Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Todos os Artigos na Categoria: 1. Alzheimer e Outras Demências

Demência e Hereditariedade

Os genes carregam informação para as células produzirem “material” importante para o funcionamento metabólico. A própria natureza permite que ocorram mutações nos genes para benefício da espécie. No entanto, por vezes essas mutações levam à criação de proteínas defeituosas e, consequentemente, ao desenvolvimento de doenças.

Até à data já foram identificados alguns genes associados à Doença de Alzheimer. Estes podem ser classificados como genes de risco vs. genes determinísticos.

Os genes de risco são aqueles que aumentam a probabilidade de vir a desenvolver a doença mas não garantem que ela ocorra. O gene de risco mais importante descoberto até à data é a Apolipoproteína E. Existem várias formas deste gene (tipo 2, 3 e 4). Todos nós temos dois genes de Apolipoproteína, podendo estes ser do mesmo tipo ou uma combinação de dois tipos. Uma pessoa que tenha pelo menos um gene Apolipoproteína tipo 4 (APOE-e4) tem um maior risco de desenvolver Doença de Alzheimer mais cedo do que uma que tenha apenas as outras formas. No entanto, uma pessoa que tenha um APOE-e4 pode nunca vir a desenvolver a doença e uma pessoa com um APOE-e2 ou APOE-e3 pode vir a desenvolver a doença.

É importante salientar que existem outros factores que interagem com a genética no sentido de aumentar o risco de desenvolvimento da doença. A idade, a história familiar e a hereditariedade são factores que nós não podemos controlar. No entanto, existem factores de risco (ex: hipertensão) que podemos controlar através da manutenção de um estilo de vida saudável.

Os genes determinísticos causam a doença directamente, o que significa que herdar estes genes leva inevitavelmente ao desenvolvimento da doença. Foram descobertas variações que causam Doença de Alzheimer nos genes responsáveis pela codificação de três proteínas: proteína precursora da amiloide (APP), presenilina 1 (PS-1) e presenilina 2 (PS-2).

Quando a Doença de Alzheimer é causada por estes genes determinísticos é denominada de Doença de Alzheimer “autossómica dominante” ou “familiar” precisamente porque afecta várias gerações da família. Na maioria destes casos, os primeiros sintomas surgem antes dos 60 (por vezes até na 3ª ou 4ª década de vida).

Testes genéticos

Em caso de suspeita de Doença de Alzheimer “familiar”, pode ser realizado um teste genético para confirmar: (a) o diagnóstico (b) se o/a filho(a) herdou dos progenitores o gene mutado e (c) se irá desenvolver a doença no futuro. A única coisa que o teste genético não consegue determinar é quando irão surgir os primeiros sintomas.

Os profissionais de saúde não têm por hábito recomendar a realização rotineira de testes genéticos para a Doença de Alzheimer. É uma decisão complexa que exige uma ponderação das suas vantagens e desvantagens. O teste é uma indicação definitiva de que a pessoa vai ou não desenvolver uma doença progressiva numa idade precoce. Viver à espera desse momento pode ser muito frustrante.

Por outro lado, algumas pessoas utilizam essa informação para planear o futuro. Neste caso, o aconselhamento genético é essencial para optimizar e facilitar todos esses momentos de tomada de decisão.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

 

 

 

 

 

 

 

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Manter um papel social activo em família

É comum que após o diagnóstico de demência e a progressão normal da doença, seja difícil, quer para a pessoa com demência, quer para o seu cuidador, manterem uma participação social activa, devido às rotinas e papéis que ambos assumem. No entanto, a participação social é um dos factores promotores da saúde e bem-estar na terceira idade, sendo desta forma essencial que seja mantida. Em 2011, estudos identificaram que pessoas com idades acima dos 55 anos valorizam a sua participação social, uma vez que esta promove, não só o sentido de pertença a um grupo social (por exemplo: familiares, vizinhos e/ou amigos), mas também a aceitação da diferença e da mudança, sendo que leva ainda à promoção de uma vida activa e saudável.

