Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Arquivo de Maio 2016

A importância de um correcto posicionamento

A progressão da demência leva a que as alterações motoras sejam mais evidentes, levando muitas vezes a uma perda de mobilidade e consequentemente da funcionalidade e independência.

As alterações posturais poderão surgir como consequência de várias alterações motoras associadas à demência, mas também da idade avançada. Torna-se assim fundamental a promoção de um correcto posicionamento da pessoa ao longo do seu dia, sendo que este tema tem uma maior importância nas pessoas com uma diminuição acentuada da autonomia e funcionalidade.

Um correcto posicionamento previne o surgimento de complicações motoras (encurtamentos musculares, diminuição da amplitude de movimento), alteração na integridade da pele (zonas de pressão) e promove o conforto e o bem-estar da pessoa. Para além disso, tem também um impacto crucial na capacidade da pessoa comunicar e realizar uma determinada tarefa, facilitando muitas vezes a sua funcionalidade e comunicação.

Para promover um correcto posicionamento devemos ter em conta os seguintes aspectos:

– Aconselhe-se sobre o tipo de posicionamento: deve consultar o profissional de saúde da área (fisioterapeuta), para que este possa em conjunto consigo selecionar o posicionamento adequado tendo em conta a patologia, o grau de dependência, as capacidades motoras da pessoa, as limitações articulares, a presença de dores e a preferência da pessoa;

– Treine com os profissionais de saúde da área: é importante o treino prévio com o profissional de saúde (fisioterapeuta) que acompanha a pessoa para que este possa ensinar, treinar e auxiliar;

Posicione o equipamento: poderá ser necessário utilizar por exemplos almofadas, sendo por isso importante ter o material necessário perto de si. No entanto, é importante balancear entre o conforto extremo e a capacidade de a pessoa se conseguir mover;

– Utilize movimentos seguros e suaves: no caso de ter de posicionar a pessoa, lembre-se de utilizar uma pega segura e suave, o mais importante a ter em conta é que não deve agarrar, mas sim suportar, não pressionando os dedos em garra ou pinça. Quando mover a pessoa evite arrastar o corpo sobre a superfície, tendo em conta a integridade da sua pele e o seu bem-estar;

Promova a sua segurança e o seu conforto: procure manter sempre um correcto alinhamento da coluna vertebral, mas também das restantes articulações, facilitando assim a sua mobilidade, diminuindo o risco de queda, de lesões cutâneas ou de magoar certas zonas do corpo;

Procure explicar à pessoa: é importante explicar caso a pessoa compreenda a importância de estar bem posicionada. Se for necessário auxiliar, explique à pessoa previamente, pois irá melhorar a sua colaboração, reduzir a sua ansiedade/medo, surgimento de alterações comportamentais e a promoção de uma maior sintonia entre a pessoa e o cuidador/familiar;

Privilegie sempre a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração caso seja possível, de forma a promover a sua funcionalidade/independência;

Posicionamento do familiar/cuidador: é fundamental o correcto posicionamento do familiar/cuidador que está a posicionar a pessoa, a fim de facilitar e promover a segurança durante a sua realização e evitar possíveis lesões durante a mesma.

Todas estas estratégias pretendem facilitar um correcto posicionamento, no entanto será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua condição clínica, à sua funcionalidade e às suas dificuldades.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

 

 

 

 

 

 

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O que são interfaces “cérebro-computador”?

As interfaces cérebro-computador consistem na comunicação directa entre o cérebro humano e um dispositivo externo.

Esta tecnologia integra o conhecimento de áreas tão vastas como a engenharia, a biologia e as neurociências.

Como funcionam?

A utilização desta tecnologia baseia-se na medição da actividade eléctrica do cérebro.

O nosso cérebro possui diversos tipos de células, onde se incluem os neurónios e cujo funcionamento implica a passagem de impulsos eléctricos que permitem a comunicação e a integração de informação entre as diferentes áreas cerebrais.

As interfaces “computador-cérebro” utilizam a leitura desta actividade eléctrica para medir diferenças de voltagem entre os neurónios. Os sinais captados são amplificados e filtrados para melhorar a resolução e a clareza do sinal. O sinal é, então, convertido em valores digitais e transmitidos para computadores, que processam esses sinais para realizar uma determinada tarefa.

