Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Todos os Artigos na Categoria: 1. Alzheimer e Outras Demências

Entrevista e Testemunho de um Cuidador

Nunca é demais relembrar o importantíssimo e exigente papel dos cuidadores de pessoas com Alzheimer ou outra demência.

A revista ZEN publicou uma entrevista à neuropsicóloga no NeuroSer, Dr.ª Margarida Rebolo, que aborda a importância do apoio aos cuidadores, assim como o importante testemunho de um cuidador que, muito generosamente, partilhou parte da sua vivência.

Não perca a entrevista e o testemunho em versão pdf.

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Desigualdades no acesso a cuidados e tratamentos na área da demência na Europa (Alzheimer Europe)

De acordo com um relatório da Alzheimer Europe, apresentado em Bruxelas no dia 26 de Junho de 2017, existem desigualdades na Europa no acesso a cuidados e tratamentos em caso de demência.

De acordo com a informação divulgada aos meios de comunicação, o objectivo do relatório intitulado European Dementia Monitor” foi o de providenciar um benchmark para políticas nacionais na área da demência, permitindo comparar e classificar as respostas de países europeus aos desafios associados à demência. O estudo incluiu todos os estados membros da União Europeia (com a excepção da Estónia), incluindo ainda a Albânia, Bósnia e Herzegovina, Jersey, Israel, Mónaco, Noruega, Suíça e Turquia.

Jean Georges, Diretor Executivo da Alzheimer Europe, referiu: “A nossa organização tem tentado promover o reconhecimento da demência enquanto uma prioridade de saúde pública e tem alertado os governos europeus para a necessidade de desenvolver estratégias nacionais na área da demência. O objectivo do “European Dementia Monitor” é identificar os países que apresentam as políticas mais “amigas das pessoas com demência” e que garantem o melhor suporte e tratamento a pessoas com demência e seus cuidadores.

O relatório compara os países em 10 categorias diferentes:

  1. A existência de entidades que prestem cuidados
  2. A acessibilidade financeira aos cuidados
  3. O reembolso de medicação
  4. A existência de ensaios clínicos
  5. O envolvimento do país em iniciativas na área de investigação na demência a nível Europeu
  6. O reconhecimento da demência como uma prioridade
  7. O desenvolvimento de iniciativas “amigas de pessoas com demência”
  8. O reconhecimento de direitos legais
  9. A ratificação de tratados de direitos humanos, Internacionais e Europeus
  10. O direito a cuidados e ao emprego

A Alzheimer Europe atribuiu um ranking aos países a partir dos achados para cada uma das 10 categorias acima referidas (cada domínio contribuiu 10% para a classificação global), com a Finlândia a surgir em primeiro lugar com uma classificação de 75,2%, seguida do Reino Unido (Inglaterra) com 72,4%, a Holanda, com 71,2%, a Alemanha, com 69,4% e o Reino Unido (Escócia), com 68,8%. Num total de 36 países, Portugal ficou na vigésima terceira posição, com uma classificação de apenas 41,2%.

Para mais informações:

Contactar: Jean Georges, Diretor Executivo da Alzheimer Europe, 14, rue Dicks, L-1417 Luxembourg, Tel.: +352-29 79 70, Fax: +352-29 79 72, jean.georges@alzheimer-europe.org, www.alzheimer-europe.org, www.dementia-in-europe.eu

O relatório completo “European Dementia Monitor 2017: Comparing and benchmarking national dementia strategies and policies” pode ser adquirido no site da Alzheimer Europe a um preço de €5,20: http://alzheimer-europe.org/Publications/E-Shop/European-Dementia-Monitor-2017/European-Dementia-Monitor-2017

Fonte: Azheimer Europe, Media Release, Bruxelas, 26 de Junho de 2017

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Quando a mente nos atraiçoa

Não perca o artigo em versão pdf.

A  revista LuxWoman publicou um artigo de autoria da jornalista Leonor Antolin Teixeira a propósito da doença de Alzheimer que contou com a participação da Neuropsicóloga Margarida Rebolo e da Terapeuta Ocupacional Ana Matias.