Manter a sua participação social e a do seu familiar, de uma forma conjunta, irá permitir que partilhem momentos de satisfação, que serão benéficos para a relação no dia-a-dia. Desta forma, deixamos-lhe algumas dicas:

Planeie pequenos jantares em que o seu familiar possa ajudar na confecção de algum prato simples (como uma salada de frutas, por exemplo) ou a colocar a mesa. É importante que restrinja o número de convidados. Um grande número de participantes ou de pessoas desconhecidas poderá causar agitação, ansiedade e/ou angústia. Lembre-se de elogiar a contribuição do seu familiar para a realização do jantar, promovendo assim o sentido de competência e eficácia do mesmo, fazendo com que este se sinta valorizado.

– Realize actividades em família ao ar livre, como piqueniques ou passear no parque. Esta será uma boa oportunidade para ambos relaxarem e conviverem num ambiente diferente do habitual. Poderá ainda incluir alguns jogos ou actividades que sejam do interesse do seu familiar (como música ou tricô, por exemplo).

Mantenha uma relação estreita com a comunidade em que reside. Pode, por exemplo, deslocar-se ao café, à mercearia ou à igreja. Estes pequenos gestos vão possibilitar que, mesmo com uma rotina muito preenchida, ocorra o seu envolvimento e do seu familiar na comunidade.

– Participe no “Café Memória”. Este é um espaço dedicado ao encontro de pessoas com demência e respectivos cuidadores, para troca de experiências e suporte. Serão propostas actividades por profissionais de saúde e/ou acção social que permitem a sua participação e a do seu familiar.

Estas são apenas algumas dicas, mas recorde-se que, tanto a sua participação social na comunidade envolvente, como a do seu familiar, deve sempre basear-se nos vossos interesses e valores. Além disso, as situações acima referidas não deverão ser geradoras de stress ou ansiedade em caso algum, e sim contribuir para reduzir a sua sobrecarga enquanto cuidador e estimular o seu familiar a manter-se activo, por isso procure o suporte de um profissional caso sinta a necessidade de adaptar estas sugestões ou explorar outras.

Revisão Clínica: Ana Gonçalves

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Como lidar com os comportamentos de recusa?

Os comportamentos de recusa são um problema comum nesta população e que poderão surgir face a qualquer pedido, seja ele qual for. Estes comportamentos têm, nos familiares/cuidadores, um grande impacto, por muitas vezes estar associado a factores importantes e imprescindíveis no dia-a-dia da pessoa, como por exemplo a toma da medicação ou comer.

Por isso, aqui ficam algumas dicas que pretendem auxiliar a lidar com este comportamento:

Tente perceber o seu porquê: a primeira coisa a fazer, é tentar perceber o porquê da recusa da pessoa. Por vezes, pode acontecer simplesmente porque a pessoa não compreende o que lhe estão a pedir ou a fazer;

Evite forçar: é fundamental evitar este tipo de atitude, que levará a uma maior recusa por parte da pessoa. Poderá optar por voltar a perguntar ou a pedir um pouco mais tarde;

Explique à pessoa de forma clara e simples: para que a pessoa possa compreender o que lhe está a pedir ou o que irá fazer. A comunicação não-verbal (gestos) poderá ser útil, no caso de a pessoa ter uma alteração da compreensão;

Procure estar num ambiente tranquilo e que lhe seja familiar: evite ambientes com ruídos ou distrações que poderão comprometer a concentração e evitar os comportamentos de recusa;

Mantenha uma postura calma e serena: que ajudará a que a pessoa não se sinta pressionada, frustrada ou irritada. Lembre-se de respirar fundo e manter-se tranquilo;

Seja flexível: é importante respeitar a pessoa e perceber que este comportamento se deve à patologia e às alterações consequentes da mesma;

Dê tempo: é importante dar-lhe tempo suficiente para processar o que lhe está a ser pedido e para realizar a tarefa. Não dê importância aos erros e tranquilize-a caso não consiga. Lembre-se de dar sempre um feedback positivo durante a realização de qualquer tarefa.

Estas são apenas algumas dicas para lidar com os comportamentos de recusa. No entanto, as mesmas poderão não funcionar com todos os casos, sendo por isso importante procurar o auxílio de profissionais da área que irão ao encontro destas necessidades.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

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Demência – Como lidar com a diminuição/perda de mobilidade?

