Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Arquivo de Julho 2016

Gelados para toda a família

Com o fim de semana à porta, deixamos-lhe algumas receitas de gelados para refrescar toda a família nestes dias de Verão.

Delícia gelada de iogurte (4-6 pessoas)

– 4 iogurtes gregos

– 1 colher de sopa de mel

– 20 gramas de açúcar em pó (ou 5 gramas de adoçante em pó)

– Fruta triturada (framboesas, amoras, pêssegos…)

Numa taça misture o iogurte, o mel e o açúcar em pó. Bata tudo durante, pelo menos, 5 minutos. Acrescente a fruta triturada e envolva. Coloque a mistura em formas de gelado ou em copos pequenos de papel, com um pauzinho de madeira ou, em alternativa, uma colher. Leve ao congelador durante, pelo menos, 5 horas.

Existe também uma opção mais leve e que pode até ajudar a manter os níveis de hidratação:

Surpresa de Frutas:

– água de coco (vende-se habitualmente em grandes superfícies)

– Fruta a gosto (em polpa ou aos pedacinhos)

– 1 colher de sopa de mel

Misture todos os ingredientes e coloque nas formas de gelado ou em copos pequenos de papel com um pauzinho de madeira ou, em alternativa, uma colher. Leve ao congelador durante, pelo menos, 5 horas.

Em alternativa pode substituir a água de coco por água com groselha ou por sumo de melancia.

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Bom proveito!

 

 

 

 

 

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Como lidar com os comportamentos de recusa?

Os comportamentos de recusa são um problema comum nesta população e que poderão surgir face a qualquer pedido, seja ele qual for. Estes comportamentos têm, nos familiares/cuidadores, um grande impacto, por muitas vezes estar associado a factores importantes e imprescindíveis no dia-a-dia da pessoa, como por exemplo a toma da medicação ou comer.

Por isso, aqui ficam algumas dicas que pretendem auxiliar a lidar com este comportamento:

Tente perceber o seu porquê: a primeira coisa a fazer, é tentar perceber o porquê da recusa da pessoa. Por vezes, pode acontecer simplesmente porque a pessoa não compreende o que lhe estão a pedir ou a fazer;

Evite forçar: é fundamental evitar este tipo de atitude, que levará a uma maior recusa por parte da pessoa. Poderá optar por voltar a perguntar ou a pedir um pouco mais tarde;

Explique à pessoa de forma clara e simples: para que a pessoa possa compreender o que lhe está a pedir ou o que irá fazer. A comunicação não-verbal (gestos) poderá ser útil, no caso de a pessoa ter uma alteração da compreensão;

Procure estar num ambiente tranquilo e que lhe seja familiar: evite ambientes com ruídos ou distrações que poderão comprometer a concentração e evitar os comportamentos de recusa;

Mantenha uma postura calma e serena: que ajudará a que a pessoa não se sinta pressionada, frustrada ou irritada. Lembre-se de respirar fundo e manter-se tranquilo;

Seja flexível: é importante respeitar a pessoa e perceber que este comportamento se deve à patologia e às alterações consequentes da mesma;

Dê tempo: é importante dar-lhe tempo suficiente para processar o que lhe está a ser pedido e para realizar a tarefa. Não dê importância aos erros e tranquilize-a caso não consiga. Lembre-se de dar sempre um feedback positivo durante a realização de qualquer tarefa.

Estas são apenas algumas dicas para lidar com os comportamentos de recusa. No entanto, as mesmas poderão não funcionar com todos os casos, sendo por isso importante procurar o auxílio de profissionais da área que irão ao encontro destas necessidades.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

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Demência – Como lidar com a diminuição/perda de mobilidade?

Como já abordámos anteriormente, apesar da demência ser uma patologia predominantemente cognitiva, está também associada a dificuldades motoras. Estas são muitas vezes desvalorizadas, por pensar-se que estão unicamente relacionadas com o avançar da idade.

Uma das dificuldades motoras presentes na demência é precisamente a diminuição da mobilidade geral, que se caracteriza pela lentificação do movimento (bradicinesia). Este facto contribui para uma diminuição da funcionalidade, surgimento de sedentarismo e diminuição da independência nas actividades do dia-a-dia, o que leva a um aumento da sobrecarga nos cuidados prestados.

