Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Dicas

A próxima consulta médica: Que perguntas deve fazer?

Se suspeita que o seu familiar possa estar a desenvolver Alzheimer ou outra demência, é importante consultar um médico de forma a poder obter uma resposta clara.

A consulta médica é importante porque pode permitir estabelecer um diagnóstico precoce, mas também despistar outras doenças que mimetizam a demência, mas que são reversíveis (por exemplo, uma infecção do trato urinário pode causar sintomas semelhantes, mas tem cura).

Assim sendo, o diagnóstico correto por parte de um médico é essencial para que seja possível iniciar a intervenção mais adequada mas também para desencadear um processo de adaptação e preparação do futuro por parte das famílias.

Para que a consulta seja o mais produtiva possível, considere preparar-se da seguinte forma:

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  1. Mantenha um registo das queixas e dos comportamentos pouco característicos do seu familiar:
  • A descrição dos sintomas (ex: exemplos de esquecimentos, capacidade de condução alterada, episódio de desorientação espacial);
  • A data aproximada do seu surgimento e a natureza da sua progressão (Piorou abruptamente ou foi gradual? Decaiu, recuperou e depois voltou a decair? Piorou mas depois manteve-se estável?).
  1. Faça uma lista da medicação actual:
  • Esta deve incluir tanto a medicação prescrita como vitaminas, suplementos ou produtos homeopáticos que estejam a ser tomados.
  1. Organize a informação clínica e recolha informação pessoal importante
  • Se possível, prepare uma breve lista com datas e natureza dos problemas de saúde passados (ex: internamentos, cirurgias, AVCs) e atuais (ex: diabetes, tensão arterial elevada, níveis de colesterol alterados, patologia cardíaca);
  • Procure saber se houve, recentemente, alguma mudança significativa na vida do seu familiar que se possa associar ao seu estado de saúde (ex: ter ficado viúvo, ter saído da casa onde sempre morou);
  • Esteja preparado para reportar, de forma sucinta, episódios da vida da pessoa (ex: tempos de escola, evento traumáticos, processo de divórcio complicado).
  1. Pense em questões para colocar ao médico:

Quanto mais souber, mais capacitado poderá estar para tomar decisões. Sugerimos levar um bloco de notas para poder anotar qualquer indicação do seu médico ao longo da consulta.

Frequentemente, as questões só começam a surgir após a consulta com o médico, quando as pessoas regressam a casa e têm tempo e espaço para “digerir” a informação. De modo a antecipar o frenesim das consultas médicas e evitar que surjam tantas dúvidas, antecipe o que gostaria de esclarecer. É frequente os familiares quererem saber:

  • Quais as possíveis causas dos sintomas?
  • Que exames podem ser necessários? Quanto tempo pode levar até obter um diagnóstico?
  • A condição é, provavelmente, temporária ou crónica?
  • O que posso esperar nos próximos 6 meses ou 12 meses?
  • Quando devo voltar para uma próxima consulta?

Após a consulta inicial, os resultados dos vários exames complementares pedidos podem ainda demorar. No entanto, estes são essenciais para estabelecer um diagnóstico acertado, excluindo outras causas para os sintomas.

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É possível que só numa segunda consulta seja feito o diagnóstico. Caso isso aconteça é importante perguntar:

  • Quais as intervenções farmacológicas e não farmacológicas disponíveis? Quais os riscos e os benefícios das mesmas?
  • O que devo esperar da evolução da doença?
  • Devem ser feitas adaptações no domicílio para garantir a segurança da pessoa?
  • Que fontes de informação recomenda se quiser saber mais sobre a doença? Existem alguns folhetos ou materiais de apoio aos quais possa ter acesso?
  • Quais os serviços de apoio que existem perto de mim?

Outra questão muito importante na preparação da consulta é a informação que decide transmitir ao seu familiar. Esta varia de caso para caso, no entanto, pode ser útil explicar para onde vai, o que vai fazer e realçar a importância dessa mesma consulta. Não é necessário falar da possibilidade de ter um quadro demencial – é mais importante referir que o que motivou a consulta foram as dificuldades sentidas pelo seu familiar (ex: esquecimentos) e que é importante abordá-las.