O artigo aborda vários aspectos, tais como o diagnóstico, algumas características associadas à doença, as dificuldades de aceitação e do dia-a-dia, sem esquecer o papel crucial da família.

 

 

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Intoxicações na doença de Alzheimer ou outra Demência

A nossa casa deve ser um local seguro e onde nos sentimos mais tranquilos em relação ao nosso familiar com doença de Alzheimer ou outra demência. No entanto, alguns aspectos podem contribuir para a ocorrência de eventos inesperados e potencialmente perigosos, tais como intoxicações. Isto porque a pessoa com demência pode ter uma reduzida ou inexistente noção de perigo, colocando-se em situações de possível intoxicação sem se aperceber.

Uma intoxicação resulta da introdução de um produto tóxico no nosso organismo. Em casa temos acesso a diversos produtos químicos que podem contribuir para que isto ocorra, tais como detergentes, lixívia, produtos de higiene pessoal, medicamentos, entre outros. A intoxicação, ao contrário do que se possa pensar, ocorre não só pela ingestão destes produtos, mas também pelo contacto com a superfície cutânea ou por inalação.

Desta forma, deixamos aqui algumas dicas para reduzir o risco de intoxicação do seu familiar:

  • Guarde os produtos potencialmente perigosos em locais que possa trancar ou que sejam de difícil acesso;
  • Garanta que os produtos estão sempre rotulados de forma apropriada, o que facilita a identificação do perigo pela pessoa com demência;
  • Evite armazenar produtos potencialmente nocivos em recipientes que possam gerar confusão (por exemplo, guardar numa garrafa de água um produto incolor, pode levar o seu familiar a identificá-lo como água);
  • Se possível, compre embalagens com fecho de segurança (comum nos frascos de xarope, por exemplo);
  • Não deixe estes produtos sem supervisão, enquanto estão a ser utilizados.

Se suspeitar de intoxicação do seu familiar, verifique alguns sinais que podem auxiliar no despiste (dependendo do produto e da tipologia do contacto):

Salivação excessiva Náuseas e/ou vómitos
Alteração da dimensão das pupilas Diarreia
Sudorese excessiva Convulsões
Respiração alterada Alteração da temperatura corporal
Modificação da coloração dos lábios ou interior da boca Lesões na superfície cutânea (como queimaduras ou bolhas)
Sonolência Paralisia
Confusão mental

 

Caso identifique estes sinais e suspeite da possibilidade de intoxicação deve contactar de imediato os serviços de saúde e, em seguida, tentar identificar qual o produto que gerou a intoxicação, uma vez que será útil para o melhor atendimento médico do seu familiar.

Artigo por: Ana Matias (Terapeuta Ocupacional)

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Quando a Comunicação Falha: Pequenas Dicas que Ajudam

A Comunicação é o pilar da relação humana e, por este motivo, a participação em actividades sociais é um estímulo precioso para a manutenção das competências comunicativas.

Sabe-se hoje que a participação em actividades sociais promovidas pela comunidade, contribui para uma melhoria do humor, da memória e da linguagem.

À medida que vai existindo uma progressão da doença as capacidades de comunicação  vão também diminuindo.

Já aqui indicámos algumas estratégias facilitadoras da comunicação. Conheça hoje mais algumas dicas facilitadoras da interacção que podem ajudar na partilha de informação, de sentimentos e na prevenção de conflitos:

  • Procure um lugar calmo para comunicar: evite ambientes com ruídos de pessoas, máquinas, rádio ou televisão que dificultam a capacidade atencional da pessoa.
  • Mantenha o contacto visual e converse ao mesmo nível: Posicione-se de forma a ficar ao mesmo nível da pessoa com quem quer conversar. Flexione os joelhos ou sente-se para ficar melhor posicionado. Também é importante que se aproxime de frente, pois abordar a pessoa de lado ou por trás pode assustá-la e dificultar a comunicação.

