Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Todos os Artigos com a Tag: Demência

Entrevista e Testemunho de um Cuidador

Nunca é demais relembrar o importantíssimo e exigente papel dos cuidadores de pessoas com Alzheimer ou outra demência.

A revista ZEN publicou uma entrevista à neuropsicóloga no NeuroSer, Dr.ª Margarida Rebolo, que aborda a importância do apoio aos cuidadores, assim como o importante testemunho de um cuidador que, muito generosamente, partilhou parte da sua vivência.

Não perca a entrevista e o testemunho em versão pdf.

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Desigualdades no acesso a cuidados e tratamentos na área da demência na Europa (Alzheimer Europe)

De acordo com um relatório da Alzheimer Europe, apresentado em Bruxelas no dia 26 de Junho de 2017, existem desigualdades na Europa no acesso a cuidados e tratamentos em caso de demência.

De acordo com a informação divulgada aos meios de comunicação, o objectivo do relatório intitulado European Dementia Monitor” foi o de providenciar um benchmark para políticas nacionais na área da demência, permitindo comparar e classificar as respostas de países europeus aos desafios associados à demência. O estudo incluiu todos os estados membros da União Europeia (com a excepção da Estónia), incluindo ainda a Albânia, Bósnia e Herzegovina, Jersey, Israel, Mónaco, Noruega, Suíça e Turquia.

Jean Georges, Diretor Executivo da Alzheimer Europe, referiu: “A nossa organização tem tentado promover o reconhecimento da demência enquanto uma prioridade de saúde pública e tem alertado os governos europeus para a necessidade de desenvolver estratégias nacionais na área da demência. O objectivo do “European Dementia Monitor” é identificar os países que apresentam as políticas mais “amigas das pessoas com demência” e que garantem o melhor suporte e tratamento a pessoas com demência e seus cuidadores.

O relatório compara os países em 10 categorias diferentes:

  1. A existência de entidades que prestem cuidados
  2. A acessibilidade financeira aos cuidados
  3. O reembolso de medicação
  4. A existência de ensaios clínicos
  5. O envolvimento do país em iniciativas na área de investigação na demência a nível Europeu
  6. O reconhecimento da demência como uma prioridade
  7. O desenvolvimento de iniciativas “amigas de pessoas com demência”
  8. O reconhecimento de direitos legais
  9. A ratificação de tratados de direitos humanos, Internacionais e Europeus
  10. O direito a cuidados e ao emprego

A Alzheimer Europe atribuiu um ranking aos países a partir dos achados para cada uma das 10 categorias acima referidas (cada domínio contribuiu 10% para a classificação global), com a Finlândia a surgir em primeiro lugar com uma classificação de 75,2%, seguida do Reino Unido (Inglaterra) com 72,4%, a Holanda, com 71,2%, a Alemanha, com 69,4% e o Reino Unido (Escócia), com 68,8%. Num total de 36 países, Portugal ficou na vigésima terceira posição, com uma classificação de apenas 41,2%.

Para mais informações:

Contactar: Jean Georges, Diretor Executivo da Alzheimer Europe, 14, rue Dicks, L-1417 Luxembourg, Tel.: +352-29 79 70, Fax: +352-29 79 72, jean.georges@alzheimer-europe.org, www.alzheimer-europe.org, www.dementia-in-europe.eu

O relatório completo “European Dementia Monitor 2017: Comparing and benchmarking national dementia strategies and policies” pode ser adquirido no site da Alzheimer Europe a um preço de €5,20: http://alzheimer-europe.org/Publications/E-Shop/European-Dementia-Monitor-2017/European-Dementia-Monitor-2017

Fonte: Azheimer Europe, Media Release, Bruxelas, 26 de Junho de 2017

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Quando a mente nos atraiçoa

Não perca o artigo em versão pdf.

A  revista LuxWoman publicou um artigo de autoria da jornalista Leonor Antolin Teixeira a propósito da doença de Alzheimer que contou com a participação da Neuropsicóloga Margarida Rebolo e da Terapeuta Ocupacional Ana Matias.

O artigo aborda vários aspectos, tais como o diagnóstico, algumas características associadas à doença, as dificuldades de aceitação e do dia-a-dia, sem esquecer o papel crucial da família.

