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Reabilitação Neuropsicológica no pós-AVC

A reabilitação neuropsicológica tem um papel importante na recuperação da função cognitiva  mas também na normalização da dimensão emocional e comportamental após um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Um plano de reabilitação neuropsicológica tem início com uma avaliação neuropsicológica que ajuda a identificar as sequelas cognitivas e emocionais do AVC e que permite definir o potencial de reabilitação. Fazendo sentido intervir, definem-se os objectivos específicos da intervenção em conjunto com a pessoa e com a família. A eficácia do plano é avaliada em função do cumprimento ou não dos objectivos inicialmente propostos.

Quando se conclui que existe potencial de restituição da função afectada (por exemplo, da memória ou da concentração), pretende-se estimulá-la até que esta melhore. A estimulação cognitiva pode englobar técnicas de natureza variada, nomeadamente o treino cognitivo (normalmente computorizado) e a simulação de actividades do quotidiano (ex: tarefas que faziam parte do dia-a-dia da pessoa). Estas técnicas pretendem aproximar a pessoa o máximo possível do seu nível funcional antes do AVC.

Quando não é possível restituir a função, são propostas estratégias compensatórias (por exemplo uma agenda ou um sistema de post-its como auxiliar de memória) e realiza-se o ensino da utilização das mesmas junto da pessoa e da família.

À semelhança do que acontece com as restantes áreas de intervenção, o objectivo máximo é o de promover a autonomia, funcionalidade e qualidade de vida da pessoa.

Finalmente, é de referir que a reabilitação neuropsicológica engloba o acompanhamento emocional e logístico das famílias durante o processo de recuperação. As sequelas de um evento de saúde como este podem implicar mudanças importantes e perturbações emocionais complexas, pelo que requerem uma orientação de um profissional que saiba trabalhar os processos psicológicos inerentes.

Artigo por: Margarida Rebolo – Neuropsicóloga no NeuroSer

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O papel da neuropsicologia na reabilitação pós-AVC.

 

Qual o papel do Neuropsicólogo na reabilitação pós-AVC?

A maioria dos Acientes Vasculares Cerebrais (AVCs) resultam em algum tipo de alteração a nível cognitivo. Se falarmos de um AVC no hemisfério cerebral dominante para a linguagem – hemisfério esquerdo – podem ocorrer, por exemplo, alterações ao nível da linguagem, da capacidade práxica (programação de movimentos) e da memória verbal. No caso de um AVC no hemisfério não dominante – hemisfério direito – podem ocorrer alterações ao nível do reconhecimento de faces, da percepção visuo-espacial e do foco atencional para metade do nosso corpo ou do campo visual, por exemplo.

O neuropsicólogo tem um papel fundamental na reabilitação da função cognitiva mas também na normalização da dimensão emocional e comportamental pós-AVC.

A intervenção neuropsicológica junto de pessoas com lesão cerebral adquirida diferencia-se da intervenção realizada junto de pessoas com patologia neurodegenerativa.

Quando se dá um evento agudo como um AVC, considera-se que existe potencial para restituir a função perdida graças aos mecanismos de plasticidade que permitem que o cérebro se regenere. Neste caso, a intervenção é muito mais dirigida para o treino da função (ex: treino de memória) com o objectivo de aproximá-la o mais possível do seu nível pré-mórbido (estado anterior à lesão).

Já no caso de um quadro neurodegenerativo, o objectivo não é restituir a função mas sim desacelerar o ritmo de deterioração e promover a adaptação da pessoa e da família relativamente às perdas que vão ocorrendo com o decorrer da doença.

Existe muitas vezes a crença de que a reabilitação cognitiva se resume à realização de tarefas computorizadas. De facto, as tarefas computorizadas, com o acompanhamento presencial do neuropsicólogo, podem ser úteis, por exemplo, na reabilitação de alterações atencionais consequentes a um AVC. No entanto, esta técnica apenas deve ser complementar à restante intervenção e nunca assumir um papel preponderante.

