Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

Horário : Segunda a Sexta das 09h00 às 19h00
  Contacto : +351 21 750 6010 | info@neuroser.pt

Dicas

Como lidar com os comportamentos de recusa?

Os comportamentos de recusa são um problema comum nesta população e que poderão surgir face a qualquer pedido, seja ele qual for. Estes comportamentos têm, nos familiares/cuidadores, um grande impacto, por muitas vezes estar associado a factores importantes e imprescindíveis no dia-a-dia da pessoa, como por exemplo a toma da medicação ou comer.

Por isso, aqui ficam algumas dicas que pretendem auxiliar a lidar com este comportamento:

Tente perceber o seu porquê: a primeira coisa a fazer, é tentar perceber o porquê da recusa da pessoa. Por vezes, pode acontecer simplesmente porque a pessoa não compreende o que lhe estão a pedir ou a fazer;

Evite forçar: é fundamental evitar este tipo de atitude, que levará a uma maior recusa por parte da pessoa. Poderá optar por voltar a perguntar ou a pedir um pouco mais tarde;

Explique à pessoa de forma clara e simples: para que a pessoa possa compreender o que lhe está a pedir ou o que irá fazer. A comunicação não-verbal (gestos) poderá ser útil, no caso de a pessoa ter uma alteração da compreensão;

Procure estar num ambiente tranquilo e que lhe seja familiar: evite ambientes com ruídos ou distrações que poderão comprometer a concentração e evitar os comportamentos de recusa;

Mantenha uma postura calma e serena: que ajudará a que a pessoa não se sinta pressionada, frustrada ou irritada. Lembre-se de respirar fundo e manter-se tranquilo;

Seja flexível: é importante respeitar a pessoa e perceber que este comportamento se deve à patologia e às alterações consequentes da mesma;

Dê tempo: é importante dar-lhe tempo suficiente para processar o que lhe está a ser pedido e para realizar a tarefa. Não dê importância aos erros e tranquilize-a caso não consiga. Lembre-se de dar sempre um feedback positivo durante a realização de qualquer tarefa.

Estas são apenas algumas dicas para lidar com os comportamentos de recusa. No entanto, as mesmas poderão não funcionar com todos os casos, sendo por isso importante procurar o auxílio de profissionais da área que irão ao encontro destas necessidades.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

Ler Mais

Demência – Como lidar com a diminuição/perda de mobilidade?

Como já abordámos anteriormente, apesar da demência ser uma patologia predominantemente cognitiva, está também associada a dificuldades motoras. Estas são muitas vezes desvalorizadas, por pensar-se que estão unicamente relacionadas com o avançar da idade.

Uma das dificuldades motoras presentes na demência é precisamente a diminuição da mobilidade geral, que se caracteriza pela lentificação do movimento (bradicinesia). Este facto contribui para uma diminuição da funcionalidade, surgimento de sedentarismo e diminuição da independência nas actividades do dia-a-dia, o que leva a um aumento da sobrecarga nos cuidados prestados.

É por isso fundamental conhecer algumas dicas que possam auxiliar a lidar e retardar este problema:

  • Procure manter a pessoa activa no seu dia-a-dia: promovendo a manutenção das suas rotinas e/ou a realização das actividades que mais gosta, podendo estas serem adaptadas à medida que a demência progride;
  • Privilegie a colaboração da pessoa nas actividades de vida diária: poderá orientar/preparar a tarefa e auxiliar a pessoa caso seja necessário, mas privilegiando sempre a sua colaboração e independência;
  • Realize exercício físico regular: é fundamental para promover as funções motoras na sua globalidade. Por exemplo, poderá todos os dias fazer uma caminhada de pelo menos 20 minutos numa zona onde a pessoa goste de passear ou mesmo no corredor da sua casa;
  • Seja um participante ativo e faça atividades em conjunto com a pessoa: é um dos principais factores de adesão e motivação para a pessoa, sentir que o seu cuidador/familiar participa nas suas actividades;
  • Evite que a pessoa passe a maior parte do seu dia sentada/deitada: o sedentarismo é um problema que potencia o agravamento das funções motoras e consequentemente a perda de mobilidade;
  • Aconselhe-se com os profissionais da área: poderá ser necessário a pessoa adoptar um auxiliar de marcha, como auxílio para manter a sua mobilidade ou mesmo realizar uma intervenção mais específica. A fisioterapia é a principal área responsável por intervir nestas alterações, sendo o seu principal objetivo manter a máxima funcionalidade e independência, de forma a facilitar as atividades de vida diária, durante o maior tempo possível e lidar com as alterações motoras que possam surgir da demência e do avançar da idade.Tem também um papel fundamental no ensino aos cuidadores e familiares de dicas a adoptar em casa para a promoção do exercício físico e na prevenção e redução do risco de quedas.

