Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

Horário : Segunda a Sexta das 09h00 às 19h00
  Contacto : +351 21 750 6010 | info@neuroser.pt

Dicas

Demência: Quando a higiene básica se torna uma batalha

Já partilhámos aqui no NeuroSer algumas das dificuldades sentidas pelos cuidadores face à ocupação do banho. No entanto, a higiene é uma área com um alcance muito superior, que envolve outras ocupações, tais como:

  • a higiene oral,
  • a utilização da sanita,
  • lavar as mãos,
  • vestir roupa limpa.

Como sabemos que também estas ocupações se podem tornar problemáticas, mesmo que sejam percebidas como mais fáceis, damos-lhe algumas informações sobre o que poderá causar as dificuldades e de que forma as poderá superar.

 

Higiene Oral

As dificuldades relativas à higiene oral podem estar relacionadas, entre outras razões, com:

  • Dificuldades sensoriais, que dificultam a tolerância à utilização de uma escova de dentes;
  • Incapacidade de compreender a necessidade deste tipo de higiene;
  • Dificuldades em planear e sequenciar o que deve fazer.

Para superar estas dificuldades propomos:

  • Colar numa superfície visível um lembrete para a higienização dos dentes ou prótese dentária;
  • Colar numa superfície visível um esquema dos passos a realizar para a higienização dos dentes ou prótese dentária;
  • Utilizar pastas de dentes com sabores menos agressivos (o seu familiar poderá ter tendência para evitar sabores fortes e possivelmente desagradáveis, como mentol, por exemplo);
  • Optar por escovas de dentes mais suaves, logo menos agressivas;
  • Em visitas ao dentista, informe-se sobre opções de procedimentos que facilitam a intervenção com a pessoa com demência.

 

Utilização da sanita

Esta talvez seja uma das ocupações em que a relação da pessoa com demência e do seu cuidador é mais importante, bem como o tipo de suporte que a pessoa necessita.

Lembre-se que o suporte a prestar ao seu familiar deve ser o mínimo possível, sem colocar em causa a sua segurança, mas promovendo a independência.

Para potenciar o desempenho independente da pessoa com demência pode:

  • Pedir a sua ajuda para baixar as calças e roupa interior;
  • Pedir ajuda para retirar do suporte o papel higiénico ou papel higiénico húmido (toalhitas), que poderão ser uma mais valia nestes casos, por promoverem uma higiene mais eficaz;
  • Pedir ajuda na higiene com o papel higiénico ou papel higiénico húmido, dando apenas orientação verbal à pessoa acerca do que deve fazer.

Tenha em atenção que, em fases mais avançadas, a pessoa com demência poderá não reconhecer o seu cuidador (mesmo que este seja um familiar), e sentir a sua ajuda como uma violação da sua privacidade. Tente ser paciente, manter o contacto visual e voz calma, por forma a tranquilizar a pessoa. Se esta recusar a utilização da sanita ou se verificar um elevado nível de ansiedade, tente novamente mais tarde.

 

Lavar as mãos

Este é um hábito importante, mas muitas vezes desvalorizado. Deve estimular o seu familiar a lavar as mãos em água corrente. No entanto, se isso não for possível, pode optar por um recipiente com água ou por toalhetes húmidos.

Para facilitar este hábito, sugerimos que:

  • Utilize água a uma temperatura agradável para o seu familiar;
  • Indique, através de orientações verbais ou esquemas colados em superfícies visíveis, os passos para a lavagem das mãos;
  • Utilize produtos com aromas agradáveis e que vão ao encontro das preferências da pessoa;
  • Utilize toalhas para secar as mãos, que tenham cores atractivas, para que a pessoa com demência as identifique com maior facilidade;
  • Se possível, tenha em sua casa torneiras com um manípulo que facilite a utilização (ao contrário dos manípulos de rodar, por exemplo).

 

Vestir roupa limpa

Se o seu familiar mostrar alguma resistência em mudar de roupa, este comportamento pode estar relacionado com várias causas, tais como:

  • Incapacidade de fazer julgamentos face ao estado das suas roupas;
  • Sentir-se confortável com uma peça e, dessa forma, querer vesti-la constantemente;
  • Dificuldade na escolha da roupa, optando assim pela opção mais fácil, que será a de vestir o mesmo;
  • Preferir cores sólidas, em vez de padrões, que podem actuar como estímulos distratores;
  • existir uma desorientação temporal, o que faz com que a pessoa perca a noção em relação ao dia em que está e há quanto tempo vestiu aquela peça de roupa;
  • Défices sensoriais ao nível olfactivo, característicos do envelhecimento, que dificultam a percepção do odor desagradável das suas roupas.

