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Todos os Artigos na Categoria: 2. Acidente Vascular Cerebral

COZINHAR DEPOIS DO AVC (5 DICAS)

Um Acidente Vascular Cerebral (AVC) é um evento repentino e que pode levar a alterações drásticas. Estas alterações vão implicar não só a própria pessoa, mas também toda a sua família, sendo que poderá traduzir-se em dificuldades no dia-a-dia e em momentos específicos e importantes para a família, tais como o Natal. Nesta época festiva, uma das actividades mais tradicionais é a culinária, quer seja através da preparação da ceia de Natal quer dos doces típicos. Assim sendo, sugerimos cinco dicas para facilitar o seu envolvimento nesta época festiva:

  1. Planeie a actividade atempadamente

Esta etapa inclui não só ponderar a receita que vai realizar, mas também os ingredientes e utensílios, o tempo de duração, as exigências motoras e cognitivas associadas, o local onde vai realizar, entre outros. Assim poderá precaver a ocorrência de algumas dificuldades e planear estratégias ou produtos que auxiliem o seu desempenho.

  1. Prepare o ambiente

Prepare não apenas o ambiente físico, mas também o social. Isto significa que deve preparar a cozinha, os utensílios, a bancada, uma possível cadeira para descansar, mas também um ambiente social calmo e que não leve à frustração e stress

  1. Peça aconselhamento a um profissional de saúde

É importante que peça aconselhamento ao profissional de saúde que o acompanha, uma vez que este poderá sugerir-lhe estratégias, dicas e/ou produtos que facilitem a actividade de culinária.

  1. Divida a receita em várias etapas

Para prevenir momentos de cansaço, aconselhamos a dividir as receitas em tarefas e aproveitar estes intervalos para descansar.

  1. Tenha em atenção a sua segurança

Acima de tudo, garanta que as suas actividades são realizadas em segurança. É importante garantir que a utilização de facas ou outros objectos afiados não serão um risco, bem como estar atento a superfícies quentes.

Revisão: Ana Matias – Terapeuta Ocupacional

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Reabilitação Neuropsicológica no pós-AVC

A reabilitação neuropsicológica tem um papel importante na recuperação da função cognitiva  mas também na normalização da dimensão emocional e comportamental após um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Um plano de reabilitação neuropsicológica tem início com uma avaliação neuropsicológica que ajuda a identificar as sequelas cognitivas e emocionais do AVC e que permite definir o potencial de reabilitação. Fazendo sentido intervir, definem-se os objectivos específicos da intervenção em conjunto com a pessoa e com a família. A eficácia do plano é avaliada em função do cumprimento ou não dos objectivos inicialmente propostos.

Quando se conclui que existe potencial de restituição da função afectada (por exemplo, da memória ou da concentração), pretende-se estimulá-la até que esta melhore. A estimulação cognitiva pode englobar técnicas de natureza variada, nomeadamente o treino cognitivo (normalmente computorizado) e a simulação de actividades do quotidiano (ex: tarefas que faziam parte do dia-a-dia da pessoa). Estas técnicas pretendem aproximar a pessoa o máximo possível do seu nível funcional antes do AVC.

Quando não é possível restituir a função, são propostas estratégias compensatórias (por exemplo uma agenda ou um sistema de post-its como auxiliar de memória) e realiza-se o ensino da utilização das mesmas junto da pessoa e da família.

À semelhança do que acontece com as restantes áreas de intervenção, o objectivo máximo é o de promover a autonomia, funcionalidade e qualidade de vida da pessoa.

Finalmente, é de referir que a reabilitação neuropsicológica engloba o acompanhamento emocional e logístico das famílias durante o processo de recuperação. As sequelas de um evento de saúde como este podem implicar mudanças importantes e perturbações emocionais complexas, pelo que requerem uma orientação de um profissional que saiba trabalhar os processos psicológicos inerentes.

