Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Dicas

Demência e Hereditariedade

Os genes carregam informação para as células produzirem “material” importante para o funcionamento metabólico. A própria natureza permite que ocorram mutações nos genes para benefício da espécie. No entanto, por vezes essas mutações levam à criação de proteínas defeituosas e, consequentemente, ao desenvolvimento de doenças.

Até à data já foram identificados alguns genes associados à Doença de Alzheimer. Estes podem ser classificados como genes de risco vs. genes determinísticos.

Os genes de risco são aqueles que aumentam a probabilidade de vir a desenvolver a doença mas não garantem que ela ocorra. O gene de risco mais importante descoberto até à data é a Apolipoproteína E. Existem várias formas deste gene (tipo 2, 3 e 4). Todos nós temos dois genes de Apolipoproteína, podendo estes ser do mesmo tipo ou uma combinação de dois tipos. Uma pessoa que tenha pelo menos um gene Apolipoproteína tipo 4 (APOE-e4) tem um maior risco de desenvolver Doença de Alzheimer mais cedo do que uma que tenha apenas as outras formas. No entanto, uma pessoa que tenha um APOE-e4 pode nunca vir a desenvolver a doença e uma pessoa com um APOE-e2 ou APOE-e3 pode vir a desenvolver a doença.

É importante salientar que existem outros factores que interagem com a genética no sentido de aumentar o risco de desenvolvimento da doença. A idade, a história familiar e a hereditariedade são factores que nós não podemos controlar. No entanto, existem factores de risco (ex: hipertensão) que podemos controlar através da manutenção de um estilo de vida saudável.

Os genes determinísticos causam a doença directamente, o que significa que herdar estes genes leva inevitavelmente ao desenvolvimento da doença. Foram descobertas variações que causam Doença de Alzheimer nos genes responsáveis pela codificação de três proteínas: proteína precursora da amiloide (APP), presenilina 1 (PS-1) e presenilina 2 (PS-2).

Quando a Doença de Alzheimer é causada por estes genes determinísticos é denominada de Doença de Alzheimer “autossómica dominante” ou “familiar” precisamente porque afecta várias gerações da família. Na maioria destes casos, os primeiros sintomas surgem antes dos 60 (por vezes até na 3ª ou 4ª década de vida).

Testes genéticos

Em caso de suspeita de Doença de Alzheimer “familiar”, pode ser realizado um teste genético para confirmar: (a) o diagnóstico (b) se o/a filho(a) herdou dos progenitores o gene mutado e (c) se irá desenvolver a doença no futuro. A única coisa que o teste genético não consegue determinar é quando irão surgir os primeiros sintomas.

Os profissionais de saúde não têm por hábito recomendar a realização rotineira de testes genéticos para a Doença de Alzheimer. É uma decisão complexa que exige uma ponderação das suas vantagens e desvantagens. O teste é uma indicação definitiva de que a pessoa vai ou não desenvolver uma doença progressiva numa idade precoce. Viver à espera desse momento pode ser muito frustrante.

Por outro lado, algumas pessoas utilizam essa informação para planear o futuro. Neste caso, o aconselhamento genético é essencial para optimizar e facilitar todos esses momentos de tomada de decisão.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

 

 

 

 

 

 

 

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Manter um papel social activo em família

É comum que após o diagnóstico de demência e a progressão normal da doença, seja difícil, quer para a pessoa com demência, quer para o seu cuidador, manterem uma participação social activa, devido às rotinas e papéis que ambos assumem. No entanto, a participação social é um dos factores promotores da saúde e bem-estar na terceira idade, sendo desta forma essencial que seja mantida. Em 2011, estudos identificaram que pessoas com idades acima dos 55 anos valorizam a sua participação social, uma vez que esta promove, não só o sentido de pertença a um grupo social (por exemplo: familiares, vizinhos e/ou amigos), mas também a aceitação da diferença e da mudança, sendo que leva ainda à promoção de uma vida activa e saudável.