Lembre-se que o médico faz parte de uma equipa e que a sua actuação está dependente do que for partilhado com ele. Seja honesto e tente ajudar o seu familiar a explicar o melhor possível os sintomas. Não tenha medo de colocar as questões que achar relevantes e tente sempre obter o máximo de informação possível para poder planear melhor o seu futuro e o do seu familiar.

Autoria Nuno Antunes com revisão de Margarida Rebolo

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Ajudas para a Comunicação

O que são produtos de apoio?

Produtos de apoio  são “qualquer produto (incluindo dispositivos, equipamento, instrumentos, tecnologia e software) especialmente produzido ou geralmente disponível, para prevenir, compensar, monitorizar, aliviar ou neutralizar as incapacidades, limitações das actividades e restrições na participação”.

Fonte: Classificação ISO9999:2007

O que são produtos de apoio à Comunicação?

São todas os recursos que podem ajudar a pessoa a comunicar, com os outros, de uma forma mais eficaz.

Para quem podem ser importantes?

Para muitas pessoas com lesão cerebral (por exemplo, AVC) ou doenças neurodegenerativas, como é o caso da Demência, que podem apresentar alterações graves na capacidade em falar com os que o rodeiam.

Em muitos casos, existem estratégias e ajudas técnicas que podem ajudar a tornar a comunicação mais fácil. A sua escolha depende das dificuldades e capacidades da pessoa e, por isso, são sempre ajustadas a cada caso.

Habitualmente, a avaliação inicial é efectuada por um terapeuta da fala e pode integrar também a informação da equipa alargada, nomeadamente, da terapia ocupacional e da fisioterapia.

A escolha do produto de apoio à comunicação vai sempre depender das capacidades, dificuldades , contexto social e motivação de cada pessoa e pode variar ao longo do tempo. O produto de apoio deve ser capaz de acompanhar a evolução das condições do utilizador.

Os produtos de apoio à comunicação mais simples são constituídos por um suporte físico onde são colocados símbolos ou imagens que a pessoa escolhe directamente ou ajuda do seu interlocutor.

Exemplo de Livro de Comunicação

Exemplo de Livro de Comunicação

Adicionalmente, existe um crescimento exponencial dos programas ou aplicações digitais que permitem transformar texto em fala (a chamada fala sintetizada), utilizar fotografias, símbolos ou outros recursos adaptados às necessidades de comunicação de cada pessoa.

Exemplos de softwares de comunicação em diferentes equipamentos.

Exemplos de softwares de comunicação em diferentes equipamentos.

Paralelamente, têm sido criados diversos produtos de apoio para a comunicação em contexto hospitalar, de que são exemplo, os quadros de comunicação específicos e escalas de dor adaptadas.

Exemplo de tabela de comunicação usada em meio hospitalar (Vidatak E-Z Board)

Exemplo de tabela de comunicação usada em meio hospitalar (Vidatak E-Z Board)

 

Nunca é demais recordar que, o familiar/cuidador, deve dar tempo à pessoa para responder, uma vez que a comunicação com estes recursos é mais lenta.

O mais importante é mesmo nunca desistir!

 

Revisão Clínica: Inês Tello Rodrigues

 

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O papel da Terapia Ocupacional na doença de Alzheimer ou outra demência

A Terapia Ocupacional foca a sua intervenção na capacitação da pessoa para o desempenho e envolvimento em ocupações que a própria considere como significativas, sendo que estas ocupações poderão estar relacionadas com os autocuidados, com lazer ou com produtividade.

Na sua intervenção, o Terapeuta Ocupacional tem em consideração três dimensões, sendo elas a pessoa, a ocupação e o ambiente, podendo intervir em cada uma delas.

A abordagem da Terapia Ocupacional na demência assume um papel essencial, quer na intervenção directa com a pessoa com demência, quer com os cuidadores. O Terapeuta Ocupacional é um profissional qualificado para intervir:

  • ao nível das Actividades da Vida Diária, realizando por exemplo, treino de alimentação ou treino de higiene;
  • na manutenção e promoção da participação em ocupações que vão ao encontro dos desejos e necessidades da pessoa;
  • na promoção da participação em actividades terapêuticas estimulantes em termos cognitivos, motores, emocionais e sensoriais;
  • na graduação das ocupações, por forma a permitir à pessoa um maior sucesso no seu desempenho;
  • na adaptação do ambiente físico à pessoa com demência, permitindo assim a diminuição do risco de quedas e uma maior segurança;
  • no apoio e aconselhamento dos cuidadores.