Artigo por: Margarida Rebolo – Neuropsicóloga no NeuroSer

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A Terapia da Fala na reabilitação após AVC

A Terapia da Fala é uma das áreas que intervém na reabilitação de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Dependendo do tipo e localização da lesão, podem surgir diferentes complicações, tanto a nível da linguagem (afasia), dos défices motores ao nível da fala (disartria) e/ou da deglutição ‘’ato de engolir’’ (disfagia).

O principal objectivo da Terapia da Fala é maximizar a comunicação, amenizando as capacidades perdidas para que seja recuperada alguma autonomia e exista um aumento da funcionalidade nas rotinas diárias. Existe também um enfoque, quando necessário, na promoção da capacidade de deglutição.

Caso se evidenciem alguns destes sinais, deve ser iniciado um processo de avaliação, onde deverão ser identificadas as dificuldades, ao nível da comunicação global, da linguagem, da mobilidade nos músculos envolvidos na fala e da deglutição.

Após a avaliação, e caso seja necessária intervenção, esta deve ser individualizada, sendo elaborado um plano de intervenção, adaptado a cada pessoa e às suas necessidades, com base nas diferentes dificuldades e capacidades identificadas durante o processo de avaliação, e tendo em conta os objectivos e as expectativas da pessoa e do terapeuta. É também delineada a frequência e a duração das sessões. Durante todo o processo de intervenção deve existir uma monitorização do plano e reavaliação da pessoa, garantindo-se um acompanhamento centrado na pessoa e nas capacidades que forem sendo adquiridas.

O apoio à família/cuidadores, como intervenção indirecta, é primordial nestes casos, focando-se no ensino de técnicas e estratégias facilitadoras da comunicação, nos casos de afasias ou disartrias. E, no caso de disfagias, no ensino e em eventuais alterações na consistência dos alimentos, e no treino de diferentes técnicas e manobras facilitadores da deglutição, de forma a potenciar a qualidade de vida da pessoa.

Artigo por: Jéssica Brás – Terapeuta da Fala no NeuroSer

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A Terapia Ocupacional na Reabilitação pós-AVC

A Terapia Ocupacional é uma das áreas a intervir em caso de Acidente Vascular Cerebral (AVC). O seu foco está principalmente na manutenção e promoção da independência e autonomia da pessoa nas suas ocupações diárias (como tomar banho, passear, ir trabalhar, entre outras). Desta forma, a abordagem realizada é, muitas vezes, dirigida à promoção da independência nas actividades de vida diária, ao treino de utilização de produtos de apoio , à manutenção de papéis ocupacionais (responsabilidades) significativos para a pessoa, à adaptação do ambiente , entre outros.

O processo deve ser iniciado com uma avaliação formal que identifique os principais problemas sentidos pela pessoa e/ou pelo seu familiar, as competências actuais, as ocupações realizadas e as suas características e, por fim, os ambientes envolventes.

Após a avaliação, caso seja verificada indicação para iniciar, é elaborado um plano adaptado a cada pessoa e às suas necessidades, que poderá variar em frequência, em tipologia de exercícios e actividades e em objectivos a alcançar. Durante a intervenção é essencial a monitorização do plano e a reavaliação da pessoa, por forma a adaptar a abordagem sempre que necessário.

Além disso, é primordial o apoio à família, através de ensino de estratégias que facilitem o cuidado e que não coloquem em causa a independência da pessoa, possibilitando um equilíbrio entre a necessidade de ajuda e a imposição da autonomia.

Artigo por: Ana Matias – Terapeuta Ocupacional no NeuroSer

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A Fisioterapia na Reabilitação pós-AVC

A Fisioterapia é uma das abordagens não farmacológicas envolvidas na reabilitação após um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

A reabilitação nestes casos deve iniciar-se o mais precocemente possível, é intensiva e muitas vezes de longa duração, tendo em conta o local e extensão da lesão, bem como as características individuais da pessoa.

