Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Todos os Artigos na Categoria: 1. Alzheimer e Outras Demências

Livro: Tudo muda num instante

O aumento da esperança média de vida e o envelhecimento da população levam a um aumento da preocupação dos cuidados prestados nesta fase e das implicações que esses têm no indivíduo, na família e na própria sociedade.

Este livro, junta um grupo de profissionais especializados em saúde, abordando questões essenciais para viver e lidar melhor com o processo de envelhecimento, partindo de experiências pessoais e profissionais, realçando também o importante papel do cuidador.

“A esperança de vida desafia-nos com um “novo envelhecimento” que tem de voltar a ser assumido como um processo natural, integrado na família e na sociedade. Este livro pretende estimular-nos a desenvolver comportamentos que garantem até mais tarde uma vivacidade intelectual e a manutenção de competências individuais para uma autonomia saudável.”

 Revisão: Mariana Mateus

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Teoria da validação

Para muitas famílias e cuidadores comunicar com a pessoa com demência pode tornar-se um desafio crescente, à medida que a memória vai ficando mais comprometida e que a sua capacidade de expressar os seus sentimentos diminui. A perda de memória recente pode fazer com que o passado se comece a fundir com o presente, traduzindo-se em dificuldades acrescidas para os familiares e cuidadores.

A teoria da validação foi construída sobre uma atitude empática e uma visão holística dos indivíduos. Esta contempla a pessoa com demência como um indivíduo único, com muito valor. Baseia-se na premissa de que as pessoas com esta doença crónica e progressiva estão a tentar resolver assuntos que deixaram por resolver de modo a poderem partir em paz.

O cuidador assume um papel importante no sentido de promover a expressão destas emoções, de forma verbal ou não-verbal. Acredita-se que, ao vermos a vida “através dos olhos” do outro, podemos entrar no mundo de pessoas com desorientação e melhor compreender o significado dos seus comportamentos.

Foram designados alguns princípios orientadores que visam auxiliar os cuidadores a validar as emoções da pessoa com demência e, consequentemente, a diminuir o seu sofrimento:

  • Todos os indivíduos são únicos e devem ser valorizados:

Devemos abordar a pessoa com respeito e como um indivíduo único.

Por exemplo, uma senhora com 90 anos vive num lar de idosos. O cuidador dirige-se à idosa como “querida” ou “avó”.  Segundo a terapia da validação, o cuidador deveria dirigir-se à senhora como “Sr.ª D. Maria” ou “Maria”, dependendo da situação.

 

  • Pessoas com desorientação devem ser aceites como são: não devemos tentar mudá-las:

Não é benéfico tentar mudar um comportamento se o indivíduo não estiver pronto ou se não tiver capacidade cognitiva para o fazer. Contrariar a percepção da pessoa com demência, por mais longe que ela esteja da nossa realidade, não é producente.

Por exemplo, uma senhora com Doença de Alzheimer está convencida que a sua filha anda a deitar fora os seus pertences, incluindo álbuns de fotografias e o seu diário de quando era mais nova. No entanto, é ela própria que os esconde e depois se esquece onde os pôs. A filha contesta e fica profundamente ofendida com a acusação.

Segundo a terapia da validação, a filha poderia aproveitar a oportunidade para promover um momento de reminiscência com a mãe de uma forma positiva. “A sua aliança desapareceu. Acredita que fui eu que a roubei? É uma aliança muito bonita. Porque não me conta a história de quando conheceu o pai?

 

  • Quando os sentimentos de angustia são reconhecidos e validados por uma pessoa de confiança, estes podem ser atenuados:

A aceitação dos sentimentos expressos pela pessoa com demência, através da empatia, é muito importante. Ignorar ou desvalorizar sentimentos de angustia não contribui para atenuá-los – muito pelo contrário, pode exacerbá-los e levar à manifestação de comportamentos desafiantes. Ao reconhecê-los, gera-se confiança, reduz-se a ansiedade e contribui-se para restaurar a dignidade do indivíduo.

Por exemplo, a pessoa com demência pergunta “Onde está a minha mãe?”, e o cuidador responde “A sua mãe já morreu há 30 anos. Estamos em 2016.”

Neste caso, seria mais adequado validar o sentimento que está por detrás desta pergunta – possivelmente a pessoa está a perguntar pela mãe porque tem saudades dela. “Fale-me um bocadinho da sua mãe… Como é que ela era?”

