Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Arquivo de Outubro 2016

O papel da Terapia Ocupacional na doença de Alzheimer ou outra demência

A Terapia Ocupacional foca a sua intervenção na capacitação da pessoa para o desempenho e envolvimento em ocupações que a própria considere como significativas, sendo que estas ocupações poderão estar relacionadas com os autocuidados, com lazer ou com produtividade.

Na sua intervenção, o Terapeuta Ocupacional tem em consideração três dimensões, sendo elas a pessoa, a ocupação e o ambiente, podendo intervir em cada uma delas.

A abordagem da Terapia Ocupacional na demência assume um papel essencial, quer na intervenção directa com a pessoa com demência, quer com os cuidadores. O Terapeuta Ocupacional é um profissional qualificado para intervir:

  • ao nível das Actividades da Vida Diária, realizando por exemplo, treino de alimentação ou treino de higiene;
  • na manutenção e promoção da participação em ocupações que vão ao encontro dos desejos e necessidades da pessoa;
  • na promoção da participação em actividades terapêuticas estimulantes em termos cognitivos, motores, emocionais e sensoriais;
  • na graduação das ocupações, por forma a permitir à pessoa um maior sucesso no seu desempenho;
  • na adaptação do ambiente físico à pessoa com demência, permitindo assim a diminuição do risco de quedas e uma maior segurança;
  • no apoio e aconselhamento dos cuidadores.

Nas fases iniciais da demência, o papel do Terapeuta Ocupacional está principalmente relacionado com a informação prestada à pessoa e ao cuidador, com a adaptação do ambiente, por forma a garantir a segurança e na manutenção das Actividades Instrumentais da Vida Diária (como por exemplo, a utilização do telefone ou a gestão da correspondência).

À medida que a doença progride, o papel do Terapeuta Ocupacional passa a estar cada vez mais relacionado com a garantia do bem-estar e qualidade de vida da pessoa e dos cuidadores. Desta forma, existe uma maior incidência na intervenção a nível sensorial, com repetição de actividades prazerosas que aumentem o sentido de familiaridade da pessoa e no treino de técnicas que facilitem o cuidado.

Revisão Clínica: Ana Matias

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Actividades sensoriais para a pessoa com demência

Todos os dias cada um de nós recebe variadas informações do ambiente à sua volta, que têm significados diferentes e que são interpretadas pelo cérebro de forma diferente. Para receber essas informações, cada pessoa conta com os seus sentidos: o olfacto, a visão, o tato, a audição e o paladar. Estes cinco sentidos são a via através da qual o nosso cérebro recebe a informação do ambiente que nos rodeia e é desta forma que conseguimos interpretar estímulos exteriores como o som de um pássaro, a cor das flores, a textura da roupa, o aroma de um bolo ou o sabor de uma fruta. Assim sendo, é fácil compreender o quão importante é a função dos sentidos no dia-a-dia. No entanto, torna-se uma função ainda mais importante quando compreendemos que a cada pessoa são exigidas competências cognitivas na interpretação do ambiente, todos os dias, como a interpretação da linguagem, por exemplo, e que nem todas as pessoas conseguem responder a essas exigências. Quando estamos perante uma pessoa com demência, cujas competências cognitivas se encontram alteradas, é essencial compreender que a sua interpretação do ambiente poderá sofrer alterações e de que os estímulos deverão ser apresentados de uma forma simples e de fácil interpretação. É neste momento que os sentidos se tornam ainda mais importantes, uma vez que são a forma mais simples de obter informação sobre o ambiente à sua volta. Por exemplo, será mais fácil compreender qual o aspecto de um pássaro ao utilizar apenas a visão, do que ler sobre ele, o que irá exigir competências cognitivas.

A estimulação sensorial pode ser realizada ao nível dos cinco sentidos e deverá sempre ter em conta a pessoa como um Ser individual. Desta forma, será importante compreender, por exemplo, de que músicas a pessoa gosta, qual o seu prato preferido, se existe algum cheiro de que não goste, entre outros. Estas questões vão permitir adequar os estímulos à pessoa e obter assim uma melhor resposta ao ambiente.

A estimulação sensorial foi até ao momento alvo de alguns estudos que defendem que esta promove o humor, a socialização, a qualidade de vida e a expressão emocional e diminui os problemas comportamentais. Esta estimulação tem como objectivo o relaxamento, sendo importante que não se exija uma “forma correta” de reagir aos estímulos apresentados, já que cada pessoa irá interpretá-los de formas diferentes.

De uma forma geral, a estimulação sensorial poderá ajudar a pessoa com demência a compreender melhor o ambiente à sua volta (quer físico, quer social), facilitando assim a comunicação e promovendo a interacção.

Temos algumas ideias que poderá tentar em casa, no entanto relembramos que deverá aconselhar-se sempre com um profissional.

Visão

– Apresente ao seu familiar estímulos que sejam atractivos e com diferentes cores;

– Vejam em conjunto diferentes fotografias. Poderá criar um álbum ou molduras com diferentes materiais que sejam igualmente estimulantes (como marcadores, folhas secas, flores, impressões, entre outros).

Audição

– Apresente sons à pessoa e tentem identificar a sua origem (por exemplo, pássaros, piano ou xilofone);

– Em conjunto com o seu familiar, ouçam algumas músicas que ambos conheçam e tentem identificar o cantor (poderá usar fotografias para facilitar a identificação).

