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Todos os Artigos na Categoria: 3. Outras Patologias Neurológicas

Sintomas não-motores na Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson é conhecida pelas suas alterações motoras, nomeadamente uma lentificação do movimento e outros sintomas tais como a rigidez muscular, tremor de repouso ou instabilidade postural. No entanto, cada vez mais se sabe que fazem também parte do quadro sintomas não motores como a depressão, a ansiedade ou as alterações cognitivas.

O facto da Doença de Parkinson ser classificada como uma doença do movimento por vezes leva a que os sintomas não motores sejam subvalorizados. No entanto, estes podem ser tão ou mais incapacitantes que as alterações motoras que caracterizam a doença.

Existe cada vez mais evidência de que os sintomas não motores, que ocorrem na Doença de Parkinson, não são apenas resultado de efeitos secundários dos medicamentos ou reactivos às adversidades da doença. Os próprios mecanismos patológicos da doença (alteração das vias dopaminérgicas) parecem estar na sua origem.

Humor

A alteração do humor é um dos sintomas não motores mais comuns na Doença de Parkinson, podendo até surgir muito antes dos sintomas motores. A grande maioria das pessoas com Doença de Parkinson apresenta sintomatologia depressiva. Mais especificamente, podem experienciar sentimentos de tristeza e infelicidade persistentes e incapacitantes.

As alterações motoras da Doença de Parkinson podem levar, por exemplo, a que uma pessoa tenha que deixar de trabalhar ou conduzir. No entanto, na ausência de uma perturbação do humor, a pessoa é capaz de se adaptar (com menor ou maior esforço) a essa mudança e procurar e alcançar a satisfação através de outras actividades. Uma vez que os sintomas depressivos são tão frequentes nesta doença, a adaptação necessária face à incapacidade motora pode ser menos adequada e, tal como o efeito de uma bola de neve, são geradores de maior incapacidade e menor qualidade de vida.

A depressão apresenta uma associação muito forte com outros sintomas não motores tais como a fadiga, a falta de energia, a lentificação psicomotora, a dor, a diminuição do apetite e as perturbações do sono. O tratamento da sintomatologia depressiva, poderá ajudar a reduzir o impacto das mesmas.

A apatia refere-se à falta de motivação e de interesse. É muito comum na Doença de Parkinson haver uma indiferença emocional e uma escassez de objectivos. As pessoas referem que já não têm prazer em realizar actividades que lhes interessavam anteriormente. Os cuidadores reportam que a pessoa com Doença de Parkinson já não participa em actividades sociais ou físicas.

Ocorre normalmente por uma degenerescência das áreas cerebrais reponsáveis pelo comportamento orientado para um objectivo ou recompensa.

Regra geral, a apatia é difícil de tratar. Para além dos fármacos disponíveis para o efeito, pode ser importante informar os doentes e os seus cuidadores. Mais especificamente, importa diferenciar a apatia de sentimentos de “preguiça” ou de uma falta de esforço consciente.

Ansiedade

A sintomatologia ansiosa é bastante comum na Doença de Parkinson, podendo ser independente ou concomitante à depressão. No entanto, sabemos que quando existe sintomatologia depressiva, a ansiedade é um componente proeminente. Muitas vezes está relacionada com flutuações motoras induzidas pela medicação, podendo manifestar-se como ataques de pânico, fobias, ou uma perturbação da ansiedade generalizada.

Cognição

A diminuição do funcionamento cognitivo é muito comum nesta doença.

As alterações cognitivas que acompanham a Doença de Parkinson são sobretudo ao nível da atenção (ex: diminuição da concentração ou dificuldade em ignorar estímulos no ambiente que não são relevantes para a tarefa em curso), do funcionamento executivo (ex: dificuldade em planear uma tarefa ou inibir estímulos ou respostas não relevantes/adequadas) e da memória (ex: dificuldade em evocar nomes ou informação previamente memorizada). Podem existir alterações noutros domínios cognitivos, nomeadamente ao nível da capacidade visuo-perceptiva e da velocidade de processamento de informação.

