Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Intoxicações na doença de Alzheimer ou outra Demência

A nossa casa deve ser um local seguro e onde nos sentimos mais tranquilos em relação ao nosso familiar com doença de Alzheimer ou outra demência. No entanto, alguns aspectos podem contribuir para a ocorrência de eventos inesperados e potencialmente perigosos, tais como intoxicações. Isto porque a pessoa com demência pode ter uma reduzida ou inexistente noção de perigo, colocando-se em situações de possível intoxicação sem se aperceber.

Uma intoxicação resulta da introdução de um produto tóxico no nosso organismo. Em casa temos acesso a diversos produtos químicos que podem contribuir para que isto ocorra, tais como detergentes, lixívia, produtos de higiene pessoal, medicamentos, entre outros. A intoxicação, ao contrário do que se possa pensar, ocorre não só pela ingestão destes produtos, mas também pelo contacto com a superfície cutânea ou por inalação.

Desta forma, deixamos aqui algumas dicas para reduzir o risco de intoxicação do seu familiar:

  • Guarde os produtos potencialmente perigosos em locais que possa trancar ou que sejam de difícil acesso;
  • Garanta que os produtos estão sempre rotulados de forma apropriada, o que facilita a identificação do perigo pela pessoa com demência;
  • Evite armazenar produtos potencialmente nocivos em recipientes que possam gerar confusão (por exemplo, guardar numa garrafa de água um produto incolor, pode levar o seu familiar a identificá-lo como água);
  • Se possível, compre embalagens com fecho de segurança (comum nos frascos de xarope, por exemplo);
  • Não deixe estes produtos sem supervisão, enquanto estão a ser utilizados.

Se suspeitar de intoxicação do seu familiar, verifique alguns sinais que podem auxiliar no despiste (dependendo do produto e da tipologia do contacto):

Salivação excessiva Náuseas e/ou vómitos
Alteração da dimensão das pupilas Diarreia
Sudorese excessiva Convulsões
Respiração alterada Alteração da temperatura corporal
Modificação da coloração dos lábios ou interior da boca Lesões na superfície cutânea (como queimaduras ou bolhas)
Sonolência Paralisia
Confusão mental

 

Caso identifique estes sinais e suspeite da possibilidade de intoxicação deve contactar de imediato os serviços de saúde e, em seguida, tentar identificar qual o produto que gerou a intoxicação, uma vez que será útil para o melhor atendimento médico do seu familiar.

Artigo por: Ana Matias (Terapeuta Ocupacional)

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Alterações Emocionais no pós-AVC

As consequências emocionais de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) variam muito de caso para caso.

A reacção imediatamente após o AVC pode não ser a mesma da reacção algumas semanas depois. Algumas pessoas ficam extremamente tristes e sentem que a sua vida, como a conheciam, deixou de existir. Outras podem ficar mais alegres. Estas reacções emocionais podem dever-se a alterações biológicas e psicológicas resultantes do AVC ou podem ser reactivas aos desafios, medos e frustrações que surgem após o AVC.

As sequelas de um AVC, sejam elas motoras ou cognitivas, representam um processo de perda. A pessoa passará por uma série de fases ao tentar adaptar-se emocionalmente a elas. Sentimentos de choque, de negação, de raiva, de tristeza e de culpa são absolutamente normais quando nos deparamos com uma mudança de vida forçada e tão drástica.

Depois do AVC, a pessoa pode ter mais dificuldade em controlar o seu humor e as suas emoções (labilidade emocional). Significa que pode chorar mais ou sem razão aparente e no momento a seguir começar a rir. A pessoa pode também passar a dizer mais palavrões, quando antes não o fazia. Problemas relacionados com a depressão são muito comuns após um AVC, nomeadamente sentimentos de tristeza, de inutilidade, de irritabilidade e alterações no padrão de sono, na alimentação e no pensamento.