 

  • A desorientação pode sinalizar que uma ou mais das seguintes necessidades humanas não estão a ser supridas:
  • Eliminar situações de dor ou desconforto.
  • Compensar quando a visão, audição, mobilidade e a memória estão mais comprometidas;
  • Sentir-se útil e produtivo;
  • Ser ouvido e respeitado;
  • Expressar sentimentos e ser escutado;
  • Estabelecer contacto humano (sentimento de pertença e de amor); .

Apesar do resultados da validação se fazerem sentir gradualmente e não de um dia para o outro, estes podem ser muito positivos e permanentes. Pode resultar numa diminuição de comportamentos desafiantes, da labilidade emocional e dos níveis de deambulação e num aumento da eficácia da comunicação bem como da auto-estima.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo e Rita Ferreira

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Demência na Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson é caracterizada por uma dificuldade em iniciar o movimento, lentificação na execução do mesmo e outros sinais como instabilidade postural, tremor de repouso ou rigidez. É, por isso, conhecida como uma doença do movimento. No entanto, cada vez mais se reconhece que os sintomas não motores tais como as alterações cognitivas e comportamentais representam uma componente importante deste quadro patológico.

As alterações cognitivas que acompanham a Doença de Parkinson são sobretudo ao nível da atenção (ex: diminuição da concentração ou dificuldade em ignorar estímulos no ambiente que não são relevantes para a tarefa em curso), do funcionamento executivo (ex: dificuldade em planear uma tarefa) e da memória (ex: dificuldade em evocar nomes ou informação previamente memorizada). Podem existir alterações noutros domínios cognitivos, nomeadamente ao nível da capacidade visuo-perceptiva.

A nível comportamental é comum manifestar-se um quadro depressivo, de desinibição, apatia, agitação, entre outros sintomas.

Os números variam de estudo para estudo, no entanto, podemos dizer que cerca de 40% das pessoas recentemente diagnosticados com Doença de Parkinson apresentam alterações cognitivas compatíveis com um Défice Cognitivo Ligeiro.  Cerca de 30% das pessoas com Doença de Parkinson têm demência. Após 20 anos de evolução de doença, a maioria dos doentes já desenvolveram um quadro demencial. No entanto, e apesar da sua prevalência considerável nesta população clínica, nem todos as pessoas com Doença de Parkinson desenvolvem uma demência.

Acredita-se que a presença simultânea da sintomatologia motora e cognitiva/comportamental na Doença de Parkinson se deva ao mecanismo biológico subjacente. A principal característica patológica é a deposição anormal da proteína α-sinucleína que, numa fase inicial ocorre em áreas mais localizadas na profundida do cérebro – responsáveis pelo controlo motor – e, numa fase posterior, se estende a áreas responsáveis pelas funções nervosas superiores.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

 

 

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Dicas para auxiliar a pessoa com demência em casa

Com o avançar da progressão da doença, poderá surgir a necessidade de auxiliar a pessoa a orientar-se na sua própria casa. Isto acontece porque a pessoa com demência poderá perder a capacidade de se lembrar de onde ficam as divisões ou percepcionar onde se encontra.

Por questões de segurança, mas também para possibilitar a manutenção da independência e da funcionalidade por um maior período de tempo possível é importante conhecer algumas dicas que facilitam a mobilidade.

Esteja atento e acompanhe a pessoa: poderá ser necessário auxiliar a pessoa, no sentido de a encaminhar para a divisão que deseja. Lembre-se de utilizar comandos verbais simples e directos para facilitar a sua compreensão;

Promova uma boa iluminação dos espaços: o avançar da idade pode causar problemas visuais, sendo por isso importante manter uma boa iluminação em toda a casa e durante a noite poderá colocar luzes de presença a sinalizar o caminho ou deixar a luz acesa;

Sinalize as principais divisões: poderá sinalizar com uma fita de cor ou uma imagem alusiva à divisão, de forma a auxiliar na perceção da pessoa;

Mantenha o acesso livre e seguro às principais divisões: no caso de a casa ter várias divisões poderá optar por deixar a porta aberta apenas das principais (ex: casa de banho, cozinha, quarto e sala), de modo a não confundir a pessoa e garantir a sua segurança;

Promova a sua segurança e conforto: poderá ser necessário adaptar a residência, de modo a facilitar a e prevenir quedas. Relembre aqui algumas adaptações que pode fazer no domicílio.