Para superar estas dificuldades, sugerimos que:

  • Evite afirmar que as roupas estão sujas ou com odor desagradável (em vez disso, faça sugestões, pois irá evitar que a pessoa com demência se sinta julgada);
  • Guarde no roupeiro da pessoa com demência apenas algumas opções, para facilitar o processo de escolha;
  • Respeite os gostos pessoais do seu familiar;
  • Se possível, compre roupas idênticas às preferidas da pessoa com demência (padrões, cores, tamanho, textura);
  • Retire as roupas sujas do quarto do seu familiar enquanto este dorme, e substitua por outras peças para utilizar no dia seguinte;
  • Opte por promover a troca de roupa logo pela manhã ou após o banho, que são alturas do dia em que é mais natural fazê-lo.

Se se depara com alguma destas problemáticas e as estratégias sugeridas não solucionaram as dificuldades com o seu familiar, não desista!

Cada pessoa é diferente e, por isso mesmo, precisa de estratégias diferentes que se adequem ao seu caso e à sua família.

O NeuroSer quer dar mais um passo no sentido de ajudar os cuidadores a lidar com as dificuldades nas Actividades de Vida Diária e a reduzir a sobrecarga que está associada à prestação de cuidados ou ao contacto frequente com pessoas com demência. Nesse sentido, a quarta das Sessões Práticas e Informativas abordará as “Actividades de Vida Diária”, onde existirá a oportunidade de identificar possíveis causas para as dificuldades e adquirir estratégias para com elas lidar. Consulte aqui os objectivos da sessão.

Revisão: Ana Matias (Terapeuta Ocupacional)

Ler Mais

Sessões Informativas: Alzheimer e AVC

O NeuroSer irá iniciar dois novos ciclos de sessões práticas e informativas dirigidas a:

Pode inscrever-se apenas numa ou mais do que uma sessão de cada ciclo através do e-mail info@neuroser.pt ou ligando para 217506010.

Veja os programas e não deixe de se inscrever e de assegurar a sua vaga (os lugares são limitados).

O custo por sessão é de €10 (existem condições especiais para residentes nas Freguesias do Lumiar e de Carnide, assim como para associados da Associação de Residentes de Telheiras e do Viver Telheiras).

Fique atento a informações mais concretas sobre cada uma das sessões!

PROGRAMA ALZHEIMER E OUTRAS DEMÊNCIAS

Aceda aqui ao Programa em versão pdf: Programa Sessões Demências 2017

PROGRAMA ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

Aceda aqui ao Programa em versão pdf: Programa Sessões AVC 2017

Ler Mais

Demência: Quando o banho se torna uma batalha

Enquanto cuidadores de uma pessoa com demência, os familiares são confrontados com dificuldades diárias, principalmente no que diz respeito aos cuidados pessoais. Um dos problemas mais frequentemente reportado pelos cuidadores, diz respeito ao banho. Esta ocupação é de cariz tão íntimo, que se torna muitas vezes difícil para a pessoa com demência aceitar ajuda de outras pessoas ou compreender o porquê dessa necessidade. Partilhamos algumas estratégias que podem facilitar este momento.

Porque é que o meu familiar tem comportamentos desadequados no banho?

É comum que algumas pessoas com demência se tornem resistentes, ansiosas ou agressivas face a tomar banho, sendo que estes comportamentos podem surgir devido a diversos aspectos, tais como, a pessoa:

  • não compreender a necessidade de tomar banho,
  • não se sentir confortável com a nudez à frente de outras pessoas (mesmo familiares),
  • sentir-se desconfortável com a temperatura ambiente ou com a temperatura da água,
  • ter receio da água,
  • sentir-se desconfortável com a pressão do chuveiro,
  • ter receio da profundidade da água, entre muitos outros aspectos.

Será importante que tente compreender quando é que os comportamentos desadequados se iniciam, para tentar compreender a sua causa.

É essencial que se mantenha flexível e que não interprete estes comportamentos como algo pessoal, uma vez que são influenciados pelas características da própria demência.

O que é que posso fazer para facilitar o banho, antes de começar esta ocupação?