A diminuição da mobilidade é inevitável nas pessoas com demência, no entanto existem estratégias e intervenções terapêuticas que visam retardar o aparecimento desse problema e potenciar a funcionalidade, independência e o bem-estar.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

Ler Mais

Demência e Deambulação

Qual o seu significado?

O comportamento de deambulação é bastante comum e pode ser muito inquietante para os familiares e cuidadores das pessoas com demência, pois poderá pôr em causa a sua segurança e o seu bem-estar.

O termo deambulação tem como significado “andar sem objectivo”, no entanto no caso das pessoas com demência não corresponde ao real significado deste comportamento.

Na realidade, quando andam, as pessoas com demência têm um sentido, que pode estar relacionado com rotinas antigas (por exemplo: ir trabalhar ou irem buscar os filhos/netos à escola).

No entanto, o declínio das funções cognitivas, como a perda de memória e o as dificuldades de comunicação da pessoa com demência pode levar a que seja incapaz de explicar o motivo pelo qual necessita de andar naquela momento (deambular).

Muitas vezes este comportamento é descrito pelos familiares e cuidadores, como se a pessoa quisesse “fugir” ou estar sempre a “andar de um lado para o outro”. Na realidade, a pessoa anda com um objectivo de fazer algo que fez parte da sua história de vida e das recordações que ainda tem, mesmo que possa não as conseguir verbalizar.

 Quais as causas?

Alteração do ambiente

Uma pessoa com demência pode sentir-se insegura e desorientada num ambiente novo, como por exemplo numa casa nova, numa casa que já não reconhece como sua ou num centro de dia/lar. O comportamento de deambulação pode surgir como resposta a uma mudança de ambiente e pode cessar no caso de a pessoa se habituar à mudança.

O comportamento de deambulação poderá também surgir como fuga a ambientes ruidosos ou movimentados.

Excesso de energia

A deambulação pode ser uma forma de gastar energia em excesso, o que pode indicar que a pessoa necessita de uma maior ocupação no seu dia-a-dia e/ou exercício físico regular adaptado.

Agitação

Face a momentos de desorientação seja ela de que causa for, pode surgir como consequência a agitação. Por vezes, a agitação pode levar a que a pessoa ande de um lado para o outro sem propósito aparente.

Procurar o passado

À medida que a demência progride, as pessoas poderão ficar mais confusas, podendo querer sair de casa em busca de alguém, para irem trabalhar ou de algo relativo ao seu passado.

Expressar o aborrecimento

Com a progressão da demência, torna-se mais difícil para a pessoa concentrar-se durante algum tempo, sendo que deambulação pode ser uma forma de a pessoa se manter ocupada.

Confundir a noite com o dia

A pessoa com demência pode sofrer de insónias ou acordar de madrugada e ficar desorientada. Nesta sequência, pode pensar que é de dia e decidir fazer uma caminhada ou pensar que têm de ir trabalhar.

As dificuldades de visão ou perda de audição podem fazer com que as sombras ou os sons da noite se tornem confusos e angustiantes, pelo que não devem sair sozinhos.

Por outro lado, a incapacidade de diferenciar os sonhos da realidade pode levar a pessoa a responder a algo que sonhou, pensando que isso aconteceu na vida real.

Dar continuidade a um hábito

As pessoas que estavam habituadas a caminhar longas distâncias podem, simplesmente, desejar continuar a fazê-lo.

Desconforto ou dor

O andar pode aliviar um desconforto ou dor que a pessoa possa sentir, sendo por isso importante descobrir se existe algum problema físico ou condição médica e tentar lidar com a sua situação. Como exemplo, alguma dor, o uso de roupas apertadas, o calor excessivo, ter frio ou estar à procura por algo.

O que fazer?

– Tente perceber o motivo pelo qual a pessoa procura deambular;

– No caso de estar agitada ou confusa tente tranquiliza-la e ajudá-la, se for necessário deambule com ela até que se acalme;

– Lembre-se de manter uma postura calma, tentando não contrariar este comportamento ou forçar a que pare;

– Procure garantir a sua segurança, não só dentro do espaço onde se encontra, mas também no exterior;

– Assegure que a pessoa tem sempre consigo alguma forma de identificação para o caso de se perder;

– Procure manter a pessoa ocupada com actividades que lhe sejam prazerosas, adequadas à sua condição clínica.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

 

 

 

 

 

 

Ler Mais

Águas Aromatizadas: uma ajuda para prevenir a desidratação

A desidratação é uma das principais causas de problemas de saúde no idoso. Pode levar a alterações renais e cardíacas, causar desorientação e diminuir a eficácia de alguns medicamentos.