 

 

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Intoxicações na doença de Alzheimer ou outra Demência

A nossa casa deve ser um local seguro e onde nos sentimos mais tranquilos em relação ao nosso familiar com doença de Alzheimer ou outra demência. No entanto, alguns aspectos podem contribuir para a ocorrência de eventos inesperados e potencialmente perigosos, tais como intoxicações. Isto porque a pessoa com demência pode ter uma reduzida ou inexistente noção de perigo, colocando-se em situações de possível intoxicação sem se aperceber.

Uma intoxicação resulta da introdução de um produto tóxico no nosso organismo. Em casa temos acesso a diversos produtos químicos que podem contribuir para que isto ocorra, tais como detergentes, lixívia, produtos de higiene pessoal, medicamentos, entre outros. A intoxicação, ao contrário do que se possa pensar, ocorre não só pela ingestão destes produtos, mas também pelo contacto com a superfície cutânea ou por inalação.

Desta forma, deixamos aqui algumas dicas para reduzir o risco de intoxicação do seu familiar:

  • Guarde os produtos potencialmente perigosos em locais que possa trancar ou que sejam de difícil acesso;
  • Garanta que os produtos estão sempre rotulados de forma apropriada, o que facilita a identificação do perigo pela pessoa com demência;
  • Evite armazenar produtos potencialmente nocivos em recipientes que possam gerar confusão (por exemplo, guardar numa garrafa de água um produto incolor, pode levar o seu familiar a identificá-lo como água);
  • Se possível, compre embalagens com fecho de segurança (comum nos frascos de xarope, por exemplo);
  • Não deixe estes produtos sem supervisão, enquanto estão a ser utilizados.

Se suspeitar de intoxicação do seu familiar, verifique alguns sinais que podem auxiliar no despiste (dependendo do produto e da tipologia do contacto):

Salivação excessiva Náuseas e/ou vómitos
Alteração da dimensão das pupilas Diarreia
Sudorese excessiva Convulsões
Respiração alterada Alteração da temperatura corporal
Modificação da coloração dos lábios ou interior da boca Lesões na superfície cutânea (como queimaduras ou bolhas)
Sonolência Paralisia
Confusão mental

 

Caso identifique estes sinais e suspeite da possibilidade de intoxicação deve contactar de imediato os serviços de saúde e, em seguida, tentar identificar qual o produto que gerou a intoxicação, uma vez que será útil para o melhor atendimento médico do seu familiar.

Artigo por: Ana Matias (Terapeuta Ocupacional)

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Quando a Comunicação Falha: Pequenas Dicas que Ajudam

A Comunicação é o pilar da relação humana e, por este motivo, a participação em actividades sociais é um estímulo precioso para a manutenção das competências comunicativas.

Sabe-se hoje que a participação em actividades sociais promovidas pela comunidade, contribui para uma melhoria do humor, da memória e da linguagem.

À medida que vai existindo uma progressão da doença as capacidades de comunicação  vão também diminuindo.

Já aqui indicámos algumas estratégias facilitadoras da comunicação. Conheça hoje mais algumas dicas facilitadoras da interacção que podem ajudar na partilha de informação, de sentimentos e na prevenção de conflitos:

  • Procure um lugar calmo para comunicar: evite ambientes com ruídos de pessoas, máquinas, rádio ou televisão que dificultam a capacidade atencional da pessoa.
  • Mantenha o contacto visual e converse ao mesmo nível: Posicione-se de forma a ficar ao mesmo nível da pessoa com quem quer conversar. Flexione os joelhos ou sente-se para ficar melhor posicionado. Também é importante que se aproxime de frente, pois abordar a pessoa de lado ou por trás pode assustá-la e dificultar a comunicação.

