Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Todos os Artigos na Categoria: 1. Alzheimer e Outras Demências

Quais as fases na Doença de Alzheimer?

Na literatura são descritas três grandes fases na doença de Alzheimer, a fase ligeira, a fase moderada e a fase grave. A atenção e os cuidados prestados devem adaptar-se necessariamente a cada uma das fases, sendo fundamental uma avaliação cuidada das necessidades de cada pessoa para se planear e desenvolver uma intervenção adequada. É também importante o reforço das capacidades e competências dos familiares e cuidadores que permita melhor adequar a sua forma de actuar e reagir a cada circunstância e manter a qualidade das relações familiares.

  1. Fase Ligeira:

Podem identificar-se défices, frequentemente reconhecidos pelos familiares, em algumas das seguintes áreas, mais ou menos acentuados em função do nível:

  • Perda de memória moderada, mais acentuada para factos recentes (alguma dificuldade em aprender novos conceitos, seguir conversas e em concentrar-se)
  • Algumas dificuldades de comunicação, podendo existir problemas na evocação de palavras e nomes
  • Alguns problemas de orientação, tais como dificuldade moderada com as relações de tempo, assim como desorientação em locais não familiares;
  • Algumas alterações de humor, sendo que é frequente que a pessoa entre em negação como mecanismo de defesa e que demonstre alguma ansiedade
  • Redução de rendimentos em situações laborais ou sociais exigentes.
  1. Fase Moderada:

Existe um incremento do défice cognitivo e funcional, ainda que muitas das pessoas mantenham a consciência da sua condição:

  • Os problemas de memória agravam-se, por exemplo: (i) pode lembrar-se do nome, mas não da morada e telefone; (ii) dificuldade em identificar família e amigos, embora reconheça caras familiares;
  • Reduzida capacidade de concentração e confusão (dificuldade em organizar pensamentos ou seguir uma lógica);
  • Frequentemente alguma desorientação no tempo e no espaço;
  • Algumas dificuldades de comunicação (compreensão e expressão de linguagem escrita e oral);
  • Alterações de humor, que podem incluir ansiedade, tristeza, depressão, frustração, hostilidade, apatia ou agitação; sentimento de perda ou de insegurança;
  • Alterações de comportamento, que podem incluir, inquietude (deambular); perguntas e actos repetidos; alucinações (ver, ouvir, cheirar ou sentir algo que não existe), delírios (acreditar em algo que não é verdadeiro), desinibição (desinibição sexual, agressividade)
  • Tipicamente requer alguma assistência em actividades de vida diária, existindo também alterações de sono, alterações de apetite, problemas espaciais com impacto no movimento e coordenação.
  1. Fase Grave:

Existe um incremento do défice cognitivo e funcional muito significativo, com necessidade de cuidados 24horas/dia:

  • Defeito de memória muito grave, acompanhado de reduzida capacidade para processar informação;
  • Elevada desorientação no tempo e no espaço
  • Elevadas dificuldades de comunicação (discurso fragmentado e vazio, tornando-se a comunicação não verbal muito importante);
  • Total dependência em actividades de vida diária (alimentação e higiene)
  • Perde a capacidade de andar sem ajuda e posteriormente a capacidade de se sentar sem suporte, de sorrir e de endireitar a cabeça;
  • Pode ter dificuldades em engolir;
  • Pode perder peso.
Adaptação de informação da Alzheimer Society of Canada
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Quais os sinais de alerta na Doença de Alzheimer?

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É importante estar atento a alguns sinais de alerta que podem estar associados a doença de Alzheimer. Cada pessoa pode experimentar um ou mais sintomas e em diferentes graus, sendo importante, em caso de dúvida, consultar um especialista para se poder realizar um diagnóstico ainda numa fase precoce. Ignorar é a pior solução.

A Alzheimer’s Association desenvolveu uma listagem de 10 sinais de alerta da doença de Alzheimer que podem ser muito úteis, nomeadamente:

  1. Alteração de memória que dificulte a vida quotidiana

Um dos sinais mais comuns de Alzheimer, especialmente nas fases iniciais, é esquecer informação recém aprendida. Também se esquecem datas ou eventos importantes e solicita-se a mesma informação repetidamente (esquecer-se de vez em quando de nomes ou de agendamentos, mas lembrar-se depois, é normal).