No NeuroSer, as sessões de intervenção de Fisioterapia são individuais, com uma duração específica, sendo a sua frequência variável de caso para caso.

O principal objectivo da Fisioterapia numa situação pós-AVC prende-se com a reabilitação das alterações motoras, como a marcha e o equilíbrio, bem como na promoção de mobilidade e treino de actividades funcionais (ex: mobilidade na cama), de forma a potenciar a funcionalidade, a independência e a qualidade de vida.

De uma maneira em geral, o processo de reabilitação começa com uma avaliação subjectiva seguida de uma objectiva onde se aplicam escalas específicas que permitem delinear os objectivos e, deste modo, o plano de intervenção.

Ao longo do processo de reabilitação são realizadas reavaliações, com a finalidade de verificar se os objectivos inicialmente estabelecidos foram alcançados. As reavaliações são muito importantes porque poderão resultar na reestruturação do plano de intervenção inicialmente previsto.

A Fisioterapia tem também um papel importante no apoio aos familiares/cuidadores, através do ensino de estratégias facilitadoras para as actividades de vida diária, adaptações no domicílio, prevenção de complicações decorrentes da diminuição da mobilidade e na prevenção e redução do risco de quedas.

Artigo por:  Mariana Mateus e Teresa Barros – Equipa de Fisioterapia do NeuroSer

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AVC: Como regressar ao dia-a-dia

Como regressar ao dia-a-dia após um Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma questão crucial para quem sofreu o AVC, mas também é uma aprendizagem para os familiares.

A revista VIP publicou uma entrevista à Terapeuta Ocupacional no NeuroSer, Ana Matias, que aborda a importância da ocupação e o que pode ser realizado para a promover no pós AVC.

Não perca a entrevista em versão pdf.

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Alterações Emocionais no pós-AVC

As consequências emocionais de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) variam muito de caso para caso.

A reacção imediatamente após o AVC pode não ser a mesma da reacção algumas semanas depois. Algumas pessoas ficam extremamente tristes e sentem que a sua vida, como a conheciam, deixou de existir. Outras podem ficar mais alegres. Estas reacções emocionais podem dever-se a alterações biológicas e psicológicas resultantes do AVC ou podem ser reactivas aos desafios, medos e frustrações que surgem após o AVC.

As sequelas de um AVC, sejam elas motoras ou cognitivas, representam um processo de perda. A pessoa passará por uma série de fases ao tentar adaptar-se emocionalmente a elas. Sentimentos de choque, de negação, de raiva, de tristeza e de culpa são absolutamente normais quando nos deparamos com uma mudança de vida forçada e tão drástica.

Depois do AVC, a pessoa pode ter mais dificuldade em controlar o seu humor e as suas emoções (labilidade emocional). Significa que pode chorar mais ou sem razão aparente e no momento a seguir começar a rir. A pessoa pode também passar a dizer mais palavrões, quando antes não o fazia. Problemas relacionados com a depressão são muito comuns após um AVC, nomeadamente sentimentos de tristeza, de inutilidade, de irritabilidade e alterações no padrão de sono, na alimentação e no pensamento.

As alterações emocionais podem interferir com o potencial de reabilitação no momento crítico de plasticidade cerebral. Sentimentos de frustração, de apatia e mesmo depressão podem condicionar a motivação para realizar as sessões terapêuticas (ex: fisioterapia ou terapia da fala).

Sem dúvida que pode ser muito difícil lidar com as emoções que surgem após um AVC, mas o não reconhecimento dessas emoções pode ser muito prejudicial.”

Lidar com a frustração de ter perdido capacidades é extremamente difícil, mas se esta frustração não for bem gerida, pode acumular-se e tornar a pessoa mais irritável e, por isso, dificultar a sua convivência com os outros. No limite, pode levar a sentimentos de raiva e comportamentos de agressividade.

“Estas mudanças emocionais podem parecer irreversíveis, mas a maior parte das vezes não o são.”