Permita ao seu familiar participar no máximo de etapas para a preparação do banho possíveis, como por exemplo: escolher a roupa que vai utilizar depois do banho, preparar as toalhas e os produtos de higiene, encher a banheira com água, entre outros.

É importante que a casa de banho seja um local percepcionado pela pessoa com demência como confortável e seguro, por isso pode:

  • utilizar um aquecedor para ajustar a temperatura do espaço (não se esqueça de manter a segurança),
  • permitir à pessoa que experimente a temperatura da água e ajustá-la face à sua reacção,
  • aquecer as toalhas,
  • utilizar música de acordo com as preferências do seu familiar ou sons relaxantes
  • utilizar algumas gotas de corante azul na água para facilitar a percepção visual (é possível que o seu familiar sinta receio da água, se não for capaz de a ver).

Convide o seu familiar a participar nestas tarefas de preparação do banho.

O meu familiar já não consegue fazer nada sozinho. Como é que posso promover a sua participação no banho?

Embora a pessoa com demência possa necessitar do seu suporte em muitas etapas do banho e sinta que ela é completamente dependente, deve sempre tentar promover a autonomia do seu familiar, garantindo que a segurança não é posta em causa.

Algumas estratégias para promover a autonomia são:

  • permitir a escolha da pessoa (por exemplo: mostre dois tipos de esponja e pergunte, de forma simples, qual prefere),
  • atribua à pessoa uma tarefa simples (por exemplo: lavar uma das pernas da pessoa e pedir que ela repita na outra perna, ou pedir que segure a esponja enquanto o cuidador coloca a quantidade adequada de gel de banho),
  • respeite a forma como a pessoa realiza a ocupação, desde que a segurança não seja colocada em causa (por exemplo: se o cuidador costuma lavar o cabelo primeiro, mas a pessoa com demência começa a lavar o corpo assim que segura a esponja, respeite essa decisão e seja flexível).

Outras estratégias que podem ser úteis.

  • Crie uma rotina de banho. Tente identificar qual a altura do dia em que a pessoa reage melhor ao banho e estabeleça essa hora do dia como “hora do banho”;
  • Simplifique tudo! O mais importante em relação ao banho é manter a higiene e saúde da pessoa, mas será que para isso é necessário utilizar diversos produtos, como champô e amaciador, ou basta um, por forma a diminuir a duração do banho? Simplifique tudo o que é possível simplificar;
  • Seja directo e utilize linguagem simples. Por exemplo, ajude a pessoa a participar, utilizando frases curtas como “sente-se” ou “lave o seu braço”;
  • Avise sempre o que vai fazer a seguir. Por exemplo, se vai molhar o cabelo da pessoa, dê essa informação à mesma, para diminuir as hipóteses de esta se assustar;
  • Utilize produtos de apoio, caso estes facilitem o banho, como por exemplo uma cadeira de banho ou barras de apoio (com aconselhamento do seu profissional de saúde);
  • Elogie a pessoa sempre que esta ajudar, mesmo que possa não ser uma ajuda eficiente! É importante elogiar para motivar a pessoa a participar;
  • Seja flexível quanto à frequência do banho ou a sua tipologia. Se num dia a pessoa estiver pouco colaborante e manifestar muita ansiedade face ao banho, opte por utilizar outra tipologia de higiene e, por exemplo, lavar o cabelo noutro dia.

Já tentei todas estas estratégias e continuo a ter dificuldades!

Se nenhuma destas estratégias resultou com o seu familiar, não desista. Cada pessoa é diferente e, por isso mesmo, precisa de estratégias diferentes que se adequem ao seu caso e à sua família. Além disso, o banho é uma ocupação complexa que envolve muitas etapas, sendo que existem outras estratégias que pode experimentar.

Contacte um profissional de saúde e peça aconselhamento face às dificuldades sentidas.

Revisão: Terapeuta Ocupacional Ana Gonçalves

Ler Mais

A próxima consulta médica: Que perguntas deve fazer?

Se suspeita que o seu familiar possa estar a desenvolver Alzheimer ou outra demência, é importante consultar um médico de forma a poder obter uma resposta clara.

A consulta médica é importante porque pode permitir estabelecer um diagnóstico precoce, mas também despistar outras doenças que mimetizam a demência, mas que são reversíveis (por exemplo, uma infecção do trato urinário pode causar sintomas semelhantes, mas tem cura).

