estudos clínicos com um largo número de pessoas e testando a sua eficácia a longo prazo.

Revisão Clínica: Inês Tello

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Terapia Assistida por Animais na Demência

A interacção estruturada com um animal (Terapia Assistida por Animais) pode ajudar a melhorar a saúde mental, as funções físicas e as interacções comunicativas da pessoa com Alzheimer ou outra demência.

Existem diversos estudos que reportam os benefícios deste tipo de intervenção com adultos com demência, mesmo em fases avançadas da doença. Interessantemente, algumas investigações reportam que por vezes os animais conseguem comunicar melhor do que as pessoas com adultos com demência porque baseiam a sua interacção na leitura da linguagem corporal (não verbal).

Diversos centros e instituições que acolhem pessoas com demência começam a incluir a terapia assistida por animais nos seus planos de intervenção. As actividades desenvolvidas (normalmente com cães, mas também com gatos e póneis) podem envolver:

  • A escovagem e limpeza do animal;
  • A colocação da trela e passeio;
  • A brincadeira com bola;
  • O comentar em grupo as interacções com o animal;
  • Um simples toque.

Os benefícios reportados com este tipo de intervenção são:

  • Aumento da interacção comunicativa (o sorriso, o riso, o contacto ocular, o toque e a verbalização);
  • A diminuição da agitação psicomotora;
  • O aumento do envolvimento activo com o ambiente;
  • A melhoria das funções motoras.

Revisão Clínica: Inês Tello

Artigo de revisão sobre o tema:  http://www.researchgate.net/profile/Catherine_Travers/publication/23496495_Dog-assisted_therapy_for_older_people_with_dementia_A_review/links/00b7d5201796948bb5000000.pdf

Foto de: Therapy Dogs International

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Juntos a Relembrar: Como Fazer um Livro de Memórias

Livro de memórias

O que é um livro de memórias?

É uma compilação de momentos, histórias e eventos de uma vida, para ser consultado repetidamente pela pessoa com Alzheimer ou outra demência e pelos seus familiares.

O livro pode ser adaptado ao longo do tempo e é uma actividade que tem todos os ingredientes para ser extremamente gratificante para a pessoa com demência.

Porquê construir um livro de memórias?

Embora a memória de eventos recentes (memória de curto-termo) possa ser difícil, muitas pessoas com demência conseguem facilmente recordar-se de eventos passados (memória de longo-prazo).

Um livro de memórias apoia-se na memória de longo-prazo, enfatizando aquilo que a pessoa consegue recordar.

Um livro de memórias constitui uma ferramenta preciosa para a manutenção do bem estar geral, promove a comunicação e dá confiança e estabilidade.

Pode ser utilizado para contar histórias e interagir com os netos, pode constituir uma ferramenta preciosa para a equipa clínica quando existe uma mudança de contexto, como a hospitalização, ou fazer parte do plano de intervenção terapêutico.

O livro deve ser sempre construído com o próprio e o nível de envolvimento da pessoa com demência na construção do livro de memórias não deve ser desvalorizado.

É importante encontrar tempo para construir o livro em conjunto, pois esta actividade pode ser extremamente estimulante e cheia de significado.

Como construir um livro de memórias?

Não existe um formato padrão para a construção destes livros.

As histórias podem ser ilustradas com cópias de fotografias e documentos como mapas, certificados, postais, bilhetes de eventos significativos, e outros.  Se existir um objecto de grande significado para a pessoa, por exemplo um relógio, pode-se fotografá-lo e inserir essa imagem no livro.

Aproveite sempre as próprias palavras da pessoa para legendar uma fotografia ou uma outra imagem.

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Algumas dicas para o ajudar a construir um livro de memórias:

  • Esquematize uma linha temporal para o ajudar a organizar a informação. Alguns temas comuns são: o local de nascimento, histórias dos pais e irmãos, memórias de infância, a escola, o primeiro emprego, o casamento e o nascimento dos filhos. Pode incluir outros momentos significativos e marcantes, como um período de guerra. Explore outros temas de interesse como os locais onde viveu ou visitou, estilos de roupas ou penteados, comida favorita, hobbies, entre tantos outros.
  • Escolha sempre com a pessoa o material a incluir no livro de memórias: cópia de fotografias, mapas, documentos, memórias faladas, e o mais que a criatividade se lembrar.
  • Legende a informação visual com palavras e frases curtas.
  • Utilize uma letra clara, tamanho mínimo 14, e tenha atenção aos fundos que devem ser simples de maneira a que não causem distracções visuais.
  • Por último, não coloque muita informação por página.

Lembre-se que o livro não tem que ficar uma obra de arte! Sobretudo, aproveite o momento para estabelecer uma boa relação com o seu familiar. Agora mãos à obra!

Revisão Clínica: Inês Tello
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Comunicação com uma pessoa com Afasia

Como minimizar as alterações da Comunicação com uma pessoa com Afasia?

Já tivemos a oportunidade de descrever a Afasia, descubra agora como pode minimizar as alterações da Comunicação associadas.

  • Fale de forma directa, digna e natural;
  • Assegure que  a sua mensagem é de fácil compreensão;
  • Faça uso de expressões faciais e gestos para reforçar aquilo que está a dizer;
  • Utilize frases curtas e dê ênfase às palavras mais importantes;
  • Privilegie as perguntas com resposta sim/não e não faça uma segunda pergunta sem ter tido a resposta à primeira;
  • Procure um lugar calmo para comunicar: evite ambientes com ruídos de pessoas, máquinas, rádio ou televisão;
  • Posicione-se ao nível da pessoa;
  • Não eleve o seu tom de voz: muitas vezes a pessoa ouve bem, tem é dificuldade em compreender tudo aquilo que lhe é dito;
  • Não permita que terceiros se intrometam na conversação;
  • Esteja receptivo aos sinais de cansaço e frustração.

E o mais importante:  Não desista da comunicação!

Revisão Clínica: Inês Tello
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