Manter a sua participação social e a do seu familiar, de uma forma conjunta, irá permitir que partilhem momentos de satisfação, que serão benéficos para a relação no dia-a-dia. Desta forma, deixamos-lhe algumas dicas:

Planeie pequenos jantares em que o seu familiar possa ajudar na confecção de algum prato simples (como uma salada de frutas, por exemplo) ou a colocar a mesa. É importante que restrinja o número de convidados. Um grande número de participantes ou de pessoas desconhecidas poderá causar agitação, ansiedade e/ou angústia. Lembre-se de elogiar a contribuição do seu familiar para a realização do jantar, promovendo assim o sentido de competência e eficácia do mesmo, fazendo com que este se sinta valorizado.

– Realize actividades em família ao ar livre, como piqueniques ou passear no parque. Esta será uma boa oportunidade para ambos relaxarem e conviverem num ambiente diferente do habitual. Poderá ainda incluir alguns jogos ou actividades que sejam do interesse do seu familiar (como música ou tricô, por exemplo).

Mantenha uma relação estreita com a comunidade em que reside. Pode, por exemplo, deslocar-se ao café, à mercearia ou à igreja. Estes pequenos gestos vão possibilitar que, mesmo com uma rotina muito preenchida, ocorra o seu envolvimento e do seu familiar na comunidade.

– Participe no “Café Memória”. Este é um espaço dedicado ao encontro de pessoas com demência e respectivos cuidadores, para troca de experiências e suporte. Serão propostas actividades por profissionais de saúde e/ou acção social que permitem a sua participação e a do seu familiar.

Estas são apenas algumas dicas, mas recorde-se que, tanto a sua participação social na comunidade envolvente, como a do seu familiar, deve sempre basear-se nos vossos interesses e valores. Além disso, as situações acima referidas não deverão ser geradoras de stress ou ansiedade em caso algum, e sim contribuir para reduzir a sua sobrecarga enquanto cuidador e estimular o seu familiar a manter-se activo, por isso procure o suporte de um profissional caso sinta a necessidade de adaptar estas sugestões ou explorar outras.

Revisão Clínica: Ana Gonçalves

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Memória Humana

A memória é uma das funções cerebrais mais importantes. Permite-nos não só adquirir conhecimento sobre nós próprios como também interagir com as pessoas ao nosso redor. De facto, grande parte da nossa identidade é determinada pela nossa capacidade de aprender e reter informações. Ao longo do desenvolvimento, adquirimos capacidades motoras que nos permitem dominar o nosso ambiente e adquirimos linguagens de forma a comunicar o que aprendemos aos outros, transmitindo assim aspectos culturais importantes de geração em geração.

  Assim se compreende que uma perturbação da memória tenha consequências tão devastadoras para o indivíduo e para as pessoas que o rodeiam.

A memória é um conjunto de funções que permitem a aquisição, manutenção, descodificação e utilização de informação para um determinado fim. Pode ser dividida em declarativa e não declarativa.

A memória declarativa implica o acesso explícito e consciente de informação e pode ainda ser dividida em episódica e semântica.

  • A memória episódica permite relembrar as nossas experiências, dando a sensação de “viajar” mentalmente entre os vários momentos da nossa vida. É um tipo de memória onde o “eu” é central pois implica a recordação da experiência que o próprio sentiu em determinado evento. Está associada a uma sensação de tempo, permitindo-nos distinguir entre eventos recentes e eventos mais remotos. Um exemplo de uma memória episódica é a recordação do nosso primeiro dia de aulas no liceu (ex: “Era um dia chuvoso e por isso cheirava a humidade, levava uma mochila vermelha que me tinha sido oferecido pela minha mãe no dia anterior. Cheguei mais cedo por isso fiquei a conversar à porta da sala de aula com uma colega”).
  • A memória semântica sustenta o nosso conhecimento factual do mundo (incluindo informação acerca de objectos, pessoas, eventos históricos e o significado das palavras). Por exemplo, a capital de Portugal é Lisboa e há 12 unidades numa dúzia. Este tipo de memória é diferente da memória episódica porque não implica um sentimento de experiência pessoal e porque não está associado a um contexto espacial e temporal particular.