Assim sendo, o diagnóstico correto por parte de um médico é essencial para que seja possível iniciar a intervenção mais adequada mas também para desencadear um processo de adaptação e preparação do futuro por parte das famílias.

Para que a consulta seja o mais produtiva possível, considere preparar-se da seguinte forma:

planing

  1. Mantenha um registo das queixas e dos comportamentos pouco característicos do seu familiar:
  • A descrição dos sintomas (ex: exemplos de esquecimentos, capacidade de condução alterada, episódio de desorientação espacial);
  • A data aproximada do seu surgimento e a natureza da sua progressão (Piorou abruptamente ou foi gradual? Decaiu, recuperou e depois voltou a decair? Piorou mas depois manteve-se estável?).
  1. Faça uma lista da medicação actual:
  • Esta deve incluir tanto a medicação prescrita como vitaminas, suplementos ou produtos homeopáticos que estejam a ser tomados.
  1. Organize a informação clínica e recolha informação pessoal importante
  • Se possível, prepare uma breve lista com datas e natureza dos problemas de saúde passados (ex: internamentos, cirurgias, AVCs) e atuais (ex: diabetes, tensão arterial elevada, níveis de colesterol alterados, patologia cardíaca);
  • Procure saber se houve, recentemente, alguma mudança significativa na vida do seu familiar que se possa associar ao seu estado de saúde (ex: ter ficado viúvo, ter saído da casa onde sempre morou);
  • Esteja preparado para reportar, de forma sucinta, episódios da vida da pessoa (ex: tempos de escola, evento traumáticos, processo de divórcio complicado).
  1. Pense em questões para colocar ao médico:

Quanto mais souber, mais capacitado poderá estar para tomar decisões. Sugerimos levar um bloco de notas para poder anotar qualquer indicação do seu médico ao longo da consulta.

Frequentemente, as questões só começam a surgir após a consulta com o médico, quando as pessoas regressam a casa e têm tempo e espaço para “digerir” a informação. De modo a antecipar o frenesim das consultas médicas e evitar que surjam tantas dúvidas, antecipe o que gostaria de esclarecer. É frequente os familiares quererem saber:

  • Quais as possíveis causas dos sintomas?
  • Que exames podem ser necessários? Quanto tempo pode levar até obter um diagnóstico?
  • A condição é, provavelmente, temporária ou crónica?
  • O que posso esperar nos próximos 6 meses ou 12 meses?
  • Quando devo voltar para uma próxima consulta?

Após a consulta inicial, os resultados dos vários exames complementares pedidos podem ainda demorar. No entanto, estes são essenciais para estabelecer um diagnóstico acertado, excluindo outras causas para os sintomas.

1898815_751gg800518251519_8615077809652219410_o

É possível que só numa segunda consulta seja feito o diagnóstico. Caso isso aconteça é importante perguntar:

  • Quais as intervenções farmacológicas e não farmacológicas disponíveis? Quais os riscos e os benefícios das mesmas?
  • O que devo esperar da evolução da doença?
  • Devem ser feitas adaptações no domicílio para garantir a segurança da pessoa?
  • Que fontes de informação recomenda se quiser saber mais sobre a doença? Existem alguns folhetos ou materiais de apoio aos quais possa ter acesso?
  • Quais os serviços de apoio que existem perto de mim?

Outra questão muito importante na preparação da consulta é a informação que decide transmitir ao seu familiar. Esta varia de caso para caso, no entanto, pode ser útil explicar para onde vai, o que vai fazer e realçar a importância dessa mesma consulta. Não é necessário falar da possibilidade de ter um quadro demencial – é mais importante referir que o que motivou a consulta foram as dificuldades sentidas pelo seu familiar (ex: esquecimentos) e que é importante abordá-las.

Lembre-se que o médico faz parte de uma equipa e que a sua actuação está dependente do que for partilhado com ele. Seja honesto e tente ajudar o seu familiar a explicar o melhor possível os sintomas. Não tenha medo de colocar as questões que achar relevantes e tente sempre obter o máximo de informação possível para poder planear melhor o seu futuro e o do seu familiar.

Autoria Nuno Antunes com revisão de Margarida Rebolo

Ler Mais

Ajudas para a Comunicação

O que são produtos de apoio?

Produtos de apoio  são “qualquer produto (incluindo dispositivos, equipamento, instrumentos, tecnologia e software) especialmente produzido ou geralmente disponível, para prevenir, compensar, monitorizar, aliviar ou neutralizar as incapacidades, limitações das actividades e restrições na participação”.