  • O toque pode ser útil, mas também pode ser interpretado com um acto agressivo: Diga à pessoa o que vai fazer antes de fazê-lo, de forma a que a pessoa não se assuste nem sinta que lhe está a ser invadido o seu espaço pessoal.
  • Use também o nome da pessoa, pois ajuda a orientar melhor sua atenção para si. Se a pessoa estiver consciente da sua presença e conseguir manter a atenção enquanto fala, é mais provável que consiga entender a mensagem que está a querer transmitir.
  • Fale com calma: Mesmo em situações mais desafiantes e difíceis, mantenha sempre a serenidade. Um tom de voz apressado ou irritado vai muitas vezes espelhar essa atitude e aumentar a possibilidade de conflito.
  • Simplifique a informação:Utilize frases curtas e objectivas e seja directo na ideia que quer transmitir. Evite misturar assuntos, porque a capacidade de compreensão da pessoa pode estar afectada.
  • Faça apenas uma questão de cada vez e reforce a entoação:Durante a conversa, faça apenas uma pergunta de cada vez e espere pela resposta antes formular outra pergunta. Lembre-se também que questões como “quem é?”, “onde foi”, “como foi?” ou “mas porquê?” são muito difíceis de compreender ou de responder. Inverta frases negativas tornando-as positivas. Por exemplo, diga “Vamos por aqui” em vez de “Não vá para aí”. Mas lembre-se, é necessário cuidado para não infantilizar a pessoa. O declínio cognitivo não significa que o adulto passe a ser uma criança. As atitudes de infantilização são facilmente detectadas por um adulto com demência e diminuem a sua auto-estima, confiança e dignidade e podem aumentar as atitudes de agressividade.
  • Não imponha memórias: Durante a conversa, evite perguntar à pessoa se ela se lembra de alguma determinada situação.  Muitas vezes, a pessoa não é mesmo capaz de se lembrar e a situação só fomenta o sentimento de frustração e constrangimento.

E o mais importante:  Não desista da comunicação!

Revisão Clínica: Inês Tello

Ilustração: Trina Dalzier

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Demência: Quando a higiene básica se torna uma batalha

Já partilhámos aqui no NeuroSer algumas das dificuldades sentidas pelos cuidadores face à ocupação do banho. No entanto, a higiene é uma área com um alcance muito superior, que envolve outras ocupações, tais como:

  • a higiene oral,
  • a utilização da sanita,
  • lavar as mãos,
  • vestir roupa limpa.

Como sabemos que também estas ocupações se podem tornar problemáticas, mesmo que sejam percebidas como mais fáceis, damos-lhe algumas informações sobre o que poderá causar as dificuldades e de que forma as poderá superar.

 

Higiene Oral

As dificuldades relativas à higiene oral podem estar relacionadas, entre outras razões, com:

  • Dificuldades sensoriais, que dificultam a tolerância à utilização de uma escova de dentes;
  • Incapacidade de compreender a necessidade deste tipo de higiene;
  • Dificuldades em planear e sequenciar o que deve fazer.

Para superar estas dificuldades propomos:

  • Colar numa superfície visível um lembrete para a higienização dos dentes ou prótese dentária;
  • Colar numa superfície visível um esquema dos passos a realizar para a higienização dos dentes ou prótese dentária;
  • Utilizar pastas de dentes com sabores menos agressivos (o seu familiar poderá ter tendência para evitar sabores fortes e possivelmente desagradáveis, como mentol, por exemplo);
  • Optar por escovas de dentes mais suaves, logo menos agressivas;
  • Em visitas ao dentista, informe-se sobre opções de procedimentos que facilitam a intervenção com a pessoa com demência.

 

Utilização da sanita

Esta talvez seja uma das ocupações em que a relação da pessoa com demência e do seu cuidador é mais importante, bem como o tipo de suporte que a pessoa necessita.

Lembre-se que o suporte a prestar ao seu familiar deve ser o mínimo possível, sem colocar em causa a sua segurança, mas promovendo a independência.

Para potenciar o desempenho independente da pessoa com demência pode:

  • Pedir a sua ajuda para baixar as calças e roupa interior;
  • Pedir ajuda para retirar do suporte o papel higiénico ou papel higiénico húmido (toalhitas), que poderão ser uma mais valia nestes casos, por promoverem uma higiene mais eficaz;
  • Pedir ajuda na higiene com o papel higiénico ou papel higiénico húmido, dando apenas orientação verbal à pessoa acerca do que deve fazer.