As alterações emocionais podem interferir com o potencial de reabilitação no momento crítico de plasticidade cerebral. Sentimentos de frustração, de apatia e mesmo depressão podem condicionar a motivação para realizar as sessões terapêuticas (ex: fisioterapia ou terapia da fala).

Sem dúvida que pode ser muito difícil lidar com as emoções que surgem após um AVC, mas o não reconhecimento dessas emoções pode ser muito prejudicial.”

Lidar com a frustração de ter perdido capacidades é extremamente difícil, mas se esta frustração não for bem gerida, pode acumular-se e tornar a pessoa mais irritável e, por isso, dificultar a sua convivência com os outros. No limite, pode levar a sentimentos de raiva e comportamentos de agressividade.

“Estas mudanças emocionais podem parecer irreversíveis, mas a maior parte das vezes não o são.”

Sentir-se mais em baixo, ansioso ou enraivecido é normal, especialmente nos primeiros seis meses após o AVC. Regra geral, com o passar do tempo, a pessoa vai-se adaptando melhor. Mesmo que estes sentimentos nunca desapareçam completamente, é possível que passe a ser mais fácil conviver com eles.

Existem vários tipos de intervenção que podem ajudar a lidar com as alterações emocionais pós-AVC. O médico poderá explicar-lhe que tipo de soluções existem. Falar sobre os seus sentimentos pode ajudar a lidar com eles de forma mais eficaz. Por exemplo, a consulta de psicologia dá-lhe tempo e espaço para desabafar e trabalhar estes sentimentos complexos com um especialista.

Também a medicação pode ter um papel importante na gestão destas alterações emocionais. Os anti-depressivos, por exemplo, interferem com os neurotransmissores que estão em falta no cérebro e melhoram o humor. No entanto, é de referir que esta medicação não “cura” os problemas emocionais, apenas ajuda a aligeirar os sintomas. Também não tem o efeito desejado em todas as pessoas e pode ter efeitos secundários. Assim, se esta for uma solução recomendada pelo seu médico e se quiser aceitá-la, terá que estar disposto a trabalhar em conjunto com ele e eventualmente fazer alguns ajustes para encontrar a medicação que funciona melhor para si.

Independentemente destas intervenções, há algumas estratégias que pode adoptar para tentar aliviar o sofrimento:

  • Encontre pessoas que compreendem verdadeiramente aquilo que está a sentir (ex: grupos de apoio, como os que existem no Portugal AVC);
  • Procure fazer exercício físico (adaptado às seus capacidades motoras);
  • Participe em actividades que lhe dêem prazer;
  • Congratule-se pelos pequenos ganhos obtidos no seu percurso de reabilitação;
  • Aprenda a olhar para e a “falar” consigo de uma forma mais positiva;
  • Peça ajuda aos seus profissionais de saúde;
  • Descanse e mantenha uma rotina de sono saudável, se possível, pois o AVC pode levar a que se canse mais facilmente.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo (neuropsicóloga)

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Disfagia – Dificuldade em Engolir

Entrevista da Dr.ª Inês Tello Rodrigues, Terapeuta da Fala no NeuroSer, à Iris FM a propósito da Disfagia (dificuldade em engolir alimentos – sólidos ou líquidos).

A Disfagia pode contribuir para má nutrição, desidratação para além de infecções respiratórias, sendo importante estar atento à sintomatologia, que não deve ser confundida com um processo de envelhecimento normal.

Caso os sintomas persistam, tais como, sinais de engasgamento recorrente, alterações da voz, tosse durante e após as refeições deve ser consultado um especialista.

Não menos importante é saber reagir perante uma situação de engasgamento (por obstrução total ou parcial das vias aéreas). Não deve ser oferecida água à pessoa que está engasgada, sendo importante deixar a pessoa tossir. Idealmente a população deverá estar preparada para realizar manobras que ajudam a forçar a saída dos corpos estranhos (manobra de Heimlich).