Como já abordámos anteriormente, apesar da demência ser uma patologia predominantemente cognitiva, está também associada a dificuldades motoras. Estas são muitas vezes desvalorizadas, por pensar-se que estão unicamente relacionadas com o avançar da idade.

Uma das dificuldades motoras presentes na demência é precisamente a diminuição da mobilidade geral, que se caracteriza pela lentificação do movimento (bradicinesia). Este facto contribui para uma diminuição da funcionalidade, surgimento de sedentarismo e diminuição da independência nas actividades do dia-a-dia, o que leva a um aumento da sobrecarga nos cuidados prestados.

É por isso fundamental conhecer algumas dicas que possam auxiliar a lidar e retardar este problema:

  • Procure manter a pessoa activa no seu dia-a-dia: promovendo a manutenção das suas rotinas e/ou a realização das actividades que mais gosta, podendo estas serem adaptadas à medida que a demência progride;
  • Privilegie a colaboração da pessoa nas actividades de vida diária: poderá orientar/preparar a tarefa e auxiliar a pessoa caso seja necessário, mas privilegiando sempre a sua colaboração e independência;
  • Realize exercício físico regular: é fundamental para promover as funções motoras na sua globalidade. Por exemplo, poderá todos os dias fazer uma caminhada de pelo menos 20 minutos numa zona onde a pessoa goste de passear ou mesmo no corredor da sua casa;
  • Seja um participante ativo e faça atividades em conjunto com a pessoa: é um dos principais factores de adesão e motivação para a pessoa, sentir que o seu cuidador/familiar participa nas suas actividades;
  • Evite que a pessoa passe a maior parte do seu dia sentada/deitada: o sedentarismo é um problema que potencia o agravamento das funções motoras e consequentemente a perda de mobilidade;
  • Aconselhe-se com os profissionais da área: poderá ser necessário a pessoa adoptar um auxiliar de marcha, como auxílio para manter a sua mobilidade ou mesmo realizar uma intervenção mais específica. A fisioterapia é a principal área responsável por intervir nestas alterações, sendo o seu principal objetivo manter a máxima funcionalidade e independência, de forma a facilitar as atividades de vida diária, durante o maior tempo possível e lidar com as alterações motoras que possam surgir da demência e do avançar da idade.Tem também um papel fundamental no ensino aos cuidadores e familiares de dicas a adoptar em casa para a promoção do exercício físico e na prevenção e redução do risco de quedas.

A diminuição da mobilidade é inevitável nas pessoas com demência, no entanto existem estratégias e intervenções terapêuticas que visam retardar o aparecimento desse problema e potenciar a funcionalidade, independência e o bem-estar.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Demência e Deambulação

Qual o seu significado?

O comportamento de deambulação é bastante comum e pode ser muito inquietante para os familiares e cuidadores das pessoas com demência, pois poderá pôr em causa a sua segurança e o seu bem-estar.

O termo deambulação tem como significado “andar sem objectivo”, no entanto no caso das pessoas com demência não corresponde ao real significado deste comportamento.

Na realidade, quando andam, as pessoas com demência têm um sentido, que pode estar relacionado com rotinas antigas (por exemplo: ir trabalhar ou irem buscar os filhos/netos à escola).

No entanto, o declínio das funções cognitivas, como a perda de memória e o as dificuldades de comunicação da pessoa com demência pode levar a que seja incapaz de explicar o motivo pelo qual necessita de andar naquela momento (deambular).

Muitas vezes este comportamento é descrito pelos familiares e cuidadores, como se a pessoa quisesse “fugir” ou estar sempre a “andar de um lado para o outro”. Na realidade, a pessoa anda com um objectivo de fazer algo que fez parte da sua história de vida e das recordações que ainda tem, mesmo que possa não as conseguir verbalizar.

 Quais as causas?

Alteração do ambiente

Uma pessoa com demência pode sentir-se insegura e desorientada num ambiente novo, como por exemplo numa casa nova, numa casa que já não reconhece como sua ou num centro de dia/lar. O comportamento de deambulação pode surgir como resposta a uma mudança de ambiente e pode cessar no caso de a pessoa se habituar à mudança.