Tenha em atenção que, em fases mais avançadas, a pessoa com demência poderá não reconhecer o seu cuidador (mesmo que este seja um familiar), e sentir a sua ajuda como uma violação da sua privacidade. Tente ser paciente, manter o contacto visual e voz calma, por forma a tranquilizar a pessoa. Se esta recusar a utilização da sanita ou se verificar um elevado nível de ansiedade, tente novamente mais tarde.

 

Lavar as mãos

Este é um hábito importante, mas muitas vezes desvalorizado. Deve estimular o seu familiar a lavar as mãos em água corrente. No entanto, se isso não for possível, pode optar por um recipiente com água ou por toalhetes húmidos.

Para facilitar este hábito, sugerimos que:

  • Utilize água a uma temperatura agradável para o seu familiar;
  • Indique, através de orientações verbais ou esquemas colados em superfícies visíveis, os passos para a lavagem das mãos;
  • Utilize produtos com aromas agradáveis e que vão ao encontro das preferências da pessoa;
  • Utilize toalhas para secar as mãos, que tenham cores atractivas, para que a pessoa com demência as identifique com maior facilidade;
  • Se possível, tenha em sua casa torneiras com um manípulo que facilite a utilização (ao contrário dos manípulos de rodar, por exemplo).

 

Vestir roupa limpa

Se o seu familiar mostrar alguma resistência em mudar de roupa, este comportamento pode estar relacionado com várias causas, tais como:

  • Incapacidade de fazer julgamentos face ao estado das suas roupas;
  • Sentir-se confortável com uma peça e, dessa forma, querer vesti-la constantemente;
  • Dificuldade na escolha da roupa, optando assim pela opção mais fácil, que será a de vestir o mesmo;
  • Preferir cores sólidas, em vez de padrões, que podem actuar como estímulos distratores;
  • existir uma desorientação temporal, o que faz com que a pessoa perca a noção em relação ao dia em que está e há quanto tempo vestiu aquela peça de roupa;
  • Défices sensoriais ao nível olfactivo, característicos do envelhecimento, que dificultam a percepção do odor desagradável das suas roupas.

Para superar estas dificuldades, sugerimos que:

  • Evite afirmar que as roupas estão sujas ou com odor desagradável (em vez disso, faça sugestões, pois irá evitar que a pessoa com demência se sinta julgada);
  • Guarde no roupeiro da pessoa com demência apenas algumas opções, para facilitar o processo de escolha;
  • Respeite os gostos pessoais do seu familiar;
  • Se possível, compre roupas idênticas às preferidas da pessoa com demência (padrões, cores, tamanho, textura);
  • Retire as roupas sujas do quarto do seu familiar enquanto este dorme, e substitua por outras peças para utilizar no dia seguinte;
  • Opte por promover a troca de roupa logo pela manhã ou após o banho, que são alturas do dia em que é mais natural fazê-lo.

Se se depara com alguma destas problemáticas e as estratégias sugeridas não solucionaram as dificuldades com o seu familiar, não desista!

Cada pessoa é diferente e, por isso mesmo, precisa de estratégias diferentes que se adequem ao seu caso e à sua família.

O NeuroSer quer dar mais um passo no sentido de ajudar os cuidadores a lidar com as dificuldades nas Actividades de Vida Diária e a reduzir a sobrecarga que está associada à prestação de cuidados ou ao contacto frequente com pessoas com demência. Nesse sentido, a quarta das Sessões Práticas e Informativas abordará as “Actividades de Vida Diária”, onde existirá a oportunidade de identificar possíveis causas para as dificuldades e adquirir estratégias para com elas lidar. Consulte aqui os objectivos da sessão.

Revisão: Ana Matias (Terapeuta Ocupacional)

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Sessões Informativas: Alzheimer e AVC

O NeuroSer irá iniciar dois novos ciclos de sessões práticas e informativas dirigidas a:

Pode inscrever-se apenas numa ou mais do que uma sessão de cada ciclo através do e-mail info@neuroser.pt ou ligando para 217506010.

Veja os programas e não deixe de se inscrever e de assegurar a sua vaga (os lugares são limitados).

O custo por sessão é de €10 (existem condições especiais para residentes nas Freguesias do Lumiar e de Carnide, assim como para associados da Associação de Residentes de Telheiras e do Viver Telheiras).