Fonte: Classificação ISO9999:2007

O que são produtos de apoio à Comunicação?

São todas os recursos que podem ajudar a pessoa a comunicar, com os outros, de uma forma mais eficaz.

Para quem podem ser importantes?

Para muitas pessoas com lesão cerebral (por exemplo, AVC) ou doenças neurodegenerativas, como é o caso da Demência, que podem apresentar alterações graves na capacidade em falar com os que o rodeiam.

Em muitos casos, existem estratégias e ajudas técnicas que podem ajudar a tornar a comunicação mais fácil. A sua escolha depende das dificuldades e capacidades da pessoa e, por isso, são sempre ajustadas a cada caso.

Habitualmente, a avaliação inicial é efectuada por um terapeuta da fala e pode integrar também a informação da equipa alargada, nomeadamente, da terapia ocupacional e da fisioterapia.

A escolha do produto de apoio à comunicação vai sempre depender das capacidades, dificuldades , contexto social e motivação de cada pessoa e pode variar ao longo do tempo. O produto de apoio deve ser capaz de acompanhar a evolução das condições do utilizador.

Os produtos de apoio à comunicação mais simples são constituídos por um suporte físico onde são colocados símbolos ou imagens que a pessoa escolhe directamente ou ajuda do seu interlocutor.

Exemplo de Livro de Comunicação

Exemplo de Livro de Comunicação

Adicionalmente, existe um crescimento exponencial dos programas ou aplicações digitais que permitem transformar texto em fala (a chamada fala sintetizada), utilizar fotografias, símbolos ou outros recursos adaptados às necessidades de comunicação de cada pessoa.

Exemplos de softwares de comunicação em diferentes equipamentos.

Exemplos de softwares de comunicação em diferentes equipamentos.

Paralelamente, têm sido criados diversos produtos de apoio para a comunicação em contexto hospitalar, de que são exemplo, os quadros de comunicação específicos e escalas de dor adaptadas.

Exemplo de tabela de comunicação usada em meio hospitalar (Vidatak E-Z Board)

Exemplo de tabela de comunicação usada em meio hospitalar (Vidatak E-Z Board)

 

Nunca é demais recordar que, o familiar/cuidador, deve dar tempo à pessoa para responder, uma vez que a comunicação com estes recursos é mais lenta.

O mais importante é mesmo nunca desistir!

 

Revisão Clínica: Inês Tello Rodrigues

 

Ler Mais

O papel da Terapia Ocupacional na doença de Alzheimer ou outra demência

A Terapia Ocupacional foca a sua intervenção na capacitação da pessoa para o desempenho e envolvimento em ocupações que a própria considere como significativas, sendo que estas ocupações poderão estar relacionadas com os autocuidados, com lazer ou com produtividade.

Na sua intervenção, o Terapeuta Ocupacional tem em consideração três dimensões, sendo elas a pessoa, a ocupação e o ambiente, podendo intervir em cada uma delas.

A abordagem da Terapia Ocupacional na demência assume um papel essencial, quer na intervenção directa com a pessoa com demência, quer com os cuidadores. O Terapeuta Ocupacional é um profissional qualificado para intervir:

  • ao nível das Actividades da Vida Diária, realizando por exemplo, treino de alimentação ou treino de higiene;
  • na manutenção e promoção da participação em ocupações que vão ao encontro dos desejos e necessidades da pessoa;
  • na promoção da participação em actividades terapêuticas estimulantes em termos cognitivos, motores, emocionais e sensoriais;
  • na graduação das ocupações, por forma a permitir à pessoa um maior sucesso no seu desempenho;
  • na adaptação do ambiente físico à pessoa com demência, permitindo assim a diminuição do risco de quedas e uma maior segurança;
  • no apoio e aconselhamento dos cuidadores.

Nas fases iniciais da demência, o papel do Terapeuta Ocupacional está principalmente relacionado com a informação prestada à pessoa e ao cuidador, com a adaptação do ambiente, por forma a garantir a segurança e na manutenção das Actividades Instrumentais da Vida Diária (como por exemplo, a utilização do telefone ou a gestão da correspondência).

À medida que a doença progride, o papel do Terapeuta Ocupacional passa a estar cada vez mais relacionado com a garantia do bem-estar e qualidade de vida da pessoa e dos cuidadores. Desta forma, existe uma maior incidência na intervenção a nível sensorial, com repetição de actividades prazerosas que aumentem o sentido de familiaridade da pessoa e no treino de técnicas que facilitem o cuidado.