  • O toque pode ser útil, mas também pode ser interpretado com um acto agressivo: Diga à pessoa o que vai fazer antes de fazê-lo, de forma a que a pessoa não se assuste nem sinta que lhe está a ser invadido o seu espaço pessoal.
  • Use também o nome da pessoa, pois ajuda a orientar melhor sua atenção para si. Se a pessoa estiver consciente da sua presença e conseguir manter a atenção enquanto fala, é mais provável que consiga entender a mensagem que está a querer transmitir.
  • Fale com calma: Mesmo em situações mais desafiantes e difíceis, mantenha sempre a serenidade. Um tom de voz apressado ou irritado vai muitas vezes espelhar essa atitude e aumentar a possibilidade de conflito.
  • Simplifique a informação:Utilize frases curtas e objectivas e seja directo na ideia que quer transmitir. Evite misturar assuntos, porque a capacidade de compreensão da pessoa pode estar afectada.
  • Faça apenas uma questão de cada vez e reforce a entoação:Durante a conversa, faça apenas uma pergunta de cada vez e espere pela resposta antes formular outra pergunta. Lembre-se também que questões como “quem é?”, “onde foi”, “como foi?” ou “mas porquê?” são muito difíceis de compreender ou de responder. Inverta frases negativas tornando-as positivas. Por exemplo, diga “Vamos por aqui” em vez de “Não vá para aí”. Mas lembre-se, é necessário cuidado para não infantilizar a pessoa. O declínio cognitivo não significa que o adulto passe a ser uma criança. As atitudes de infantilização são facilmente detectadas por um adulto com demência e diminuem a sua auto-estima, confiança e dignidade e podem aumentar as atitudes de agressividade.
  • Não imponha memórias: Durante a conversa, evite perguntar à pessoa se ela se lembra de alguma determinada situação.  Muitas vezes, a pessoa não é mesmo capaz de se lembrar e a situação só fomenta o sentimento de frustração e constrangimento.

E o mais importante:  Não desista da comunicação!

Revisão Clínica: Inês Tello

Ilustração: Trina Dalzier

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Demência: Quando a higiene básica se torna uma batalha

Já partilhámos aqui no NeuroSer algumas das dificuldades sentidas pelos cuidadores face à ocupação do banho. No entanto, a higiene é uma área com um alcance muito superior, que envolve outras ocupações, tais como:

  • a higiene oral,
  • a utilização da sanita,
  • lavar as mãos,
  • vestir roupa limpa.

Como sabemos que também estas ocupações se podem tornar problemáticas, mesmo que sejam percebidas como mais fáceis, damos-lhe algumas informações sobre o que poderá causar as dificuldades e de que forma as poderá superar.

 

Higiene Oral

As dificuldades relativas à higiene oral podem estar relacionadas, entre outras razões, com:

  • Dificuldades sensoriais, que dificultam a tolerância à utilização de uma escova de dentes;
  • Incapacidade de compreender a necessidade deste tipo de higiene;
  • Dificuldades em planear e sequenciar o que deve fazer.

Para superar estas dificuldades propomos:

  • Colar numa superfície visível um lembrete para a higienização dos dentes ou prótese dentária;
  • Colar numa superfície visível um esquema dos passos a realizar para a higienização dos dentes ou prótese dentária;
  • Utilizar pastas de dentes com sabores menos agressivos (o seu familiar poderá ter tendência para evitar sabores fortes e possivelmente desagradáveis, como mentol, por exemplo);
  • Optar por escovas de dentes mais suaves, logo menos agressivas;
  • Em visitas ao dentista, informe-se sobre opções de procedimentos que facilitam a intervenção com a pessoa com demência.

 

Utilização da sanita

Esta talvez seja uma das ocupações em que a relação da pessoa com demência e do seu cuidador é mais importante, bem como o tipo de suporte que a pessoa necessita.

Lembre-se que o suporte a prestar ao seu familiar deve ser o mínimo possível, sem colocar em causa a sua segurança, mas promovendo a independência.

Para potenciar o desempenho independente da pessoa com demência pode:

  • Pedir a sua ajuda para baixar as calças e roupa interior;
  • Pedir ajuda para retirar do suporte o papel higiénico ou papel higiénico húmido (toalhitas), que poderão ser uma mais valia nestes casos, por promoverem uma higiene mais eficaz;
  • Pedir ajuda na higiene com o papel higiénico ou papel higiénico húmido, dando apenas orientação verbal à pessoa acerca do que deve fazer.