Recordarmo-nos do momento de tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, em que estávamos sentados no sofá à frente da televisão com a nossa família é um exemplo de memória episódica. Saber que Marcelo Rebelo de Sousa é o Presidente da República é um exemplo de memória semântica.

Apesar da memória episódica e semântica representarem subtipos de memória diferentes, interagem de forma importante. Não só as memórias episódicas se tornam mais ricas e vividas por conterem “factos” (memória semântica), como também a memorização de “factos” e de listas se torna mais fácil quando os associamos a uma história ou a um episódio (ainda que seja puramente imaginado).

A memória não declarativa não é passível de ser verbalizada e o seu subtipo mais importante é a memória de procedimentos. Esta diz respeito à capacidade de aprender competências que operam a um nível subconsciente e que são difíceis de declarar/explicar. Exemplos de memórias procedimentais incluem andar de bicicleta, mudar as mudanças do carro ou tocar o piano, que são todas tarefas que se tornam automáticas com o treino e que são difíceis de explicar a outros.

Estes tipos de memória têm bases anatómicas diferentes, pelo que são afectadas de diferente forma por doenças neurológicas diferentes. A Doença de Alzheimer afecta sobretudo a memória episódica (pelo menos numa fase inicial).  A Demência Semântica compromete primeiramente a memória semântica.

Actualmente sabemos que a memória é muito mais do que a capacidade para recordar acontecimentos passados. Existem diferentes tipos de memória relativamente independentes mas que interagem para definir a pessoa que somos hoje.

Revisão Clínica: Nuno Antunes e Margarida Rebolo

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Gelados para toda a família

Com o fim de semana à porta, deixamos-lhe algumas receitas de gelados para refrescar toda a família nestes dias de Verão.

Delícia gelada de iogurte (4-6 pessoas)

– 4 iogurtes gregos

– 1 colher de sopa de mel

– 20 gramas de açúcar em pó (ou 5 gramas de adoçante em pó)

– Fruta triturada (framboesas, amoras, pêssegos…)

Numa taça misture o iogurte, o mel e o açúcar em pó. Bata tudo durante, pelo menos, 5 minutos. Acrescente a fruta triturada e envolva. Coloque a mistura em formas de gelado ou em copos pequenos de papel, com um pauzinho de madeira ou, em alternativa, uma colher. Leve ao congelador durante, pelo menos, 5 horas.

Existe também uma opção mais leve e que pode até ajudar a manter os níveis de hidratação:

Surpresa de Frutas:

– água de coco (vende-se habitualmente em grandes superfícies)

– Fruta a gosto (em polpa ou aos pedacinhos)

– 1 colher de sopa de mel

Misture todos os ingredientes e coloque nas formas de gelado ou em copos pequenos de papel com um pauzinho de madeira ou, em alternativa, uma colher. Leve ao congelador durante, pelo menos, 5 horas.

Em alternativa pode substituir a água de coco por água com groselha ou por sumo de melancia.

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Bom proveito!

 

 

 

 

 

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Como lidar com os comportamentos de recusa?

Os comportamentos de recusa são um problema comum nesta população e que poderão surgir face a qualquer pedido, seja ele qual for. Estes comportamentos têm, nos familiares/cuidadores, um grande impacto, por muitas vezes estar associado a factores importantes e imprescindíveis no dia-a-dia da pessoa, como por exemplo a toma da medicação ou comer.