Todas estas estratégias pretendem auxiliar a orientação da pessoa em casa, no entanto, será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua funcionalidade, às suas dificuldades e ao contexto.

Revisão clínica: Mariana Mateus

 

 

 

 

 

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Marcha: dicas para promover a segurança

A marcha por si só envolve a integração da atenção, do planeamento, da memória anterior e de um processo cognitivo-motor. Com a demência, surgem alterações nas funções cognitivas frontais que contribuem para as alterações na dinâmica da marcha.

As principais alterações na marcha são a diminuição do comprimento do passo e a diminuição da velocidade na marcha. Estas alterações contribuem para o surgimento de quedas, sendo necessário por vezes adoptar um auxiliar de marcha (ex: tripé ou andarilho).

É também fundamental o ensino aos cuidadores e familiares de estratégias de segurança durante o acompanhamento da marcha:

Evite distrair ou conversar: de modo a que a pessoa concentre a sua atenção na marcha e no meio envolvente;

Posicione-se atrás ou de lado: para prevenir e auxiliar caso surja um desequilíbrio;

Utilize uma pega segura: no caso de a pessoa necessitar do apoio de 3ª pessoa. Poderá aconselhar-se com um profissional da área para auxiliar na escolha da pega, tendo em conta as capacidades motoras da pessoa;

Concentre a atenção da pessoa no meio envolvente: ajudando-o a perceber para onde se dirige e a preparar previamente o surgimento de um obstáculo (ex: degrau);

Utilize comandos verbais simples e directos: que possibilitem que a pessoa compreenda o que lhe está a ser transmitido (ex: “Vamos virar à direita.”; “Vamos agora subir um degrau.”);

Dê um feedback positivo: de forma a promover a sua auto-estima e realçando as conquistas alcançadas.

 

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

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Dicas para facilitar os cuidados básicos

Com a progressão da demência, as pessoas vão necessitar de um maior auxílio na prestação dos seus cuidados básicos. Isto acontece porque a pessoa poderá perder a capacidade de utilizar ou reconhecer os objectos ou esquecer-se da sua rotina diária (ex: tomar banho).

No entanto, o auxílio durante os cuidados básicos deverá ser realizado tendo em conta as capacidades da pessoa, o respeito pela sua privacidade e a promoção da sua autonomia e independência.

 

Higiene pessoal

O banho é muitas vezes a actividade de cuidados pessoais mais difícil que os cuidadores enfrentam. Por ser uma experiência tão íntima, as pessoas com a doença de Alzheimer e outras demências podem percepcionar como desagradável ou ameaçador.

  • Mantenha a rotina: tente realizar o banho na hora que a pessoa estava habituada a fazê-lo;
  • Prepare previamente a actividade: aquecendo o espaço, colocando o que vai precisar facilmente acessível (champô/sabonete, toalha);
  • Promova a sua segurança e o seu conforto: poderá ser necessário realizar adaptações (ex: barras de apoio, cadeira de banho, tapete anti-derrapante) e controle a temperatura, profundidade e pressão da água, para que seja um momento agradável;
  • Procure explicar à pessoa o que vai acontecer: passo a passo, de forma simples e de fácil compreensão;
  • Privilegie a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração;
  • Respeite a dignidade da pessoa e a sua privacidade: lembre-se que é uma tarefa íntima, seja flexível durante a mesma;
  • Demonstre a tarefa que lhe está a pedir: facilita o processo de imitação e realização da tarefa;
  • Assegure a correcta higiene das zonas íntimas: para evitar possíveis infeções urinárias ou outros problemas;
  • Dê sempre um feedback positivo: durante e após a realização da tarefa, melhorando a sua confiança e auto-estima.

Vestir

As pessoas com demência tem normalmente dificuldades em vestir-se, porque esquecem-se da ordem da roupa ou pela diminuição de mobilidade.