O comportamento de deambulação poderá também surgir como fuga a ambientes ruidosos ou movimentados.

Excesso de energia

A deambulação pode ser uma forma de gastar energia em excesso, o que pode indicar que a pessoa necessita de uma maior ocupação no seu dia-a-dia e/ou exercício físico regular adaptado.

Agitação

Face a momentos de desorientação seja ela de que causa for, pode surgir como consequência a agitação. Por vezes, a agitação pode levar a que a pessoa ande de um lado para o outro sem propósito aparente.

Procurar o passado

À medida que a demência progride, as pessoas poderão ficar mais confusas, podendo querer sair de casa em busca de alguém, para irem trabalhar ou de algo relativo ao seu passado.

Expressar o aborrecimento

Com a progressão da demência, torna-se mais difícil para a pessoa concentrar-se durante algum tempo, sendo que deambulação pode ser uma forma de a pessoa se manter ocupada.

Confundir a noite com o dia

A pessoa com demência pode sofrer de insónias ou acordar de madrugada e ficar desorientada. Nesta sequência, pode pensar que é de dia e decidir fazer uma caminhada ou pensar que têm de ir trabalhar.

As dificuldades de visão ou perda de audição podem fazer com que as sombras ou os sons da noite se tornem confusos e angustiantes, pelo que não devem sair sozinhos.

Por outro lado, a incapacidade de diferenciar os sonhos da realidade pode levar a pessoa a responder a algo que sonhou, pensando que isso aconteceu na vida real.

Dar continuidade a um hábito

As pessoas que estavam habituadas a caminhar longas distâncias podem, simplesmente, desejar continuar a fazê-lo.

Desconforto ou dor

O andar pode aliviar um desconforto ou dor que a pessoa possa sentir, sendo por isso importante descobrir se existe algum problema físico ou condição médica e tentar lidar com a sua situação. Como exemplo, alguma dor, o uso de roupas apertadas, o calor excessivo, ter frio ou estar à procura por algo.

O que fazer?

– Tente perceber o motivo pelo qual a pessoa procura deambular;

– No caso de estar agitada ou confusa tente tranquiliza-la e ajudá-la, se for necessário deambule com ela até que se acalme;

– Lembre-se de manter uma postura calma, tentando não contrariar este comportamento ou forçar a que pare;

– Procure garantir a sua segurança, não só dentro do espaço onde se encontra, mas também no exterior;

– Assegure que a pessoa tem sempre consigo alguma forma de identificação para o caso de se perder;

– Procure manter a pessoa ocupada com actividades que lhe sejam prazerosas, adequadas à sua condição clínica.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

 

 

 

 

 

 

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Degenerescência Lobar Fronto-Temporal

A degenerescência lobar fronto-temporal é um termo utilizado para designar um conjunto de demências que afetam particularmente os lobos frontal e temporal do cérebro.

O lobo frontal é responsável por muitos aspetos do funcionamento cerebral, nomeadamente a tomada de decisão e a regulação do comportamento. Já o lobo temporal está associado, entre outras funções, à linguagem. Numa fase inicial a degenerescência lobar frontotemporal, carateriza-se por alterações do comportamento ou da linguagem.

No caso em que a pessoa começa por apresentar alterações comportamentais estamos perante a variante comportamental da degenerescência lobar fronto-temporal.

            No caso dos primeiros sintomas serem alterações da linguagem estamos perante uma Afasia Progressiva Primária.

Os principais sintomas da variante comportamental da degenerescência lobar fronto-temporal são:

  • Desinibição (ex: cumprimentar pessoas estranhas na rua, andar sem roupa pela casa);
  • Apatia (ex: falta de iniciativa para iniciar uma tarefa; falta de interesse);
  • Comer em excesso ou nova preferência por alimentos doces;
  • Comportamentos repetitivos (ex: abrir e fechar gavetas)
  • Colecionar objetos (ex.: lixo, moedas);
  • Impulsividade (agir sem medir as consequências);
  • Dificuldade em planear e/ou organizar e/ou executar uma determinada tarefa;

Outros sintomas podem incluir:

  • Distração e impersistência;
  • Rigidez mental e inflexibilidade;
  • Gastos impulsivos;
  • Embotamento emocional;
  • Mudanças de humor.