Por isso, aqui ficam algumas dicas que pretendem auxiliar a lidar com este comportamento:

Tente perceber o seu porquê: a primeira coisa a fazer, é tentar perceber o porquê da recusa da pessoa. Por vezes, pode acontecer simplesmente porque a pessoa não compreende o que lhe estão a pedir ou a fazer;

Evite forçar: é fundamental evitar este tipo de atitude, que levará a uma maior recusa por parte da pessoa. Poderá optar por voltar a perguntar ou a pedir um pouco mais tarde;

Explique à pessoa de forma clara e simples: para que a pessoa possa compreender o que lhe está a pedir ou o que irá fazer. A comunicação não-verbal (gestos) poderá ser útil, no caso de a pessoa ter uma alteração da compreensão;

Procure estar num ambiente tranquilo e que lhe seja familiar: evite ambientes com ruídos ou distrações que poderão comprometer a concentração e evitar os comportamentos de recusa;

Mantenha uma postura calma e serena: que ajudará a que a pessoa não se sinta pressionada, frustrada ou irritada. Lembre-se de respirar fundo e manter-se tranquilo;

Seja flexível: é importante respeitar a pessoa e perceber que este comportamento se deve à patologia e às alterações consequentes da mesma;

Dê tempo: é importante dar-lhe tempo suficiente para processar o que lhe está a ser pedido e para realizar a tarefa. Não dê importância aos erros e tranquilize-a caso não consiga. Lembre-se de dar sempre um feedback positivo durante a realização de qualquer tarefa.

Estas são apenas algumas dicas para lidar com os comportamentos de recusa. No entanto, as mesmas poderão não funcionar com todos os casos, sendo por isso importante procurar o auxílio de profissionais da área que irão ao encontro destas necessidades.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

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Demência – Como lidar com a diminuição/perda de mobilidade?

Como já abordámos anteriormente, apesar da demência ser uma patologia predominantemente cognitiva, está também associada a dificuldades motoras. Estas são muitas vezes desvalorizadas, por pensar-se que estão unicamente relacionadas com o avançar da idade.

Uma das dificuldades motoras presentes na demência é precisamente a diminuição da mobilidade geral, que se caracteriza pela lentificação do movimento (bradicinesia). Este facto contribui para uma diminuição da funcionalidade, surgimento de sedentarismo e diminuição da independência nas actividades do dia-a-dia, o que leva a um aumento da sobrecarga nos cuidados prestados.

É por isso fundamental conhecer algumas dicas que possam auxiliar a lidar e retardar este problema:

  • Procure manter a pessoa activa no seu dia-a-dia: promovendo a manutenção das suas rotinas e/ou a realização das actividades que mais gosta, podendo estas serem adaptadas à medida que a demência progride;
  • Privilegie a colaboração da pessoa nas actividades de vida diária: poderá orientar/preparar a tarefa e auxiliar a pessoa caso seja necessário, mas privilegiando sempre a sua colaboração e independência;
  • Realize exercício físico regular: é fundamental para promover as funções motoras na sua globalidade. Por exemplo, poderá todos os dias fazer uma caminhada de pelo menos 20 minutos numa zona onde a pessoa goste de passear ou mesmo no corredor da sua casa;
  • Seja um participante ativo e faça atividades em conjunto com a pessoa: é um dos principais factores de adesão e motivação para a pessoa, sentir que o seu cuidador/familiar participa nas suas actividades;
  • Evite que a pessoa passe a maior parte do seu dia sentada/deitada: o sedentarismo é um problema que potencia o agravamento das funções motoras e consequentemente a perda de mobilidade;
  • Aconselhe-se com os profissionais da área: poderá ser necessário a pessoa adoptar um auxiliar de marcha, como auxílio para manter a sua mobilidade ou mesmo realizar uma intervenção mais específica. A fisioterapia é a principal área responsável por intervir nestas alterações, sendo o seu principal objetivo manter a máxima funcionalidade e independência, de forma a facilitar as atividades de vida diária, durante o maior tempo possível e lidar com as alterações motoras que possam surgir da demência e do avançar da idade.Tem também um papel fundamental no ensino aos cuidadores e familiares de dicas a adoptar em casa para a promoção do exercício físico e na prevenção e redução do risco de quedas.