  • Simplifique as escolhas: limite a escolha a dois conjuntos diferentes, tendo em conta a personalidade da pessoa, os seus gostos, estilo e hábitos anteriores. Pode também retirar a roupa menos própria e adaptadar às estações do ano, para auxiliar a pessoa na sua escolha;
  • Prepare previamente a actividade: esquematize a roupa pela ordem que esta deve ser vestida e oriente ou exemplifique como a pessoa deve fazer;
  • Promova o seu conforto: é importante escolher roupas confortáveis, fáceis de vestir, de textura macia e elástica, a fim de potenciar a independência e favorecer a mobilidade e o bem-estar da pessoa;
  • Procure que utilize um calçado adequado: deve ser justo, confortável, leve, fechado, anti-derrapante e privilegie o velcro em vez dos atacadores, para facilitar a sua autonomia;
  • Tenha em atenção a temperatura: dado que estas pessoas tem dificuldade em exprimir-se será importante adaptar o seu vestuário à temperatura ambiente;
  • Seja flexível: se a pessoa quer vestir a mesma roupa várias vezes, será importante ter opções similares ou até duplicar a mesma roupa, o importante será manter a pessoa asseada e composta;
  • Dê tempo: é importante dar-lhe tempo suficiente para se vestir, tentando não dar importância aos erros e tranquilizá-la caso não consiga. Lembre-se de dar sempre um feebback positivo durante a realização da tarefa;
  • Simplifique o processo de maquilhar: a maquilhagem faz parte da rotina de muitas senhoras e será importante mante-la. Esta esta tarefa pode ser simplificada, auxiliando a manter o seu interesse e a sua auto-estima.

Comer e Beber

É fundamental manter uma correcta e equilibrada nutrição para manter o corpo forte e saudável. No entanto, estas pessoas poderão com a progressão da demência esquecer-se de comer, comer compulsivamente ou não saber como utilizar os talheres.

  • Privilegie a independência da pessoa: é importante encorajar a pessoa a fazer por si, auxiliando no que for necessário ou exemplificando a tarefa, mas privilegiando sempre a sua autonomia;
  • Procure variar a alimentação: procure realizar uma alimentação variada, privilegiando os vegetais, a fruta, os alimentos com baixo teor em gordura e de proteína magra, evitando os açúcares. Privilegie também os seus gostos e hábitos saudáveis;
  • Promova uma boa hidratação: ofereça copos de água ao longo do dia, para garantir que a pessoa está hidratada;
  • Adapte a alimentação: dependendo das dificuldades da pessoa, poderá adaptar a consistência e a forma como os alimentos lhe são apresentados (ex: cortar previamente). Encontre alimentos que possam ser comidos à mão para facilitar a sua ingestão;
  • Esteja atento a sinais de engasgamento: as dificuldades em deglutir poderão provocar um engasgamento. Evite dar alimentos de difícil mastigação e encoraje a pessoa a adquirir uma postura correcta durante a refeição (sentada com o tronco direito e cabeça ligeiramente para a frente). Verifique durante e após a refeição o conteúdo da boca da pessoa para perceber se engoliu os alimentos;
  • Verifique sempre a temperatura da comida: a pessoa com demência poderá não conseguir distinguir se está frio ou quente, por isso verifique sempre antes de dar a refeição;
  • Adapte os utensílios e a sua disposição: procure utilizar utensílios de fácil manuseamento, percepção e com contraste, evitando padrões que possam confundir a pessoa. Coloque na mesa apenas o que será necessário para a pessoa realizar a refeição;
  • Procure dar a refeição num ambiente calmo e familiar: evite ambientes com ruídos ou distrações que poderão comprometer a concentração e adesão da pessoa;
  • Procure tornar a refeição um momento agradável: é importante tomar a refeição com a pessoa, de forma a encorajá-la a realizar a mesma e promover a socialização;
  • Seja flexível: não se preocupe demasiado com as maneiras correctas e a limpeza, pois isso poderá levar a que a pessoa não queira repetir e associa a refeição a um momento desagradável. Lembre-se de dar tempo e de fazer refeições mais pequenas e frequentes, fazendo do almoço a refeição principal.
  • Perda de apetite ou perda de peso: caso aconteça será importante informar o seu médico.

Imagem alimentação

Todas estas estratégias pretendem facilitar as actividades de vida diária, no entanto será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua funcionalidade e às suas dificuldades.

 

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Dicas para facilitar a toma da Medicação

O tratamento farmacológico constitui uma das abordagens no tratamento das demências, pelo que a toma de medicamentos faz parte da rotina diária destas pessoas e, por este motivo, é importante cumprir a sua prescrição. No entanto, com a progressão da demência poderão surgir atitudes de recusa em tomar os medicamentos.