Já a Afasia Progressiva Primária, a variante de linguagem da degenerescência lobar fronto-temporal, caracteriza-se por uma deterioração insidiosa da linguagem (isoladamente durante pelo menos dois anos), sendo que mais tarde surgem alterações noutros domínios cognitivos, comportamentais e emocionais.

A Afasia Progressiva Primária é muitas vezes dividida em três quadros distintos pois cada um deles parece apresentar um perfil clínico particular:

  1. Demência Semântica: perda do significado de palavras e conceitos;
  2. Afasia Progressiva Não Fluente: dificuldade em encontrar palavras e redução da fluência verbal;
  3. Afasia Progressiva Logopénica: deterioração da capacidade de nomear palavras isoladas e da repetição de frases como consequência de limitações na memória de trabalho.

Infelizmente, ainda não existe tratamento que permita reverter este conjunto de doenças. Os medicamentos utilizados servem apenas para o controle dos sintomas comportamentais. No entanto, recomenda-se complementar a intervenção farmacológica com terapias não-farmacológicas (ex: estimulação cognitiva e terapia da fala) pois podem ajudar a controlar os sintomas e a promover o bem-estar da pessoa e da família.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo e Rita Ferreira

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O que não dizer a um Cuidador

Quando falamos com um cuidador de uma pessoa com Alzheimer ou outra demência queremos mostrar-lhe apreciação pelo trabalho que faz e encorajá-lo a continuar.

Queremos reconhecer as dificuldades que este enfrenta e até mesmo mostrar que estamos dispostos a ajudar. As nossas intenções são boas, queremos ajudar e temos noção de que ser cuidador não é tarefa fácil. Quando tentamos verbalizar estes sentimentos, por vezes conseguimos fazê-lo de forma eficaz – outras vezes nem tanto…

É importante perceber que a forma como as nossas palavras vão ser interpretadas pelo cuidador depende muito da sua personalidade, mas também do seu estado de espírito naquele momento. Se estiverem muito sobrecarregados e ansiosos, um comentário, do nosso ponto de vista encorajador, pode ser mal interpretado e gerar uma reacção indesejada.

Evite dizer o seguinte a um cuidador:

“Está com cara de cansaço…”

Normalmente existe uma razão para os cuidadores estarem cansados ou abatidos. O cansaço pode advir das noites mal dormidas por preocupação excessiva, do esforço físico/emocional exigido ou da multiplicidade de papéis sociais que tem para além de cuidar (pai/mãe, filho(a), marido/esposa, profissional, administrador de condomínio, etc…). É um enorme desafio aprender a não sacrificar o cuidado próprio quando se cuida de uma pessoa com demência. No entanto, chamar a atenção para este facto não parece produtivo e pode ser bastante desmotivante.

“É importante arranjar tempo para cuidar de si!”

Qualquer cuidador reconhece a importância de arranjar tempo para si. Provavelmente se tivesse tempo para fazer uma massagem, ler um livro ou ir beber café com os amigos, fá-lo-ia. Não é por o verbalizarmos que o panorama irá mudar. Em vez de responsabilizarmos totalmente o cuidador pelo seu auto-cuidado, podemos ser proactivos – passar lá por casa com uma refeição já feita, ajudar nas tarefas domésticas ou fazer companhia à pessoa com demência para que o cuidador possa sair.

“Peça ajuda!”

Nem sempre os cuidadores têm uma rede de apoio eficaz. Por vezes os restantes familiares vivem longe ou as dinâmicas familiares são tão complexas que dificultam a distribuição dos cuidados pelos vários membros. A melhor forma de ajudar é oferecer sugestões concretas ou dar mesmo assistência prática.

“Vai correr tudo bem…”

Esta afirmação é de evitar pois desvaloriza e ignora a dura realidade de um cuidador. Os momentos de tomada de decisão são extremamente difíceis e a sobrecarga emocional associada ao cuidado de uma pessoa que tem uma doença neurodegenerativa, eventualmente fatal, é grande.