A diminuição da mobilidade é inevitável nas pessoas com demência, no entanto existem estratégias e intervenções terapêuticas que visam retardar o aparecimento desse problema e potenciar a funcionalidade, independência e o bem-estar.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Demência e Deambulação

Qual o seu significado?

O comportamento de deambulação é bastante comum e pode ser muito inquietante para os familiares e cuidadores das pessoas com demência, pois poderá pôr em causa a sua segurança e o seu bem-estar.

O termo deambulação tem como significado “andar sem objectivo”, no entanto no caso das pessoas com demência não corresponde ao real significado deste comportamento.

Na realidade, quando andam, as pessoas com demência têm um sentido, que pode estar relacionado com rotinas antigas (por exemplo: ir trabalhar ou irem buscar os filhos/netos à escola).

No entanto, o declínio das funções cognitivas, como a perda de memória e o as dificuldades de comunicação da pessoa com demência pode levar a que seja incapaz de explicar o motivo pelo qual necessita de andar naquela momento (deambular).

Muitas vezes este comportamento é descrito pelos familiares e cuidadores, como se a pessoa quisesse “fugir” ou estar sempre a “andar de um lado para o outro”. Na realidade, a pessoa anda com um objectivo de fazer algo que fez parte da sua história de vida e das recordações que ainda tem, mesmo que possa não as conseguir verbalizar.

 Quais as causas?

Alteração do ambiente

Uma pessoa com demência pode sentir-se insegura e desorientada num ambiente novo, como por exemplo numa casa nova, numa casa que já não reconhece como sua ou num centro de dia/lar. O comportamento de deambulação pode surgir como resposta a uma mudança de ambiente e pode cessar no caso de a pessoa se habituar à mudança.

O comportamento de deambulação poderá também surgir como fuga a ambientes ruidosos ou movimentados.

Excesso de energia

A deambulação pode ser uma forma de gastar energia em excesso, o que pode indicar que a pessoa necessita de uma maior ocupação no seu dia-a-dia e/ou exercício físico regular adaptado.

Agitação

Face a momentos de desorientação seja ela de que causa for, pode surgir como consequência a agitação. Por vezes, a agitação pode levar a que a pessoa ande de um lado para o outro sem propósito aparente.

Procurar o passado

À medida que a demência progride, as pessoas poderão ficar mais confusas, podendo querer sair de casa em busca de alguém, para irem trabalhar ou de algo relativo ao seu passado.

Expressar o aborrecimento

Com a progressão da demência, torna-se mais difícil para a pessoa concentrar-se durante algum tempo, sendo que deambulação pode ser uma forma de a pessoa se manter ocupada.

Confundir a noite com o dia

A pessoa com demência pode sofrer de insónias ou acordar de madrugada e ficar desorientada. Nesta sequência, pode pensar que é de dia e decidir fazer uma caminhada ou pensar que têm de ir trabalhar.

As dificuldades de visão ou perda de audição podem fazer com que as sombras ou os sons da noite se tornem confusos e angustiantes, pelo que não devem sair sozinhos.

Por outro lado, a incapacidade de diferenciar os sonhos da realidade pode levar a pessoa a responder a algo que sonhou, pensando que isso aconteceu na vida real.

Dar continuidade a um hábito

As pessoas que estavam habituadas a caminhar longas distâncias podem, simplesmente, desejar continuar a fazê-lo.

Desconforto ou dor

O andar pode aliviar um desconforto ou dor que a pessoa possa sentir, sendo por isso importante descobrir se existe algum problema físico ou condição médica e tentar lidar com a sua situação. Como exemplo, alguma dor, o uso de roupas apertadas, o calor excessivo, ter frio ou estar à procura por algo.

O que fazer?