Os números variam de estudo para estudo, no entanto, podemos dizer que cerca de 40% das pessoas recentemente diagnosticados com Doença de Parkinson apresentam alterações cognitivas compatíveis com um Défice Cognitivo Ligeiro. Cerca de 30% das pessoas com Doença de Parkinson têm demência. Após 20 anos de evolução de doença, a maioria dos doentes já desenvolveram um quadro demencial.

É importante esclarecer que, apesar da sua prevalência considerável nesta população clínica, a Doença de Parkinson não é necessariamente acompanhada por um quadro demencial. É também de referir que, existindo uma demência, não é necessário que esta seja associada à Doença de Parkinson – podemos estar perante um outro tipo (ex: Doença de Alzheimer ou Demência Vascular) ou até uma combinação de vários tipos de demência (demência mista).
Comportamento

É comum as pessoas com Doença de Parkinson terem dificuldade em resistir a impulsos ou inibir comportamentos potencialmente nocivos para o próprio ou para outros. Muitas pessoas apresentam comportamentos patológicos de jogo (gambling), hipersexualidade, ingestão compulsiva de alimentos, repetição de tarefas inúteis ou irrelevantes e fazem compras de forma compulsiva. Uma perturbação do controlo de impulsos podem ter efeitos devastadores, por vezes levando à falência financeira ou à deterioração de relações interpessoais.

Estes comportamentos podem ser um secundários a algumas terapêutica anti-parkinsónicas.

 

Outros sintomas não motores

  • Sonolência diurna excessiva: doentes podem adormecer ao volante, durante uma conversa ou no cinema. Em casos mais graves, a pessoa pode experienciar “ataques de sono” repentinos que não consegue controlar.
  • Diminuição da capacidade olfativa (hiposmia): é um sintoma comum mas muitas vezes ignorado que pode ocorrer muito tempo antes dos sintomas motores.
  • Perturbação do sono REM: caracterizada pela presença de sonhos vividos e presença de movimentos complexos durante o sono REM (movimentos rápidos dos olhos), sem a habitual “paralisia” muscular que se encontra nas pessoas saudáveis. Os doentes podem cair da cama abaixo, falar e rir à gargalhada e normalmente não se lembram dos episódios, sendo a história relatada pelo parceiro/a.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo e Rita Ferreira

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Défice Cognitivo Ligeiro

À medida que envelhecemos, assistimos a um declínio natural do funcionamento cognitivo – denominado de envelhecimento cognitivo fisiológico ou normal. Podemos ter mais dificuldade em evocar o nome de um objecto ou de uma pessoa, mas lembrarmo-nos dele mais tarde. Podemos perder as chaves ou a carteira de vez em quando ou sentir maior necessidade de escrever recados e listas para não nos esquecermos de informação importante. Estas falhas cognitivas são geralmente muito discretas e não perturbam o nível de funcionalidade/autonomia da pessoa.

O termo Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) é utilizado quando estas alterações cognitivas são mais frequentes ou graves do que é expectável para a idade e para o nível de escolaridade do indivíduo.

Sintomas de DCL podem incluir:

  • Dificuldade em realizar mais do que uma tarefa de cada vez;
  • Dificuldade em resolver problemas mais complexos ou na tomada de decisões;
  • Esquecimento de informação recente (eventos ou conversas recentes), por vezes levando a que a pessoa repita algumas vezes a mesma informação.

Apesar da existência destas alterações, as pessoas continuam a manter um nível de funcionalidade normal ou quase inalterado.

Assim, o DCL situa-se entre o envelhecimento normal e o envelhecimento patológico. Não se considera um funcionamento cognitivo completamente normal, no entanto, também não são preenchidos os critérios para um diagnóstico de demência.

A literatura demonstra que existe um risco considerável de um DCL evoluir para uma síndrome demencial (ex: Doença de Alzheimer). Estudos demonstram que um DCL do tipo amnésico (principal função afectada é a memória) mais provavelmente evoluirá para uma Doença de Alzheimer, enquanto que um DCL não amnésico tenderá a evoluir para outras demências tais como a variante comportamental da Degenerescência Lobar Fronto-Temporal ou a Demência com Corpos de Lewy.