Nas fases iniciais da demência, o papel do Terapeuta Ocupacional está principalmente relacionado com a informação prestada à pessoa e ao cuidador, com a adaptação do ambiente, por forma a garantir a segurança e na manutenção das Actividades Instrumentais da Vida Diária (como por exemplo, a utilização do telefone ou a gestão da correspondência).

À medida que a doença progride, o papel do Terapeuta Ocupacional passa a estar cada vez mais relacionado com a garantia do bem-estar e qualidade de vida da pessoa e dos cuidadores. Desta forma, existe uma maior incidência na intervenção a nível sensorial, com repetição de actividades prazerosas que aumentem o sentido de familiaridade da pessoa e no treino de técnicas que facilitem o cuidado.

Revisão Clínica: Ana Matias

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Actividades sensoriais para a pessoa com demência

Todos os dias cada um de nós recebe variadas informações do ambiente à sua volta, que têm significados diferentes e que são interpretadas pelo cérebro de forma diferente. Para receber essas informações, cada pessoa conta com os seus sentidos: o olfacto, a visão, o tato, a audição e o paladar. Estes cinco sentidos são a via através da qual o nosso cérebro recebe a informação do ambiente que nos rodeia e é desta forma que conseguimos interpretar estímulos exteriores como o som de um pássaro, a cor das flores, a textura da roupa, o aroma de um bolo ou o sabor de uma fruta. Assim sendo, é fácil compreender o quão importante é a função dos sentidos no dia-a-dia. No entanto, torna-se uma função ainda mais importante quando compreendemos que a cada pessoa são exigidas competências cognitivas na interpretação do ambiente, todos os dias, como a interpretação da linguagem, por exemplo, e que nem todas as pessoas conseguem responder a essas exigências. Quando estamos perante uma pessoa com demência, cujas competências cognitivas se encontram alteradas, é essencial compreender que a sua interpretação do ambiente poderá sofrer alterações e de que os estímulos deverão ser apresentados de uma forma simples e de fácil interpretação. É neste momento que os sentidos se tornam ainda mais importantes, uma vez que são a forma mais simples de obter informação sobre o ambiente à sua volta. Por exemplo, será mais fácil compreender qual o aspecto de um pássaro ao utilizar apenas a visão, do que ler sobre ele, o que irá exigir competências cognitivas.

A estimulação sensorial pode ser realizada ao nível dos cinco sentidos e deverá sempre ter em conta a pessoa como um Ser individual. Desta forma, será importante compreender, por exemplo, de que músicas a pessoa gosta, qual o seu prato preferido, se existe algum cheiro de que não goste, entre outros. Estas questões vão permitir adequar os estímulos à pessoa e obter assim uma melhor resposta ao ambiente.

A estimulação sensorial foi até ao momento alvo de alguns estudos que defendem que esta promove o humor, a socialização, a qualidade de vida e a expressão emocional e diminui os problemas comportamentais. Esta estimulação tem como objectivo o relaxamento, sendo importante que não se exija uma “forma correta” de reagir aos estímulos apresentados, já que cada pessoa irá interpretá-los de formas diferentes.

De uma forma geral, a estimulação sensorial poderá ajudar a pessoa com demência a compreender melhor o ambiente à sua volta (quer físico, quer social), facilitando assim a comunicação e promovendo a interacção.

Temos algumas ideias que poderá tentar em casa, no entanto relembramos que deverá aconselhar-se sempre com um profissional.

Visão

– Apresente ao seu familiar estímulos que sejam atractivos e com diferentes cores;

– Vejam em conjunto diferentes fotografias. Poderá criar um álbum ou molduras com diferentes materiais que sejam igualmente estimulantes (como marcadores, folhas secas, flores, impressões, entre outros).