– Tente perceber o motivo pelo qual a pessoa procura deambular;

– No caso de estar agitada ou confusa tente tranquiliza-la e ajudá-la, se for necessário deambule com ela até que se acalme;

– Lembre-se de manter uma postura calma, tentando não contrariar este comportamento ou forçar a que pare;

– Procure garantir a sua segurança, não só dentro do espaço onde se encontra, mas também no exterior;

– Assegure que a pessoa tem sempre consigo alguma forma de identificação para o caso de se perder;

– Procure manter a pessoa ocupada com actividades que lhe sejam prazerosas, adequadas à sua condição clínica.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

 

 

 

 

 

 

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Águas Aromatizadas: uma ajuda para prevenir a desidratação

A desidratação é uma das principais causas de problemas de saúde no idoso. Pode levar a alterações renais e cardíacas, causar desorientação e diminuir a eficácia de alguns medicamentos.

No entanto, é frequente existir recusa na ingestão de água e esta recusa poderá ser mais acentuada nas pessoas com demência.

Deixamos-lhe algumas receitas de águas aromatizadas para motivar a ingestão de líquidos:

Surpresa de frutos vermelhos:

  1. Num jarro, coloque um litro de água com frutos vermelhos à sua escolha (podem ser morangos, as últimas cerejas da época, framboesas ou mistura de frutos congelados);
  2. Acrescente um ramo de hortelã fresca e bem lavada e umas gotas de limão;
  1. Sirva com cubos de gelo e decore com uma rodela de limão;
  1. Acrescente uma palhinha e já está!

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Delícia de Melancia:

  1. Corte duas fatias largas de melancia, retire a casca e todas as sementes;
  1. Parta a melancia em porções mais pequenas e coloque-as no copo liquidificador;
  1. Coloque o sumo de melancia num jarro e acrescente água;
  1. Complete com um ramo de hortelã e umas gotas de limão;

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Mistura exótica:

  1. Corte rodelinhas de meio pepino e rodelas de 1 lima;
  1. Descasque a raiz do gengibre e junte duas ou três rodelas;
  1. Acrescente um ramo grande de hortelã fresca;
  1. Termine com água fresca ou água com gás.

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Outras ideias:

Pode fazer cubos de gelo com pedacinhos de fruta!

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Degenerescência Lobar Fronto-Temporal

A degenerescência lobar fronto-temporal é um termo utilizado para designar um conjunto de demências que afetam particularmente os lobos frontal e temporal do cérebro.

O lobo frontal é responsável por muitos aspetos do funcionamento cerebral, nomeadamente a tomada de decisão e a regulação do comportamento. Já o lobo temporal está associado, entre outras funções, à linguagem. Numa fase inicial a degenerescência lobar frontotemporal, carateriza-se por alterações do comportamento ou da linguagem.

No caso em que a pessoa começa por apresentar alterações comportamentais estamos perante a variante comportamental da degenerescência lobar fronto-temporal.

            No caso dos primeiros sintomas serem alterações da linguagem estamos perante uma Afasia Progressiva Primária.

Os principais sintomas da variante comportamental da degenerescência lobar fronto-temporal são:

  • Desinibição (ex: cumprimentar pessoas estranhas na rua, andar sem roupa pela casa);
  • Apatia (ex: falta de iniciativa para iniciar uma tarefa; falta de interesse);
  • Comer em excesso ou nova preferência por alimentos doces;
  • Comportamentos repetitivos (ex: abrir e fechar gavetas)
  • Colecionar objetos (ex.: lixo, moedas);
  • Impulsividade (agir sem medir as consequências);
  • Dificuldade em planear e/ou organizar e/ou executar uma determinada tarefa;

Outros sintomas podem incluir:

  • Distração e impersistência;
  • Rigidez mental e inflexibilidade;
  • Gastos impulsivos;
  • Embotamento emocional;
  • Mudanças de humor.