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Quando a Comunicação Falha: Pequenas Dicas que Ajudam

A Comunicação é o pilar da relação humana e, por este motivo, a participação em actividades sociais é um estímulo precioso para a manutenção das competências comunicativas.

Sabe-se hoje que a participação em actividades sociais promovidas pela comunidade, contribui para uma melhoria do humor, da memória e da linguagem.

À medida que vai existindo uma progressão da doença as capacidades de comunicação  vão também diminuindo.

Já aqui indicámos algumas estratégias facilitadoras da comunicação. Conheça hoje mais algumas dicas facilitadoras da interacção que podem ajudar na partilha de informação, de sentimentos e na prevenção de conflitos:

  • Procure um lugar calmo para comunicar: evite ambientes com ruídos de pessoas, máquinas, rádio ou televisão que dificultam a capacidade atencional da pessoa.
  • Mantenha o contacto visual e converse ao mesmo nível: Posicione-se de forma a ficar ao mesmo nível da pessoa com quem quer conversar. Flexione os joelhos ou sente-se para ficar melhor posicionado. Também é importante que se aproxime de frente, pois abordar a pessoa de lado ou por trás pode assustá-la e dificultar a comunicação.

  • O toque pode ser útil, mas também pode ser interpretado com um acto agressivo: Diga à pessoa o que vai fazer antes de fazê-lo, de forma a que a pessoa não se assuste nem sinta que lhe está a ser invadido o seu espaço pessoal.
  • Use também o nome da pessoa, pois ajuda a orientar melhor sua atenção para si. Se a pessoa estiver consciente da sua presença e conseguir manter a atenção enquanto fala, é mais provável que consiga entender a mensagem que está a querer transmitir.
  • Fale com calma: Mesmo em situações mais desafiantes e difíceis, mantenha sempre a serenidade. Um tom de voz apressado ou irritado vai muitas vezes espelhar essa atitude e aumentar a possibilidade de conflito.
  • Simplifique a informação:Utilize frases curtas e objectivas e seja directo na ideia que quer transmitir. Evite misturar assuntos, porque a capacidade de compreensão da pessoa pode estar afectada.
  • Faça apenas uma questão de cada vez e reforce a entoação:Durante a conversa, faça apenas uma pergunta de cada vez e espere pela resposta antes formular outra pergunta. Lembre-se também que questões como “quem é?”, “onde foi”, “como foi?” ou “mas porquê?” são muito difíceis de compreender ou de responder. Inverta frases negativas tornando-as positivas. Por exemplo, diga “Vamos por aqui” em vez de “Não vá para aí”. Mas lembre-se, é necessário cuidado para não infantilizar a pessoa. O declínio cognitivo não significa que o adulto passe a ser uma criança. As atitudes de infantilização são facilmente detectadas por um adulto com demência e diminuem a sua auto-estima, confiança e dignidade e podem aumentar as atitudes de agressividade.
  • Não imponha memórias: Durante a conversa, evite perguntar à pessoa se ela se lembra de alguma determinada situação.  Muitas vezes, a pessoa não é mesmo capaz de se lembrar e a situação só fomenta o sentimento de frustração e constrangimento.

E o mais importante:  Não desista da comunicação!

Revisão Clínica: Inês Tello

Ilustração: Trina Dalzier

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Demência: Quando a higiene básica se torna uma batalha

Já partilhámos aqui no NeuroSer algumas das dificuldades sentidas pelos cuidadores face à ocupação do banho. No entanto, a higiene é uma área com um alcance muito superior, que envolve outras ocupações, tais como:

  • a higiene oral,
  • a utilização da sanita,
  • lavar as mãos,
  • vestir roupa limpa.

Como sabemos que também estas ocupações se podem tornar problemáticas, mesmo que sejam percebidas como mais fáceis, damos-lhe algumas informações sobre o que poderá causar as dificuldades e de que forma as poderá superar.