No entanto, importa referir que nem todos os casos de DCL transitam para um quadro patológico – o estado cognitivo de uma pessoa com DCL pode manter-se estável durante vários anos. Infelizmente a ciência ainda não consegue prever se uma pessoa com DCL irá permanecer estável ou progredir para um quadro demencial.

A mensagem que os profissionais de saúde costumam deixar a uma pessoa recentemente diagnosticada com DCL é a seguinte: esperar pelo melhor mas ao mesmo tempo aceitar que o quadro poderá progredir.

É importante procurar informação e fazer planos para o caso de ter menos capacidade para o fazer no futuro. Como factores protectores do funcionamento cognitivo é importante:

  • Manter ou intensificar a actividade física;
  • Promover uma alimentação saudável;
  • Manter a actividade mental (as interacções sociais são uma óptima forma de estimular o cérebro!);
  • Manter uma atitude positiva (tentar evitar situações de stress, rodear-se de pessoas que o apoiem);
  • Manter um acompanhamento médico frequente e adequado de modo a controlar factores de risco (ex: Hipertensão Arterial, diabetes, colesterol elevado, etc…)
  • Estabelecer uma rotina.

 

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

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Sintomas motores na Doença de Parkinson

A doença Parkinson (DP) é uma doença crónica e progressiva do sistema nervoso central, que faz parte do grupo das doenças do movimento.

Os sintomas na doença de Parkinson dividem-se em sintomas motores e não-motores, sendo os motores os predominantes nesta patologia.

Os principais sintomas motores são:

Bradicinesia: caracteriza-se pela lentidão na realização dos movimentos voluntários, mas também é descrita como uma diminuição global da iniciativa de movimento;

Tremor de repouso: tal como o nome indica surge quando o membro está e repouso e desaparece quando a pessoa executa movimentos activos. Na maioria dos casos surge como primeiro sintoma, estando presente em aproximadamente 70% dos casos no momento do diagnóstico;

Rigidez muscular: caracteriza-se pela presença de uma resistência crescente em toda a amplitude passiva de um membro e pode surgir em qualquer músculo dos membros ou tronco, sendo mais comum na região da cervical, ombro e pernas;

Instabilidade postural: que inclui a diminuição do equilíbrio e coordenação, normalmente surge em fases mais avançadas da doença, sendo a principal causa do surgimento de quedas.

Para além destes sintomas descritos existem outros sintomas motores secundários que poderão estar presentes:

Freezing: caracteriza-se por um distúrbio episódico da marcha, que é descrito pelas pessoas como a sensação dos “pés ficarem colados ao chão”, envolvendo uma incapacidade temporária e involuntária para se mover. O freezing pode ocorrer em qualquer momento, sendo mais comum surgir em situações que implicam iniciar o andar (hesitação ao iniciar), contornar um obstáculo, mudar de direcção durante o andar, aumento assim o risco de queda;

Festinação: é uma alteração no andar da pessoa, que envolve um aumento involuntário da velocidade do andar, associado a uma diminuição da amplitude dos mesmos, aumentando o risco do surgimento de quedas;

Distonia: caracteriza-se pela contração contínua ou intermitente do músculo, podendo originar alterações posturais, movimentos anormais e repetitivos ou ambos;

Discinesias: são movimentos involuntários e irregulares, que poderão surgir ao nível do pescoço, braços, pernas ou tronco;

– Micrografia: alteração na escrita, diminuição do tamanho da caligrafia;

– Diminuição do balanceamento dos braços durante a marcha;

– Diminuição da expressão facial;

– Retropulsão: tendência para cair para trás.

A presença destes sinais tem um impacto significativo na qualidade de vida destes doentes, sendo assim fundamental que estes e as suas famílias sejam devidamente acompanhados por profissionais de saúde especializados, de modo a que os ajudem a lidar com as implicações no seu dia-a-dia.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Sinais e manifestações cardinais na Doença de Parkinson

Sinais e manifestações cardinais na Doença de Parkinson

A doença Parkinson (DP) é uma doença crónica e progressiva do sistema nervoso central, que faz parte do grupo das doenças do movimento. A DP constitui a segunda doença neurodegenerativa mais comum, depois da Doença de Alzheimer.