Fique atento a informações mais concretas sobre cada uma das sessões!

PROGRAMA ALZHEIMER E OUTRAS DEMÊNCIAS

Aceda aqui ao Programa em versão pdf: Programa Sessões Demências 2017

PROGRAMA ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

Aceda aqui ao Programa em versão pdf: Programa Sessões AVC 2017

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Demência: Quando o banho se torna uma batalha

Enquanto cuidadores de uma pessoa com demência, os familiares são confrontados com dificuldades diárias, principalmente no que diz respeito aos cuidados pessoais. Um dos problemas mais frequentemente reportado pelos cuidadores, diz respeito ao banho. Esta ocupação é de cariz tão íntimo, que se torna muitas vezes difícil para a pessoa com demência aceitar ajuda de outras pessoas ou compreender o porquê dessa necessidade. Partilhamos algumas estratégias que podem facilitar este momento.

Porque é que o meu familiar tem comportamentos desadequados no banho?

É comum que algumas pessoas com demência se tornem resistentes, ansiosas ou agressivas face a tomar banho, sendo que estes comportamentos podem surgir devido a diversos aspectos, tais como, a pessoa:

  • não compreender a necessidade de tomar banho,
  • não se sentir confortável com a nudez à frente de outras pessoas (mesmo familiares),
  • sentir-se desconfortável com a temperatura ambiente ou com a temperatura da água,
  • ter receio da água,
  • sentir-se desconfortável com a pressão do chuveiro,
  • ter receio da profundidade da água, entre muitos outros aspectos.

Será importante que tente compreender quando é que os comportamentos desadequados se iniciam, para tentar compreender a sua causa.

É essencial que se mantenha flexível e que não interprete estes comportamentos como algo pessoal, uma vez que são influenciados pelas características da própria demência.

O que é que posso fazer para facilitar o banho, antes de começar esta ocupação?

Permita ao seu familiar participar no máximo de etapas para a preparação do banho possíveis, como por exemplo: escolher a roupa que vai utilizar depois do banho, preparar as toalhas e os produtos de higiene, encher a banheira com água, entre outros.

É importante que a casa de banho seja um local percepcionado pela pessoa com demência como confortável e seguro, por isso pode:

  • utilizar um aquecedor para ajustar a temperatura do espaço (não se esqueça de manter a segurança),
  • permitir à pessoa que experimente a temperatura da água e ajustá-la face à sua reacção,
  • aquecer as toalhas,
  • utilizar música de acordo com as preferências do seu familiar ou sons relaxantes
  • utilizar algumas gotas de corante azul na água para facilitar a percepção visual (é possível que o seu familiar sinta receio da água, se não for capaz de a ver).

Convide o seu familiar a participar nestas tarefas de preparação do banho.

O meu familiar já não consegue fazer nada sozinho. Como é que posso promover a sua participação no banho?

Embora a pessoa com demência possa necessitar do seu suporte em muitas etapas do banho e sinta que ela é completamente dependente, deve sempre tentar promover a autonomia do seu familiar, garantindo que a segurança não é posta em causa.

Algumas estratégias para promover a autonomia são:

  • permitir a escolha da pessoa (por exemplo: mostre dois tipos de esponja e pergunte, de forma simples, qual prefere),
  • atribua à pessoa uma tarefa simples (por exemplo: lavar uma das pernas da pessoa e pedir que ela repita na outra perna, ou pedir que segure a esponja enquanto o cuidador coloca a quantidade adequada de gel de banho),
  • respeite a forma como a pessoa realiza a ocupação, desde que a segurança não seja colocada em causa (por exemplo: se o cuidador costuma lavar o cabelo primeiro, mas a pessoa com demência começa a lavar o corpo assim que segura a esponja, respeite essa decisão e seja flexível).

Outras estratégias que podem ser úteis.

