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Todos os Artigos na Categoria: 2. Acidente Vascular Cerebral

A importância de um correcto posicionamento após um AVC

Após um AVC muitas são as alterações que ocorrem, que requerem um aumento dos cuidados e uma adaptação do dia-a-dia da pessoa.

Um dos factores a ter em conta é a promoção de um correcto posicionamento da pessoa ao longo do seu dia, sendo que este tema tem uma maior importância nas pessoas com uma diminuição acentuada da autonomia e funcionalidade.

Um correcto posicionamento:

  • previne o surgimento de complicações motoras (encurtamentos musculares, diminuição da amplitude de movimento, entre outros)
  • previne a alteração na integridade da pele (zonas de pressão)
  • promove o conforto e o bem-estar da pessoa.

Para além disso, tem também um impacto crucial na capacidade da pessoa comunicar e realizar uma determinada tarefa, facilitando muitas vezes a sua funcionalidade e comunicação.

Para promover um correcto posicionamento:

  • Aconselhe-se sobre o tipo de posicionamento: deve consultar o profissional de saúde da área (fisioterapeuta), para que este possa em conjunto consigo seleccionar o posicionamento adequado tendo em conta o grau de dependência, as capacidades motoras da pessoa, as limitações articulares, a presença de dores e a preferência da pessoa.
  • Treine com os profissionais de saúde da área: é importante o treino prévio com o profissional de saúde (fisioterapeuta) que acompanha a pessoa para que este possa ensinar, treinar e auxiliar
  • Posicione o equipamento: poderá ser necessário utilizar, por exemplo, almofadas, sendo por isso importante ter o material necessário perto de si. No entanto, é importante balancear entre o conforto extremo e a capacidade de a pessoa se conseguir mover.
  • Utilize movimentos seguros e suaves: no caso de ter de posicionar a pessoa, lembre-se de utilizar uma pega segura e suave, é importante não agarrar, mas sim suportar, não pressionando os dedos em garra ou pinça. Quando mover a pessoa evite arrastar o corpo sobre a superfície, tendo em conta a integridade da sua pele e o seu bem-estar.
  • Promova a sua segurança e o seu conforto: procure manter sempre um correcto alinhamento da coluna vertebral, mas também das restantes articulações, facilitando assim a sua mobilidade, diminuindo o risco de queda, de lesões cutâneas ou de magoar certas zonas do corpo.
  • Procure explicar à pessoa: é importante explicar, caso a pessoa compreenda, a importância de estar bem posicionada. Se for necessário auxiliar, explique à pessoa previamente, pois irá melhorar a sua colaboração, reduzir a sua ansiedade/medo e promover uma maior sintonia entre a pessoa e o cuidador/familiar.
  • Privilegie sempre a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração, de forma a promover a sua funcionalidade/ independência.
  • Posicionamento do familiar/cuidador: é fundamental o correcto posicionamento do familiar/cuidador que está a posicionar a pessoa, a fim de facilitar e promover a segurança durante a sua realização e evitar possíveis lesões durante a mesma.

Todas estas estratégias pretendem facilitar um correcto posicionamento, no entanto, será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua condição clínica, à sua funcionalidade e às suas dificuldades.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Estimulação magnética transcraniana nas doenças do cérebro

Com o aumento da esperança média de vida, aumenta também a comorbilidade de patologias associadas ao envelhecimento e a consequente busca por novas terapias e abordagens de tratamento das doenças do cérebro. Neste contexto específico, as técnicas de neuromodulação, onde se enquadra a Estimulação Magnética Transcraniana (TMS – sigla inglesa), têm tido avanços promissores e suscitado grande interesse por parte da comunidade científica pelo seu potencial terapêutico, nomeadamente após um AVC.

A  TMS é considerada uma técnica de neuromodulação não invasiva porque não implica nenhum procedimento doloroso nem envolve instrumentos que rompam as barreiras naturais do corpo humano.