Audição

– Apresente sons à pessoa e tentem identificar a sua origem (por exemplo, pássaros, piano ou xilofone);

– Em conjunto com o seu familiar, ouçam algumas músicas que ambos conheçam e tentem identificar o cantor (poderá usar fotografias para facilitar a identificação).

Olfacto

– Prepare frascos de especiarias e convide o seu familiar a tentar descobrir, através do olfacto, de que especiaria se trata;

– Convide o seu familiar a passear num jardim e a cheirar as flores.

Tacto

– Apresente ao seu familiar texturas diferentes (pode usar objectos que tem em casa, como lã, escovas, algodão, limas das unhas, entre outros);

– Convide o seu familiar a plantar algumas plantas e aproveite para mexer na terra, nas sementes e na água, explorando diferentes texturas e temperaturas.

Paladar

– Proponha ao seu familiar experimentar diferentes sabores e inclua alguns que sejam apreciados e outros que não. Desta forma, poderá explorar diferentes reacções;

– Convide o seu familiar a participar na preparação das refeições e a provar os ingredientes. Pode ainda pedir a sua opinião quanto ao tempero da receita que estão a preparar.

Aconselhamos a que tente integrar esta estimulação no dia-a-dia, por exemplo enquanto cozinha ou cuida do seu jardim. Poderá ainda criar uma actividade que contemple os cinco sentidos, com base num tema. Por exemplo, com base no tema outono, poderá apanhar folhas secas com o seu familiar e assar castanhas. Isto irá permitir que a pessoa veja as diferentes cores (visão), sinta a textura das folhas (tacto), ouça os pássaros durante o passeio (audição), sinta o aroma das castanhas acabadas de assar (olfacto) e prove as castanhas (paladar).

Revisão Clínica: Ana Gonçalves

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A importância da socialização

Ao longo do processo normal do envelhecimento verifica-se, usualmente, uma perda de relações sociais, que se pode dever à perda de papéis ocupacionais, que limitam as interacções sociais. Por exemplo, com a perda do papel laboral, isto é, com a transição para a reforma, reduzem-se, e em alguns casos perdem-se, conexões sociais importantes. Além disso, ao longo da vida, algumas pessoas significativas (familiares, amigos, colegas) vão desaparecendo. Desta forma, é normal que a rede social de cada pessoa se altere significativamente ao longo da vida e com especial enfoque na fase do envelhecimento. No entanto, a socialização apresenta-se como um aspecto fulcral e verifica-se que o idoso, embora de uma forma mais reduzida, mantém relações sociais no seio familiar e com um grupo de pares/amigos mais próximos, validando a importância deste aspecto na sua vida.

Ainda assim, a pessoa com diagnóstico de demência pode acabar por, gradualmente, se isolar, por receio de que os amigos e familiares se apercebam das suas limitações ou pelas próprias características da doença que dificultam a interacção, como é o caso das alterações da linguagem. Será importante que o cuidador/familiar promova a manutenção da participação social da pessoa. Realçamos no entanto, que o mais importante será a manutenção de interacções sociais e do apoio social à pessoa, e não apenas a manutenção das redes sociais. Embora possam parecer conceitos semelhantes, é possível que a pessoa mantenha uma rede social extensa (ou seja, uma grande variedade de amigos e familiares), no entanto com interacções sociais pouco frequentes e que são pouco suportantes, o que não será o ideal, uma vez que poderá levar a pessoa com demência a vivenciar sentimentos de abandono.

Deixamos algumas ideias para promover as interacções sociais da pessoa com demência:

– Promover o contacto com pares/amigos, por exemplo, planeando encontros casuais ou promovendo a troca de chamadas telefónicas ocasionais;

– Promover a deslocação a locais de encontro com a comunidade envolvente, como por exemplo, centros de convívio (onde muitas vezes se realizam jogos sociais, como o dominó, a malha ou o bingo);

– Promover as actividades culturais com os pares/amigos, uma vez que será provável que mantenham interesses similares, como por exemplo ir ao teatro ou a um concerto de música clássica;

– Promover o exercício físico. Actualmente existem diversos locais que oferecem aulas indicadas para este grupo etário e que possibilitam a interacção social;

– Promover a inclusão num grupo social com características similares.