Face a esta situação é importante que os cuidadores/familiares conheçam algumas dicas que poderão auxiliar:

Informe o seu médico da situação: para que este possa rever a consistência (cápsula/comprimido, solução oral/xarope, penso transdérmico) da medicação prescrita, bem como simplificar e reorganizar o horário das tomas de forma mais adaptada ao ritmo da pessoa/cuidadores/familiares caso seja possível;

Procure dar comandos verbais simples e de fácil compreensão: durante a explicação poderá demonstrar a toma, de modo a que a pessoa possa fazer por imitação ou distrai-la conversando sobre um assunto do seu interesse e gosto;

Procure dar a medicação num ambiente calmo e familiar: evite ambientes com ruídos ou distrações que poderão comprometer a concentração e adesão da pessoa;

É importante que a pessoa que dê a medicação seja familiar: procure demonstrar uma atitude calma e serena face à situação, a fim de facilitar a adesão;

Lembre-se de não forçar: caso a pessoa recuse tente novamente mais tarde, um pequeno atraso na toma, não irá influenciar a eficácia do medicamento;

– Poderá esmagar os medicamentos e misturá-los na comida, no entanto deverá em primeiro lugar consultar o seu médico, para verificar se o medicamento não perderá a sua eficácia.

Estas são apenas algumas dicas que poderão ser úteis, no entanto estas devem sempre ser abordadas em primeiro lugar com os profissionais de saúde que estão a seguir a pessoa antes de as adoptar.

 

Texto de Mariana Mateus com Revisão Clínica de Drª Rita Moiron Simões

 

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Cognitive Stimulation Therapy

O que é o Cognitive Stimulation Therapy (CST)?

Após um diagnóstico de demência, existe uma tendência para a pessoa retirar a sua participação de tarefas mentalmente estimulantes o que, por sua vez, leva a uma maior perturbação do nível funcional porque a pessoa deixa de utilizar determinadas competências e perde confiança. Sabemos que o cérebro, tal como o corpo, precisa de ser exercitado mas escolher as actividades mais adequadas para uma determinada pessoa com demência não é tarefa fácil.

O CST é um programa de estimulação cognitiva, concebido por uma equipa da University College of London (Inglaterra) e destinado a pessoas com demência em fase ligeira a moderada. É um programa baseado na evidência, sendo que o seu desenvolvimento foi motivado pelos resultados de um conjunto de investigações.

O objectivo do CST é disponibilizar actividades que sejam desafiantes mas exequíveis, sem que a pessoa entre em frustração. Foram desenvolvidas de forma a serem o mais holísticas possível (recrutando várias funções cognitivas, emocionais e até motoras).

 

Em que é que consiste o CST?

Tipicamente, o CST é desenvolvido em grupo e engloba 14 ou mais sessões de actividades temáticas, com uma frequência bissemanal. Por um lado, o objectivo das sessões passa por estimular activamente a pessoa com demência e encorajar a sua participação em tarefas significativas. Por outro, visa promover a interacção social e criar um ambiente estruturado e confortável para serem feitas novas aprendizagens.

Cada sessão de CST é desenvolvida em torno de um determinado tema (ex: som, infância, comida, temas da actualidade, criatividade). Existe um leque de actividades possíveis para cada sessão e estas devem ser selecionadas de acordo com as preferências dos membros do grupo.

Exemplo de uma actividade:

Com recurso a imagens ou objectos antigos e modernos (ex: discos de vinil, máquina fotográfica antiga, computador, telemóvel), promova a discussão utilizando as seguintes questões como ponto de partida:

  • Para que servem este objectos?
  • Quais as semelhanças e diferenças entre os objectos antigos e modernos?
  • Quais são os seus preferidos e porquê?
  • Já alguma vez teve algum destes objectos?
  • Quais considera mais fáceis de utilizar?
  • Quais são os objectos mais caros?

Chegando ao fim das 14 sessões, e de modo a prolongar os efeitos benéficos do CST, recomenda-se que a pessoa com demência não abandone a estimulação cognitiva.

Mais recentemente, foi desenvolvida uma versão do CST para aplicação individual que também tem tido resultados positivos. Os temas das sessões são semelhantes mas estas foram adaptadas para que pudessem ser aplicadas por cuidadores informais ou formais apenas a uma pessoa.