Olfacto

– Prepare frascos de especiarias e convide o seu familiar a tentar descobrir, através do olfacto, de que especiaria se trata;

– Convide o seu familiar a passear num jardim e a cheirar as flores.

Tacto

– Apresente ao seu familiar texturas diferentes (pode usar objectos que tem em casa, como lã, escovas, algodão, limas das unhas, entre outros);

– Convide o seu familiar a plantar algumas plantas e aproveite para mexer na terra, nas sementes e na água, explorando diferentes texturas e temperaturas.

Paladar

– Proponha ao seu familiar experimentar diferentes sabores e inclua alguns que sejam apreciados e outros que não. Desta forma, poderá explorar diferentes reacções;

– Convide o seu familiar a participar na preparação das refeições e a provar os ingredientes. Pode ainda pedir a sua opinião quanto ao tempero da receita que estão a preparar.

Aconselhamos a que tente integrar esta estimulação no dia-a-dia, por exemplo enquanto cozinha ou cuida do seu jardim. Poderá ainda criar uma actividade que contemple os cinco sentidos, com base num tema. Por exemplo, com base no tema outono, poderá apanhar folhas secas com o seu familiar e assar castanhas. Isto irá permitir que a pessoa veja as diferentes cores (visão), sinta a textura das folhas (tacto), ouça os pássaros durante o passeio (audição), sinta o aroma das castanhas acabadas de assar (olfacto) e prove as castanhas (paladar).

Revisão Clínica: Ana Gonçalves

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A importância da socialização

Ao longo do processo normal do envelhecimento verifica-se, usualmente, uma perda de relações sociais, que se pode dever à perda de papéis ocupacionais, que limitam as interacções sociais. Por exemplo, com a perda do papel laboral, isto é, com a transição para a reforma, reduzem-se, e em alguns casos perdem-se, conexões sociais importantes. Além disso, ao longo da vida, algumas pessoas significativas (familiares, amigos, colegas) vão desaparecendo. Desta forma, é normal que a rede social de cada pessoa se altere significativamente ao longo da vida e com especial enfoque na fase do envelhecimento. No entanto, a socialização apresenta-se como um aspecto fulcral e verifica-se que o idoso, embora de uma forma mais reduzida, mantém relações sociais no seio familiar e com um grupo de pares/amigos mais próximos, validando a importância deste aspecto na sua vida.

Ainda assim, a pessoa com diagnóstico de demência pode acabar por, gradualmente, se isolar, por receio de que os amigos e familiares se apercebam das suas limitações ou pelas próprias características da doença que dificultam a interacção, como é o caso das alterações da linguagem. Será importante que o cuidador/familiar promova a manutenção da participação social da pessoa. Realçamos no entanto, que o mais importante será a manutenção de interacções sociais e do apoio social à pessoa, e não apenas a manutenção das redes sociais. Embora possam parecer conceitos semelhantes, é possível que a pessoa mantenha uma rede social extensa (ou seja, uma grande variedade de amigos e familiares), no entanto com interacções sociais pouco frequentes e que são pouco suportantes, o que não será o ideal, uma vez que poderá levar a pessoa com demência a vivenciar sentimentos de abandono.

Deixamos algumas ideias para promover as interacções sociais da pessoa com demência:

– Promover o contacto com pares/amigos, por exemplo, planeando encontros casuais ou promovendo a troca de chamadas telefónicas ocasionais;

– Promover a deslocação a locais de encontro com a comunidade envolvente, como por exemplo, centros de convívio (onde muitas vezes se realizam jogos sociais, como o dominó, a malha ou o bingo);

– Promover as actividades culturais com os pares/amigos, uma vez que será provável que mantenham interesses similares, como por exemplo ir ao teatro ou a um concerto de música clássica;

– Promover o exercício físico. Actualmente existem diversos locais que oferecem aulas indicadas para este grupo etário e que possibilitam a interacção social;

– Promover a inclusão num grupo social com características similares.

É importante reconhecer que ao promover o envolvimento da pessoa numa ou várias actividades, esta estará a conhecer e a conviver com diferentes pessoas, partilhar experiências e vivências comuns, possibilitando que se identifique com os seus pares. Numa idade tão atingida pelo isolamento, participar em actividades com outras pessoas é uma das melhores formas de promover um envelhecimento bem-sucedido e o bem-estar psicológico e emocional. No entanto, realçamos que em caso de dúvidas ou dificuldades acentuadas, deverá procurar o aconselhamento de um profissional.

O NeuroSer aconselha ainda a integração nas Manhãs & Tardes no NeuroSer, onde cada pessoa é integrada num grupo social adequado e onde são promovidas actividades estimulantes, sendo fomentado o sentido de pertença ao grupo e as interacções sociais.

Revisão Clínica: Ana Matias

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1.º Aniversário NeuroSer – 01/10/2016

Agradecemos a todos os que connosco vieram celebrar o 1.º aniversário do NeuroSer.

Este evento, aberto à comuncidade, contou com uma comunicação do Professor Doutor Alexandre Castro Caldas (director clínico do NeuroSer) e workshops para ficar a conhecer melhor a nossa forma de intervir junto de pessoas com Alzheimer e outras Patologias Neurológicas.

Agradecemos a todos a presença e procuraremos continuar a fazer mais e melhor!

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