Tenha em atenção que, em fases mais avançadas, a pessoa com demência poderá não reconhecer o seu cuidador (mesmo que este seja um familiar), e sentir a sua ajuda como uma violação da sua privacidade. Tente ser paciente, manter o contacto visual e voz calma, por forma a tranquilizar a pessoa. Se esta recusar a utilização da sanita ou se verificar um elevado nível de ansiedade, tente novamente mais tarde.

 

Lavar as mãos

Este é um hábito importante, mas muitas vezes desvalorizado. Deve estimular o seu familiar a lavar as mãos em água corrente. No entanto, se isso não for possível, pode optar por um recipiente com água ou por toalhetes húmidos.

Para facilitar este hábito, sugerimos que:

  • Utilize água a uma temperatura agradável para o seu familiar;
  • Indique, através de orientações verbais ou esquemas colados em superfícies visíveis, os passos para a lavagem das mãos;
  • Utilize produtos com aromas agradáveis e que vão ao encontro das preferências da pessoa;
  • Utilize toalhas para secar as mãos, que tenham cores atractivas, para que a pessoa com demência as identifique com maior facilidade;
  • Se possível, tenha em sua casa torneiras com um manípulo que facilite a utilização (ao contrário dos manípulos de rodar, por exemplo).

 

Vestir roupa limpa

Se o seu familiar mostrar alguma resistência em mudar de roupa, este comportamento pode estar relacionado com várias causas, tais como:

  • Incapacidade de fazer julgamentos face ao estado das suas roupas;
  • Sentir-se confortável com uma peça e, dessa forma, querer vesti-la constantemente;
  • Dificuldade na escolha da roupa, optando assim pela opção mais fácil, que será a de vestir o mesmo;
  • Preferir cores sólidas, em vez de padrões, que podem actuar como estímulos distratores;
  • existir uma desorientação temporal, o que faz com que a pessoa perca a noção em relação ao dia em que está e há quanto tempo vestiu aquela peça de roupa;
  • Défices sensoriais ao nível olfactivo, característicos do envelhecimento, que dificultam a percepção do odor desagradável das suas roupas.

Para superar estas dificuldades, sugerimos que:

  • Evite afirmar que as roupas estão sujas ou com odor desagradável (em vez disso, faça sugestões, pois irá evitar que a pessoa com demência se sinta julgada);
  • Guarde no roupeiro da pessoa com demência apenas algumas opções, para facilitar o processo de escolha;
  • Respeite os gostos pessoais do seu familiar;
  • Se possível, compre roupas idênticas às preferidas da pessoa com demência (padrões, cores, tamanho, textura);
  • Retire as roupas sujas do quarto do seu familiar enquanto este dorme, e substitua por outras peças para utilizar no dia seguinte;
  • Opte por promover a troca de roupa logo pela manhã ou após o banho, que são alturas do dia em que é mais natural fazê-lo.

Se se depara com alguma destas problemáticas e as estratégias sugeridas não solucionaram as dificuldades com o seu familiar, não desista!

Cada pessoa é diferente e, por isso mesmo, precisa de estratégias diferentes que se adequem ao seu caso e à sua família.

O NeuroSer quer dar mais um passo no sentido de ajudar os cuidadores a lidar com as dificuldades nas Actividades de Vida Diária e a reduzir a sobrecarga que está associada à prestação de cuidados ou ao contacto frequente com pessoas com demência. Nesse sentido, a quarta das Sessões Práticas e Informativas abordará as “Actividades de Vida Diária”, onde existirá a oportunidade de identificar possíveis causas para as dificuldades e adquirir estratégias para com elas lidar. Consulte aqui os objectivos da sessão.

Revisão: Ana Matias (Terapeuta Ocupacional)

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Ajudas para a Comunicação

O que são produtos de apoio?

Produtos de apoio  são “qualquer produto (incluindo dispositivos, equipamento, instrumentos, tecnologia e software) especialmente produzido ou geralmente disponível, para prevenir, compensar, monitorizar, aliviar ou neutralizar as incapacidades, limitações das actividades e restrições na participação”.

Fonte: Classificação ISO9999:2007

O que são produtos de apoio à Comunicação?

