Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Todos os Artigos na Categoria: 7. Investigação

O que são interfaces “cérebro-computador”?

As interfaces cérebro-computador consistem na comunicação directa entre o cérebro humano e um dispositivo externo.

Esta tecnologia integra o conhecimento de áreas tão vastas como a engenharia, a biologia e as neurociências.

Como funcionam?

A utilização desta tecnologia baseia-se na medição da actividade eléctrica do cérebro.

O nosso cérebro possui diversos tipos de células, onde se incluem os neurónios e cujo funcionamento implica a passagem de impulsos eléctricos que permitem a comunicação e a integração de informação entre as diferentes áreas cerebrais.

As interfaces “computador-cérebro” utilizam a leitura desta actividade eléctrica para medir diferenças de voltagem entre os neurónios. Os sinais captados são amplificados e filtrados para melhorar a resolução e a clareza do sinal. O sinal é, então, convertido em valores digitais e transmitidos para computadores, que processam esses sinais para realizar uma determinada tarefa.

Como se lê o sinal eléctrico cerebral?

A forma mais comum, não invasiva e indolor de medir este sinal, é através de sensores eléctricos, que são colocados na superfície do couro cabeludo, como é o caso do electroencefalograma (EEG).

A análise de um EEG é complexa devido à grande quantidade de informação recebida de cada eléctrodo. Diferentes tipos de sinal são classificados de acordo com a frequência, origem e até a forma da onda.

A utilização de softwares sofisticados permitem interpretar padrões de actividade cerebral e traduzi-los em comandos para controlar um dispositivo externo, como uma prótese ou um computador.

Esta tecnologia tem vindo a ser aplicada com fins médicos, para ajudar pessoas que, por doença ou por lesão cerebral (por exemplo um AVC), ficam impossibilitadas de falar.

BCI

Com algum treino, o sistema permite que a pessoa aceda ao computador, escreva mensagens e controle até o ambiente circundante (televisão, estores…), devolvendo-lhe alguma autonomia e melhorando a sua qualidade de vida.

Revisão Clínica: Inês Tello

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Terapia Assistida por Animais na Demência

A interacção estruturada com um animal (Terapia Assistida por Animais) pode ajudar a melhorar a saúde mental, as funções físicas e as interacções comunicativas da pessoa com Alzheimer ou outra demência.

Existem diversos estudos que reportam os benefícios deste tipo de intervenção com adultos com demência, mesmo em fases avançadas da doença. Interessantemente, algumas investigações reportam que por vezes os animais conseguem comunicar melhor do que as pessoas com adultos com demência porque baseiam a sua interacção na leitura da linguagem corporal (não verbal).

Diversos centros e instituições que acolhem pessoas com demência começam a incluir a terapia assistida por animais nos seus planos de intervenção. As actividades desenvolvidas (normalmente com cães, mas também com gatos e póneis) podem envolver:

  • A escovagem e limpeza do animal;
  • A colocação da trela e passeio;
  • A brincadeira com bola;
  • O comentar em grupo as interacções com o animal;
  • Um simples toque.

Os benefícios reportados com este tipo de intervenção são:

  • Aumento da interacção comunicativa (o sorriso, o riso, o contacto ocular, o toque e a verbalização);
  • A diminuição da agitação psicomotora;
  • O aumento do envolvimento activo com o ambiente;
  • A melhoria das funções motoras.

Revisão Clínica: Inês Tello

Artigo de revisão sobre o tema:  http://www.researchgate.net/profile/Catherine_Travers/publication/23496495_Dog-assisted_therapy_for_older_people_with_dementia_A_review/links/00b7d5201796948bb5000000.pdf

Foto de: Therapy Dogs International

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A Demência e a Comunicação Conjugal

À medida que a demência progride as dificuldades na comunicação vão sendo cada vez mais evidentes – por exemplo, não conseguir evocar uma determinada palavra ou fazer a mesma pergunta vezes e vezes sem conta. Consequentemente, os casais afectados pela demência podem experienciar sentimentos de isolamento e de tristeza.

Um estudo recente da Florida Atlantic University procurou perceber de que forma casais afectados pela Doença de Alzheimer mantêm os seus relacionamentos ao longo de vários anos de casamento. Os investigadores filmaram (não presencialmente) 15 casais nas suas casas, uma vez por semana durante 10 semanas e analisaram as características verbais e não-verbais da sua comunicação.