 

Em que contexto é que o CST pode ser aplicado?

O CST foi desenvolvido para ser administrado por qualquer profissional da saúde que trabalhe na área das demências (ex: psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros), desde que tenha recebido formação prévia para esse efeito. Para implementar o CST, os profissionais devem participar em formações internacionais e orientar-se pelos manuais disponíveis.

O programa pode ser implementado em contexto domiciliário, de centro de dia ou de lar.

O CST já é desenvolvido, pelo menos em parte, em algumas instituições em Portugal entre as quais se encontram o NeuroSer, no entanto ainda se encontra em processo de adaptação e validação para a nossa população.

 

O CST em grupo é eficaz?

            Sabemos que a eficácia do CST é comparável à dos fármacos anti-demenciais de que dispomos actualmente. Aliás, as normas de orientação clínica do Reino Unido (National Institute for Health and Care Excellence) recomendam que todas as pessoas com demência ligeira a moderada participem num programa de CST em grupo, independentemente da terapêutica farmacológica que estão a receber.

 

O CST individual é eficaz?

Existem evidências de que as pessoas com demência percepcionam uma melhoria da relação com o seu cuidador após participarem no programa de CST individual. Os benefícios estendem-se também aos próprios cuidadores que reportam uma melhoria ao nível da qualidade de vida depois de implementarem o CST individual. No entanto, os efeitos positivos do CST em grupo parecem ser mais expressivos do que os do CST individual, o que nos leva a crer que a dimensão da socialização tem um valor terapêutico importante.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

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Terapia de orientação para a realidade

A orientação diz respeito à noção de alguns aspectos biográficos pessoais e dos contextos espacial e temporal onde estamos inseridos. Esta é uma das dimensões que encontramos afectadas num quadro demencial.

Regra geral, as pessoas com demência começam por apresentar uma desorientação temporal. Podem, por exemplo, achar que são mais novas do que são na realidade e “viver presas no passado”. À medida que a doença vai progredindo, as pessoas podem ficar mais confusas em relação ao seu contexto espacial, ou seja, em relação à sua localização geográfica. Esta desorientação espacial pode levar a que a pessoa se perca em percursos anteriormente familiares (na rua ou até mesmo em casa). Nas fases mais avançadas da demência, a pessoa pode não se lembrar do seu próprio nome ou até não conseguir reconhecer-se ao espelho.

Para além de ser frustrante e perturbadora, a desorientação pode constituir um risco para a pessoa com demência (por exemplo, se estiver desorientada no espaço e muito agitada, pode estar mais sujeita a cair).

A orientação para a realidade é uma técnica terapêutica utilizada para ajudar a pessoa com demência a restabelecer o contacto com o seu meio envolvente (com a sua realidade).

A orientação para a realidade não deve ser aplicada de uma forma muito rigorosa. Quer isto dizer que a orientação deve ser trabalhada de forma subtil nas tarefas do dia-a-dia.

Não existem evidências de que o treino isolado da data (dia, mês, ano) seja eficaz para melhorar a orientação temporal. Em vez disso, podemos introduzir na conversa comentários tais como “Estou tão cheia depois deste almoço!” (trabalhar a noção da hora do dia), “Hoje está um dia tão chuvoso… Nem parece que estamos na primavera!” (trabalhar a noção da estação do ano). Diga o nome da pessoa com demência frequentemente.

Pode colocar calendários/quadros de orientação (preferencialmente de grande dimensão) em várias divisões da casa, de maneira a que sejam visíveis.

Ao utilizar estas pistas de orientação, é importante não por a pessoa à prova. Evite perguntar “Em que ano estamos?”, “Quando é que faz anos?”, “Que horas são?” É muito provável que a pessoa não consiga responder e que fique frustrada com um contacto dessa natureza. Em vez disso, comente as horas: “Está quase na hora do almoço. Vamo-nos arranjar?”.

Promova a discussão em torno de temas da actualidade. Para esse efeito, retire notícias do jornal do dia e adapte-as para facilitar a sua compreensão (ex: apresente apenas o título e faça um breve resumo oral da notícia). Faça perguntas que não estão associadas a uma resposta certa ou errada de modo a promover a partilha de opiniões independentemente do conteúdo da resposta.