 

Higiene Oral

As dificuldades relativas à higiene oral podem estar relacionadas, entre outras razões, com:

  • Dificuldades sensoriais, que dificultam a tolerância à utilização de uma escova de dentes;
  • Incapacidade de compreender a necessidade deste tipo de higiene;
  • Dificuldades em planear e sequenciar o que deve fazer.

Para superar estas dificuldades propomos:

  • Colar numa superfície visível um lembrete para a higienização dos dentes ou prótese dentária;
  • Colar numa superfície visível um esquema dos passos a realizar para a higienização dos dentes ou prótese dentária;
  • Utilizar pastas de dentes com sabores menos agressivos (o seu familiar poderá ter tendência para evitar sabores fortes e possivelmente desagradáveis, como mentol, por exemplo);
  • Optar por escovas de dentes mais suaves, logo menos agressivas;
  • Em visitas ao dentista, informe-se sobre opções de procedimentos que facilitam a intervenção com a pessoa com demência.

 

Utilização da sanita

Esta talvez seja uma das ocupações em que a relação da pessoa com demência e do seu cuidador é mais importante, bem como o tipo de suporte que a pessoa necessita.

Lembre-se que o suporte a prestar ao seu familiar deve ser o mínimo possível, sem colocar em causa a sua segurança, mas promovendo a independência.

Para potenciar o desempenho independente da pessoa com demência pode:

  • Pedir a sua ajuda para baixar as calças e roupa interior;
  • Pedir ajuda para retirar do suporte o papel higiénico ou papel higiénico húmido (toalhitas), que poderão ser uma mais valia nestes casos, por promoverem uma higiene mais eficaz;
  • Pedir ajuda na higiene com o papel higiénico ou papel higiénico húmido, dando apenas orientação verbal à pessoa acerca do que deve fazer.

Tenha em atenção que, em fases mais avançadas, a pessoa com demência poderá não reconhecer o seu cuidador (mesmo que este seja um familiar), e sentir a sua ajuda como uma violação da sua privacidade. Tente ser paciente, manter o contacto visual e voz calma, por forma a tranquilizar a pessoa. Se esta recusar a utilização da sanita ou se verificar um elevado nível de ansiedade, tente novamente mais tarde.

 

Lavar as mãos

Este é um hábito importante, mas muitas vezes desvalorizado. Deve estimular o seu familiar a lavar as mãos em água corrente. No entanto, se isso não for possível, pode optar por um recipiente com água ou por toalhetes húmidos.

Para facilitar este hábito, sugerimos que:

  • Utilize água a uma temperatura agradável para o seu familiar;
  • Indique, através de orientações verbais ou esquemas colados em superfícies visíveis, os passos para a lavagem das mãos;
  • Utilize produtos com aromas agradáveis e que vão ao encontro das preferências da pessoa;
  • Utilize toalhas para secar as mãos, que tenham cores atractivas, para que a pessoa com demência as identifique com maior facilidade;
  • Se possível, tenha em sua casa torneiras com um manípulo que facilite a utilização (ao contrário dos manípulos de rodar, por exemplo).

 

Vestir roupa limpa

Se o seu familiar mostrar alguma resistência em mudar de roupa, este comportamento pode estar relacionado com várias causas, tais como:

  • Incapacidade de fazer julgamentos face ao estado das suas roupas;
  • Sentir-se confortável com uma peça e, dessa forma, querer vesti-la constantemente;
  • Dificuldade na escolha da roupa, optando assim pela opção mais fácil, que será a de vestir o mesmo;
  • Preferir cores sólidas, em vez de padrões, que podem actuar como estímulos distratores;
  • existir uma desorientação temporal, o que faz com que a pessoa perca a noção em relação ao dia em que está e há quanto tempo vestiu aquela peça de roupa;
  • Défices sensoriais ao nível olfactivo, característicos do envelhecimento, que dificultam a percepção do odor desagradável das suas roupas.