No entanto, é frequente existir recusa na ingestão de água e esta recusa poderá ser mais acentuada nas pessoas com demência.

Deixamos-lhe algumas receitas de águas aromatizadas para motivar a ingestão de líquidos:

Surpresa de frutos vermelhos:

  1. Num jarro, coloque um litro de água com frutos vermelhos à sua escolha (podem ser morangos, as últimas cerejas da época, framboesas ou mistura de frutos congelados);
  2. Acrescente um ramo de hortelã fresca e bem lavada e umas gotas de limão;
  1. Sirva com cubos de gelo e decore com uma rodela de limão;
  1. Acrescente uma palhinha e já está!

IMG_9183

Delícia de Melancia:

  1. Corte duas fatias largas de melancia, retire a casca e todas as sementes;
  1. Parta a melancia em porções mais pequenas e coloque-as no copo liquidificador;
  1. Coloque o sumo de melancia num jarro e acrescente água;
  1. Complete com um ramo de hortelã e umas gotas de limão;

IMG_9181

Mistura exótica:

  1. Corte rodelinhas de meio pepino e rodelas de 1 lima;
  1. Descasque a raiz do gengibre e junte duas ou três rodelas;
  1. Acrescente um ramo grande de hortelã fresca;
  1. Termine com água fresca ou água com gás.

aaa

 

Outras ideias:

Pode fazer cubos de gelo com pedacinhos de fruta!

2

Ler Mais

Degenerescência Lobar Fronto-Temporal

A degenerescência lobar fronto-temporal é um termo utilizado para designar um conjunto de demências que afetam particularmente os lobos frontal e temporal do cérebro.

O lobo frontal é responsável por muitos aspetos do funcionamento cerebral, nomeadamente a tomada de decisão e a regulação do comportamento. Já o lobo temporal está associado, entre outras funções, à linguagem. Numa fase inicial a degenerescência lobar frontotemporal, carateriza-se por alterações do comportamento ou da linguagem.

No caso em que a pessoa começa por apresentar alterações comportamentais estamos perante a variante comportamental da degenerescência lobar fronto-temporal.

            No caso dos primeiros sintomas serem alterações da linguagem estamos perante uma Afasia Progressiva Primária.

Os principais sintomas da variante comportamental da degenerescência lobar fronto-temporal são:

  • Desinibição (ex: cumprimentar pessoas estranhas na rua, andar sem roupa pela casa);
  • Apatia (ex: falta de iniciativa para iniciar uma tarefa; falta de interesse);
  • Comer em excesso ou nova preferência por alimentos doces;
  • Comportamentos repetitivos (ex: abrir e fechar gavetas)
  • Colecionar objetos (ex.: lixo, moedas);
  • Impulsividade (agir sem medir as consequências);
  • Dificuldade em planear e/ou organizar e/ou executar uma determinada tarefa;

Outros sintomas podem incluir:

  • Distração e impersistência;
  • Rigidez mental e inflexibilidade;
  • Gastos impulsivos;
  • Embotamento emocional;
  • Mudanças de humor.

Já a Afasia Progressiva Primária, a variante de linguagem da degenerescência lobar fronto-temporal, caracteriza-se por uma deterioração insidiosa da linguagem (isoladamente durante pelo menos dois anos), sendo que mais tarde surgem alterações noutros domínios cognitivos, comportamentais e emocionais.

A Afasia Progressiva Primária é muitas vezes dividida em três quadros distintos pois cada um deles parece apresentar um perfil clínico particular:

  1. Demência Semântica: perda do significado de palavras e conceitos;
  2. Afasia Progressiva Não Fluente: dificuldade em encontrar palavras e redução da fluência verbal;
  3. Afasia Progressiva Logopénica: deterioração da capacidade de nomear palavras isoladas e da repetição de frases como consequência de limitações na memória de trabalho.

Infelizmente, ainda não existe tratamento que permita reverter este conjunto de doenças. Os medicamentos utilizados servem apenas para o controle dos sintomas comportamentais. No entanto, recomenda-se complementar a intervenção farmacológica com terapias não-farmacológicas (ex: estimulação cognitiva e terapia da fala) pois podem ajudar a controlar os sintomas e a promover o bem-estar da pessoa e da família.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo e Rita Ferreira

Ler Mais

Dicas para facilitar os cuidados básicos

Numa fase inicial após o AVC é necessário dar um maior apoio durante os cuidados básicos, dado a diminuição da independência e funcionalidade da pessoa. No entanto, devemos evitar realizar tudo pela pessoa, é fundamental envolve-la na actividade e pedir sempre a sua colaboração mesmo que seja pouca, pois caso contrário estaremos a limitá-la involuntariamente.