Verificou-se que:

  • os participantes naturalmente discutiam sobre temas da actualidade o que, de alguma forma, ajudava a normalizar a vivência da pessoa com demência e do seu cônjuge;
  • os momentos de reminiscência (recordação), em que os casais partilhavam memórias acerca de pessoas e eventos remotos, também eram frequentes;
  • muitos dos cuidadores contavam histórias aos seus cônjuges, apesar de alguns participarem pouco na conversa;
  • os cuidadores mostravam-se encantados quando, numa determinada interacção, os seus cônjuges com demência contribuíam para além daquilo que era esperado;
  • os cuidadores facilmente aceitavam a contribuição dos seus cônjuges, sendo para eles mais importante valorizar a relação do que interromper a conversa para corrigir a resposta.

Os investigadores concluíram que os cônjuges cuidadores assumiam grande parte da responsabilidade de manter uma relação saudável. No entanto, os cônjuges com demência também tinham uma participação activa na comunicação, mesmo que apenas através da manutenção do contacto ocular com o cuidador.

De acordo com os autores deste estudo, estes resultados são particularmente interessantes porque, até ao momento, a investigação tem vindo a focar-se apenas nas dificuldades que os casais experienciam e não nas estratégias espontaneamente empregues para manter um relacionamento saudável (apesar da deterioração cognitiva).

Salientar estes fenómenos conjugais pode ajudar a trazer esperança àqueles cuidadores que estão desesperados e que perderam o alento.

Uma implicação clínica destes resultados é a necessidade de incluirmos mais frequentemente os cônjuges no processo terapêutico de pessoas com demência, pois são um elemento crucial para garantir a sua estabilidade emocional.

Aproveite também para recordar algumas estratégicas para Melhorar a Comunicação com uma Pessoa com Demência.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

Referência de artigo: Williams, C.L. (2015). Maintaining Caring Relationships in Spouses Affected by Alzheimer’s Disease. International Journal of Human Caring.

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Mapeamento do Cérebro em 3D

Investigadores do Institute of Neuroscience and Medicine de Jülich na Alemanha e do Montreal Neurological Institute no Canadá, criaram um mapa 3D do cérebro humano, com uma resolução nunca antes atingida.

Estes dados permitirão estudar a estrutura do cérebro com um maior detalhe e poderão ajudar a compreender alguns mecanismos que originam doenças neurodegenerativas.

Siga este link para saber mais sobre a investigação.

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O Cérebro em 3D

Uma visita 3D ao cérebro para compreender os mecanismos de degeneração de neurónios na doença de Alzheimer.

Cérebro 3D

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Estimulação Cerebral

Apesar de não existir uma cura para a Doença de Alzheimer, diversos fármacos têm provado alguma eficácia na melhoria e diminuição da progressão da doença. Existem também outras abordagens terapêuticas como a estimulação cerebral profunda ou a estimulação transcraniana por correntes contínuas.

Um estudo liderado por Andres Lozano, utilizou estimulação cerebral profunda para tentar reverter os efeitos da doença de Alzheimer. Este estudo piloto foi efectuado em 6 doentes com resultados encorajadores e novas investigações estão a decorrer neste momento para determinar a eficácia deste método.

Para consultar o Estudo original:

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Novo Estudo

A causa da Doença de Alzheimer ainda é desconhecida mas diferentes estudos científicos mostram um depósito anómalo de duas proteínas no cérebro: proteína beta-amiloide e proteína tau. Estes depósitos anómalos parecem estar relacionados com o aparecimento e progressão da doença mas o papel de cada uma das proteínas não está inteiramente esclarecido.

Um novo estudo comparou estes depósitos em 3500 cérebros doados de pessoas com doença de Alzheimer em diferentes fases de evolução. Os resultados indicaram que são os filamentos da proteína tau que parecem ser os responsáveis pelo declínio cognitivo. Estes resultados poderão levar ao desenvolvimento de terapias farmacológicas mais específicas e eficazes.

Para consultar o Estudo original:

Brain – A Journal of Neurology

MRI Brain scan

photo credit: Daisy Daisy/ Shutterstock

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