Sentir-se mais em baixo, ansioso ou enraivecido é normal, especialmente nos primeiros seis meses após o AVC. Regra geral, com o passar do tempo, a pessoa vai-se adaptando melhor. Mesmo que estes sentimentos nunca desapareçam completamente, é possível que passe a ser mais fácil conviver com eles.

Existem vários tipos de intervenção que podem ajudar a lidar com as alterações emocionais pós-AVC. O médico poderá explicar-lhe que tipo de soluções existem. Falar sobre os seus sentimentos pode ajudar a lidar com eles de forma mais eficaz. Por exemplo, a consulta de psicologia dá-lhe tempo e espaço para desabafar e trabalhar estes sentimentos complexos com um especialista.

Também a medicação pode ter um papel importante na gestão destas alterações emocionais. Os anti-depressivos, por exemplo, interferem com os neurotransmissores que estão em falta no cérebro e melhoram o humor. No entanto, é de referir que esta medicação não “cura” os problemas emocionais, apenas ajuda a aligeirar os sintomas. Também não tem o efeito desejado em todas as pessoas e pode ter efeitos secundários. Assim, se esta for uma solução recomendada pelo seu médico e se quiser aceitá-la, terá que estar disposto a trabalhar em conjunto com ele e eventualmente fazer alguns ajustes para encontrar a medicação que funciona melhor para si.

Independentemente destas intervenções, há algumas estratégias que pode adoptar para tentar aliviar o sofrimento:

  • Encontre pessoas que compreendem verdadeiramente aquilo que está a sentir (ex: grupos de apoio, como os que existem no Portugal AVC);
  • Procure fazer exercício físico (adaptado às seus capacidades motoras);
  • Participe em actividades que lhe dêem prazer;
  • Congratule-se pelos pequenos ganhos obtidos no seu percurso de reabilitação;
  • Aprenda a olhar para e a “falar” consigo de uma forma mais positiva;
  • Peça ajuda aos seus profissionais de saúde;
  • Descanse e mantenha uma rotina de sono saudável, se possível, pois o AVC pode levar a que se canse mais facilmente.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo (neuropsicóloga)

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Ajudas para a Comunicação

O que são produtos de apoio?

Produtos de apoio  são “qualquer produto (incluindo dispositivos, equipamento, instrumentos, tecnologia e software) especialmente produzido ou geralmente disponível, para prevenir, compensar, monitorizar, aliviar ou neutralizar as incapacidades, limitações das actividades e restrições na participação”.

Fonte: Classificação ISO9999:2007

O que são produtos de apoio à Comunicação?

São todas os recursos que podem ajudar a pessoa a comunicar, com os outros, de uma forma mais eficaz.

Para quem podem ser importantes?

Para muitas pessoas com lesão cerebral (por exemplo, AVC) ou doenças neurodegenerativas, como é o caso da Demência, que podem apresentar alterações graves na capacidade em falar com os que o rodeiam.

Em muitos casos, existem estratégias e ajudas técnicas que podem ajudar a tornar a comunicação mais fácil. A sua escolha depende das dificuldades e capacidades da pessoa e, por isso, são sempre ajustadas a cada caso.

Habitualmente, a avaliação inicial é efectuada por um terapeuta da fala e pode integrar também a informação da equipa alargada, nomeadamente, da terapia ocupacional e da fisioterapia.

A escolha do produto de apoio à comunicação vai sempre depender das capacidades, dificuldades , contexto social e motivação de cada pessoa e pode variar ao longo do tempo. O produto de apoio deve ser capaz de acompanhar a evolução das condições do utilizador.

Os produtos de apoio à comunicação mais simples são constituídos por um suporte físico onde são colocados símbolos ou imagens que a pessoa escolhe directamente ou ajuda do seu interlocutor.