“Vamos falar de coisas positivas!”

Os cuidadores têm necessidade de falar sobre as suas frustrações e muitas vezes não têm disposição para contribuir com afirmações “positivas”. A realidade nem sempre é cor de rosa e os cuidadores precisam de se sentir apoiados. A melhor forma de o fazer é valorizar os seus sentimentos (positivos ou negativos!).

 

Mas afinal, o que devemos dizer a um cuidador?

“Como é que se está a sentir?”

Mostre que está disposto a ouvir e a valorizar os sentimentos do cuidador. Reformule aquilo que este verbaliza: “Pelo que me está a contar, parece-me que o que é mais complicado gerir são as mudanças de comportamento.” Não se sinta pressionado para arranjar uma solução para o problema. Por vezes, basta ouvir e estar ao lado da pessoa para esta se sentir melhor.

“Gostava de vos dar boleia para a consulta médica – aceitam? A que horas passo aí por casa?”

Tente aliviar a rotina do cuidador oferecendo ajuda de uma forma mais  concreta.

“Lembrei-me de si e gostava de passar lá por casa para lhe deixar uma lembrança. Quando lhe dá mais jeito?”

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

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Soluções para quem vive sozinho

Em algumas situações a pessoa com demência vive só, por opção própria ou porque os cuidadores ou familiares não tem possibilidade de os ter na sua casa.

A saída da sua própria casa é um momento de grande ansiedade para qualquer pessoa. Para a pessoa com demência essa ansiedade intensifica-se por a casa representar o espaço físico com o qual melhor se identifica, onde estão guardadas as suas memórias e vivências. Por vezes, esta situação leva a que o próprio não queira deixar a sua casa, mas essa decisão terá de ter em conta a segurança e integridade da pessoa versus os seus desejos.

É por isso importante os familiares terem em conta alguns aspectos que os poderão ajudar nestas situações:

Encontre uma pessoa da sua confiança: que possa estar perto, ir vigiando a pessoa, ou até passar algumas horas do dia com esta, de modo a auxiliar nas tarefas de vida diária e garantir a toma correcta e segura da medicação;

Esteja atento e acompanhe a pessoa: procure visitá-la ou telefonar-lhe com regularidade e ajude-a a tratar dos assuntos do dia-a-dia que envolvam processos mais complexos (ex: pagar as contas da casa, tratar de assuntos no banco). Poderá também alertar estas entidades para o problema, a fim de que possam ser compreensivos e auxiliarem surgir algum problema;

Vigie a saúde da pessoa: tendo especial atenção à toma da medicação e a outros problemas relevantes da pessoa. É importante retirar todos os medicamentos desnecessários, a fim de evitar/diminuir a possibilidade de confusão;

Promova o seu conforto e segurança: por vezes é necessário realizar algumas adaptações no domicílio, a fim de garantir a sua segurança e promover a manutenção da sua independência (veja aqui algumas dicas para garantir a segurança em casa). Tenha sempre um par de chaves consigo, para uma situação de emergência;

Conheça as suas rotinas diárias: é importante conhecer os locais ou rotinas que a pessoa faz diariamente, de modo a que se acontecer algo, seja mais fácil localizar a pessoa. Para além disso pode lembrar a pessoa do que deve, ou não fazer na sua ausência, deixando-lhe lembretes nos devidos locais por exemplo;

Tenha especial atenção à manutenção da sua higiene: de forma a prevenir eventuais problemas de saúde e garantir a integridade da pessoa;

Tenha em conta a alimentação e a hidratação: é fundamental realizar uma alimentação nutritiva e ingerir água para garantir a hidratação, poderá ser necessário comprar, cozinhar ou vigiar as refeições;

Procure que a pessoa tenha consigo algo que a identifique: poderá ser útil a pessoa ter algo que a identifique, com o seu nome e contacto de emergência, para salvaguardá-la no caso de se perder ou desorientar. É também importante ter consigo uma fotografia actualizada da pessoa;

Alerte os vizinhos e polícia local: para que estes possam estar alerta para eventuais problemas que surjam;

Peça ajuda: existem entidades competentes e especializadas na área que poderão auxiliar na procura de um cuidador ou de outras soluções (ex: centro de dia).