Esta técnica é baseada no princípio da indução electromagnética, ou seja, um pulso de corrente electromagnética passa por uma bobine, colocada sobre a cabeça da pessoa e induz um campo eléctrico no cérebro.

A TMS modifica a excitabilidade entre os neurónios e activa diferentes estruturas do cérebro ao longo de conecções específicas.

A utilização clínica da TMS obedece a normas éticas e a procedimentos bem estabelecidos  que minimizam quaisquer riscos e fazem com seja considerada uma técnica segura para a modulação não-invasiva de regiões corticais.

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Diversos estudos  demonstraram que a técnica pode ser útil para várias condições neurológicas (por exemplo, Acidente Vascular Cerebral) e condições psiquiátricas (como a depressão major ou alucinações auditivas). No entanto, não se trata de uma cura mas sim de uma intervenção complementar cuja plena potencialidade ainda está a ser investigada.  Novos estudos estão a ser desenvolvidos e espera-se que em breve a sua aplicação possa ser realizada em estudos clínicos com um largo número de pessoas e testando a sua eficácia a longo prazo.

Revisão Clínica: Inês Tello

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A fadiga associada ao AVC

A fadiga é um dos efeitos mais comuns após um AVC, sendo um pouco diferente da fadiga que sentimos normalmente e que pode ter várias causas, como por exemplo, um dia muito cansativo.

Após o AVC as pessoas sentem uma diminuição de energia ou de força muscular, tendo uma sensação de cansaço constante, o que poderá influenciar a sua participação no seu processo de reabilitação, nas suas actividades do dia-a-dia, afectando assim a sua qualidade de vida.

Incidência

A fadiga é muitas vezes relatada pelas pessoas com AVC como o seu principal problema, podendo surgir logo após o AVC e manter-se por um curto ou longo período de tempo.

O seu aparecimento não está directamente relacionado com o tipo ou a gravidade do AVC, variando de caso para caso.

Causa

Não existe uma causa concreta para o aparecimento da fadiga e, por isso, algumas pessoas com AVC podem sentir e outras não.

No entanto, pensa-se que os factores físicos e emocionais que surgem após o AVC contribuem para o aparecimento da sensação de fadiga.

Fadiga vs. tempo de evolução pós-AVC

Numa fase inicial após o AVC, a reabilitação é intensiva, consumindo a maior parte da energia da pessoa, sendo muito comum a pessoa sentir-se cansada.

Ao longo do tempo, as alterações motoras associadas ao AVC levam a que a pessoa altere a forma como realiza as suas actividades de vida diária, consumindo energias diferentes. Estas alterações levam a que a pessoa se sinta mais cansada a realizar uma determinada tarefa, comparativamente com o período anterior ao AVC.

Fadiga vs. alterações emocionais

O aparecimento de sintomatologia depressiva ou ansiedade são comuns após um AVC. Muitas das pessoas que têm fadiga, sentem-se também deprimidas ou ansiosas.

É por isso importante estar atento às alterações emocionais que possam surgir e informar ao seu médico.

Fadiga vs. outros factores associados

Os problemas do sono (ex: insónias) ou perturbações do sono (ex: apneia do sono), problemas na alimentação, presença de anemia ou diabetes, poderão também contribuir para o surgimento da fadiga.

Alguns medicamentos poderão também ter como efeito secundário a fadiga, sendo importante informar-se com o seu médico dos mesmos.

Tratamento da Fadiga

Não existe nenhum medicamento específico para o tratamento da fadiga, no entanto, é importante conhecer algumas estratégias para lidar com a mesma:

