Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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O que é a Demência com Corpos de Lewy?

Os Corpos de Lewy – agentes patológicos que dão o nome a esta demência – foram identificados no início do século XX pelo neurologista Friedrich Lewy e são inclusões neuronais (agregados anormais de proteínas) que causam uma disfunção destas células nervosas.

O perfil clínico da Demência com Corpos de Lewy é caracterizado por uma deterioração do funcionamento cognitivo, principalmente ao nível da atenção, das funções executivas (as quais nos permitem planear, organizar e executar uma determinada tarefa) e da capacidade visuoespacial (percepção visual ou espacial). As alterações de memória podem não surgir na fase inicial, mas tornam-se evidentes com a evolução da doença. Estes sintomas têm necessariamente um impacto na funcionalidade da pessoa afectada.

Pelo menos um dos seguintes aspectos está também presente:

  • Flutuações cognitivas – É caracterizado por alterações do estado de consciência e atenção, presença de discurso incoerente, sono excessivo durante o dia e incapacidade para reconhecer o ambiente. Estes episódios podem durar de segundos a dias e são intercalados por períodos de função quase normal.
  • Alucinações visuais – Geralmente de pessoas/animais tridimensionais, totalmente formadas, que falam/interagem com a pessoa afectada.
  • Parkinsonismo – Lentificação dos movimentos; tremor que ocorre em repouso; rigidez dos membros; instabilidade postural.

É comum a pessoa afectada ter também uma perturbação do sono REM manifestada pela ocorrência de sonhos vividos e movimentos complexos durante o sono (cair da cama, espernear, falar, rir à gargalhada).

A identificação deste tipo de demência é particularmente importante uma vez que a especificidade dos seus sintomas e o respectivo impacto ao nível da funcionalidade exigem uma intervenção diferente da de outras demências.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo
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Défice Cognitivo Ligeiro

À medida que envelhecemos, assistimos a um declínio natural do funcionamento cognitivo – denominado de envelhecimento cognitivo fisiológico ou normal. Podemos ter mais dificuldade em evocar o nome de um objecto ou de uma pessoa, mas lembrarmo-nos dele mais tarde. Podemos perder as chaves ou a carteira de vez em quando ou sentir maior necessidade de escrever recados e listas para não nos esquecermos de informação importante. Estas falhas cognitivas são geralmente muito discretas e não perturbam o nível de funcionalidade/autonomia da pessoa.

O termo Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) é utilizado quando estas alterações cognitivas são mais frequentes ou graves do que é expectável para a idade e para o nível de escolaridade do indivíduo.

Sintomas de DCL podem incluir:

  • Dificuldade em realizar mais do que uma tarefa de cada vez;
  • Dificuldade em resolver problemas mais complexos ou na tomada de decisões;
  • Esquecimento de informação recente (eventos ou conversas recentes), por vezes levando a que a pessoa repita algumas vezes a mesma informação.

Apesar da existência destas alterações, as pessoas continuam a manter um nível de funcionalidade normal ou quase inalterado.

Assim, o DCL situa-se entre o envelhecimento normal e o envelhecimento patológico. Não se considera um funcionamento cognitivo completamente normal, no entanto, também não são preenchidos os critérios para um diagnóstico de demência.

A literatura demonstra que existe um risco considerável de um DCL evoluir para uma síndrome demencial (ex: Doença de Alzheimer). Estudos demonstram que um DCL do tipo amnésico (principal função afectada é a memória) mais provavelmente evoluirá para uma Doença de Alzheimer, enquanto que um DCL não amnésico tenderá a evoluir para outras demências tais como a variante comportamental da Degenerescência Lobar Fronto-Temporal ou a Demência com Corpos de Lewy.

No entanto, importa referir que nem todos os casos de DCL transitam para um quadro patológico – o estado cognitivo de uma pessoa com DCL pode manter-se estável durante vários anos. Infelizmente a ciência ainda não consegue prever se uma pessoa com DCL irá permanecer estável ou progredir para um quadro demencial.

A mensagem que os profissionais de saúde costumam deixar a uma pessoa recentemente diagnosticada com DCL é a seguinte: esperar pelo melhor mas ao mesmo tempo aceitar que o quadro poderá progredir.

É importante procurar informação e fazer planos para o caso de ter menos capacidade para o fazer no futuro. Como factores protectores do funcionamento cognitivo é importante:

  • Manter ou intensificar a actividade física;
  • Promover uma alimentação saudável;
  • Manter a actividade mental (as interacções sociais são uma óptima forma de estimular o cérebro!);
  • Manter uma atitude positiva (tentar evitar situações de stress, rodear-se de pessoas que o apoiem);
  • Manter um acompanhamento médico frequente e adequado de modo a controlar factores de risco (ex: Hipertensão Arterial, diabetes, colesterol elevado, etc…)
  • Estabelecer uma rotina.

