Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Memória Humana

A memória é uma das funções cerebrais mais importantes. Permite-nos não só adquirir conhecimento sobre nós próprios como também interagir com as pessoas ao nosso redor. De facto, grande parte da nossa identidade é determinada pela nossa capacidade de aprender e reter informações. Ao longo do desenvolvimento, adquirimos capacidades motoras que nos permitem dominar o nosso ambiente e adquirimos linguagens de forma a comunicar o que aprendemos aos outros, transmitindo assim aspectos culturais importantes de geração em geração.

  Assim se compreende que uma perturbação da memória tenha consequências tão devastadoras para o indivíduo e para as pessoas que o rodeiam.

A memória é um conjunto de funções que permitem a aquisição, manutenção, descodificação e utilização de informação para um determinado fim. Pode ser dividida em declarativa e não declarativa.

A memória declarativa implica o acesso explícito e consciente de informação e pode ainda ser dividida em episódica e semântica.

  • A memória episódica permite relembrar as nossas experiências, dando a sensação de “viajar” mentalmente entre os vários momentos da nossa vida. É um tipo de memória onde o “eu” é central pois implica a recordação da experiência que o próprio sentiu em determinado evento. Está associada a uma sensação de tempo, permitindo-nos distinguir entre eventos recentes e eventos mais remotos. Um exemplo de uma memória episódica é a recordação do nosso primeiro dia de aulas no liceu (ex: “Era um dia chuvoso e por isso cheirava a humidade, levava uma mochila vermelha que me tinha sido oferecido pela minha mãe no dia anterior. Cheguei mais cedo por isso fiquei a conversar à porta da sala de aula com uma colega”).
  • A memória semântica sustenta o nosso conhecimento factual do mundo (incluindo informação acerca de objectos, pessoas, eventos históricos e o significado das palavras). Por exemplo, a capital de Portugal é Lisboa e há 12 unidades numa dúzia. Este tipo de memória é diferente da memória episódica porque não implica um sentimento de experiência pessoal e porque não está associado a um contexto espacial e temporal particular.

Recordarmo-nos do momento de tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, em que estávamos sentados no sofá à frente da televisão com a nossa família é um exemplo de memória episódica. Saber que Marcelo Rebelo de Sousa é o Presidente da República é um exemplo de memória semântica.

Apesar da memória episódica e semântica representarem subtipos de memória diferentes, interagem de forma importante. Não só as memórias episódicas se tornam mais ricas e vividas por conterem “factos” (memória semântica), como também a memorização de “factos” e de listas se torna mais fácil quando os associamos a uma história ou a um episódio (ainda que seja puramente imaginado).

A memória não declarativa não é passível de ser verbalizada e o seu subtipo mais importante é a memória de procedimentos. Esta diz respeito à capacidade de aprender competências que operam a um nível subconsciente e que são difíceis de declarar/explicar. Exemplos de memórias procedimentais incluem andar de bicicleta, mudar as mudanças do carro ou tocar o piano, que são todas tarefas que se tornam automáticas com o treino e que são difíceis de explicar a outros.

Estes tipos de memória têm bases anatómicas diferentes, pelo que são afectadas de diferente forma por doenças neurológicas diferentes. A Doença de Alzheimer afecta sobretudo a memória episódica (pelo menos numa fase inicial).  A Demência Semântica compromete primeiramente a memória semântica.

Actualmente sabemos que a memória é muito mais do que a capacidade para recordar acontecimentos passados. Existem diferentes tipos de memória relativamente independentes mas que interagem para definir a pessoa que somos hoje.

Revisão Clínica: Nuno Antunes e Margarida Rebolo