  1. Dificuldade em planificar para resolver problemas

Algumas pessoas apresentam dificuldades em desenvolver e seguir um plano de trabalho com números. Podem, por exemplo, sentir dificuldades em seguir uma receita conhecida ou em lidar com as contas mensais. Também podem ter dificuldades em concentrar-se e podem demorar mais tempo na realização de tarefas (fazer erros de vez em quando, nomeadamente de somar e subtrair, é normal).

  1. Dificuldade em realizar tarefas quotidianas (em casa, no trabalho, nos tempos livres)

Para algumas pessoas muitas vezes torna-se difícil completar tarefas quotidianas. Por vezes podem ter dificuldade em chegar a um local conhecido, realizar tarefas frequentes no trabalho, ou mesmo recordar as regras de um jogo muito conhecido (necessitar de ajuda de vez em quando para, por exemplo, utilizar o micro-ondas é normal).

  1. Desorientação de tempo ou lugar

Por vezes as pessoas esquecem-se de data, estações do ano e da passagem do tempo. É possível que se esqueçam de onde estão e como chegaram a determinado local (confundir-se sobre o dia da semana, mas lembrar-se depois, é normal).

  1. Dificuldade em compreender imagens visuais e como os objectos se relacionam entre eles

Podem surgir problemas de visão, nomeadamente as pessoas podem ter dificuldade em ler, ajuizar distâncias e identificar cores ou contrastes, o que pode afectar a capacidade para conduzir (alterações de visão relacionados com cataratas podem estar associadas ao envelhecimento normal).

  1. Problemas de comunicação oral e/ou escrita

Podem surgir problemas em seguir ou participar em conversações. É possível que parem a meio de uma conversa sem conseguir perceber como poderiam prosseguir ou que repitam várias vezes a mesma ideia. Também podem surgir dificuldades em encontrar as palavras adequadas ou o vocabulário apropriado, podendo designar coisas por um nome incorrecto (ter dificuldades pontuais em encontrar a palavra exacta é normal).

  1. Colocação de objectos fora do lugar apropriado

Uma pessoa com Alzheimer tende a colocar objectos fora do lugar e pode perder coisas. Por vezes é possível que acusem outros de as roubarem, o que pode ocorrer mais frequentemente ao longo do tempo (pontualmente colocar objectos como, por exemplo, os óculos ou comando da televisão no local errado, é normal)

  1. Diminuição da capacidade de discernimento

Podem surgir dificuldades em avaliar as situações e em tomar decisões. Por exemplo, é possível que ofereçam dinheiro sem sentido a outra pessoa. Também é possível que dêem menos atenção ao asseio pessoal (tomar uma má decisão pontualmente é normal).

  1. Perda de iniciativa no trabalho ou em actividades sociais

Uma pessoa com Alzheimer pode perder iniciativa para se ocupar com passatempos, participar em actividades sociais, desenvolver projectos ou fazer desporto. É possível que tenha dificuldade em acompanhar os feitos da sua equipa favorita ou em saber como desenvolver o seu passatempo favorito. Pode tender a isolar-se e a evitar actividades sociais (estar por vezes cansado das obrigações laborais e sociais é normal).

  1. Alterações de humor e de personalidade

O humor e a personalidade das pessoas com Alzheimer pode altera-se. Podem sentir-se confusas, desconfiadas, deprimidas, temerosas ou ansiosas. Também podem começar a irritar-se facilmente em casa, no trabalho, com amigos ou em lugares fora do seu ambiente familiar (adoptar maneiras muito próprias de fazer as coisas e irritar-se quando as rotinas são interrompidas pode estar associado ao envelhecimento normal).

Adaptação de informação da Alzheimer Society of Canada

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O que é a Doença de Alzheimer?

A doença de Alzheimer é um tipo de demência. Deve o seu nome ao Neuropsiquiatra Alois Alzheimer que primeiramente descreveu as alterações celulares desta doença.

O que provoca a Doença de Alzheimer?

A causa ainda não foi encontrada mas existem diversos factores que podem ajudar a explicar o seu aparecimento.

Os estudos realizados por diversos cientistas conseguiram identificar diversas alterações no cérebro de pessoas com doença de Alzheimer:

– Placas senis (depósitos de proteína beta-amiloide);

– Tranças neurofibrilhares intraneuronais (filamentos de proteína tau);

-Diminuição das conecções neuronais responsáveis pela memória, aprendizagem e comunicação;

– Atrofia cerebral provocada pela diminuição de células cerebrais.