Como se lê o sinal eléctrico cerebral?

A forma mais comum, não invasiva e indolor de medir este sinal, é através de sensores eléctricos, que são colocados na superfície do couro cabeludo, como é o caso do electroencefalograma (EEG).

A análise de um EEG é complexa devido à grande quantidade de informação recebida de cada eléctrodo. Diferentes tipos de sinal são classificados de acordo com a frequência, origem e até a forma da onda.

A utilização de softwares sofisticados permitem interpretar padrões de actividade cerebral e traduzi-los em comandos para controlar um dispositivo externo, como uma prótese ou um computador.

Esta tecnologia tem vindo a ser aplicada com fins médicos, para ajudar pessoas que, por doença ou por lesão cerebral (por exemplo um AVC), ficam impossibilitadas de falar.

BCI

Com algum treino, o sistema permite que a pessoa aceda ao computador, escreva mensagens e controle até o ambiente circundante (televisão, estores…), devolvendo-lhe alguma autonomia e melhorando a sua qualidade de vida.

Revisão Clínica: Inês Tello

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Demência: Como facilitar as transferências e a mobilidade no leito?

A progressão da demência leva à necessidade de uma aumento dos cuidados por parte dos cuidadores/familiares, devido à diminuição da funcionalidade e ao aumento da dependência.

No entanto, é fundamental o ensino de estratégias que visem preparar os familiares/cuidadores para as fases seguintes, que facilitem a realização dos cuidados básicos, das tarefas de vida diária e as adaptações no domicílio.

 

Mobilidade no leito

Este termo diz respeito à mobilidade na cama, como por exemplo, passar da posição de barriga para cima, para o lado.

A diminuição da mobilidade surge a nível geral e caracteriza-se pela lentificação do movimento, o que leva a um aumento da dificuldade para realizar os movimentos e a uma diminuição da funcionalidade, podendo assim dificultar a mobilidade no leito.

Para facilitar a mobilidade na cama da pessoa devemos ter em conta os seguintes aspectos:

– Treine e aconselhe-se com os profissionais de saúde da área: é importante o treino prévio com o profissional de saúde (fisioterapeuta) que acompanha a pessoa para que este possa ensinar, treinar e auxiliar;

– Promova um correcto posicionamento: para facilitar as actividades de vida diária, comunicação/interacção, mas também para evitar o aparecimento de complicações cutâneas e músculo-esqueléticas;

Não puxe pelas articulações: a fim de promover o seu correcto alinhamento e evitar possíveis lesões;

Não arraste o corpo na cama: tendo em conta a integridade da pele e o bem-estar da pessoa;

Privilegie sempre a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração, de forma a promover a sua participação/funcionalidade.

Transferências

Uma transferência envolve o deslocamento da pessoa de um local para outro, por exemplo da cama para a cadeira. Estas para serem realizadas de forma correcta, devem promover o alinhamento das articulações, a distribuição de peso de forma homogénea e a segurança da pessoa e do transportador.

Ao realizarmos uma transferência devemos ter em conta os seguintes pontos:

– Treine com os profissionais de saúde da área: é importante o treino prévio com o profissional de saúde (fisioterapeuta) que acompanha a pessoa para que este possa ensinar, treinar e auxiliar na realização de uma transferência;

– Aconselhe-se sobre o tipo de transferência: deve consultar o profissional de saúde da área, para que este possa em conjunto consigo selecionar a transferência adequada tendo em conta a patologia, grau de dependência e as capacidades motoras da pessoa;

Posicione o equipamento: é importante preparar o espaço previamente, retirando possíveis obstáculos, adequando as superfícies de transferência (altura, distância) e colocando o que vai precisar facilmente acessível (ex: auxiliares de marcha ou tábua de transferência);

Promova a sua segurança e o seu conforto: lembre-se de realizar um correcto posicionamento, facilitando a sua mobilidade, diminuindo o risco de queda ou de magoar certas zonas do corpo;