O auxílio durante os cuidados básicos deverá ser realizado tendo em conta as capacidades da pessoa, o respeito pela sua privacidade, a promoção da sua autonomia e independência, valorizando os pequenos ganhos e tendo sempre uma escuta activa.

Higiene pessoal

  • Mantenha a rotina: tente realizar o banho na hora que a pessoa estava habituada a fazê-lo e com os produtos que esta gostava;
  • Prepare previamente a actividade: aquecendo o espaço, colocando o que vai precisar facilmente acessível (champô/sabonete, toalha);
  • Promova a sua segurança e o seu conforto: poderá ser necessário realizar adaptações (ex: barras de apoio, cadeira de banho, tapete anti-derrapante), procure ajuda junto do Fisioterapeuta que acompanha a pessoa. Tenha em conta a temperatura, profundidade e pressão da água, para que seja um momento agradável;
  • Procure explicar à pessoa o que vai acontecer: passo a passo, de forma simples e de fácil compreensão, para facilitar a sua colaboração e esta se sentir envolvida;
  • Privilegie a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração;
  • Respeite a dignidade da pessoa e a sua privacidade: lembre-se que é uma tarefa íntima, seja flexível durante a mesma;
  • Dê especial atenção à sua pele: é muito importante manter a pele limpa e bem seca, principalmente nas dobras e nos vincos da pele. No caso de a pessoa ter alterações da pele, informe-se junto dos profissionais de saúde que acompanham que cuidados especiais tem de ter;
  • Assegure a correcta higiene das zonas íntimas: para evitar possíveis infeções urinárias ou outros problemas;
  • Não se esqueça da higiene oral: poderá utilizar uma escova de dentes suave ou uma compressa húmida, dependendo dos casos. No caso de a pessoa ter uma prótese dentária, é necessário realizar a sua higiene também;
  • Dê sempre um feedback positivo: durante e após a realização da tarefa, melhorando a sua confiança e auto-estima.

Vestir

  • Deixe a pessoa escolher a sua roupa: caso seja possível, devemos incentivar a que a pessoa use roupa confortável do seu dia-a-dia e evitar ficar de pijama durante o dia todo;
  • Prepare previamente a actividade: esquematize a roupa pela ordem que esta deve ser vestida e oriente ou exemplifique como a pessoa deve fazer;
  • Promova o seu conforto: é importante escolher roupas confortáveis, fáceis de vestir, de textura macia e elástica, a fim de potenciar a independência e favorecer a mobilidade e o bem-estar da pessoa;
  • Procure que utilize um calçado adequado: deve ser justo, confortável, leve, fechado, anti-derrapante e privilegie o velcro em vez dos atacadores, para facilitar a sua autonomia;
  • Dê tempo: é importante dar-lhe tempo suficiente para se vestir, tentando não dar importância aos erros e tranquilizá-la caso não consiga. Lembre-se de dar sempre um feebback positivo durante a realização da tarefa;
  • Simplifique o processo de maquilhar: a maquilhagem faz parte da rotina de muitas senhoras e será importante manter. Esta esta tarefa pode ser simplificada, auxiliando a manter o seu interesse e a sua auto-estima;
  • Como devo vestir/despir uma camisola ou um casaco? Numa fase inicial, poderá ser um auxílio a pessoa vestir um número acima do seu, de maneira a que facilite o acto de vestir/despir, dado a pessoa ter menos mobilidade para o fazer. Devemos vestir primeiro o membro mais afectado e despi-lo em último lugar.

Comer e Beber

É fundamental manter uma correcta e equilibrada nutrição para manter o corpo forte e saudável, pois devido à diminuição de mobilidade a pessoa poderá ter tendência para engordar, o que dificultará a sua mobilidade e aumentará a exigência nos cuidados prestados.