Todas estas estratégias pretendem auxiliar nas situações em que a pessoa vive sozinha em casa. No entanto, é importante perceber previamente se a pessoa tem condições para o fazer, pois depende do seu estadio clínico, da sua funcionalidade e das condições habitacionais em que vive. É fundamental discutir estas decisões previamente com a equipa de profissionais que segue a pessoa, de modo a que estes possam auxiliar no que for necessário.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

 

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A importância de um correcto posicionamento

A progressão da demência leva a que as alterações motoras sejam mais evidentes, levando muitas vezes a uma perda de mobilidade e consequentemente da funcionalidade e independência.

As alterações posturais poderão surgir como consequência de várias alterações motoras associadas à demência, mas também da idade avançada. Torna-se assim fundamental a promoção de um correcto posicionamento da pessoa ao longo do seu dia, sendo que este tema tem uma maior importância nas pessoas com uma diminuição acentuada da autonomia e funcionalidade.

Um correcto posicionamento previne o surgimento de complicações motoras (encurtamentos musculares, diminuição da amplitude de movimento), alteração na integridade da pele (zonas de pressão) e promove o conforto e o bem-estar da pessoa. Para além disso, tem também um impacto crucial na capacidade da pessoa comunicar e realizar uma determinada tarefa, facilitando muitas vezes a sua funcionalidade e comunicação.

Para promover um correcto posicionamento devemos ter em conta os seguintes aspectos:

– Aconselhe-se sobre o tipo de posicionamento: deve consultar o profissional de saúde da área (fisioterapeuta), para que este possa em conjunto consigo selecionar o posicionamento adequado tendo em conta a patologia, o grau de dependência, as capacidades motoras da pessoa, as limitações articulares, a presença de dores e a preferência da pessoa;

– Treine com os profissionais de saúde da área: é importante o treino prévio com o profissional de saúde (fisioterapeuta) que acompanha a pessoa para que este possa ensinar, treinar e auxiliar;

Posicione o equipamento: poderá ser necessário utilizar por exemplos almofadas, sendo por isso importante ter o material necessário perto de si. No entanto, é importante balancear entre o conforto extremo e a capacidade de a pessoa se conseguir mover;

– Utilize movimentos seguros e suaves: no caso de ter de posicionar a pessoa, lembre-se de utilizar uma pega segura e suave, o mais importante a ter em conta é que não deve agarrar, mas sim suportar, não pressionando os dedos em garra ou pinça. Quando mover a pessoa evite arrastar o corpo sobre a superfície, tendo em conta a integridade da sua pele e o seu bem-estar;

Promova a sua segurança e o seu conforto: procure manter sempre um correcto alinhamento da coluna vertebral, mas também das restantes articulações, facilitando assim a sua mobilidade, diminuindo o risco de queda, de lesões cutâneas ou de magoar certas zonas do corpo;

Procure explicar à pessoa: é importante explicar caso a pessoa compreenda a importância de estar bem posicionada. Se for necessário auxiliar, explique à pessoa previamente, pois irá melhorar a sua colaboração, reduzir a sua ansiedade/medo, surgimento de alterações comportamentais e a promoção de uma maior sintonia entre a pessoa e o cuidador/familiar;

Privilegie sempre a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração caso seja possível, de forma a promover a sua funcionalidade/independência;

Posicionamento do familiar/cuidador: é fundamental o correcto posicionamento do familiar/cuidador que está a posicionar a pessoa, a fim de facilitar e promover a segurança durante a sua realização e evitar possíveis lesões durante a mesma.

Todas estas estratégias pretendem facilitar um correcto posicionamento, no entanto será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua condição clínica, à sua funcionalidade e às suas dificuldades.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

 

 

 

 

 

 

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Demência: Como facilitar as transferências e a mobilidade no leito?

A progressão da demência leva à necessidade de uma aumento dos cuidados por parte dos cuidadores/familiares, devido à diminuição da funcionalidade e ao aumento da dependência.