  • Informe o seu médico da situação: para que este o possa auxiliar a lidar com a fadiga e apurar possíveis causas para o seu surgimento.
  • Lembre-se que é um problema comum: pode acontecer a qualquer pessoa após um AVC e não é culpa sua.
  • Partilhe com os seus familiares e amigos o que sente: muitas vezes as pessoas em seu redor não percebem o que está a sentir. Partilhe para que estes o compreendam e consigam ajudar a lidar com este problema.
  • Realize exercício físico regular: é importante manter a actividade física, tanto num contexto de intervenção, como no domicílio, pois irá auxiliar a lidar/diminuir o cansaço sentido. Lembre-se que o exercício deverá ser adaptado às suas capacidades motoras e limitações funcionais.
  • Tenha em conta a alimentação e o sono: é fundamental realizar uma alimentação nutritiva e promover a rotina do sono.
  • Procure ajuda: a fadiga poderá ser um problema perturbador e inquietante, procure ajuda e apoio junto da equipa de reabilitação que o está a acompanhar.
  • Dê tempo ao tempo: lembre-se que este problema poderá perdurar ao longo do tempo, dificultando a realização das actividades de vida diária, sendo fundamental momentos de descanso entre as mesmas e realizá-las com tempo, tendo em conta as suas limitações funcionais e capacidades motoras.
  • Festeje as suas vitórias: o processo de recuperação após um AVC é intensivo e muitas vezes de longa duração, levando por vezes à frustração e desânimo. Lembre-se por isso de festejar cada conquista alcançada.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Alterações cognitivas pós-AVC

O Acidente Vascular-Cerebral (AVC) é uma condição neurológica súbita que afecta uma área particular do cérebro, levando à perda de função dependente dessa mesma área. É um dos problemas neurológicos agudos mais comuns e uma das causas mais frequentes de internamento hospitalar.

Quais as alterações cognitivas que podem surgir após um AVC?

A maioria dos AVCs resultam em algum tipo de alteração a nível cognitivo. O padrão de alterações cognitivas depende essencialmente da área lesada. Como sabemos, o nosso cérebro recruta áreas difusas e coordena-as de forma integrada para realizar uma tarefa. No entanto, existe alguma especialização funcional no cérebro. Quer isto dizer que algumas áreas têm um papel mais importante na integridade de determinadas funções cognitivas. Por exemplo, a maior parte das pessoas têm as funções linguísticas lateralizadas à esquerda no cérebro. Mais especificamente, o lobo temporal esquerdo tem um papel muito importante na linguagem.

De forma geral, após um AVC podemos observar alterações em vários domínios cognitivos e que se podem associar a uma diminuição da funcionalidade dos doentes.

  • Capacidade atencional

O nosso cérebro recebe uma quantidade enorme de informação a cada segundo. Para nos concentrarmos numa determinada tarefa, o cérebro tem que diferenciar a informação mais relevante da menos relevante, tendo em conta o nosso objectivo final.

A grande maioria das pessoas que sofrem um AVC experienciam dificuldades de concentração, especialmente na fase aguda. A concentração é uma capacidade essencial pois dela dependem uma série de outras funções nervosas mais “sofisticadas”. Se não conseguirmos focar a atenção na informação relevante, não iremos conseguir processá-la, codificá-la nem consolidá-la de maneira a utilizá-la no futuro.

A nível funcional:

  • A pessoa pode não ser capaz de filtrar a informação que a rodeia, dificultando a comunicação inter-pessoal num ambiente mais ruidoso
  • Pode também ser difícil manter-se focado numa única tarefa (ex: ler um livro ou ver televisão)
  • Também pode ser um desafio transferir a atenção de uma tarefa para a outra, pelo que, se for interrompida, a pessoa pode não conseguir retomar a tarefa que estava a executar
  • A pessoa pode não conseguir dividir facilmente a atenção entre duas ou mais tarefas (ex: não conseguir tirar um café com sucesso enquanto fala com alguém)
  • Finalmente, a pessoa que sofre um AVC pode passar a processar a informação mais lentamente, levando, por exemplo, a que não consiga acompanhar um discurso muito rápido.

Após um AVC no lado direito do cérebro, também é possível que a pessoa não repare em objectos que estão do seu lado esquerdo ou que não preste atenção a metade do seu corpo (ex: não fazer a barba ou não se maquilhar do lado esquerdo da cara) e que apenas coma alimentos apresentados do lado direito do prato. Estes sintomas podem ser muito óbvios para outros mas a própria pessoa não se vai aperceber até alguém chamar a atenção para a sua dificuldade.