Quando não é possível restituir a função, o neuropsicólogo pode sugerir estratégias compensatórias (por exemplo uma agenda ou sistema de post-its como auxiliar de memória) e realizar o ensino da sua utilização para garantir que a pessoa adere e se adapta à estratégia em questão.

Finalmente, é de referir que o neuropsicólogo tem um papel importante no acompanhamento emocional e logístico das famílias durante o processo de recuperação da pessoa que sofreu um AVC. As limitações motoras ou cognitivas podem implicar mudanças importantes na vida familiar e muitas vezes requerem uma orientação de um profissional que saiba trabalhar os processos psicológicos inerentes.

No NeuroSer, um caso de AVC é discutido em equipa multidisciplinar pois tem geralmente implicações a vários níveis: motores (exigindo a intervenção da fisioterapia), da comunicação (necessitando da contribuição da terapia da fala), cognitivos e emocionais (beneficiando da acção da neuropsicologia). Só assim poderá ser prestado um cuidado adequado e verdadeiramente personalizado.

 

 Revisão Clínica: Margarida Rebolo

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Avaliação Neuropsicológica

Em que é que consiste?

A avaliação neuropsicológica é um exame não invasivo que permite avaliar com maior detalhe alguns aspectos do funcionamento cerebral, nomeadamente a cognição e o estado emocional.

Regra geral, a avaliação neuropsicológica contempla os seguintes momentos:

  • Entrevista – visa, entre outros aspectos, recolher a história clínica da pessoa e ouvir os relatos da família relativamente às mudanças que têm observado no seu familiar. A ideia é recolher toda a informação que permita contextualizar o desempenho do indivíduo nas provas.
  • Aplicação de provas – os psicólogos dispõem de um conjunto de instrumentos para estudar as chamadas “funções nervosas superiores” (tais como a cognição, o comportamento e as emoções) que podem ir desde provas (ex: ler, escrever e responder a perguntas breves) a escalas (ex: assinalar a afirmação que melhor reflete o que a pessoa está a sentir). Comparam-se as respostas dadas pela pessoa avaliada com as do grupo normativo (conjunto de pessoas saudáveis com escolaridade e idade semelhantes) para averiguar se estamos perante um quadro patológico ou normal.
  • Devolução do relatório – após a entrevista e a aplicação de provas, gera-se um relatório de avaliação neuropsicológica. A informação que consta neste relatório pode ser indecifrável para quem não tem conhecimentos nesta área. Assim, é fundamental explicar à pessoa e à sua família o significado dos resultados da avaliação e a sua implicação no dia-a-dia. O objectivo não é comunicar um diagnóstico (essa é uma competência do médico responsável) mas sim descrever o perfil cognitivo e emocional da pessoa e fornecer-lhe estratégias para ultrapassar quaisquer limitações que possam existir.

Para que serve?

Geralmente a avaliação neuropsicológica é requisitada pelo médico quando este necessita de mais um contributo para o processo de diagnóstico ou considera que a pessoa tem indicação para realizar intervenção não-farmacológica, pelo que a avaliação neuropsicológica pode servir para delinear um plano de intervenção mais eficaz.

 

Implica algum tipo de preparação?

A avaliação neuropsicológica não exige nenhuma preparação especial, apenas é necessário que a pessoa a ser avaliada ou o seu familiar consiga comunicar os principais problemas e responder às perguntas do psicólogo.

Leve a informação clínica relevante (ex: relatórios médicos, exames de imagem, medicação actual) para que esta possa ser integrada no relatório de avaliação neuropsicológica.

É importante dormir bem na noite anterior e não estar em jejum ou com fome no momento da avaliação pois estes factores podem limitar a capacidade de pensamento.

Recomenda-se que leve óculos ou aparelho auditivo, se necessitar deles para ver e ouvir melhor.

Finalmente, é aconselhável que a pessoa a ser avaliada se faça acompanhar de alguém com quem conviva frequentemente, pois o seu testemunho poderá ser importante.

 

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

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