A causa é ainda desconhecida, mas sabe-se que existe uma diminuição dos neurónios dopaminérgicos, numa região específica do cérebro, na substância nigra. Em condições normais, estas células produzem dopamina, um neurotransmissor que ajuda a transmitir mensagens entre as diversas áreas do cérebro que controlam o movimento corporal.

O diagnóstico é estabelecido segundo critérios clínicos: a presença de bradicinesia e um ou mais dos restantes sintomas motores mais comuns da doença (sinais cardinais), sendo que a sua manifestação se dá de forma diferente em cada doente. Por exemplo, o tremor é muitas vezes o primeiro sintoma, mas em alguns casos este poderá não estar presente. Não existe actualmente nenhum exame radiológico ou análise laboratorial que diagnostique a 100% a DP, sendo que a doença só poderá ser diagnosticada com 100% de certeza com a realização de um exame post mortem do cérebro.

Esta doença apresenta como sinais a manifestações cardinais:

Bradicinésia: caracteriza-se pela lentidão na realização dos movimentos voluntários, mas também é descrita como uma diminuição global da iniciativa de movimento;

Tremor de repouso: tal como o nome indica surge quando o membro está e repouso e desaparece quando a pessoa executa movimentos activos. Na maioria dos casos surge como primeiro sintoma, estando presente em aproximadamente 70% dos casos no momento do diagnóstico;

Rigidez muscular: caracteriza-se pela presença de uma resistência crescente em toda a amplitude passiva de um membro e pode surgir em qualquer músculo dos membros ou tronco, sendo mais comum na região da cervical, ombro e pernas;

Instabilidade postural: que inclui a diminuição do equilíbrio e coordenação, normalmente surge em fases mais avançadas da doença, sendo a principal causa do surgimento de quedas.

Para além destes sinais descritos existem outros sintomas que poderão estar presentes, como por exemplo alterações cognitivas e comportamentais ou alterações do sono.

A presença destes sinais tem um impacto significativo na qualidade de vida destes doentes, sendo assim fundamental que estes e as suas famílias sejam devidamente acompanhados por profissionais de saúde especializados, de modo a que os ajudem a lidar com as implicações no seu dia-a-dia.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Demência na Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson é caracterizada por uma dificuldade em iniciar o movimento, lentificação na execução do mesmo e outros sinais como instabilidade postural, tremor de repouso ou rigidez. É, por isso, conhecida como uma doença do movimento. No entanto, cada vez mais se reconhece que os sintomas não motores tais como as alterações cognitivas e comportamentais representam uma componente importante deste quadro patológico.

As alterações cognitivas que acompanham a Doença de Parkinson são sobretudo ao nível da atenção (ex: diminuição da concentração ou dificuldade em ignorar estímulos no ambiente que não são relevantes para a tarefa em curso), do funcionamento executivo (ex: dificuldade em planear uma tarefa) e da memória (ex: dificuldade em evocar nomes ou informação previamente memorizada). Podem existir alterações noutros domínios cognitivos, nomeadamente ao nível da capacidade visuo-perceptiva.

A nível comportamental é comum manifestar-se um quadro depressivo, de desinibição, apatia, agitação, entre outros sintomas.

Os números variam de estudo para estudo, no entanto, podemos dizer que cerca de 40% das pessoas recentemente diagnosticados com Doença de Parkinson apresentam alterações cognitivas compatíveis com um Défice Cognitivo Ligeiro.  Cerca de 30% das pessoas com Doença de Parkinson têm demência. Após 20 anos de evolução de doença, a maioria dos doentes já desenvolveram um quadro demencial. No entanto, e apesar da sua prevalência considerável nesta população clínica, nem todos as pessoas com Doença de Parkinson desenvolvem uma demência.

Acredita-se que a presença simultânea da sintomatologia motora e cognitiva/comportamental na Doença de Parkinson se deva ao mecanismo biológico subjacente. A principal característica patológica é a deposição anormal da proteína α-sinucleína que, numa fase inicial ocorre em áreas mais localizadas na profundida do cérebro – responsáveis pelo controlo motor – e, numa fase posterior, se estende a áreas responsáveis pelas funções nervosas superiores.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

 

 

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