  • Memória

É muito comum surgirem problemas de memória após um AVC, particularmente nas primeiras semanas/meses. Não obstante, alguns destes problemas podem ser explicados pela dificuldade de concentração já referida.

A pessoa pode ter dificuldade em lembrar-se de informação que acabou de lhe ser comunicada ou daquilo que ia fazer. Pode também esquecer-se de datas importantes (ex: consultas médicas), do sítio onde colocou um determinado objecto, do nome de uma pessoa ou daquilo que esta lhe disse da última vez que a viu.

  • Funções executivas

As alterações do funcionamento executivo também são comuns após um AVC. As funções executivas permitem-nos planear, monitorizar e executar tarefas, resolver problemas e tomar decisões. Também nos permitem adaptar a nossa resposta em função das contingências do meio.

A nível funcional:

  • A pessoa que sofre um AVC pode não ser capaz de planear e executar com sucesso a confecção de uma refeição ou simplesmente não conseguir mudar o canal da televisão
  • Pode também ter uma diminuição da iniciativa para fazer determinadas tarefas (ex: só tomar banho quando alguém lhe diz para o fazer) ou precisar de pistas de ajuda ao longo da tarefa
  • Pode ser mais difícil interpretar expressões faciais ou a linguagem corporal ou colocar-se na perspectiva do outro, limitando assim o funcionamento social.
  • Capacidade práxica

Cada vez que nos movimentamos, o nosso cérebro tem que planear os movimentos a executar e garantir uma sequenciação correcta dos mesmos para alcançarmos o nosso objectivo. Um AVC pode comprometer a capacidade para executar movimentos sobreaprendidos (ex: vestir, fazer chá, preparar uma refeição), mesmo na ausência de défices motores – apraxia.

Em termos funcionais a pessoa pode não conseguir realizar uma tarefa por comando verbal (não justificado por alterações motoras), apesar de compreender perfeitamente o que lhe está a ser solicitado. Aqui a dificuldade está no planeamento do movimento, pelo que a pessoa pode não ser capaz de fazer o gesto de “dizer adeus” por comando verbal, mas ser capaz de o fazer espontaneamente quando alguém se vai embora. Neste último caso, trata-se de um comportamento que pode ser considerado mais automático e que não implica um nível de pensamento tão sofisticado. Estas dificuldades podem ser facilmente confundíveis com defeitos puramente motores (ex: por diminuição de força), mas os clínicos dispõem de instrumentos que lhes permitem distinguir as duas condições.

  • Capacidade visuo-perceptiva

Após um AVC, a pessoa pode não conseguir avaliar certas características dos objectos (ex: profundidade, tamanho, volume, orientação). Pode também não conseguir avaliar a distância a que se encontra de um obstáculo ou a altura de um degrau.

Pode também ser difícil identificar um prato branco sobre uma toalha branca ou interagir com os objectos com sucesso (ex: tapar um recipiente).

  • Gnosia (reconhecimento)

Depois de um AVC, a pessoa pode não conseguir reconhecer um objecto visualmente, pelo toque ou pelo som. Este fenómeno recebe o nome de agnosia. A agnosia geralmente é especifica para uma modalidade sensorial, ou seja, a pessoa pode não conseguir reconhecer o objecto visualmente, mas não ter essa dificuldade quando toca nele.

Podem ainda surgir alterações noutros domínios cognitivos e também não podemos esquecer as alterações da comunicação que são tão frequentes nesta doença neurológica e tão incapacitantes para os doentes e familiares.

Para além disso, as alterações motoras também são muito comuns nos AVCs e contribuem para aumentar a dependência de terceiros. Por isso, o trabalho multidisciplinar é essencial para prestar os melhores cuidados de saúde possíveis a pessoas com AVC.