É importante reconhecer que ao promover o envolvimento da pessoa numa ou várias actividades, esta estará a conhecer e a conviver com diferentes pessoas, partilhar experiências e vivências comuns, possibilitando que se identifique com os seus pares. Numa idade tão atingida pelo isolamento, participar em actividades com outras pessoas é uma das melhores formas de promover um envelhecimento bem-sucedido e o bem-estar psicológico e emocional. No entanto, realçamos que em caso de dúvidas ou dificuldades acentuadas, deverá procurar o aconselhamento de um profissional.

O NeuroSer aconselha ainda a integração nas Manhãs & Tardes no NeuroSer, onde cada pessoa é integrada num grupo social adequado e onde são promovidas actividades estimulantes, sendo fomentado o sentido de pertença ao grupo e as interacções sociais.

Revisão Clínica: Ana Matias

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1.º Aniversário NeuroSer – 01/10/2016

Agradecemos a todos os que connosco vieram celebrar o 1.º aniversário do NeuroSer.

Este evento, aberto à comuncidade, contou com uma comunicação do Professor Doutor Alexandre Castro Caldas (director clínico do NeuroSer) e workshops para ficar a conhecer melhor a nossa forma de intervir junto de pessoas com Alzheimer e outras Patologias Neurológicas.

Agradecemos a todos a presença e procuraremos continuar a fazer mais e melhor!

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Demência e Hereditariedade

Os genes carregam informação para as células produzirem “material” importante para o funcionamento metabólico. A própria natureza permite que ocorram mutações nos genes para benefício da espécie. No entanto, por vezes essas mutações levam à criação de proteínas defeituosas e, consequentemente, ao desenvolvimento de doenças.

Até à data já foram identificados alguns genes associados à Doença de Alzheimer. Estes podem ser classificados como genes de risco vs. genes determinísticos.

Os genes de risco são aqueles que aumentam a probabilidade de vir a desenvolver a doença mas não garantem que ela ocorra. O gene de risco mais importante descoberto até à data é a Apolipoproteína E. Existem várias formas deste gene (tipo 2, 3 e 4). Todos nós temos dois genes de Apolipoproteína, podendo estes ser do mesmo tipo ou uma combinação de dois tipos. Uma pessoa que tenha pelo menos um gene Apolipoproteína tipo 4 (APOE-e4) tem um maior risco de desenvolver Doença de Alzheimer mais cedo do que uma que tenha apenas as outras formas. No entanto, uma pessoa que tenha um APOE-e4 pode nunca vir a desenvolver a doença e uma pessoa com um APOE-e2 ou APOE-e3 pode vir a desenvolver a doença.

É importante salientar que existem outros factores que interagem com a genética no sentido de aumentar o risco de desenvolvimento da doença. A idade, a história familiar e a hereditariedade são factores que nós não podemos controlar. No entanto, existem factores de risco (ex: hipertensão) que podemos controlar através da manutenção de um estilo de vida saudável.

Os genes determinísticos causam a doença directamente, o que significa que herdar estes genes leva inevitavelmente ao desenvolvimento da doença. Foram descobertas variações que causam Doença de Alzheimer nos genes responsáveis pela codificação de três proteínas: proteína precursora da amiloide (APP), presenilina 1 (PS-1) e presenilina 2 (PS-2).

Quando a Doença de Alzheimer é causada por estes genes determinísticos é denominada de Doença de Alzheimer “autossómica dominante” ou “familiar” precisamente porque afecta várias gerações da família. Na maioria destes casos, os primeiros sintomas surgem antes dos 60 (por vezes até na 3ª ou 4ª década de vida).

Testes genéticos

Em caso de suspeita de Doença de Alzheimer “familiar”, pode ser realizado um teste genético para confirmar: (a) o diagnóstico (b) se o/a filho(a) herdou dos progenitores o gene mutado e (c) se irá desenvolver a doença no futuro. A única coisa que o teste genético não consegue determinar é quando irão surgir os primeiros sintomas.