É por isso fundamental conhecer algumas dicas que possam auxiliar a lidar e retardar este problema:

  • Procure manter a pessoa activa no seu dia-a-dia: promovendo a manutenção das suas rotinas e/ou a realização das actividades que mais gosta, podendo estas serem adaptadas à medida que a demência progride;
  • Privilegie a colaboração da pessoa nas actividades de vida diária: poderá orientar/preparar a tarefa e auxiliar a pessoa caso seja necessário, mas privilegiando sempre a sua colaboração e independência;
  • Realize exercício físico regular: é fundamental para promover as funções motoras na sua globalidade. Por exemplo, poderá todos os dias fazer uma caminhada de pelo menos 20 minutos numa zona onde a pessoa goste de passear ou mesmo no corredor da sua casa;
  • Seja um participante ativo e faça atividades em conjunto com a pessoa: é um dos principais factores de adesão e motivação para a pessoa, sentir que o seu cuidador/familiar participa nas suas actividades;
  • Evite que a pessoa passe a maior parte do seu dia sentada/deitada: o sedentarismo é um problema que potencia o agravamento das funções motoras e consequentemente a perda de mobilidade;
  • Aconselhe-se com os profissionais da área: poderá ser necessário a pessoa adoptar um auxiliar de marcha, como auxílio para manter a sua mobilidade ou mesmo realizar uma intervenção mais específica. A fisioterapia é a principal área responsável por intervir nestas alterações, sendo o seu principal objetivo manter a máxima funcionalidade e independência, de forma a facilitar as atividades de vida diária, durante o maior tempo possível e lidar com as alterações motoras que possam surgir da demência e do avançar da idade.Tem também um papel fundamental no ensino aos cuidadores e familiares de dicas a adoptar em casa para a promoção do exercício físico e na prevenção e redução do risco de quedas.

A diminuição da mobilidade é inevitável nas pessoas com demência, no entanto existem estratégias e intervenções terapêuticas que visam retardar o aparecimento desse problema e potenciar a funcionalidade, independência e o bem-estar.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Demência e Deambulação

Qual o seu significado?

O comportamento de deambulação é bastante comum e pode ser muito inquietante para os familiares e cuidadores das pessoas com demência, pois poderá pôr em causa a sua segurança e o seu bem-estar.

O termo deambulação tem como significado “andar sem objectivo”, no entanto no caso das pessoas com demência não corresponde ao real significado deste comportamento.

Na realidade, quando andam, as pessoas com demência têm um sentido, que pode estar relacionado com rotinas antigas (por exemplo: ir trabalhar ou irem buscar os filhos/netos à escola).

No entanto, o declínio das funções cognitivas, como a perda de memória e o as dificuldades de comunicação da pessoa com demência pode levar a que seja incapaz de explicar o motivo pelo qual necessita de andar naquela momento (deambular).

Muitas vezes este comportamento é descrito pelos familiares e cuidadores, como se a pessoa quisesse “fugir” ou estar sempre a “andar de um lado para o outro”. Na realidade, a pessoa anda com um objectivo de fazer algo que fez parte da sua história de vida e das recordações que ainda tem, mesmo que possa não as conseguir verbalizar.

 Quais as causas?

Alteração do ambiente

Uma pessoa com demência pode sentir-se insegura e desorientada num ambiente novo, como por exemplo numa casa nova, numa casa que já não reconhece como sua ou num centro de dia/lar. O comportamento de deambulação pode surgir como resposta a uma mudança de ambiente e pode cessar no caso de a pessoa se habituar à mudança.

O comportamento de deambulação poderá também surgir como fuga a ambientes ruidosos ou movimentados.

Excesso de energia

A deambulação pode ser uma forma de gastar energia em excesso, o que pode indicar que a pessoa necessita de uma maior ocupação no seu dia-a-dia e/ou exercício físico regular adaptado.

Agitação

Face a momentos de desorientação seja ela de que causa for, pode surgir como consequência a agitação. Por vezes, a agitação pode levar a que a pessoa ande de um lado para o outro sem propósito aparente.

Procurar o passado

À medida que a demência progride, as pessoas poderão ficar mais confusas, podendo querer sair de casa em busca de alguém, para irem trabalhar ou de algo relativo ao seu passado.

Expressar o aborrecimento

Com a progressão da demência, torna-se mais difícil para a pessoa concentrar-se durante algum tempo, sendo que deambulação pode ser uma forma de a pessoa se manter ocupada.

Confundir a noite com o dia

A pessoa com demência pode sofrer de insónias ou acordar de madrugada e ficar desorientada. Nesta sequência, pode pensar que é de dia e decidir fazer uma caminhada ou pensar que têm de ir trabalhar.

As dificuldades de visão ou perda de audição podem fazer com que as sombras ou os sons da noite se tornem confusos e angustiantes, pelo que não devem sair sozinhos.

Por outro lado, a incapacidade de diferenciar os sonhos da realidade pode levar a pessoa a responder a algo que sonhou, pensando que isso aconteceu na vida real.

Dar continuidade a um hábito

As pessoas que estavam habituadas a caminhar longas distâncias podem, simplesmente, desejar continuar a fazê-lo.

Desconforto ou dor

O andar pode aliviar um desconforto ou dor que a pessoa possa sentir, sendo por isso importante descobrir se existe algum problema físico ou condição médica e tentar lidar com a sua situação. Como exemplo, alguma dor, o uso de roupas apertadas, o calor excessivo, ter frio ou estar à procura por algo.

O que fazer?