 Revisão Clínica: Margarida Rebolo

O NeuroSer quer dar mais um passo no sentido de ajudar os familiares e cuidadores de pessoas que sofreram um AVC. Nesse sentido, a terceira das Sessões Práticas e Informativas sobre AVC abordará as “Alterações Cognitivas, Comportamentais e Emocionais”, onde existirá a oportunidade de identificar as principais alterações pós AVC e adquirir estratégias para com elas lidar. Consulte aqui os objectivos da sessão.

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Dor após um Acidente Vascular Cerebral (AVC)

 A dor define-se como uma experiência emocional e sensorial geralmente desagradável, associada a uma lesão tecidular real ou potencial, ou descrita em termos dessa lesão.

A dor é um problema comum nas pessoas que sofreram um AVC (11% a 55% dos casos) e que deve ser valorizado.

Ombro doloroso

O ombro doloroso surge em cerca de 11% a 14% dos casos pós-AVC e afecta normalmente o membro superior (braço) mais afectado. Poderá resultar de duas situações: ombro congelado ou sub-luxação do ombro.

Nestas situações um correcto posicionamento do membro é vital para reduzir a pressão realizada sobre as estruturas cápsulo-ligamentares, evitar o surgimento de uma situação de ombro congelado ou sub-luxação e permitir a manutenção da mobilidade do membro superior.

Dor central pós-AVC

A dor central afecta cerca de 12% dos casos pós-AVC e é uma forma de dor neuropática que resulta de uma lesão primária ou uma disfunção do sistema nervoso central após o AVC.

É descrita pelas pessoas como uma sensação de queimadura gelada, dor latejante e com “vida própria”, sendo que se exacerba face a situações de stress físico ou emocional. Algumas pessoas tem a sensação de formigueiro e dormências nas áreas de dor.

Este tipo de dor poderá surgir logo após o AVC ou meses mais tarde e ocorre normalmente no hemicorpo mais afectado, sendo a sua localização variável de caso para caso.

Dor vs. Espasticidade

A dor encontra-se também relacionada com a presença de espasticidade, pelo aumento do tónus muscular, que pode dificultar a mobilização das partes do corpo afectadas. Para além disso a espasticidade provoca uma tensão e contração anormal dos músculos, podendo causar espasmos dolorosos.

É por isso fundamental o tratamento da espasticidade, a fim de evitar o surgimento de contraturas, a diminuição/impossibilidade da mobilidade dos membros afectados e o surgimento de dor associada a estas alterações.

Outras condições dolorosas

Como outras condições dolorosas podemos mencionar a dor nas mãos associada ao edema presente, sendo que este tipo de dor surge normalmente nos casos em que existe uma diminuição ou incapacidade para mover a mão.

A dor de cabeça poderá estar presente, podendo surgir associada ao stress, depressão, dificuldade em dormir ou ser provocada por um efeito secundário da medicação. É por isso importante nestes casos informar o seu médico.

Tratamento

A dor pode persistir por um longo período de tempo após o AVC, influenciando o bem-estar da pessoa, sendo por isso importante o seu tratamento.

  • Tratamento Farmacológico: contacte o seu médico para que este possa ajudar na prescrição de medicamentos adequados à sintomatologia dolorosa.
  • Tratamento Não-Farmacológico: a fisioterapia constitui uma das abordagens que tem efeitos benéficos e eficazes no tratamento da dor e promoção do bem-estar.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Alterações motoras associadas ao AVC

O AVC constitui a principal causa de incapacidade permanente em Portugal.

Uma das principais alterações após o AVC são as alterações motoras e estas diferem consoante o território cerebral que é afectado. As alterações motoras têm um forte impacto na funcionalidade, independência e qualidade de vida das pessoas.

As principais alterações motoras são

Fraqueza Muscular

A fraqueza muscular constitui uma das principais alterações motoras, provocando uma dificuldade na mobilidade que poderá afectar apenas um membro do nosso corpo (ex: o braço) ou todo o hemicorpo (hemiparesia), sendo que a sua gravidade varia de caso para caso.
A fraqueza muscular tem um forte impacto na mobilidade, no equilíbrio e na funcionalidade.