Exemplo de Livro de Comunicação

Exemplo de Livro de Comunicação

Adicionalmente, existe um crescimento exponencial dos programas ou aplicações digitais que permitem transformar texto em fala (a chamada fala sintetizada), utilizar fotografias, símbolos ou outros recursos adaptados às necessidades de comunicação de cada pessoa.

Exemplos de softwares de comunicação em diferentes equipamentos.

Exemplos de softwares de comunicação em diferentes equipamentos.

Paralelamente, têm sido criados diversos produtos de apoio para a comunicação em contexto hospitalar, de que são exemplo, os quadros de comunicação específicos e escalas de dor adaptadas.

Exemplo de tabela de comunicação usada em meio hospitalar (Vidatak E-Z Board)

Exemplo de tabela de comunicação usada em meio hospitalar (Vidatak E-Z Board)

 

Nunca é demais recordar que, o familiar/cuidador, deve dar tempo à pessoa para responder, uma vez que a comunicação com estes recursos é mais lenta.

O mais importante é mesmo nunca desistir!

 

Revisão Clínica: Inês Tello Rodrigues

 

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Dicas para facilitar os cuidados básicos

Numa fase inicial após o AVC é necessário dar um maior apoio durante os cuidados básicos, dado a diminuição da independência e funcionalidade da pessoa. No entanto, devemos evitar realizar tudo pela pessoa, é fundamental envolve-la na actividade e pedir sempre a sua colaboração mesmo que seja pouca, pois caso contrário estaremos a limitá-la involuntariamente.

O auxílio durante os cuidados básicos deverá ser realizado tendo em conta as capacidades da pessoa, o respeito pela sua privacidade, a promoção da sua autonomia e independência, valorizando os pequenos ganhos e tendo sempre uma escuta activa.

Higiene pessoal

  • Mantenha a rotina: tente realizar o banho na hora que a pessoa estava habituada a fazê-lo e com os produtos que esta gostava;
  • Prepare previamente a actividade: aquecendo o espaço, colocando o que vai precisar facilmente acessível (champô/sabonete, toalha);
  • Promova a sua segurança e o seu conforto: poderá ser necessário realizar adaptações (ex: barras de apoio, cadeira de banho, tapete anti-derrapante), procure ajuda junto do Fisioterapeuta que acompanha a pessoa. Tenha em conta a temperatura, profundidade e pressão da água, para que seja um momento agradável;
  • Procure explicar à pessoa o que vai acontecer: passo a passo, de forma simples e de fácil compreensão, para facilitar a sua colaboração e esta se sentir envolvida;
  • Privilegie a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração;
  • Respeite a dignidade da pessoa e a sua privacidade: lembre-se que é uma tarefa íntima, seja flexível durante a mesma;
  • Dê especial atenção à sua pele: é muito importante manter a pele limpa e bem seca, principalmente nas dobras e nos vincos da pele. No caso de a pessoa ter alterações da pele, informe-se junto dos profissionais de saúde que acompanham que cuidados especiais tem de ter;
  • Assegure a correcta higiene das zonas íntimas: para evitar possíveis infeções urinárias ou outros problemas;
  • Não se esqueça da higiene oral: poderá utilizar uma escova de dentes suave ou uma compressa húmida, dependendo dos casos. No caso de a pessoa ter uma prótese dentária, é necessário realizar a sua higiene também;
  • Dê sempre um feedback positivo: durante e após a realização da tarefa, melhorando a sua confiança e auto-estima.