  • Privilegie a independência da pessoa: é importante encorajar a pessoa a fazer por si, auxiliando no que for necessário ou exemplificando a tarefa, mas privilegiando sempre a sua autonomia;
  • Procure variar a alimentação: procure realizar uma alimentação variada, privilegiando os vegetais, a fruta, os alimentos com baixo teor em gordura e de proteína magra, evitando os açúcares. Privilegie também os seus gostos e hábitos saudáveis;
  • Promova uma boa hidratação e alimentação: são essenciais para a manutenção e recuperação do estado de saúde da pessoa;
  • Esteja atento a sinais de engasgamento: as dificuldades em deglutir poderão provocar um engasgamento. Evite dar alimentos de difícil mastigação e encoraje a pessoa a adquirir uma postura correcta durante a refeição (sentada com o tronco direito e cabeça ligeiramente para a frente). Verifique durante e após a refeição o conteúdo da boca da pessoa para perceber se engoliu os alimentos. Procure ajuda junto de um terapeuta da fala se existirem dificuldades na deglutição.
  • Verifique sempre a temperatura da comida: a pessoa poderá não conseguir distinguir se está frio ou quente, por isso verifique sempre antes de dar a refeição;
  • Adapte os utensílios e a sua disposição: procure utilizar utensílios de fácil manuseamento, para facilitar a autonomia da pessoa. Existem várias ajudas técnicas neste sentido e poderá informar-se das mesmas junto do Terapeuta da Fala;
  • Procure dar a refeição num ambiente calmo e familiar: sempre que possível a refeição deverá continuar a ser um momento de convívio familiar, mesmo que seja necessário realizar algumas adaptações;
  • Procure tornar a refeição um momento agradável: é importante tomar a refeição com a pessoa, de forma a encorajá-la a realizar a mesma e promover a socialização e inclusão;
  • Seja flexível: não se preocupe demasiado com as maneiras correctas e a limpeza, pois isso poderá levar a que a pessoa não queira repetir e associa a refeição a um momento desagradável. Lembre-se de dar tempo e de fazer refeições mais pequenas e frequentes, fazendo do almoço a refeição principal, a fim de evitar uma indigestão à noite;
  • Perda de apetite ou perda de peso: caso aconteça será importante informar o seu médico.

Todas estas estratégias pretendem facilitar as actividades de vida diária, no entanto será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua funcionalidade, ao seu contexto e às suas necessidades.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

Ler Mais

Sintomas não-motores na Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson é conhecida pelas suas alterações motoras, nomeadamente uma lentificação do movimento e outros sintomas tais como a rigidez muscular, tremor de repouso ou instabilidade postural. No entanto, cada vez mais se sabe que fazem também parte do quadro sintomas não motores como a depressão, a ansiedade ou as alterações cognitivas.

O facto da Doença de Parkinson ser classificada como uma doença do movimento por vezes leva a que os sintomas não motores sejam subvalorizados. No entanto, estes podem ser tão ou mais incapacitantes que as alterações motoras que caracterizam a doença.

Existe cada vez mais evidência de que os sintomas não motores, que ocorrem na Doença de Parkinson, não são apenas resultado de efeitos secundários dos medicamentos ou reactivos às adversidades da doença. Os próprios mecanismos patológicos da doença (alteração das vias dopaminérgicas) parecem estar na sua origem.

Humor

A alteração do humor é um dos sintomas não motores mais comuns na Doença de Parkinson, podendo até surgir muito antes dos sintomas motores. A grande maioria das pessoas com Doença de Parkinson apresenta sintomatologia depressiva. Mais especificamente, podem experienciar sentimentos de tristeza e infelicidade persistentes e incapacitantes.

As alterações motoras da Doença de Parkinson podem levar, por exemplo, a que uma pessoa tenha que deixar de trabalhar ou conduzir. No entanto, na ausência de uma perturbação do humor, a pessoa é capaz de se adaptar (com menor ou maior esforço) a essa mudança e procurar e alcançar a satisfação através de outras actividades. Uma vez que os sintomas depressivos são tão frequentes nesta doença, a adaptação necessária face à incapacidade motora pode ser menos adequada e, tal como o efeito de uma bola de neve, são geradores de maior incapacidade e menor qualidade de vida.

A depressão apresenta uma associação muito forte com outros sintomas não motores tais como a fadiga, a falta de energia, a lentificação psicomotora, a dor, a diminuição do apetite e as perturbações do sono. O tratamento da sintomatologia depressiva, poderá ajudar a reduzir o impacto das mesmas.

A apatia refere-se à falta de motivação e de interesse. É muito comum na Doença de Parkinson haver uma indiferença emocional e uma escassez de objectivos. As pessoas referem que já não têm prazer em realizar actividades que lhes interessavam anteriormente. Os cuidadores reportam que a pessoa com Doença de Parkinson já não participa em actividades sociais ou físicas.

Ocorre normalmente por uma degenerescência das áreas cerebrais reponsáveis pelo comportamento orientado para um objectivo ou recompensa.

Regra geral, a apatia é difícil de tratar. Para além dos fármacos disponíveis para o efeito, pode ser importante informar os doentes e os seus cuidadores. Mais especificamente, importa diferenciar a apatia de sentimentos de “preguiça” ou de uma falta de esforço consciente.