  • Crie uma rotina de banho. Tente identificar qual a altura do dia em que a pessoa reage melhor ao banho e estabeleça essa hora do dia como “hora do banho”;
  • Simplifique tudo! O mais importante em relação ao banho é manter a higiene e saúde da pessoa, mas será que para isso é necessário utilizar diversos produtos, como champô e amaciador, ou basta um, por forma a diminuir a duração do banho? Simplifique tudo o que é possível simplificar;
  • Seja directo e utilize linguagem simples. Por exemplo, ajude a pessoa a participar, utilizando frases curtas como “sente-se” ou “lave o seu braço”;
  • Avise sempre o que vai fazer a seguir. Por exemplo, se vai molhar o cabelo da pessoa, dê essa informação à mesma, para diminuir as hipóteses de esta se assustar;
  • Utilize produtos de apoio, caso estes facilitem o banho, como por exemplo uma cadeira de banho ou barras de apoio (com aconselhamento do seu profissional de saúde);
  • Elogie a pessoa sempre que esta ajudar, mesmo que possa não ser uma ajuda eficiente! É importante elogiar para motivar a pessoa a participar;
  • Seja flexível quanto à frequência do banho ou a sua tipologia. Se num dia a pessoa estiver pouco colaborante e manifestar muita ansiedade face ao banho, opte por utilizar outra tipologia de higiene e, por exemplo, lavar o cabelo noutro dia.

Já tentei todas estas estratégias e continuo a ter dificuldades!

Se nenhuma destas estratégias resultou com o seu familiar, não desista. Cada pessoa é diferente e, por isso mesmo, precisa de estratégias diferentes que se adequem ao seu caso e à sua família. Além disso, o banho é uma ocupação complexa que envolve muitas etapas, sendo que existem outras estratégias que pode experimentar.

Contacte um profissional de saúde e peça aconselhamento face às dificuldades sentidas.

Revisão: Terapeuta Ocupacional Ana Gonçalves

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A próxima consulta médica: Que perguntas deve fazer?

Se suspeita que o seu familiar possa estar a desenvolver Alzheimer ou outra demência, é importante consultar um médico de forma a poder obter uma resposta clara.

A consulta médica é importante porque pode permitir estabelecer um diagnóstico precoce, mas também despistar outras doenças que mimetizam a demência, mas que são reversíveis (por exemplo, uma infecção do trato urinário pode causar sintomas semelhantes, mas tem cura).

Assim sendo, o diagnóstico correto por parte de um médico é essencial para que seja possível iniciar a intervenção mais adequada mas também para desencadear um processo de adaptação e preparação do futuro por parte das famílias.

Para que a consulta seja o mais produtiva possível, considere preparar-se da seguinte forma:

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  1. Mantenha um registo das queixas e dos comportamentos pouco característicos do seu familiar:
  • A descrição dos sintomas (ex: exemplos de esquecimentos, capacidade de condução alterada, episódio de desorientação espacial);
  • A data aproximada do seu surgimento e a natureza da sua progressão (Piorou abruptamente ou foi gradual? Decaiu, recuperou e depois voltou a decair? Piorou mas depois manteve-se estável?).
  1. Faça uma lista da medicação actual:
  • Esta deve incluir tanto a medicação prescrita como vitaminas, suplementos ou produtos homeopáticos que estejam a ser tomados.
  1. Organize a informação clínica e recolha informação pessoal importante
  • Se possível, prepare uma breve lista com datas e natureza dos problemas de saúde passados (ex: internamentos, cirurgias, AVCs) e atuais (ex: diabetes, tensão arterial elevada, níveis de colesterol alterados, patologia cardíaca);
  • Procure saber se houve, recentemente, alguma mudança significativa na vida do seu familiar que se possa associar ao seu estado de saúde (ex: ter ficado viúvo, ter saído da casa onde sempre morou);
  • Esteja preparado para reportar, de forma sucinta, episódios da vida da pessoa (ex: tempos de escola, evento traumáticos, processo de divórcio complicado).
  1. Pense em questões para colocar ao médico:

Quanto mais souber, mais capacitado poderá estar para tomar decisões. Sugerimos levar um bloco de notas para poder anotar qualquer indicação do seu médico ao longo da consulta.