Vestir

  • Deixe a pessoa escolher a sua roupa: caso seja possível, devemos incentivar a que a pessoa use roupa confortável do seu dia-a-dia e evitar ficar de pijama durante o dia todo;
  • Prepare previamente a actividade: esquematize a roupa pela ordem que esta deve ser vestida e oriente ou exemplifique como a pessoa deve fazer;
  • Promova o seu conforto: é importante escolher roupas confortáveis, fáceis de vestir, de textura macia e elástica, a fim de potenciar a independência e favorecer a mobilidade e o bem-estar da pessoa;
  • Procure que utilize um calçado adequado: deve ser justo, confortável, leve, fechado, anti-derrapante e privilegie o velcro em vez dos atacadores, para facilitar a sua autonomia;
  • Dê tempo: é importante dar-lhe tempo suficiente para se vestir, tentando não dar importância aos erros e tranquilizá-la caso não consiga. Lembre-se de dar sempre um feebback positivo durante a realização da tarefa;
  • Simplifique o processo de maquilhar: a maquilhagem faz parte da rotina de muitas senhoras e será importante manter. Esta esta tarefa pode ser simplificada, auxiliando a manter o seu interesse e a sua auto-estima;
  • Como devo vestir/despir uma camisola ou um casaco? Numa fase inicial, poderá ser um auxílio a pessoa vestir um número acima do seu, de maneira a que facilite o acto de vestir/despir, dado a pessoa ter menos mobilidade para o fazer. Devemos vestir primeiro o membro mais afectado e despi-lo em último lugar.

Comer e Beber

É fundamental manter uma correcta e equilibrada nutrição para manter o corpo forte e saudável, pois devido à diminuição de mobilidade a pessoa poderá ter tendência para engordar, o que dificultará a sua mobilidade e aumentará a exigência nos cuidados prestados.

  • Privilegie a independência da pessoa: é importante encorajar a pessoa a fazer por si, auxiliando no que for necessário ou exemplificando a tarefa, mas privilegiando sempre a sua autonomia;
  • Procure variar a alimentação: procure realizar uma alimentação variada, privilegiando os vegetais, a fruta, os alimentos com baixo teor em gordura e de proteína magra, evitando os açúcares. Privilegie também os seus gostos e hábitos saudáveis;
  • Promova uma boa hidratação e alimentação: são essenciais para a manutenção e recuperação do estado de saúde da pessoa;
  • Esteja atento a sinais de engasgamento: as dificuldades em deglutir poderão provocar um engasgamento. Evite dar alimentos de difícil mastigação e encoraje a pessoa a adquirir uma postura correcta durante a refeição (sentada com o tronco direito e cabeça ligeiramente para a frente). Verifique durante e após a refeição o conteúdo da boca da pessoa para perceber se engoliu os alimentos. Procure ajuda junto de um terapeuta da fala se existirem dificuldades na deglutição.
  • Verifique sempre a temperatura da comida: a pessoa poderá não conseguir distinguir se está frio ou quente, por isso verifique sempre antes de dar a refeição;
  • Adapte os utensílios e a sua disposição: procure utilizar utensílios de fácil manuseamento, para facilitar a autonomia da pessoa. Existem várias ajudas técnicas neste sentido e poderá informar-se das mesmas junto do Terapeuta da Fala;
  • Procure dar a refeição num ambiente calmo e familiar: sempre que possível a refeição deverá continuar a ser um momento de convívio familiar, mesmo que seja necessário realizar algumas adaptações;
  • Procure tornar a refeição um momento agradável: é importante tomar a refeição com a pessoa, de forma a encorajá-la a realizar a mesma e promover a socialização e inclusão;
  • Seja flexível: não se preocupe demasiado com as maneiras correctas e a limpeza, pois isso poderá levar a que a pessoa não queira repetir e associa a refeição a um momento desagradável. Lembre-se de dar tempo e de fazer refeições mais pequenas e frequentes, fazendo do almoço a refeição principal, a fim de evitar uma indigestão à noite;
  • Perda de apetite ou perda de peso: caso aconteça será importante informar o seu médico.

Todas estas estratégias pretendem facilitar as actividades de vida diária, no entanto será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua funcionalidade, ao seu contexto e às suas necessidades.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Exercício Físico após um AVC

O exercício físico tem um impacto crucial na saúde, promovendo o bem-estar físico e mental.