Já a Afasia Progressiva Primária, a variante de linguagem da degenerescência lobar fronto-temporal, caracteriza-se por uma deterioração insidiosa da linguagem (isoladamente durante pelo menos dois anos), sendo que mais tarde surgem alterações noutros domínios cognitivos, comportamentais e emocionais.

A Afasia Progressiva Primária é muitas vezes dividida em três quadros distintos pois cada um deles parece apresentar um perfil clínico particular:

  1. Demência Semântica: perda do significado de palavras e conceitos;
  2. Afasia Progressiva Não Fluente: dificuldade em encontrar palavras e redução da fluência verbal;
  3. Afasia Progressiva Logopénica: deterioração da capacidade de nomear palavras isoladas e da repetição de frases como consequência de limitações na memória de trabalho.

Infelizmente, ainda não existe tratamento que permita reverter este conjunto de doenças. Os medicamentos utilizados servem apenas para o controle dos sintomas comportamentais. No entanto, recomenda-se complementar a intervenção farmacológica com terapias não-farmacológicas (ex: estimulação cognitiva e terapia da fala) pois podem ajudar a controlar os sintomas e a promover o bem-estar da pessoa e da família.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo e Rita Ferreira

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Dicas para facilitar os cuidados básicos

Numa fase inicial após o AVC é necessário dar um maior apoio durante os cuidados básicos, dado a diminuição da independência e funcionalidade da pessoa. No entanto, devemos evitar realizar tudo pela pessoa, é fundamental envolve-la na actividade e pedir sempre a sua colaboração mesmo que seja pouca, pois caso contrário estaremos a limitá-la involuntariamente.

O auxílio durante os cuidados básicos deverá ser realizado tendo em conta as capacidades da pessoa, o respeito pela sua privacidade, a promoção da sua autonomia e independência, valorizando os pequenos ganhos e tendo sempre uma escuta activa.

Higiene pessoal

  • Mantenha a rotina: tente realizar o banho na hora que a pessoa estava habituada a fazê-lo e com os produtos que esta gostava;
  • Prepare previamente a actividade: aquecendo o espaço, colocando o que vai precisar facilmente acessível (champô/sabonete, toalha);
  • Promova a sua segurança e o seu conforto: poderá ser necessário realizar adaptações (ex: barras de apoio, cadeira de banho, tapete anti-derrapante), procure ajuda junto do Fisioterapeuta que acompanha a pessoa. Tenha em conta a temperatura, profundidade e pressão da água, para que seja um momento agradável;
  • Procure explicar à pessoa o que vai acontecer: passo a passo, de forma simples e de fácil compreensão, para facilitar a sua colaboração e esta se sentir envolvida;
  • Privilegie a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração;
  • Respeite a dignidade da pessoa e a sua privacidade: lembre-se que é uma tarefa íntima, seja flexível durante a mesma;
  • Dê especial atenção à sua pele: é muito importante manter a pele limpa e bem seca, principalmente nas dobras e nos vincos da pele. No caso de a pessoa ter alterações da pele, informe-se junto dos profissionais de saúde que acompanham que cuidados especiais tem de ter;
  • Assegure a correcta higiene das zonas íntimas: para evitar possíveis infeções urinárias ou outros problemas;
  • Não se esqueça da higiene oral: poderá utilizar uma escova de dentes suave ou uma compressa húmida, dependendo dos casos. No caso de a pessoa ter uma prótese dentária, é necessário realizar a sua higiene também;
  • Dê sempre um feedback positivo: durante e após a realização da tarefa, melhorando a sua confiança e auto-estima.