Frequentemente, as questões só começam a surgir após a consulta com o médico, quando as pessoas regressam a casa e têm tempo e espaço para “digerir” a informação. De modo a antecipar o frenesim das consultas médicas e evitar que surjam tantas dúvidas, antecipe o que gostaria de esclarecer. É frequente os familiares quererem saber:

  • Quais as possíveis causas dos sintomas?
  • Que exames podem ser necessários? Quanto tempo pode levar até obter um diagnóstico?
  • A condição é, provavelmente, temporária ou crónica?
  • O que posso esperar nos próximos 6 meses ou 12 meses?
  • Quando devo voltar para uma próxima consulta?

Após a consulta inicial, os resultados dos vários exames complementares pedidos podem ainda demorar. No entanto, estes são essenciais para estabelecer um diagnóstico acertado, excluindo outras causas para os sintomas.

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É possível que só numa segunda consulta seja feito o diagnóstico. Caso isso aconteça é importante perguntar:

  • Quais as intervenções farmacológicas e não farmacológicas disponíveis? Quais os riscos e os benefícios das mesmas?
  • O que devo esperar da evolução da doença?
  • Devem ser feitas adaptações no domicílio para garantir a segurança da pessoa?
  • Que fontes de informação recomenda se quiser saber mais sobre a doença? Existem alguns folhetos ou materiais de apoio aos quais possa ter acesso?
  • Quais os serviços de apoio que existem perto de mim?

Outra questão muito importante na preparação da consulta é a informação que decide transmitir ao seu familiar. Esta varia de caso para caso, no entanto, pode ser útil explicar para onde vai, o que vai fazer e realçar a importância dessa mesma consulta. Não é necessário falar da possibilidade de ter um quadro demencial – é mais importante referir que o que motivou a consulta foram as dificuldades sentidas pelo seu familiar (ex: esquecimentos) e que é importante abordá-las.

Lembre-se que o médico faz parte de uma equipa e que a sua actuação está dependente do que for partilhado com ele. Seja honesto e tente ajudar o seu familiar a explicar o melhor possível os sintomas. Não tenha medo de colocar as questões que achar relevantes e tente sempre obter o máximo de informação possível para poder planear melhor o seu futuro e o do seu familiar.

Autoria Nuno Antunes com revisão de Margarida Rebolo

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O papel da Terapia Ocupacional na doença de Alzheimer ou outra demência

A Terapia Ocupacional foca a sua intervenção na capacitação da pessoa para o desempenho e envolvimento em ocupações que a própria considere como significativas, sendo que estas ocupações poderão estar relacionadas com os autocuidados, com lazer ou com produtividade.

Na sua intervenção, o Terapeuta Ocupacional tem em consideração três dimensões, sendo elas a pessoa, a ocupação e o ambiente, podendo intervir em cada uma delas.

A abordagem da Terapia Ocupacional na demência assume um papel essencial, quer na intervenção directa com a pessoa com demência, quer com os cuidadores. O Terapeuta Ocupacional é um profissional qualificado para intervir:

  • ao nível das Actividades da Vida Diária, realizando por exemplo, treino de alimentação ou treino de higiene;
  • na manutenção e promoção da participação em ocupações que vão ao encontro dos desejos e necessidades da pessoa;
  • na promoção da participação em actividades terapêuticas estimulantes em termos cognitivos, motores, emocionais e sensoriais;
  • na graduação das ocupações, por forma a permitir à pessoa um maior sucesso no seu desempenho;
  • na adaptação do ambiente físico à pessoa com demência, permitindo assim a diminuição do risco de quedas e uma maior segurança;
  • no apoio e aconselhamento dos cuidadores.

Nas fases iniciais da demência, o papel do Terapeuta Ocupacional está principalmente relacionado com a informação prestada à pessoa e ao cuidador, com a adaptação do ambiente, por forma a garantir a segurança e na manutenção das Actividades Instrumentais da Vida Diária (como por exemplo, a utilização do telefone ou a gestão da correspondência).

À medida que a doença progride, o papel do Terapeuta Ocupacional passa a estar cada vez mais relacionado com a garantia do bem-estar e qualidade de vida da pessoa e dos cuidadores. Desta forma, existe uma maior incidência na intervenção a nível sensorial, com repetição de actividades prazerosas que aumentem o sentido de familiaridade da pessoa e no treino de técnicas que facilitem o cuidado.

Revisão Clínica: Ana Matias

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