 

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

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Demência com início precoce  

 

A demência é uma patologia cerebral que se caracteriza por uma deterioração do funcionamento cognitivo, do comportamento e/ou do estado emocional, limitando a capacidade para realizar tarefas habituais do dia-a-dia.

Sabemos que o envelhecimento do sistema nervoso se relaciona com processos neurodegenerativos ou cerebrovasculares, logo, não é surpreendente que a demência seja classificada como uma doença do envelhecimento. No entanto, alguns factores tais como alterações genéticas, podem acelerar a instalação dos primeiros sintomas, levando a uma demência com início precoce (início antes dos 65 anos).

Foram estabelecidos diagnósticos de demência em pessoas com 50, 40 e até com 30 anos de idade. A prevalência de demência com início precoce é substancialmente inferior à da demência em pessoas com mais de 65 anos. Aliás, esse é um dos factores que dificulta o seu diagnóstico.

É de referir que, quando o diagnóstico de demência é estabelecido antes dos 65 anos, a pessoa pode estar numa fase ligeira, moderada ou avançada da doença, tal como acontece na demência com início tardio. Assim, o termo “demência com início precoce” não está relacionado com o estádio da doença mas sim com a idade em que aparecem os primeiros sintomas.

Os sintomas variam de pessoa para pessoa e estão muito dependentes do mecanismo patológico subjacente. A maior parte dos casos de demência com início precoce são casos de Doença de Alzheimer. Os restantes podem ser, por exemplo, casos de Demência Vascular, Degenerescência Lobar Frontotemporal e Demência com Corpos de Lewy.

No caso de uma demência com início antes dos 65 anos, a pessoa pode ainda ter um papel social, físico e profissional muito activo, podendo (a) ter um emprego a tempo inteiro (b) estar a criar os seus filhos (c) ser financeiramente responsável pela sua família (d) ter uma excelente condição física. Todos estes aspectos podem dificultar a aceitação de um quadro demencial numa pessoa mais jovem.

A esta dificuldade acresce o facto de existirem na sociedade muitas crenças e atitudes relativamente à demência e que muitas vezes condicionam a sua aceitação em pessoas mais jovens (particularmente quando estão muito bem fisicamente).

Todos os cuidadores de pessoas com demência se deparam com inúmeros desafios de natureza física e emocional. No caso de uma pessoa com demência com início precoce, pode ser particularmente difícil assistir à perda progressiva do seu papel activo na sociedade.

Para além disso, a demência com início precoce tende a caracterizar-se por sintomas neuropsiquiátricos (ex: comportamentais ou emocionais) mais intensos ou mais frequentes.

Finalmente, a demência com início precoce demora, em média, mais tempo a ser diagnosticada do que uma demência com início tardio. A sua baixa prevalência e um vasto leque de diagnósticos diferenciais a considerar levam a que decorra mais tempo entre a apresentação dos sintomas e o estabelecimento do diagnóstico acertado.

Todos estes factores podem contribuir para aumentar a sobrecarga do cuidador.

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Como lidar com uma demência com início precoce?

Falar com outras pessoas pode ajudar. Há quem prefira falar com pessoas mais próximas (conjugue ou outros membros da família) mas há também quem tenha mais dificuldade em fazê-lo. Se for esse o seu caso, pense em integrar um grupo de apoio – pode ser útil contactar com pessoas que estão na mesma situação (visite o site da Alzheimer Portugal: www.alzheimerportugal.org).

Comece a pensar naquilo que poderá ser necessário num futuro breve. Pense em falar com a sua família sobre assuntos financeiros e legais. Tratar destes assuntos agora é fundamental para garantir que todas estas decisões são tomadas por si. Poderá também ajudar a reduzir o medo relativamente ao futuro.

Participe activamente no seu processo terapêutico. Questione o seu médico relativamente à terapêutica farmacológica mais indicada mas explore também a possibilidade de realizar terapias não farmacológicas (estimulação cognitiva, fisioterapia, terapia ocupacional) que, actualmente, constituem uma recomendação internacional complementar à medicação.

Mantenha-se activo. O exercício e a interacção com amigos e familiares contribuirão para que se sinta melhor. Não deixe de fazer as coisas que lhe dão prazer, mesmo que no futuro possa ser necessário realizar algumas adaptações a essas tarefas.

Lembre-se que é possível viver bem com demência. Inicialmente pode ser doloroso pensar nestas questões e nem sempre será fácil pedir ajuda. Precisará de coragem pois o caminho a percorrer será desafiante mas lembre-se que existem pessoas que estarão sempre do seu lado.

 

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

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O que é o Défice Cognitivo Ligeiro?