Ansiedade

A sintomatologia ansiosa é bastante comum na Doença de Parkinson, podendo ser independente ou concomitante à depressão. No entanto, sabemos que quando existe sintomatologia depressiva, a ansiedade é um componente proeminente. Muitas vezes está relacionada com flutuações motoras induzidas pela medicação, podendo manifestar-se como ataques de pânico, fobias, ou uma perturbação da ansiedade generalizada.

Cognição

A diminuição do funcionamento cognitivo é muito comum nesta doença.

As alterações cognitivas que acompanham a Doença de Parkinson são sobretudo ao nível da atenção (ex: diminuição da concentração ou dificuldade em ignorar estímulos no ambiente que não são relevantes para a tarefa em curso), do funcionamento executivo (ex: dificuldade em planear uma tarefa ou inibir estímulos ou respostas não relevantes/adequadas) e da memória (ex: dificuldade em evocar nomes ou informação previamente memorizada). Podem existir alterações noutros domínios cognitivos, nomeadamente ao nível da capacidade visuo-perceptiva e da velocidade de processamento de informação.

Os números variam de estudo para estudo, no entanto, podemos dizer que cerca de 40% das pessoas recentemente diagnosticados com Doença de Parkinson apresentam alterações cognitivas compatíveis com um Défice Cognitivo Ligeiro. Cerca de 30% das pessoas com Doença de Parkinson têm demência. Após 20 anos de evolução de doença, a maioria dos doentes já desenvolveram um quadro demencial.

É importante esclarecer que, apesar da sua prevalência considerável nesta população clínica, a Doença de Parkinson não é necessariamente acompanhada por um quadro demencial. É também de referir que, existindo uma demência, não é necessário que esta seja associada à Doença de Parkinson – podemos estar perante um outro tipo (ex: Doença de Alzheimer ou Demência Vascular) ou até uma combinação de vários tipos de demência (demência mista).
Comportamento

É comum as pessoas com Doença de Parkinson terem dificuldade em resistir a impulsos ou inibir comportamentos potencialmente nocivos para o próprio ou para outros. Muitas pessoas apresentam comportamentos patológicos de jogo (gambling), hipersexualidade, ingestão compulsiva de alimentos, repetição de tarefas inúteis ou irrelevantes e fazem compras de forma compulsiva. Uma perturbação do controlo de impulsos podem ter efeitos devastadores, por vezes levando à falência financeira ou à deterioração de relações interpessoais.

Estes comportamentos podem ser um secundários a algumas terapêutica anti-parkinsónicas.

 

Outros sintomas não motores

  • Sonolência diurna excessiva: doentes podem adormecer ao volante, durante uma conversa ou no cinema. Em casos mais graves, a pessoa pode experienciar “ataques de sono” repentinos que não consegue controlar.
  • Diminuição da capacidade olfativa (hiposmia): é um sintoma comum mas muitas vezes ignorado que pode ocorrer muito tempo antes dos sintomas motores.
  • Perturbação do sono REM: caracterizada pela presença de sonhos vividos e presença de movimentos complexos durante o sono REM (movimentos rápidos dos olhos), sem a habitual “paralisia” muscular que se encontra nas pessoas saudáveis. Os doentes podem cair da cama abaixo, falar e rir à gargalhada e normalmente não se lembram dos episódios, sendo a história relatada pelo parceiro/a.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo e Rita Ferreira

Ler Mais

Défice Cognitivo Ligeiro

À medida que envelhecemos, assistimos a um declínio natural do funcionamento cognitivo – denominado de envelhecimento cognitivo fisiológico ou normal. Podemos ter mais dificuldade em evocar o nome de um objecto ou de uma pessoa, mas lembrarmo-nos dele mais tarde. Podemos perder as chaves ou a carteira de vez em quando ou sentir maior necessidade de escrever recados e listas para não nos esquecermos de informação importante. Estas falhas cognitivas são geralmente muito discretas e não perturbam o nível de funcionalidade/autonomia da pessoa.

O termo Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) é utilizado quando estas alterações cognitivas são mais frequentes ou graves do que é expectável para a idade e para o nível de escolaridade do indivíduo.

Sintomas de DCL podem incluir:

  • Dificuldade em realizar mais do que uma tarefa de cada vez;
  • Dificuldade em resolver problemas mais complexos ou na tomada de decisões;
  • Esquecimento de informação recente (eventos ou conversas recentes), por vezes levando a que a pessoa repita algumas vezes a mesma informação.

Apesar da existência destas alterações, as pessoas continuam a manter um nível de funcionalidade normal ou quase inalterado.