São todas os recursos que podem ajudar a pessoa a comunicar, com os outros, de uma forma mais eficaz.

Para quem podem ser importantes?

Para muitas pessoas com lesão cerebral (por exemplo, AVC) ou doenças neurodegenerativas, como é o caso da Demência, que podem apresentar alterações graves na capacidade em falar com os que o rodeiam.

Em muitos casos, existem estratégias e ajudas técnicas que podem ajudar a tornar a comunicação mais fácil. A sua escolha depende das dificuldades e capacidades da pessoa e, por isso, são sempre ajustadas a cada caso.

Habitualmente, a avaliação inicial é efectuada por um terapeuta da fala e pode integrar também a informação da equipa alargada, nomeadamente, da terapia ocupacional e da fisioterapia.

A escolha do produto de apoio à comunicação vai sempre depender das capacidades, dificuldades , contexto social e motivação de cada pessoa e pode variar ao longo do tempo. O produto de apoio deve ser capaz de acompanhar a evolução das condições do utilizador.

Os produtos de apoio à comunicação mais simples são constituídos por um suporte físico onde são colocados símbolos ou imagens que a pessoa escolhe directamente ou ajuda do seu interlocutor.

Exemplo de Livro de Comunicação

Exemplo de Livro de Comunicação

Adicionalmente, existe um crescimento exponencial dos programas ou aplicações digitais que permitem transformar texto em fala (a chamada fala sintetizada), utilizar fotografias, símbolos ou outros recursos adaptados às necessidades de comunicação de cada pessoa.

Exemplos de softwares de comunicação em diferentes equipamentos.

Exemplos de softwares de comunicação em diferentes equipamentos.

Paralelamente, têm sido criados diversos produtos de apoio para a comunicação em contexto hospitalar, de que são exemplo, os quadros de comunicação específicos e escalas de dor adaptadas.

Exemplo de tabela de comunicação usada em meio hospitalar (Vidatak E-Z Board)

Exemplo de tabela de comunicação usada em meio hospitalar (Vidatak E-Z Board)

 

Nunca é demais recordar que, o familiar/cuidador, deve dar tempo à pessoa para responder, uma vez que a comunicação com estes recursos é mais lenta.

O mais importante é mesmo nunca desistir!

 

Revisão Clínica: Inês Tello Rodrigues

 

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O papel da Terapia Ocupacional na doença de Alzheimer ou outra demência

A Terapia Ocupacional foca a sua intervenção na capacitação da pessoa para o desempenho e envolvimento em ocupações que a própria considere como significativas, sendo que estas ocupações poderão estar relacionadas com os autocuidados, com lazer ou com produtividade.

Na sua intervenção, o Terapeuta Ocupacional tem em consideração três dimensões, sendo elas a pessoa, a ocupação e o ambiente, podendo intervir em cada uma delas.

A abordagem da Terapia Ocupacional na demência assume um papel essencial, quer na intervenção directa com a pessoa com demência, quer com os cuidadores. O Terapeuta Ocupacional é um profissional qualificado para intervir:

  • ao nível das Actividades da Vida Diária, realizando por exemplo, treino de alimentação ou treino de higiene;
  • na manutenção e promoção da participação em ocupações que vão ao encontro dos desejos e necessidades da pessoa;
  • na promoção da participação em actividades terapêuticas estimulantes em termos cognitivos, motores, emocionais e sensoriais;
  • na graduação das ocupações, por forma a permitir à pessoa um maior sucesso no seu desempenho;
  • na adaptação do ambiente físico à pessoa com demência, permitindo assim a diminuição do risco de quedas e uma maior segurança;
  • no apoio e aconselhamento dos cuidadores.

Nas fases iniciais da demência, o papel do Terapeuta Ocupacional está principalmente relacionado com a informação prestada à pessoa e ao cuidador, com a adaptação do ambiente, por forma a garantir a segurança e na manutenção das Actividades Instrumentais da Vida Diária (como por exemplo, a utilização do telefone ou a gestão da correspondência).