 

DCL

Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) é uma entidade clínica que, em termos de gravidade, se situa entre o envelhecimento normal e a demência. Por um lado, o indivíduo com DCL tem um funcionamento cognitivo inferior ao que é expectável para a sua idade e nível de escolaridade; por outro lado, as suas alterações cognitivas/comportamentais não são suficientemente graves nem apresentam dificuldades significativas na realização das atividades de vida diária para preencher os critérios de diagnóstico de uma demência.

Podemos falar de dois tipos de Défice Cognitivo Ligeiro:

  1. DCL amnésico:

Caracteriza-se por alterações predominantemente ao nível da memória (por exemplo, esquecer-se de conversas recentes ou de compromissos dos quais tipicamente se lembraria), podendo ter envolvimento menos expressivo de outras funções cognitivas (múltiplos domínios) ou restringir-se apenas a essa função (domínio único).

O DCL amnésico é o tipo mais comum.

 

  1. DCL não amnésico:

Diz respeito a um declínio de outras funções cognitivas que não a memória (nomeadamente da atenção, do funcionamento executivo, da linguagem ou das capacidades visuoespaciais). Pode implicar uma maior dificuldade no processo de tomada de decisão e na capacidade de pensamento em geral. Pode também ser de domínio único ou de múltiplos domínios.

 

Quais as suas causas?

As causas do DCL ainda não são totalmente conhecidas. Estudos demonstram que alguns casos são resultantes das alterações cerebrais que ocorrem nas fases iniciais da Doença de Alzheimer ou outras demências. Os factores de risco são os mesmos que para a demência: idade, história familiar de demência e doença cardiovascular.

 

Como se detecta?

A própria pessoa pode começar a notar algumas diferenças, por exemplo, ao nível da memória, da capacidade de concentração ou do estado emocional. No entanto, é comum estas alterações serem desvalorizadas ou atribuídas ao processo de envelhecimento normal uma vez que são subtis e têm um início insidioso.

A pessoa pode começar a experienciar dificuldades na realização das tarefas mais complexas do dia-a-dia (por exemplo, gerir adequadamente as finanças ou realizar várias tarefas em simultâneo no trabalho), sendo que anteriormente realizava-as sem problema. Esta situação pode levar à procura de um médico.

O diagnóstico de DCL depende do julgamento clínico do médico – não existem métodos que nos permitam concluir que estamos na presença ou ausência de um DCL. O médico recolhe a história clínica do indivíduo e pode fazer algumas manobras no consultório para avaliar o funcionamento dos nervos, a coordenação, o equilíbrio e o estado cognitivo (entre outros aspectos). É importante considerar o testemunho de um familiar/amigo que contacte frequentemente com a pessoa, de modo a confirmar se existem ou não alterações nas suas atividades diárias. O médico pode pedir também um exame de imagem ao cérebro e análises ao sangue.

Pode ser requerida uma avaliação neuropsicológica para melhor caracterizar o quadro cognitivo, emocional e comportamental.

 

Qual a importância de um diagnóstico precoce?

Um diagnóstico de DCL acarreta um maior risco de se vir a desenvolver um quadro demencial no futuro. Estudos mostram que um DCL amnésico mais provavelmente evoluirá para uma Doença de Alzheimer, enquanto que um DCL não amnésico tenderá a evoluir para outras demências tais como a Demência Fronto-Temporal ou a Demência com Corpos de Lewy.

O diagnóstico permite um acompanhamento mais próximo e regular para monitorizar a evolução do quadro, ajustar a medicação que possa estar a interferir com o funcionamento cognitivo, controlar/reduzir/erradicar factores de risco – nomeadamente Hipertensão Arterial e Diabetes mellitus.

Após o diagnóstico, os especialistas recomendam que se faça uma reavaliação clínica a cada 6 meses, independentemente da evolução do sintomas.

A equipa clínica pode também recomendar um plano de intervenção que contemple estimulação cognitiva e exercício físico, com o intuito de manter a actividade e saúde cerebral.

É de referir que nem todos os casos de DCL evoluem para uma demência – alguns estabilizam e outros chegam mesmo a melhorar. Assim, após o diagnóstico, é importante manter ou adoptar comportamentos saudáveis (exercício físico, alimentação saudável, controlar factores de risco cardiovasculares), privilegiar as interacções sociais e procurar actividades/projectos desafiantes.

 

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

 

 

 

 

 

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O que é a Demência?

A demência caracteriza-se por uma deterioração progressiva, e em geral lenta, das funções cognitivas.

Existem vários tipos de Demência?

Sim. A doença de Alzheimer é o tipo de demência mais comum e engloba 50 a 80 % de todos os casos de demência. Outros tipos de demência incluem a demência vascular, demência com corpos de Lewy, ou a demência fronto-temporal. Em alguns casos, uma pessoa pode apresentar mais do que um tipo de demência.

 

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Ilustração de Donado R.
Revisão Clínica: Inês Tello.
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