Após um AVC a realização de exercício físico tem de ser adaptado tendo em conta a situação clínica, as capacidades motoras, a tolerância ao esforço, as dificuldades e as preferências da pessoa. É fundamental promover a sua contínua mobilidade, a fim de potenciar a sua funcionalidade e independência.

Quando a pessoa está a realizar um programa de reabilitação, muitas vezes é dado à pessoa e à família um plano de exercícios adaptado a cada caso para complementar a intervenção realizada no domicílio.

No entanto, dado que um AVC tem um forte impacto na funcionalidade da pessoa, nem sempre é fácil a sua adesão a um programa de exercícios.

Por isso aqui ficam algumas dicas para os familiares/cuidadores, que procuram auxiliar a adesão da pessoa:

  • Aconselhe-se com os profissionais da área sobre os riscos e o plano de exercício que deve adoptar: é importante confirmar com o seu médico que não existem riscos para a prática do exercício físico. Depois questione o seu fisioterapeuta sobre o tipo, frequência e duração dos exercícios adequados face à pessoa. Normalmente são os próprios fisioterapeutas que elaboram um plano para a pessoa realizar no domicílio. Este plano é explicado e ensinado à pessoa e ao seu cuidador/familiar, a fim de facilitar a sua realização.
  • Procure auxiliar na execução/compreensão dos exercícios: se a pessoa tiver dificuldades procure auxiliar, tal como o fisioterapeuta recomendou, evite forçar ou obrigar. Se a pessoa não perceber o que tem de fazer, poderá demonstrar a actividade ou explicá-la de forma clara, dando pistas escritas ou visuais.
  • Realize os exercícios num ambiente tranquilo, familiar e que seja do agrado da pessoa: evite ambientes com ruídos ou distracções que poderão comprometer a concentração e adesão da pessoa ao exercício;
  • Seja um participante activo e faça a actividade em conjunto com a pessoa: é um dos principais factores de adesão e motivação para a pessoa, sentir que o seu cuidador/familiar participa nas suas actividades.

  • Realize os exercícios de forma regular: é importante a prática regular, de acordo com as indicações dadas pelo fisioterapeuta, para promover a motivação e os benefícios a longo prazo.
  • Limite a duração da actividade à que lhe foi recomendada: um erro comum é os familiares/cuidadores/pessoa pensarem que quanto mais fizeram, mais rápido vão recuperar. Esta relação não é tão directa como parece, pois é fundamental respeitar/ter períodos de descanso entre as actividades, para que o corpo se possa adaptar aos estímulos e cansaço a que foi sujeito. Para além disso é fundamental adaptar a actividade física à capacidade cardiovascular (tolerância ao esforço), a fim de evitar complicações decorrentes.
  • Esteja atento à pessoa: procure perceber como a pessoa se sente ao realizar os exercícios propostos (presença de dores, cansaço, mal-estar), de modo a que se for necessário os exercícios sejam novamente readaptados à pessoa.
  • Dê um feedback positivo: um erro comum é estar sempre a realçar o que a pessoa fez mal, que leva a que esta se sinta frustrada e triste por constatar as suas dificuldades. Devemos corrigir a pessoa, mas de uma forma construtiva, dando um feedback positivo e realçando as conquistas alcançadas, pois irá promover a sua auto-estima e adesão aos exercícios.

  • Tenha em conta a alimentação e a hidratação: é fundamental realizar uma alimentação nutritiva e ingerir água durante e após o exercício físico ou nos momentos de pausa durante o mesmo.

O NeuroSer quer dar mais um passo no sentido de ajudar os familiares e cuidadores a lidar com as dificuldades motoras e a reduzir a sobrecarga que está associada à prestação de cuidados a pessoas que sofreram um AVC. Nesse sentido, a primeira das Sessões Práticas e Informativas sobre AVC abordará as “Alterações Motoras”, onde existirá a oportunidade de identificar as principais alterações motoras no p+os AVC e adquirir estratégias para com elas lidar. Consulte aqui os objectivos da sessão.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

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