– Tente perceber o motivo pelo qual a pessoa procura deambular;

– No caso de estar agitada ou confusa tente tranquiliza-la e ajudá-la, se for necessário deambule com ela até que se acalme;

– Lembre-se de manter uma postura calma, tentando não contrariar este comportamento ou forçar a que pare;

– Procure garantir a sua segurança, não só dentro do espaço onde se encontra, mas também no exterior;

– Assegure que a pessoa tem sempre consigo alguma forma de identificação para o caso de se perder;

– Procure manter a pessoa ocupada com actividades que lhe sejam prazerosas, adequadas à sua condição clínica.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

 

 

 

 

 

 

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Águas Aromatizadas: uma ajuda para prevenir a desidratação

A desidratação é uma das principais causas de problemas de saúde no idoso. Pode levar a alterações renais e cardíacas, causar desorientação e diminuir a eficácia de alguns medicamentos.

No entanto, é frequente existir recusa na ingestão de água e esta recusa poderá ser mais acentuada nas pessoas com demência.

Deixamos-lhe algumas receitas de águas aromatizadas para motivar a ingestão de líquidos:

Surpresa de frutos vermelhos:

  1. Num jarro, coloque um litro de água com frutos vermelhos à sua escolha (podem ser morangos, as últimas cerejas da época, framboesas ou mistura de frutos congelados);
  2. Acrescente um ramo de hortelã fresca e bem lavada e umas gotas de limão;
  1. Sirva com cubos de gelo e decore com uma rodela de limão;
  1. Acrescente uma palhinha e já está!

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Delícia de Melancia:

  1. Corte duas fatias largas de melancia, retire a casca e todas as sementes;
  1. Parta a melancia em porções mais pequenas e coloque-as no copo liquidificador;
  1. Coloque o sumo de melancia num jarro e acrescente água;
  1. Complete com um ramo de hortelã e umas gotas de limão;

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Mistura exótica:

  1. Corte rodelinhas de meio pepino e rodelas de 1 lima;
  1. Descasque a raiz do gengibre e junte duas ou três rodelas;
  1. Acrescente um ramo grande de hortelã fresca;
  1. Termine com água fresca ou água com gás.

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Outras ideias:

Pode fazer cubos de gelo com pedacinhos de fruta!

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Degenerescência Lobar Fronto-Temporal

A degenerescência lobar fronto-temporal é um termo utilizado para designar um conjunto de demências que afetam particularmente os lobos frontal e temporal do cérebro.

O lobo frontal é responsável por muitos aspetos do funcionamento cerebral, nomeadamente a tomada de decisão e a regulação do comportamento. Já o lobo temporal está associado, entre outras funções, à linguagem. Numa fase inicial a degenerescência lobar frontotemporal, carateriza-se por alterações do comportamento ou da linguagem.

No caso em que a pessoa começa por apresentar alterações comportamentais estamos perante a variante comportamental da degenerescência lobar fronto-temporal.

            No caso dos primeiros sintomas serem alterações da linguagem estamos perante uma Afasia Progressiva Primária.

Os principais sintomas da variante comportamental da degenerescência lobar fronto-temporal são:

  • Desinibição (ex: cumprimentar pessoas estranhas na rua, andar sem roupa pela casa);
  • Apatia (ex: falta de iniciativa para iniciar uma tarefa; falta de interesse);
  • Comer em excesso ou nova preferência por alimentos doces;
  • Comportamentos repetitivos (ex: abrir e fechar gavetas)
  • Colecionar objetos (ex.: lixo, moedas);
  • Impulsividade (agir sem medir as consequências);
  • Dificuldade em planear e/ou organizar e/ou executar uma determinada tarefa;

Outros sintomas podem incluir:

  • Distração e impersistência;
  • Rigidez mental e inflexibilidade;
  • Gastos impulsivos;
  • Embotamento emocional;
  • Mudanças de humor.

Já a Afasia Progressiva Primária, a variante de linguagem da degenerescência lobar fronto-temporal, caracteriza-se por uma deterioração insidiosa da linguagem (isoladamente durante pelo menos dois anos), sendo que mais tarde surgem alterações noutros domínios cognitivos, comportamentais e emocionais.

A Afasia Progressiva Primária é muitas vezes dividida em três quadros distintos pois cada um deles parece apresentar um perfil clínico particular:

  1. Demência Semântica: perda do significado de palavras e conceitos;
  2. Afasia Progressiva Não Fluente: dificuldade em encontrar palavras e redução da fluência verbal;
  3. Afasia Progressiva Logopénica: deterioração da capacidade de nomear palavras isoladas e da repetição de frases como consequência de limitações na memória de trabalho.

Infelizmente, ainda não existe tratamento que permita reverter este conjunto de doenças. Os medicamentos utilizados servem apenas para o controle dos sintomas comportamentais. No entanto, recomenda-se complementar a intervenção farmacológica com terapias não-farmacológicas (ex: estimulação cognitiva e terapia da fala) pois podem ajudar a controlar os sintomas e a promover o bem-estar da pessoa e da família.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo e Rita Ferreira

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