Para superar estas dificuldades, sugerimos que:

  • Evite afirmar que as roupas estão sujas ou com odor desagradável (em vez disso, faça sugestões, pois irá evitar que a pessoa com demência se sinta julgada);
  • Guarde no roupeiro da pessoa com demência apenas algumas opções, para facilitar o processo de escolha;
  • Respeite os gostos pessoais do seu familiar;
  • Se possível, compre roupas idênticas às preferidas da pessoa com demência (padrões, cores, tamanho, textura);
  • Retire as roupas sujas do quarto do seu familiar enquanto este dorme, e substitua por outras peças para utilizar no dia seguinte;
  • Opte por promover a troca de roupa logo pela manhã ou após o banho, que são alturas do dia em que é mais natural fazê-lo.

Se se depara com alguma destas problemáticas e as estratégias sugeridas não solucionaram as dificuldades com o seu familiar, não desista!

Cada pessoa é diferente e, por isso mesmo, precisa de estratégias diferentes que se adequem ao seu caso e à sua família.

O NeuroSer quer dar mais um passo no sentido de ajudar os cuidadores a lidar com as dificuldades nas Actividades de Vida Diária e a reduzir a sobrecarga que está associada à prestação de cuidados ou ao contacto frequente com pessoas com demência. Nesse sentido, a quarta das Sessões Práticas e Informativas abordará as “Actividades de Vida Diária”, onde existirá a oportunidade de identificar possíveis causas para as dificuldades e adquirir estratégias para com elas lidar. Consulte aqui os objectivos da sessão.

Revisão: Ana Matias (Terapeuta Ocupacional)

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Sessões Informativas: Alzheimer e AVC

O NeuroSer irá iniciar dois novos ciclos de sessões práticas e informativas dirigidas a:

Pode inscrever-se apenas numa ou mais do que uma sessão de cada ciclo através do e-mail info@neuroser.pt ou ligando para 217506010.

Veja os programas e não deixe de se inscrever e de assegurar a sua vaga (os lugares são limitados).

O custo por sessão é de €10 (existem condições especiais para residentes nas Freguesias do Lumiar e de Carnide, assim como para associados da Associação de Residentes de Telheiras e do Viver Telheiras).

Fique atento a informações mais concretas sobre cada uma das sessões!

PROGRAMA ALZHEIMER E OUTRAS DEMÊNCIAS

Aceda aqui ao Programa em versão pdf: Programa Sessões Demências 2017

PROGRAMA ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

Aceda aqui ao Programa em versão pdf: Programa Sessões AVC 2017

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Demência: Quando o banho se torna uma batalha

Enquanto cuidadores de uma pessoa com demência, os familiares são confrontados com dificuldades diárias, principalmente no que diz respeito aos cuidados pessoais. Um dos problemas mais frequentemente reportado pelos cuidadores, diz respeito ao banho. Esta ocupação é de cariz tão íntimo, que se torna muitas vezes difícil para a pessoa com demência aceitar ajuda de outras pessoas ou compreender o porquê dessa necessidade. Partilhamos algumas estratégias que podem facilitar este momento.

Porque é que o meu familiar tem comportamentos desadequados no banho?

É comum que algumas pessoas com demência se tornem resistentes, ansiosas ou agressivas face a tomar banho, sendo que estes comportamentos podem surgir devido a diversos aspectos, tais como, a pessoa:

  • não compreender a necessidade de tomar banho,
  • não se sentir confortável com a nudez à frente de outras pessoas (mesmo familiares),
  • sentir-se desconfortável com a temperatura ambiente ou com a temperatura da água,
  • ter receio da água,
  • sentir-se desconfortável com a pressão do chuveiro,
  • ter receio da profundidade da água, entre muitos outros aspectos.

Será importante que tente compreender quando é que os comportamentos desadequados se iniciam, para tentar compreender a sua causa.

É essencial que se mantenha flexível e que não interprete estes comportamentos como algo pessoal, uma vez que são influenciados pelas características da própria demência.

O que é que posso fazer para facilitar o banho, antes de começar esta ocupação?