Os profissionais de saúde não têm por hábito recomendar a realização rotineira de testes genéticos para a Doença de Alzheimer. É uma decisão complexa que exige uma ponderação das suas vantagens e desvantagens. O teste é uma indicação definitiva de que a pessoa vai ou não desenvolver uma doença progressiva numa idade precoce. Viver à espera desse momento pode ser muito frustrante.

Por outro lado, algumas pessoas utilizam essa informação para planear o futuro. Neste caso, o aconselhamento genético é essencial para optimizar e facilitar todos esses momentos de tomada de decisão.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

 

 

 

 

 

 

 

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Manter um papel social activo em família

É comum que após o diagnóstico de demência e a progressão normal da doença, seja difícil, quer para a pessoa com demência, quer para o seu cuidador, manterem uma participação social activa, devido às rotinas e papéis que ambos assumem. No entanto, a participação social é um dos factores promotores da saúde e bem-estar na terceira idade, sendo desta forma essencial que seja mantida. Em 2011, estudos identificaram que pessoas com idades acima dos 55 anos valorizam a sua participação social, uma vez que esta promove, não só o sentido de pertença a um grupo social (por exemplo: familiares, vizinhos e/ou amigos), mas também a aceitação da diferença e da mudança, sendo que leva ainda à promoção de uma vida activa e saudável.

Manter a sua participação social e a do seu familiar, de uma forma conjunta, irá permitir que partilhem momentos de satisfação, que serão benéficos para a relação no dia-a-dia. Desta forma, deixamos-lhe algumas dicas:

Planeie pequenos jantares em que o seu familiar possa ajudar na confecção de algum prato simples (como uma salada de frutas, por exemplo) ou a colocar a mesa. É importante que restrinja o número de convidados. Um grande número de participantes ou de pessoas desconhecidas poderá causar agitação, ansiedade e/ou angústia. Lembre-se de elogiar a contribuição do seu familiar para a realização do jantar, promovendo assim o sentido de competência e eficácia do mesmo, fazendo com que este se sinta valorizado.

– Realize actividades em família ao ar livre, como piqueniques ou passear no parque. Esta será uma boa oportunidade para ambos relaxarem e conviverem num ambiente diferente do habitual. Poderá ainda incluir alguns jogos ou actividades que sejam do interesse do seu familiar (como música ou tricô, por exemplo).

Mantenha uma relação estreita com a comunidade em que reside. Pode, por exemplo, deslocar-se ao café, à mercearia ou à igreja. Estes pequenos gestos vão possibilitar que, mesmo com uma rotina muito preenchida, ocorra o seu envolvimento e do seu familiar na comunidade.

– Participe no “Café Memória”. Este é um espaço dedicado ao encontro de pessoas com demência e respectivos cuidadores, para troca de experiências e suporte. Serão propostas actividades por profissionais de saúde e/ou acção social que permitem a sua participação e a do seu familiar.

Estas são apenas algumas dicas, mas recorde-se que, tanto a sua participação social na comunidade envolvente, como a do seu familiar, deve sempre basear-se nos vossos interesses e valores. Além disso, as situações acima referidas não deverão ser geradoras de stress ou ansiedade em caso algum, e sim contribuir para reduzir a sua sobrecarga enquanto cuidador e estimular o seu familiar a manter-se activo, por isso procure o suporte de um profissional caso sinta a necessidade de adaptar estas sugestões ou explorar outras.

Revisão Clínica: Ana Gonçalves

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Memória Humana

A memória é uma das funções cerebrais mais importantes. Permite-nos não só adquirir conhecimento sobre nós próprios como também interagir com as pessoas ao nosso redor. De facto, grande parte da nossa identidade é determinada pela nossa capacidade de aprender e reter informações. Ao longo do desenvolvimento, adquirimos capacidades motoras que nos permitem dominar o nosso ambiente e adquirimos linguagens de forma a comunicar o que aprendemos aos outros, transmitindo assim aspectos culturais importantes de geração em geração.

  Assim se compreende que uma perturbação da memória tenha consequências tão devastadoras para o indivíduo e para as pessoas que o rodeiam.

A memória é um conjunto de funções que permitem a aquisição, manutenção, descodificação e utilização de informação para um determinado fim. Pode ser dividida em declarativa e não declarativa.