Assim, o DCL situa-se entre o envelhecimento normal e o envelhecimento patológico. Não se considera um funcionamento cognitivo completamente normal, no entanto, também não são preenchidos os critérios para um diagnóstico de demência.

A literatura demonstra que existe um risco considerável de um DCL evoluir para uma síndrome demencial (ex: Doença de Alzheimer). Estudos demonstram que um DCL do tipo amnésico (principal função afectada é a memória) mais provavelmente evoluirá para uma Doença de Alzheimer, enquanto que um DCL não amnésico tenderá a evoluir para outras demências tais como a variante comportamental da Degenerescência Lobar Fronto-Temporal ou a Demência com Corpos de Lewy.

No entanto, importa referir que nem todos os casos de DCL transitam para um quadro patológico – o estado cognitivo de uma pessoa com DCL pode manter-se estável durante vários anos. Infelizmente a ciência ainda não consegue prever se uma pessoa com DCL irá permanecer estável ou progredir para um quadro demencial.

A mensagem que os profissionais de saúde costumam deixar a uma pessoa recentemente diagnosticada com DCL é a seguinte: esperar pelo melhor mas ao mesmo tempo aceitar que o quadro poderá progredir.

É importante procurar informação e fazer planos para o caso de ter menos capacidade para o fazer no futuro. Como factores protectores do funcionamento cognitivo é importante:

  • Manter ou intensificar a actividade física;
  • Promover uma alimentação saudável;
  • Manter a actividade mental (as interacções sociais são uma óptima forma de estimular o cérebro!);
  • Manter uma atitude positiva (tentar evitar situações de stress, rodear-se de pessoas que o apoiem);
  • Manter um acompanhamento médico frequente e adequado de modo a controlar factores de risco (ex: Hipertensão Arterial, diabetes, colesterol elevado, etc…)
  • Estabelecer uma rotina.

 

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

Ler Mais

O que não dizer a um Cuidador

Quando falamos com um cuidador de uma pessoa com Alzheimer ou outra demência queremos mostrar-lhe apreciação pelo trabalho que faz e encorajá-lo a continuar.

Queremos reconhecer as dificuldades que este enfrenta e até mesmo mostrar que estamos dispostos a ajudar. As nossas intenções são boas, queremos ajudar e temos noção de que ser cuidador não é tarefa fácil. Quando tentamos verbalizar estes sentimentos, por vezes conseguimos fazê-lo de forma eficaz – outras vezes nem tanto…

É importante perceber que a forma como as nossas palavras vão ser interpretadas pelo cuidador depende muito da sua personalidade, mas também do seu estado de espírito naquele momento. Se estiverem muito sobrecarregados e ansiosos, um comentário, do nosso ponto de vista encorajador, pode ser mal interpretado e gerar uma reacção indesejada.

Evite dizer o seguinte a um cuidador:

“Está com cara de cansaço…”

Normalmente existe uma razão para os cuidadores estarem cansados ou abatidos. O cansaço pode advir das noites mal dormidas por preocupação excessiva, do esforço físico/emocional exigido ou da multiplicidade de papéis sociais que tem para além de cuidar (pai/mãe, filho(a), marido/esposa, profissional, administrador de condomínio, etc…). É um enorme desafio aprender a não sacrificar o cuidado próprio quando se cuida de uma pessoa com demência. No entanto, chamar a atenção para este facto não parece produtivo e pode ser bastante desmotivante.

“É importante arranjar tempo para cuidar de si!”

Qualquer cuidador reconhece a importância de arranjar tempo para si. Provavelmente se tivesse tempo para fazer uma massagem, ler um livro ou ir beber café com os amigos, fá-lo-ia. Não é por o verbalizarmos que o panorama irá mudar. Em vez de responsabilizarmos totalmente o cuidador pelo seu auto-cuidado, podemos ser proactivos – passar lá por casa com uma refeição já feita, ajudar nas tarefas domésticas ou fazer companhia à pessoa com demência para que o cuidador possa sair.

“Peça ajuda!”

Nem sempre os cuidadores têm uma rede de apoio eficaz. Por vezes os restantes familiares vivem longe ou as dinâmicas familiares são tão complexas que dificultam a distribuição dos cuidados pelos vários membros. A melhor forma de ajudar é oferecer sugestões concretas ou dar mesmo assistência prática.

“Vai correr tudo bem…”

Esta afirmação é de evitar pois desvaloriza e ignora a dura realidade de um cuidador. Os momentos de tomada de decisão são extremamente difíceis e a sobrecarga emocional associada ao cuidado de uma pessoa que tem uma doença neurodegenerativa, eventualmente fatal, é grande.