Vestir

  • Deixe a pessoa escolher a sua roupa: caso seja possível, devemos incentivar a que a pessoa use roupa confortável do seu dia-a-dia e evitar ficar de pijama durante o dia todo;
  • Prepare previamente a actividade: esquematize a roupa pela ordem que esta deve ser vestida e oriente ou exemplifique como a pessoa deve fazer;
  • Promova o seu conforto: é importante escolher roupas confortáveis, fáceis de vestir, de textura macia e elástica, a fim de potenciar a independência e favorecer a mobilidade e o bem-estar da pessoa;
  • Procure que utilize um calçado adequado: deve ser justo, confortável, leve, fechado, anti-derrapante e privilegie o velcro em vez dos atacadores, para facilitar a sua autonomia;
  • Dê tempo: é importante dar-lhe tempo suficiente para se vestir, tentando não dar importância aos erros e tranquilizá-la caso não consiga. Lembre-se de dar sempre um feebback positivo durante a realização da tarefa;
  • Simplifique o processo de maquilhar: a maquilhagem faz parte da rotina de muitas senhoras e será importante manter. Esta esta tarefa pode ser simplificada, auxiliando a manter o seu interesse e a sua auto-estima;
  • Como devo vestir/despir uma camisola ou um casaco? Numa fase inicial, poderá ser um auxílio a pessoa vestir um número acima do seu, de maneira a que facilite o acto de vestir/despir, dado a pessoa ter menos mobilidade para o fazer. Devemos vestir primeiro o membro mais afectado e despi-lo em último lugar.

Comer e Beber

É fundamental manter uma correcta e equilibrada nutrição para manter o corpo forte e saudável, pois devido à diminuição de mobilidade a pessoa poderá ter tendência para engordar, o que dificultará a sua mobilidade e aumentará a exigência nos cuidados prestados.

  • Privilegie a independência da pessoa: é importante encorajar a pessoa a fazer por si, auxiliando no que for necessário ou exemplificando a tarefa, mas privilegiando sempre a sua autonomia;
  • Procure variar a alimentação: procure realizar uma alimentação variada, privilegiando os vegetais, a fruta, os alimentos com baixo teor em gordura e de proteína magra, evitando os açúcares. Privilegie também os seus gostos e hábitos saudáveis;
  • Promova uma boa hidratação e alimentação: são essenciais para a manutenção e recuperação do estado de saúde da pessoa;
  • Esteja atento a sinais de engasgamento: as dificuldades em deglutir poderão provocar um engasgamento. Evite dar alimentos de difícil mastigação e encoraje a pessoa a adquirir uma postura correcta durante a refeição (sentada com o tronco direito e cabeça ligeiramente para a frente). Verifique durante e após a refeição o conteúdo da boca da pessoa para perceber se engoliu os alimentos. Procure ajuda junto de um terapeuta da fala se existirem dificuldades na deglutição.
  • Verifique sempre a temperatura da comida: a pessoa poderá não conseguir distinguir se está frio ou quente, por isso verifique sempre antes de dar a refeição;
  • Adapte os utensílios e a sua disposição: procure utilizar utensílios de fácil manuseamento, para facilitar a autonomia da pessoa. Existem várias ajudas técnicas neste sentido e poderá informar-se das mesmas junto do Terapeuta da Fala;
  • Procure dar a refeição num ambiente calmo e familiar: sempre que possível a refeição deverá continuar a ser um momento de convívio familiar, mesmo que seja necessário realizar algumas adaptações;
  • Procure tornar a refeição um momento agradável: é importante tomar a refeição com a pessoa, de forma a encorajá-la a realizar a mesma e promover a socialização e inclusão;
  • Seja flexível: não se preocupe demasiado com as maneiras correctas e a limpeza, pois isso poderá levar a que a pessoa não queira repetir e associa a refeição a um momento desagradável. Lembre-se de dar tempo e de fazer refeições mais pequenas e frequentes, fazendo do almoço a refeição principal, a fim de evitar uma indigestão à noite;
  • Perda de apetite ou perda de peso: caso aconteça será importante informar o seu médico.

Todas estas estratégias pretendem facilitar as actividades de vida diária, no entanto será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua funcionalidade, ao seu contexto e às suas necessidades.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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