Dor

A dor no AVC é um sintoma motor muito comum que poderá acontecer ou resultar de um processo de fraqueza muscular, em que os músculos não realizam a sua função de protecção das articulações, levando ao surgimento de dor.

Alteração do Tónus Muscular

O tónus muscular caracteriza-se pela resistência ou tensão nos nossos músculos, que permite que o nosso corpo se mantenha em determinada posição.
Poderá surgir uma diminuição do tónus muscular (hipotonia) ou um aumento do tónus muscular (espasticidade), sendo esta última mais comum e que compromete a mobilidade normal do(s) membro(s) afectado(s).

Contractura

A contractura define-se como a contracção permanente de um determinado músculo que leva a uma posição contínua do mesmo e resulta de um processo de rigidez. Normalmente ocorre quando não existe a mobilização regular, podendo originar uma alteração da postura e a diminuição da funcionalidade.

Equilíbrio

Uma das principais consequências do AVC são as alterações do equilíbrio, que comprometem a estabilidade postural (capacidade de manter o corpo em equilíbrio).
O equilíbrio é muito complexo e envolve o trabalho conjunto de vários sistemas do nosso corpo: sistemas sensoriais (vestibular, visual e propriocepção), sistema músculo-esquelético e sistema nervoso.
As alterações do equilíbrio têm como principais consequências a diminuição da funcionalidade nas actividades de vida diária e o risco de queda.

Sensibilidade

O AVC poderá afectar a sensibilidade de diferentes formas dependendo de cada caso, destacando-se, como mais frequentes:

  • Diminuição/aumento da sensibilidade dolorosa;
  • Alteração da sensibilidade táctil e térmica;
  • Alteração da sensibilidade profunda (noção de posição ou de movimento do corpo).

Tratamento

A fisioterapia tem um especial enfoque na reabilitação das alterações motoras, reeducação do equilíbrio, da marcha, promoção de mobilidade, treino de actividades funcionais (ex: mobilidade na cama), com o objectivo global de promover a funcionalidade, a independência e melhorar qualidade de vida.

A reabilitação nestes casos deve iniciar-se o mais precocemente possível, é intensiva, individualizada e muitas vezes de longa duração, a fim de potenciar a máxima funcionalidade e independência possível.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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O papel da neuropsicologia na reabilitação pós-AVC.

 

Qual o papel do Neuropsicólogo na reabilitação pós-AVC?

A maioria dos Acientes Vasculares Cerebrais (AVCs) resultam em algum tipo de alteração a nível cognitivo. Se falarmos de um AVC no hemisfério cerebral dominante para a linguagem – hemisfério esquerdo – podem ocorrer, por exemplo, alterações ao nível da linguagem, da capacidade práxica (programação de movimentos) e da memória verbal. No caso de um AVC no hemisfério não dominante – hemisfério direito – podem ocorrer alterações ao nível do reconhecimento de faces, da percepção visuo-espacial e do foco atencional para metade do nosso corpo ou do campo visual, por exemplo.

O neuropsicólogo tem um papel fundamental na reabilitação da função cognitiva mas também na normalização da dimensão emocional e comportamental pós-AVC.

A intervenção neuropsicológica junto de pessoas com lesão cerebral adquirida diferencia-se da intervenção realizada junto de pessoas com patologia neurodegenerativa.

Quando se dá um evento agudo como um AVC, considera-se que existe potencial para restituir a função perdida graças aos mecanismos de plasticidade que permitem que o cérebro se regenere. Neste caso, a intervenção é muito mais dirigida para o treino da função (ex: treino de memória) com o objectivo de aproximá-la o mais possível do seu nível pré-mórbido (estado anterior à lesão).

Já no caso de um quadro neurodegenerativo, o objectivo não é restituir a função mas sim desacelerar o ritmo de deterioração e promover a adaptação da pessoa e da família relativamente às perdas que vão ocorrendo com o decorrer da doença.