Permita ao seu familiar participar no máximo de etapas para a preparação do banho possíveis, como por exemplo: escolher a roupa que vai utilizar depois do banho, preparar as toalhas e os produtos de higiene, encher a banheira com água, entre outros.

É importante que a casa de banho seja um local percepcionado pela pessoa com demência como confortável e seguro, por isso pode:

  • utilizar um aquecedor para ajustar a temperatura do espaço (não se esqueça de manter a segurança),
  • permitir à pessoa que experimente a temperatura da água e ajustá-la face à sua reacção,
  • aquecer as toalhas,
  • utilizar música de acordo com as preferências do seu familiar ou sons relaxantes
  • utilizar algumas gotas de corante azul na água para facilitar a percepção visual (é possível que o seu familiar sinta receio da água, se não for capaz de a ver).

Convide o seu familiar a participar nestas tarefas de preparação do banho.

O meu familiar já não consegue fazer nada sozinho. Como é que posso promover a sua participação no banho?

Embora a pessoa com demência possa necessitar do seu suporte em muitas etapas do banho e sinta que ela é completamente dependente, deve sempre tentar promover a autonomia do seu familiar, garantindo que a segurança não é posta em causa.

Algumas estratégias para promover a autonomia são:

  • permitir a escolha da pessoa (por exemplo: mostre dois tipos de esponja e pergunte, de forma simples, qual prefere),
  • atribua à pessoa uma tarefa simples (por exemplo: lavar uma das pernas da pessoa e pedir que ela repita na outra perna, ou pedir que segure a esponja enquanto o cuidador coloca a quantidade adequada de gel de banho),
  • respeite a forma como a pessoa realiza a ocupação, desde que a segurança não seja colocada em causa (por exemplo: se o cuidador costuma lavar o cabelo primeiro, mas a pessoa com demência começa a lavar o corpo assim que segura a esponja, respeite essa decisão e seja flexível).

Outras estratégias que podem ser úteis.

  • Crie uma rotina de banho. Tente identificar qual a altura do dia em que a pessoa reage melhor ao banho e estabeleça essa hora do dia como “hora do banho”;
  • Simplifique tudo! O mais importante em relação ao banho é manter a higiene e saúde da pessoa, mas será que para isso é necessário utilizar diversos produtos, como champô e amaciador, ou basta um, por forma a diminuir a duração do banho? Simplifique tudo o que é possível simplificar;
  • Seja directo e utilize linguagem simples. Por exemplo, ajude a pessoa a participar, utilizando frases curtas como “sente-se” ou “lave o seu braço”;
  • Avise sempre o que vai fazer a seguir. Por exemplo, se vai molhar o cabelo da pessoa, dê essa informação à mesma, para diminuir as hipóteses de esta se assustar;
  • Utilize produtos de apoio, caso estes facilitem o banho, como por exemplo uma cadeira de banho ou barras de apoio (com aconselhamento do seu profissional de saúde);
  • Elogie a pessoa sempre que esta ajudar, mesmo que possa não ser uma ajuda eficiente! É importante elogiar para motivar a pessoa a participar;
  • Seja flexível quanto à frequência do banho ou a sua tipologia. Se num dia a pessoa estiver pouco colaborante e manifestar muita ansiedade face ao banho, opte por utilizar outra tipologia de higiene e, por exemplo, lavar o cabelo noutro dia.

Já tentei todas estas estratégias e continuo a ter dificuldades!

Se nenhuma destas estratégias resultou com o seu familiar, não desista. Cada pessoa é diferente e, por isso mesmo, precisa de estratégias diferentes que se adequem ao seu caso e à sua família. Além disso, o banho é uma ocupação complexa que envolve muitas etapas, sendo que existem outras estratégias que pode experimentar.

Contacte um profissional de saúde e peça aconselhamento face às dificuldades sentidas.

Revisão: Terapeuta Ocupacional Ana Gonçalves

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