À medida que a doença progride, o papel do Terapeuta Ocupacional passa a estar cada vez mais relacionado com a garantia do bem-estar e qualidade de vida da pessoa e dos cuidadores. Desta forma, existe uma maior incidência na intervenção a nível sensorial, com repetição de actividades prazerosas que aumentem o sentido de familiaridade da pessoa e no treino de técnicas que facilitem o cuidado.

Revisão Clínica: Ana Matias

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Actividades sensoriais para a pessoa com demência

Todos os dias cada um de nós recebe variadas informações do ambiente à sua volta, que têm significados diferentes e que são interpretadas pelo cérebro de forma diferente. Para receber essas informações, cada pessoa conta com os seus sentidos: o olfacto, a visão, o tato, a audição e o paladar. Estes cinco sentidos são a via através da qual o nosso cérebro recebe a informação do ambiente que nos rodeia e é desta forma que conseguimos interpretar estímulos exteriores como o som de um pássaro, a cor das flores, a textura da roupa, o aroma de um bolo ou o sabor de uma fruta. Assim sendo, é fácil compreender o quão importante é a função dos sentidos no dia-a-dia. No entanto, torna-se uma função ainda mais importante quando compreendemos que a cada pessoa são exigidas competências cognitivas na interpretação do ambiente, todos os dias, como a interpretação da linguagem, por exemplo, e que nem todas as pessoas conseguem responder a essas exigências. Quando estamos perante uma pessoa com demência, cujas competências cognitivas se encontram alteradas, é essencial compreender que a sua interpretação do ambiente poderá sofrer alterações e de que os estímulos deverão ser apresentados de uma forma simples e de fácil interpretação. É neste momento que os sentidos se tornam ainda mais importantes, uma vez que são a forma mais simples de obter informação sobre o ambiente à sua volta. Por exemplo, será mais fácil compreender qual o aspecto de um pássaro ao utilizar apenas a visão, do que ler sobre ele, o que irá exigir competências cognitivas.

A estimulação sensorial pode ser realizada ao nível dos cinco sentidos e deverá sempre ter em conta a pessoa como um Ser individual. Desta forma, será importante compreender, por exemplo, de que músicas a pessoa gosta, qual o seu prato preferido, se existe algum cheiro de que não goste, entre outros. Estas questões vão permitir adequar os estímulos à pessoa e obter assim uma melhor resposta ao ambiente.

A estimulação sensorial foi até ao momento alvo de alguns estudos que defendem que esta promove o humor, a socialização, a qualidade de vida e a expressão emocional e diminui os problemas comportamentais. Esta estimulação tem como objectivo o relaxamento, sendo importante que não se exija uma “forma correta” de reagir aos estímulos apresentados, já que cada pessoa irá interpretá-los de formas diferentes.

De uma forma geral, a estimulação sensorial poderá ajudar a pessoa com demência a compreender melhor o ambiente à sua volta (quer físico, quer social), facilitando assim a comunicação e promovendo a interacção.

Temos algumas ideias que poderá tentar em casa, no entanto relembramos que deverá aconselhar-se sempre com um profissional.

Visão

– Apresente ao seu familiar estímulos que sejam atractivos e com diferentes cores;

– Vejam em conjunto diferentes fotografias. Poderá criar um álbum ou molduras com diferentes materiais que sejam igualmente estimulantes (como marcadores, folhas secas, flores, impressões, entre outros).

Audição

– Apresente sons à pessoa e tentem identificar a sua origem (por exemplo, pássaros, piano ou xilofone);

– Em conjunto com o seu familiar, ouçam algumas músicas que ambos conheçam e tentem identificar o cantor (poderá usar fotografias para facilitar a identificação).

Olfacto

– Prepare frascos de especiarias e convide o seu familiar a tentar descobrir, através do olfacto, de que especiaria se trata;

– Convide o seu familiar a passear num jardim e a cheirar as flores.

Tacto

– Apresente ao seu familiar texturas diferentes (pode usar objectos que tem em casa, como lã, escovas, algodão, limas das unhas, entre outros);

– Convide o seu familiar a plantar algumas plantas e aproveite para mexer na terra, nas sementes e na água, explorando diferentes texturas e temperaturas.