“Vamos falar de coisas positivas!”

Os cuidadores têm necessidade de falar sobre as suas frustrações e muitas vezes não têm disposição para contribuir com afirmações “positivas”. A realidade nem sempre é cor de rosa e os cuidadores precisam de se sentir apoiados. A melhor forma de o fazer é valorizar os seus sentimentos (positivos ou negativos!).

 

Mas afinal, o que devemos dizer a um cuidador?

“Como é que se está a sentir?”

Mostre que está disposto a ouvir e a valorizar os sentimentos do cuidador. Reformule aquilo que este verbaliza: “Pelo que me está a contar, parece-me que o que é mais complicado gerir são as mudanças de comportamento.” Não se sinta pressionado para arranjar uma solução para o problema. Por vezes, basta ouvir e estar ao lado da pessoa para esta se sentir melhor.

“Gostava de vos dar boleia para a consulta médica – aceitam? A que horas passo aí por casa?”

Tente aliviar a rotina do cuidador oferecendo ajuda de uma forma mais  concreta.

“Lembrei-me de si e gostava de passar lá por casa para lhe deixar uma lembrança. Quando lhe dá mais jeito?”

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

Ler Mais

Soluções para quem vive sozinho

Em algumas situações a pessoa com demência vive só, por opção própria ou porque os cuidadores ou familiares não tem possibilidade de os ter na sua casa.

A saída da sua própria casa é um momento de grande ansiedade para qualquer pessoa. Para a pessoa com demência essa ansiedade intensifica-se por a casa representar o espaço físico com o qual melhor se identifica, onde estão guardadas as suas memórias e vivências. Por vezes, esta situação leva a que o próprio não queira deixar a sua casa, mas essa decisão terá de ter em conta a segurança e integridade da pessoa versus os seus desejos.

É por isso importante os familiares terem em conta alguns aspectos que os poderão ajudar nestas situações:

Encontre uma pessoa da sua confiança: que possa estar perto, ir vigiando a pessoa, ou até passar algumas horas do dia com esta, de modo a auxiliar nas tarefas de vida diária e garantir a toma correcta e segura da medicação;

Esteja atento e acompanhe a pessoa: procure visitá-la ou telefonar-lhe com regularidade e ajude-a a tratar dos assuntos do dia-a-dia que envolvam processos mais complexos (ex: pagar as contas da casa, tratar de assuntos no banco). Poderá também alertar estas entidades para o problema, a fim de que possam ser compreensivos e auxiliarem surgir algum problema;

Vigie a saúde da pessoa: tendo especial atenção à toma da medicação e a outros problemas relevantes da pessoa. É importante retirar todos os medicamentos desnecessários, a fim de evitar/diminuir a possibilidade de confusão;

Promova o seu conforto e segurança: por vezes é necessário realizar algumas adaptações no domicílio, a fim de garantir a sua segurança e promover a manutenção da sua independência (veja aqui algumas dicas para garantir a segurança em casa). Tenha sempre um par de chaves consigo, para uma situação de emergência;

Conheça as suas rotinas diárias: é importante conhecer os locais ou rotinas que a pessoa faz diariamente, de modo a que se acontecer algo, seja mais fácil localizar a pessoa. Para além disso pode lembrar a pessoa do que deve, ou não fazer na sua ausência, deixando-lhe lembretes nos devidos locais por exemplo;

Tenha especial atenção à manutenção da sua higiene: de forma a prevenir eventuais problemas de saúde e garantir a integridade da pessoa;

Tenha em conta a alimentação e a hidratação: é fundamental realizar uma alimentação nutritiva e ingerir água para garantir a hidratação, poderá ser necessário comprar, cozinhar ou vigiar as refeições;

Procure que a pessoa tenha consigo algo que a identifique: poderá ser útil a pessoa ter algo que a identifique, com o seu nome e contacto de emergência, para salvaguardá-la no caso de se perder ou desorientar. É também importante ter consigo uma fotografia actualizada da pessoa;

Alerte os vizinhos e polícia local: para que estes possam estar alerta para eventuais problemas que surjam;

Peça ajuda: existem entidades competentes e especializadas na área que poderão auxiliar na procura de um cuidador ou de outras soluções (ex: centro de dia).

Todas estas estratégias pretendem auxiliar nas situações em que a pessoa vive sozinha em casa. No entanto, é importante perceber previamente se a pessoa tem condições para o fazer, pois depende do seu estadio clínico, da sua funcionalidade e das condições habitacionais em que vive. É fundamental discutir estas decisões previamente com a equipa de profissionais que segue a pessoa, de modo a que estes possam auxiliar no que for necessário.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

 

Ler Mais