No entanto, é fundamental o ensino de estratégias que visem preparar os familiares/cuidadores para as fases seguintes, que facilitem a realização dos cuidados básicos, das tarefas de vida diária e as adaptações no domicílio.

 

Mobilidade no leito

Este termo diz respeito à mobilidade na cama, como por exemplo, passar da posição de barriga para cima, para o lado.

A diminuição da mobilidade surge a nível geral e caracteriza-se pela lentificação do movimento, o que leva a um aumento da dificuldade para realizar os movimentos e a uma diminuição da funcionalidade, podendo assim dificultar a mobilidade no leito.

Para facilitar a mobilidade na cama da pessoa devemos ter em conta os seguintes aspectos:

– Treine e aconselhe-se com os profissionais de saúde da área: é importante o treino prévio com o profissional de saúde (fisioterapeuta) que acompanha a pessoa para que este possa ensinar, treinar e auxiliar;

– Promova um correcto posicionamento: para facilitar as actividades de vida diária, comunicação/interacção, mas também para evitar o aparecimento de complicações cutâneas e músculo-esqueléticas;

Não puxe pelas articulações: a fim de promover o seu correcto alinhamento e evitar possíveis lesões;

Não arraste o corpo na cama: tendo em conta a integridade da pele e o bem-estar da pessoa;

Privilegie sempre a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração, de forma a promover a sua participação/funcionalidade.

Transferências

Uma transferência envolve o deslocamento da pessoa de um local para outro, por exemplo da cama para a cadeira. Estas para serem realizadas de forma correcta, devem promover o alinhamento das articulações, a distribuição de peso de forma homogénea e a segurança da pessoa e do transportador.

Ao realizarmos uma transferência devemos ter em conta os seguintes pontos:

– Treine com os profissionais de saúde da área: é importante o treino prévio com o profissional de saúde (fisioterapeuta) que acompanha a pessoa para que este possa ensinar, treinar e auxiliar na realização de uma transferência;

– Aconselhe-se sobre o tipo de transferência: deve consultar o profissional de saúde da área, para que este possa em conjunto consigo selecionar a transferência adequada tendo em conta a patologia, grau de dependência e as capacidades motoras da pessoa;

Posicione o equipamento: é importante preparar o espaço previamente, retirando possíveis obstáculos, adequando as superfícies de transferência (altura, distância) e colocando o que vai precisar facilmente acessível (ex: auxiliares de marcha ou tábua de transferência);

Promova a sua segurança e o seu conforto: lembre-se de realizar um correcto posicionamento, facilitando a sua mobilidade, diminuindo o risco de queda ou de magoar certas zonas do corpo;

Procure explicar à pessoa o que vai acontecer: antes da realização da transferência é importante explicar à pessoa o que se vai passar, pois irá melhorar a sua colaboração, reduzir a sua ansiedade/medo, prevenir o aparecimento de alterações comportamentais e promover uma maior sintonia entre a pessoa e o transportador;

Privilegie sempre a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração, de forma a promover a sua participação e funcionalidade;

Posicionamento do transportador: é fundamental o correcto posicionamento do transportador, a fim de facilitar e promover a segurança durante a realização da transferência e evitar possíveis lesões durante a mesma;

Utilize comandos verbais simples e directos: é importante que seja apenas uma pessoa a dar o comando verbal, a fim de possibilitar a sintonia entre o transportador (es) e a pessoa;

Utilize uma pega segura: o mais importante a ter em conta é que não deve agarrar, mas sim suportar, não pressionando os dedos em garra ou pinça. Poderá aconselhar-se com um profissional da área para auxiliar na escolha da pega, tendo em conta as capacidades motoras e colaboração da pessoa, a integridade da pela, o tipo de transferência e localização anatómica.

Todas estas estratégias pretendem facilitar a mobilidade no leito e transferências, no entanto será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua condição clínica, à sua funcionalidade e às suas dificuldades. Existem também ajudas técnicas específicas para auxiliar durante as transferências e mobilidade no leito, que poderá informa-se das mesmas nas lojas específicas ou juntos dos profissionais de saúde competentes.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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