Paladar

– Proponha ao seu familiar experimentar diferentes sabores e inclua alguns que sejam apreciados e outros que não. Desta forma, poderá explorar diferentes reacções;

– Convide o seu familiar a participar na preparação das refeições e a provar os ingredientes. Pode ainda pedir a sua opinião quanto ao tempero da receita que estão a preparar.

Aconselhamos a que tente integrar esta estimulação no dia-a-dia, por exemplo enquanto cozinha ou cuida do seu jardim. Poderá ainda criar uma actividade que contemple os cinco sentidos, com base num tema. Por exemplo, com base no tema outono, poderá apanhar folhas secas com o seu familiar e assar castanhas. Isto irá permitir que a pessoa veja as diferentes cores (visão), sinta a textura das folhas (tacto), ouça os pássaros durante o passeio (audição), sinta o aroma das castanhas acabadas de assar (olfacto) e prove as castanhas (paladar).

Revisão Clínica: Ana Gonçalves

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A importância da socialização

Ao longo do processo normal do envelhecimento verifica-se, usualmente, uma perda de relações sociais, que se pode dever à perda de papéis ocupacionais, que limitam as interacções sociais. Por exemplo, com a perda do papel laboral, isto é, com a transição para a reforma, reduzem-se, e em alguns casos perdem-se, conexões sociais importantes. Além disso, ao longo da vida, algumas pessoas significativas (familiares, amigos, colegas) vão desaparecendo. Desta forma, é normal que a rede social de cada pessoa se altere significativamente ao longo da vida e com especial enfoque na fase do envelhecimento. No entanto, a socialização apresenta-se como um aspecto fulcral e verifica-se que o idoso, embora de uma forma mais reduzida, mantém relações sociais no seio familiar e com um grupo de pares/amigos mais próximos, validando a importância deste aspecto na sua vida.

Ainda assim, a pessoa com diagnóstico de demência pode acabar por, gradualmente, se isolar, por receio de que os amigos e familiares se apercebam das suas limitações ou pelas próprias características da doença que dificultam a interacção, como é o caso das alterações da linguagem. Será importante que o cuidador/familiar promova a manutenção da participação social da pessoa. Realçamos no entanto, que o mais importante será a manutenção de interacções sociais e do apoio social à pessoa, e não apenas a manutenção das redes sociais. Embora possam parecer conceitos semelhantes, é possível que a pessoa mantenha uma rede social extensa (ou seja, uma grande variedade de amigos e familiares), no entanto com interacções sociais pouco frequentes e que são pouco suportantes, o que não será o ideal, uma vez que poderá levar a pessoa com demência a vivenciar sentimentos de abandono.

Deixamos algumas ideias para promover as interacções sociais da pessoa com demência:

– Promover o contacto com pares/amigos, por exemplo, planeando encontros casuais ou promovendo a troca de chamadas telefónicas ocasionais;

– Promover a deslocação a locais de encontro com a comunidade envolvente, como por exemplo, centros de convívio (onde muitas vezes se realizam jogos sociais, como o dominó, a malha ou o bingo);

– Promover as actividades culturais com os pares/amigos, uma vez que será provável que mantenham interesses similares, como por exemplo ir ao teatro ou a um concerto de música clássica;

– Promover o exercício físico. Actualmente existem diversos locais que oferecem aulas indicadas para este grupo etário e que possibilitam a interacção social;

– Promover a inclusão num grupo social com características similares.

É importante reconhecer que ao promover o envolvimento da pessoa numa ou várias actividades, esta estará a conhecer e a conviver com diferentes pessoas, partilhar experiências e vivências comuns, possibilitando que se identifique com os seus pares. Numa idade tão atingida pelo isolamento, participar em actividades com outras pessoas é uma das melhores formas de promover um envelhecimento bem-sucedido e o bem-estar psicológico e emocional. No entanto, realçamos que em caso de dúvidas ou dificuldades acentuadas, deverá procurar o aconselhamento de um profissional.

O NeuroSer aconselha ainda a integração nas Manhãs & Tardes no NeuroSer, onde cada pessoa é integrada num grupo social adequado e onde são promovidas actividades estimulantes, sendo fomentado o sentido de pertença ao grupo e as interacções sociais.

Revisão Clínica: Ana Matias

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