Revisão Clínica: Inês Tello
Vídeo informativo – Cortesia da aboutalz.org

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Demência: Dicas para garantir a SEGURANÇA em casa

Dependendo da fase de evolução da doença, poderão ser necessários alguns ajustes no ambiente para garantir a segurança da pessoa com demência.

Dicas para garantir a SEGURANÇA em casa:

  • Prevenir quedas – as quedas são a principal causa de incapacidade no idoso. Podem agravar o quadro clínico e diminuir significativamente a autonomia.

– Evite ter tapetes pela casa, mesmo que fixos ao chão.

– Opte por calçado fechado e não chinelos.

– Sinalize com autocolante reflector ou outro material locais susceptíveis de propiciar uma queda, como escadas, vãos e desníveis.

– Se puder, instale barras de apoio, sobretudo em corredores longos e na casa de banho.

– Mantenha uma boa iluminação em toda a casa.

Leia também o nosso artigo sobre esta temática.

 

  • Prevenir intoxicações – dependendo da fase da doença, poderá ser importante retirar todos os medicamentos do alcance da pessoa com demência para evitar intoxicações farmacológicas. Lembre-se também de não deixar produtos de limpeza, como lixívia, ou outros, como insecticidas, ao alcance da pessoa.

 

  • Prevenir queimaduras – programe o esquentador ou eletro-acumulador para uma temperatura mais amena de modo a evitar queimaduras (caso a pessoa com demência abra as torneiras de água quente). Durante as refeições, não ofereça os alimentos muito quentes.

 

  • Prevenir ferimentos – dependendo da fase da doença, poderá ser importante retirar as ferramentas de corte, como tesouras e facas afiadas do alcance da pessoa com demência.

 

Revisão Clínica: Inês Tello

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O que é a Demência?

A demência caracteriza-se por uma deterioração progressiva, e em geral lenta, das funções cognitivas.

Existem vários tipos de Demência?

Sim. A doença de Alzheimer é o tipo de demência mais comum e engloba 50 a 80 % de todos os casos de demência. Outros tipos de demência incluem a demência vascular, demência com corpos de Lewy, ou a demência fronto-temporal. Em alguns casos, uma pessoa pode apresentar mais do que um tipo de demência.

 

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Ilustração de Donado R.
Revisão Clínica: Inês Tello.
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Melhorar a Comunicação com uma Pessoa com Demência

  • Simplificar a informação – ao falar com uma pessoa com demência utilize frases curtas e simples. Sempre que possível faça também gestos simples durante a conversação, pois facilitam a compreensão do que está a dizer. Pergunte apenas uma coisa de cada vez.
  • Dar tempo de resposta – a perda de memória dificulta a formulação de uma resposta. É fundamental que se dê tempo de resposta. Responder pela pessoa ou apressar a sua resposta podem fazer com que a pessoa com demência desista de comunicar.
  • Estar preparado para repetir – a comunicação com uma pessoa com demência irá certamente ter frases e perguntas repetidas. Embora possa ser frustrante para o cuidador, a repetição é fundamental para securizar a pessoa. Apontar o facto só vai aumentar a angústia da pessoa com demência e desencorajá-la de comunicar.
  • Utilizar todas as formas de comunicação – as alterações cognitivas das pessoas com demência, dificultam progressivamente a capacidade de falar e de compreender tudo o que lhes é dito. É importante utilizar todas as formas de comunicação possíveis. Utilize gestos durante a conversação para reforçar a sua mensagem. Esteja atento aos sinais “não verbais” da pessoa com demência como as expressões faciais e a linguagem corporal pois são um valioso suporte à comunicação.
  • Não infantilizar – O declínio cognitivo não significa que o adulto passe a ser uma criança. As atitudes de infantilização são facilmente detectadas por um adulto com demência e diminuem a sua auto-estima, confiança e dignidade e podem aumentar as atitudes violentas.

O NeuroSer quer dar mais um passo no sentido de ajudar os cuidadores a lidar com as dificuldades de comunicação e a reduzir a sobrecarga que está associada à prestação de cuidados ou ao contacto frequente com pessoas com demência. Nesse sentido, a segunda das Sessões Práticas e Informativas abordará as “Dificuldades de Comunicação”, onde existirá a oportunidade de identificar possíveis causas destes sintomas e adquirir estratégias para os prevenir ou gerir. Consulte aqui os objectivos da sessão.

Revisão Clínica: Inês Tello.

Ilustrações: Jim Frazier e Suvarna Sohoni
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