Revisão Clínica: Ana Matias

Ler Mais

Actividades sensoriais para a pessoa com demência

Todos os dias cada um de nós recebe variadas informações do ambiente à sua volta, que têm significados diferentes e que são interpretadas pelo cérebro de forma diferente. Para receber essas informações, cada pessoa conta com os seus sentidos: o olfacto, a visão, o tato, a audição e o paladar. Estes cinco sentidos são a via através da qual o nosso cérebro recebe a informação do ambiente que nos rodeia e é desta forma que conseguimos interpretar estímulos exteriores como o som de um pássaro, a cor das flores, a textura da roupa, o aroma de um bolo ou o sabor de uma fruta. Assim sendo, é fácil compreender o quão importante é a função dos sentidos no dia-a-dia. No entanto, torna-se uma função ainda mais importante quando compreendemos que a cada pessoa são exigidas competências cognitivas na interpretação do ambiente, todos os dias, como a interpretação da linguagem, por exemplo, e que nem todas as pessoas conseguem responder a essas exigências. Quando estamos perante uma pessoa com demência, cujas competências cognitivas se encontram alteradas, é essencial compreender que a sua interpretação do ambiente poderá sofrer alterações e de que os estímulos deverão ser apresentados de uma forma simples e de fácil interpretação. É neste momento que os sentidos se tornam ainda mais importantes, uma vez que são a forma mais simples de obter informação sobre o ambiente à sua volta. Por exemplo, será mais fácil compreender qual o aspecto de um pássaro ao utilizar apenas a visão, do que ler sobre ele, o que irá exigir competências cognitivas.

A estimulação sensorial pode ser realizada ao nível dos cinco sentidos e deverá sempre ter em conta a pessoa como um Ser individual. Desta forma, será importante compreender, por exemplo, de que músicas a pessoa gosta, qual o seu prato preferido, se existe algum cheiro de que não goste, entre outros. Estas questões vão permitir adequar os estímulos à pessoa e obter assim uma melhor resposta ao ambiente.

A estimulação sensorial foi até ao momento alvo de alguns estudos que defendem que esta promove o humor, a socialização, a qualidade de vida e a expressão emocional e diminui os problemas comportamentais. Esta estimulação tem como objectivo o relaxamento, sendo importante que não se exija uma “forma correta” de reagir aos estímulos apresentados, já que cada pessoa irá interpretá-los de formas diferentes.

De uma forma geral, a estimulação sensorial poderá ajudar a pessoa com demência a compreender melhor o ambiente à sua volta (quer físico, quer social), facilitando assim a comunicação e promovendo a interacção.

Temos algumas ideias que poderá tentar em casa, no entanto relembramos que deverá aconselhar-se sempre com um profissional.

Visão

– Apresente ao seu familiar estímulos que sejam atractivos e com diferentes cores;

– Vejam em conjunto diferentes fotografias. Poderá criar um álbum ou molduras com diferentes materiais que sejam igualmente estimulantes (como marcadores, folhas secas, flores, impressões, entre outros).

Audição

– Apresente sons à pessoa e tentem identificar a sua origem (por exemplo, pássaros, piano ou xilofone);

– Em conjunto com o seu familiar, ouçam algumas músicas que ambos conheçam e tentem identificar o cantor (poderá usar fotografias para facilitar a identificação).

Olfacto

– Prepare frascos de especiarias e convide o seu familiar a tentar descobrir, através do olfacto, de que especiaria se trata;

– Convide o seu familiar a passear num jardim e a cheirar as flores.

Tacto

– Apresente ao seu familiar texturas diferentes (pode usar objectos que tem em casa, como lã, escovas, algodão, limas das unhas, entre outros);

– Convide o seu familiar a plantar algumas plantas e aproveite para mexer na terra, nas sementes e na água, explorando diferentes texturas e temperaturas.

Paladar

– Proponha ao seu familiar experimentar diferentes sabores e inclua alguns que sejam apreciados e outros que não. Desta forma, poderá explorar diferentes reacções;

– Convide o seu familiar a participar na preparação das refeições e a provar os ingredientes. Pode ainda pedir a sua opinião quanto ao tempero da receita que estão a preparar.