Existe muitas vezes a crença de que a reabilitação cognitiva se resume à realização de tarefas computorizadas. De facto, as tarefas computorizadas, com o acompanhamento presencial do neuropsicólogo, podem ser úteis, por exemplo, na reabilitação de alterações atencionais consequentes a um AVC. No entanto, esta técnica apenas deve ser complementar à restante intervenção e nunca assumir um papel preponderante.

Quando não é possível restituir a função, o neuropsicólogo pode sugerir estratégias compensatórias (por exemplo uma agenda ou sistema de post-its como auxiliar de memória) e realizar o ensino da sua utilização para garantir que a pessoa adere e se adapta à estratégia em questão.

Finalmente, é de referir que o neuropsicólogo tem um papel importante no acompanhamento emocional e logístico das famílias durante o processo de recuperação da pessoa que sofreu um AVC. As limitações motoras ou cognitivas podem implicar mudanças importantes na vida familiar e muitas vezes requerem uma orientação de um profissional que saiba trabalhar os processos psicológicos inerentes.

No NeuroSer, um caso de AVC é discutido em equipa multidisciplinar pois tem geralmente implicações a vários níveis: motores (exigindo a intervenção da fisioterapia), da comunicação (necessitando da contribuição da terapia da fala), cognitivos e emocionais (beneficiando da acção da neuropsicologia). Só assim poderá ser prestado um cuidado adequado e verdadeiramente personalizado.

 

 Revisão Clínica: Margarida Rebolo

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Fisioterapia na reabilitação pós-AVC

Qual o papel da Fisioterapia na reabilitação pós-AVC?

A Fisioterapia constitui uma das abordagens não-farmacológicas envolvidas no tratamento da lesão cerebral adquirida, como por exemplo em casos de AVC ou Traumatismo Crâneo-Encefálico (TCE).

Esta área tem um especial enfoque na reabilitação das alterações motoras, reeducação do equilíbrio, da marcha, promoção de mobilidade, treino de actividades funcionais (ex: mobilidade na cama), com o objectivo global de promover a funcionalidade, a independência e melhorar qualidade de vida.

Normalmente, o processo de reabilitação começa com uma avaliação subjectiva e objectiva, com a aplicação de escalas de avaliação adequadas à patologia, que permitem definir os objectivos e o plano de intervenção.

Ao longo do processo de reabilitação são realizadas reavaliações, a fim de verificar se os objectivos estabelecidos inicialmente estão a ser alcançados. Os resultados destas reavaliações poderão resultar em ajustes no plano de intervenção.

A reabilitação nestes casos deve iniciar-se o mais precocemente possível, é intensiva e muitas vezes de longa duração, a fim de potenciar a máxima funcionalidade e independência, de forma a facilitar as atividades de vida diária.

A intervenção é individualizada e depende de cada caso, tendo em conta o local e extensão da lesão e as características individuais de cada pessoa.

A Fisioterapia tem também um papel importante no apoio aos familiares/cuidadores, através do ensino de estratégias facilitadoras para as actividades de vida diária, adaptações no domicílio, prevenção de complicações decorrentes da diminuição de mobilidade e na prevenção e redução do risco de quedas.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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O papel do Terapeuta da Fala na reabilitação pós-AVC

Já aqui falámos no papel do Terapeuta da Fala com pessoas com demência mas muita da intervenção deste profissional, na população adulta, destina-se a pessoas que sofreram uma lesão cerebral, por exemplo, após um AVC ou após um Traumatismo Crânio-Encefálico.

Diversos estudos comportamentais e de neuroimagem têm confirmado que a terapia da fala é um factor positivo, eficaz e de grande influência na recuperação, tanto nos casos de alterações da comunicação como da deglutição, pós-AVC.

Como se processa a intervenção do Terapeuta da Fala em pessoas que sofreram um AVC?