A memória declarativa implica o acesso explícito e consciente de informação e pode ainda ser dividida em episódica e semântica.

  • A memória episódica permite relembrar as nossas experiências, dando a sensação de “viajar” mentalmente entre os vários momentos da nossa vida. É um tipo de memória onde o “eu” é central pois implica a recordação da experiência que o próprio sentiu em determinado evento. Está associada a uma sensação de tempo, permitindo-nos distinguir entre eventos recentes e eventos mais remotos. Um exemplo de uma memória episódica é a recordação do nosso primeiro dia de aulas no liceu (ex: “Era um dia chuvoso e por isso cheirava a humidade, levava uma mochila vermelha que me tinha sido oferecido pela minha mãe no dia anterior. Cheguei mais cedo por isso fiquei a conversar à porta da sala de aula com uma colega”).
  • A memória semântica sustenta o nosso conhecimento factual do mundo (incluindo informação acerca de objectos, pessoas, eventos históricos e o significado das palavras). Por exemplo, a capital de Portugal é Lisboa e há 12 unidades numa dúzia. Este tipo de memória é diferente da memória episódica porque não implica um sentimento de experiência pessoal e porque não está associado a um contexto espacial e temporal particular.

Recordarmo-nos do momento de tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, em que estávamos sentados no sofá à frente da televisão com a nossa família é um exemplo de memória episódica. Saber que Marcelo Rebelo de Sousa é o Presidente da República é um exemplo de memória semântica.

Apesar da memória episódica e semântica representarem subtipos de memória diferentes, interagem de forma importante. Não só as memórias episódicas se tornam mais ricas e vividas por conterem “factos” (memória semântica), como também a memorização de “factos” e de listas se torna mais fácil quando os associamos a uma história ou a um episódio (ainda que seja puramente imaginado).

A memória não declarativa não é passível de ser verbalizada e o seu subtipo mais importante é a memória de procedimentos. Esta diz respeito à capacidade de aprender competências que operam a um nível subconsciente e que são difíceis de declarar/explicar. Exemplos de memórias procedimentais incluem andar de bicicleta, mudar as mudanças do carro ou tocar o piano, que são todas tarefas que se tornam automáticas com o treino e que são difíceis de explicar a outros.

Estes tipos de memória têm bases anatómicas diferentes, pelo que são afectadas de diferente forma por doenças neurológicas diferentes. A Doença de Alzheimer afecta sobretudo a memória episódica (pelo menos numa fase inicial).  A Demência Semântica compromete primeiramente a memória semântica.

Actualmente sabemos que a memória é muito mais do que a capacidade para recordar acontecimentos passados. Existem diferentes tipos de memória relativamente independentes mas que interagem para definir a pessoa que somos hoje.

Revisão Clínica: Nuno Antunes e Margarida Rebolo

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Gelados para toda a família

Com o fim de semana à porta, deixamos-lhe algumas receitas de gelados para refrescar toda a família nestes dias de Verão.

Delícia gelada de iogurte (4-6 pessoas)

– 4 iogurtes gregos

– 1 colher de sopa de mel

– 20 gramas de açúcar em pó (ou 5 gramas de adoçante em pó)

– Fruta triturada (framboesas, amoras, pêssegos…)

Numa taça misture o iogurte, o mel e o açúcar em pó. Bata tudo durante, pelo menos, 5 minutos. Acrescente a fruta triturada e envolva. Coloque a mistura em formas de gelado ou em copos pequenos de papel, com um pauzinho de madeira ou, em alternativa, uma colher. Leve ao congelador durante, pelo menos, 5 horas.

Existe também uma opção mais leve e que pode até ajudar a manter os níveis de hidratação:

Surpresa de Frutas:

– água de coco (vende-se habitualmente em grandes superfícies)

– Fruta a gosto (em polpa ou aos pedacinhos)

– 1 colher de sopa de mel

Misture todos os ingredientes e coloque nas formas de gelado ou em copos pequenos de papel com um pauzinho de madeira ou, em alternativa, uma colher. Leve ao congelador durante, pelo menos, 5 horas.

Em alternativa pode substituir a água de coco por água com groselha ou por sumo de melancia.

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Bom proveito!

 

 

 

 

 

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