A orientação para a realidade nunca é aplicada de forma isolada mas é frequentemente introduzida em sessões de intervenção não farmacológica. A pessoa pode ser orientada para a época do ano através da simples utilização de alimentos sazonais (ex: castanhas; cerejas) numa sessão de culinária.

Também é de referir que nem todos os momentos são oportunos para fazer uma orientação para a realidade. Devemos escolher a abordagem que mais se adequa ao estado emocional da pessoa naquele momento e à sua personalidade. Por exemplo, se a pessoa com demência nos pergunta “Onde está a minha mãe?”, não é benéfico responder “A sua mãe já morreu há 30 anos. Estamos em 2016.” Neste caso, será mais adequado validar o sentimento que está por detrás desta pergunta – possivelmente a pessoa está a perguntar pela mãe porque tem saudades dela. “Fale-me um bocadinho da sua mãe…O que é que mais gostava nela?

Assim, a aplicação desta técnica requer alguma sensibilidade e, por isso, é desejável que seja realizada por um profissional ou, alternativamente, que o cuidador informal seja orientado para a aplicar da melhor forma em casa.

 

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

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As dificuldades motoras na Demência

A demência constitui uma patologia predominantemente cognitiva, mas também está associada a dificuldades motoras. Estas são muitas vezes desvalorizadas, por se pensar que estão unicamente relacionadas com o avançar da idade.

Qual a sua causa?

Estas alterações surgem pelo processo de atrofia das áreas cerebrais responsáveis pelo planeamento motor.

Quais são as principais alterações motoras associadas à demência?

  • Alteração do padrão de marcha;
  • Diminuição do equilíbrio;
  • Diminuição da mobilidade

Alterações da Marcha

A marcha por si envolve a integração da atenção, do planeamento, da memória anterior e de um processo cognitivo-motor. Com a demência surgem alterações nas funções cognitivas frontais que contribuem para as alterações na dinâmica da marcha.

As principais alterações na marcha são a diminuição do comprimento do passo e a diminuição da velocidade na marcha.

Estas alterações surgem, em cerca de 50% dos casos, três anos após o diagnóstico, sendo que em fases mais avançadas as pessoas podem perder a capacidade de andar.

As alterações na marcha contribuem para o surgimento de quedas, sendo necessário por vezes adoptar um auxiliar de marcha (ex: tripé ou andarilho). É também fundamental o ensino aos cuidadores e familiares de estratégias de segurança durante o acompanhamento na marcha.

Diminuição do equilíbrio

A diminuição do equilíbrio é um problema comum nesta população e é o principal factor do aumento do risco de queda. Uma queda pode originar a sensação de medo, um declínio da actividade física, diminuição da mobilidade geral e perda de independência, aumentando assim a necessidade dos cuidados prestados por parte dos cuidadores.

Diminuição da mobilidade

A diminuição da mobilidade surge a nível geral e caracteriza-se pela lentificação do movimento (bradicinesia). Este facto contribui para uma diminuição da funcionalidade, surgimento de sedentarismo e diminuição da independência nas actividades do dia-a-dia.

Dor

Já aqui falamos anteriormente sobre a dor, este é um problema real, sendo que as pessoas com demência possuem uma maior dificuldade em reconhecer e comunicar a dor, sendo por isso importante estar atento aos comportamentos sugestivos de dor (expressão facial, linguagem corporal e vocalizações negativas).

 O que há a fazer?

A fisioterapia é a principal área responsável por intervir nestas alterações, sendo o seu principal objectivo manter a máxima funcionalidade e independência, de forma a facilitar as actividades de vida diária, durante o maior tempo possível e lidar com as alterações motoras que possam surgir da demência e do avançar da idade.

Tem também um papel fundamental no ensino aos cuidadores e familiares de dicas a adoptar em casa para a promoção do exercício físico e na prevenção e redução do risco de quedas.

O NeuroSer quer dar mais um passo no sentido de ajudar os cuidadores a lidar com as alterações motoras e a dor e a reduzir a sobrecarga que está associada à prestação de cuidados ou ao contacto frequente com pessoas com demência. Nesse sentido, a terceira das Sessões Práticas e Informativas abordará as “Alterações Motoras e Dor”, onde existirá a oportunidade de identificar possíveis causas destes sintomas e adquirir estratégias para os prevenir ou gerir. Consulte aqui os objectivos da sessão.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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