  1. Em primeiro lugar, é feita uma recolha e análise da informação clínica e biográfica da pessoa, cujos dados são fundamentais para delinear a avaliação e definir o prognóstico.
  1. Seguidamente, é realizada uma avaliação detalhada das dificuldades que a pessoa apresenta, tanto ao nível da comunicação global, como da linguagem, articulação verbal e da deglutição.
  1. O plano de intervenção é individualizado e construído, tanto com base nas dificuldades identificadas na avaliação, como também, na discussão dos objectivos e expectativas da própria pessoa.
  1. A frequência das sessões é delineada de acordo com as necessidades e possibilidades da pessoa e da família. A intervenção do terapeuta da fala pode ser directa ou indirecta.
  1. Considera-se uma intervenção directa todas as intervenções que são feitas pessoalmente com a pessoa, geralmente em contexto de gabinete. As sessões individuais são estruturadas de acordo com os objectivos anteriormente traçados e podem incluir diversas técnicas e exercícios.

Os objectivos poderão passar por maximizar a comunicação verbal e não-verbal, reduzir as dificuldades linguísticas (orais e escritas) e ainda reabilitar o processo de deglutição, realizando as modificações de dieta necessárias, em termos de consistência dos alimentos e fornecendo estratégias para uma deglutição segura e eficaz.

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           Em alguns casos, poderão ser realizadas sessões de grupo, cujos objectivos passam pela promoção das competências comunicativas e um aumento da funcionalidade das interacções e da participação social.

  1. A intervenção indirecta centra-se no suporte, ensino e treino de estratégias facilitadoras da comunicação/deglutição aos familiares e cuidadores.

 

Recorde aqui também os casos particulares da intervenção do terapeuta da fala em pessoas com alterações da linguagem pós lesão cerebral adquirida (Afasia) ou com alterações da articulação verbal (Disartria).

 

Revisão Clínica: Inês Tello

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Dia Mundial do AVC

Porque foi criada uma campanha mundial de sensibilização para os casos de AVC nas mulheres?

Eis alguns factores que justificaram esta escolha:

  • As mulheres tem uma mortalidade por AVC maior que a dos homens. Seis em cada dez mortes causadas por AVC ocorrem em mulheres, em grande parte porque o AVC ocorre mais tarde na vida nas mulheres, quando é mais perigoso.
  • As mulheres apresentam factores de risco de AVC mais elevados. Alguns factores de risco como a diabetes mellitus, as enxaquecas com aura, a fibrilação auricular, a depressão major e a hipertensão são mais comuns na população feminina. Outros factores de risco de AVC são específicos das mulheres, como pré-eclâmpsia na gravidez, o uso de anticoncepcionais orais (especialmente em mulheres hipertensas), reposição hormonal após a menopausa e diabetes gestacional.
  • As consequências de um AVC têm tendência a ser piores nas mulheres. As mulheres possuem uma probabilidade mais alta de permaneceram internadas e um maior risco de depressão pós-AVC.
  • Maior prevalência de alguns subtipos de AVC – Alguns subtipos de AVC, como a trombose venosa cerebral e a hemorragia subaracnoideia são mais frequentes em mulheres.
  • Isolamento e solidão – As mulheres tendem a ter maior probabilidade de viverem sozinhas ou de serem viúvas antes de um AVC e, nestes casos, são mais frequentemente institucionalizadas e apresentam uma pior recuperação que os homens.
  • As mulheres tendem a assumir papel de cuidador. O papel de cuidador recai predominantemente nas mulheres. Alguns estudos demonstram que a saúde mental das mulheres cuidadoras do cônjuge é grandemente afectada, com uma incidência elevada de exaustão física e emocional.

O AVC não discrimina, afecta-nos a todos.

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Para mais informações sobre esta campanha e sobre o AVC em mulheres consulte a seguinte bibliografia: http://www.worldstrokecampaign.org/images/documents/Learn/Bibliography_-_Women_and_Stroke_Resources.pdf

 

Revisão Clínica: Inês Tello

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