Aconselhamos a que tente integrar esta estimulação no dia-a-dia, por exemplo enquanto cozinha ou cuida do seu jardim. Poderá ainda criar uma actividade que contemple os cinco sentidos, com base num tema. Por exemplo, com base no tema outono, poderá apanhar folhas secas com o seu familiar e assar castanhas. Isto irá permitir que a pessoa veja as diferentes cores (visão), sinta a textura das folhas (tacto), ouça os pássaros durante o passeio (audição), sinta o aroma das castanhas acabadas de assar (olfacto) e prove as castanhas (paladar).

Revisão Clínica: Ana Gonçalves

Ler Mais

A importância da socialização

Ao longo do processo normal do envelhecimento verifica-se, usualmente, uma perda de relações sociais, que se pode dever à perda de papéis ocupacionais, que limitam as interacções sociais. Por exemplo, com a perda do papel laboral, isto é, com a transição para a reforma, reduzem-se, e em alguns casos perdem-se, conexões sociais importantes. Além disso, ao longo da vida, algumas pessoas significativas (familiares, amigos, colegas) vão desaparecendo. Desta forma, é normal que a rede social de cada pessoa se altere significativamente ao longo da vida e com especial enfoque na fase do envelhecimento. No entanto, a socialização apresenta-se como um aspecto fulcral e verifica-se que o idoso, embora de uma forma mais reduzida, mantém relações sociais no seio familiar e com um grupo de pares/amigos mais próximos, validando a importância deste aspecto na sua vida.

Ainda assim, a pessoa com diagnóstico de demência pode acabar por, gradualmente, se isolar, por receio de que os amigos e familiares se apercebam das suas limitações ou pelas próprias características da doença que dificultam a interacção, como é o caso das alterações da linguagem. Será importante que o cuidador/familiar promova a manutenção da participação social da pessoa. Realçamos no entanto, que o mais importante será a manutenção de interacções sociais e do apoio social à pessoa, e não apenas a manutenção das redes sociais. Embora possam parecer conceitos semelhantes, é possível que a pessoa mantenha uma rede social extensa (ou seja, uma grande variedade de amigos e familiares), no entanto com interacções sociais pouco frequentes e que são pouco suportantes, o que não será o ideal, uma vez que poderá levar a pessoa com demência a vivenciar sentimentos de abandono.

Deixamos algumas ideias para promover as interacções sociais da pessoa com demência:

– Promover o contacto com pares/amigos, por exemplo, planeando encontros casuais ou promovendo a troca de chamadas telefónicas ocasionais;

– Promover a deslocação a locais de encontro com a comunidade envolvente, como por exemplo, centros de convívio (onde muitas vezes se realizam jogos sociais, como o dominó, a malha ou o bingo);

– Promover as actividades culturais com os pares/amigos, uma vez que será provável que mantenham interesses similares, como por exemplo ir ao teatro ou a um concerto de música clássica;

– Promover o exercício físico. Actualmente existem diversos locais que oferecem aulas indicadas para este grupo etário e que possibilitam a interacção social;

– Promover a inclusão num grupo social com características similares.

É importante reconhecer que ao promover o envolvimento da pessoa numa ou várias actividades, esta estará a conhecer e a conviver com diferentes pessoas, partilhar experiências e vivências comuns, possibilitando que se identifique com os seus pares. Numa idade tão atingida pelo isolamento, participar em actividades com outras pessoas é uma das melhores formas de promover um envelhecimento bem-sucedido e o bem-estar psicológico e emocional. No entanto, realçamos que em caso de dúvidas ou dificuldades acentuadas, deverá procurar o aconselhamento de um profissional.

O NeuroSer aconselha ainda a integração nas Manhãs & Tardes no NeuroSer, onde cada pessoa é integrada num grupo social adequado e onde são promovidas actividades estimulantes, sendo fomentado o sentido de pertença ao grupo e as interacções sociais.

Revisão Clínica: Ana Matias

Ler Mais

1.º Aniversário NeuroSer – 01/10/2016

Agradecemos a todos os que connosco vieram celebrar o 1.º aniversário do NeuroSer.

Este evento, aberto à comuncidade, contou com uma comunicação do Professor Doutor Alexandre Castro Caldas (director clínico do NeuroSer) e workshops para ficar a conhecer melhor a nossa forma de intervir junto de pessoas com Alzheimer e outras Patologias Neurológicas.

Agradecemos a todos a presença e procuraremos continuar a fazer mais e melhor!

Ler Mais