Procure explicar à pessoa o que vai acontecer: antes da realização da transferência é importante explicar à pessoa o que se vai passar, pois irá melhorar a sua colaboração, reduzir a sua ansiedade/medo, prevenir o aparecimento de alterações comportamentais e promover uma maior sintonia entre a pessoa e o transportador;

Privilegie sempre a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração, de forma a promover a sua participação e funcionalidade;

Posicionamento do transportador: é fundamental o correcto posicionamento do transportador, a fim de facilitar e promover a segurança durante a realização da transferência e evitar possíveis lesões durante a mesma;

Utilize comandos verbais simples e directos: é importante que seja apenas uma pessoa a dar o comando verbal, a fim de possibilitar a sintonia entre o transportador (es) e a pessoa;

Utilize uma pega segura: o mais importante a ter em conta é que não deve agarrar, mas sim suportar, não pressionando os dedos em garra ou pinça. Poderá aconselhar-se com um profissional da área para auxiliar na escolha da pega, tendo em conta as capacidades motoras e colaboração da pessoa, a integridade da pela, o tipo de transferência e localização anatómica.

Todas estas estratégias pretendem facilitar a mobilidade no leito e transferências, no entanto será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua condição clínica, à sua funcionalidade e às suas dificuldades. Existem também ajudas técnicas específicas para auxiliar durante as transferências e mobilidade no leito, que poderá informa-se das mesmas nas lojas específicas ou juntos dos profissionais de saúde competentes.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Sintomas motores na Doença de Parkinson

A doença Parkinson (DP) é uma doença crónica e progressiva do sistema nervoso central, que faz parte do grupo das doenças do movimento.

Os sintomas na doença de Parkinson dividem-se em sintomas motores e não-motores, sendo os motores os predominantes nesta patologia.

Os principais sintomas motores são:

Bradicinesia: caracteriza-se pela lentidão na realização dos movimentos voluntários, mas também é descrita como uma diminuição global da iniciativa de movimento;

Tremor de repouso: tal como o nome indica surge quando o membro está e repouso e desaparece quando a pessoa executa movimentos activos. Na maioria dos casos surge como primeiro sintoma, estando presente em aproximadamente 70% dos casos no momento do diagnóstico;

Rigidez muscular: caracteriza-se pela presença de uma resistência crescente em toda a amplitude passiva de um membro e pode surgir em qualquer músculo dos membros ou tronco, sendo mais comum na região da cervical, ombro e pernas;

Instabilidade postural: que inclui a diminuição do equilíbrio e coordenação, normalmente surge em fases mais avançadas da doença, sendo a principal causa do surgimento de quedas.

Para além destes sintomas descritos existem outros sintomas motores secundários que poderão estar presentes:

Freezing: caracteriza-se por um distúrbio episódico da marcha, que é descrito pelas pessoas como a sensação dos “pés ficarem colados ao chão”, envolvendo uma incapacidade temporária e involuntária para se mover. O freezing pode ocorrer em qualquer momento, sendo mais comum surgir em situações que implicam iniciar o andar (hesitação ao iniciar), contornar um obstáculo, mudar de direcção durante o andar, aumento assim o risco de queda;

Festinação: é uma alteração no andar da pessoa, que envolve um aumento involuntário da velocidade do andar, associado a uma diminuição da amplitude dos mesmos, aumentando o risco do surgimento de quedas;

Distonia: caracteriza-se pela contração contínua ou intermitente do músculo, podendo originar alterações posturais, movimentos anormais e repetitivos ou ambos;

Discinesias: são movimentos involuntários e irregulares, que poderão surgir ao nível do pescoço, braços, pernas ou tronco;

– Micrografia: alteração na escrita, diminuição do tamanho da caligrafia;

– Diminuição do balanceamento dos braços durante a marcha;

– Diminuição da expressão facial;

– Retropulsão: tendência para cair para trás.

A presença destes sinais tem um impacto significativo na qualidade de vida destes doentes, sendo assim fundamental que estes e as suas famílias sejam devidamente acompanhados por profissionais de saúde especializados, de modo a que os ajudem a lidar com as implicações no seu dia-a-dia.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Exercício Físico após um AVC

O exercício físico tem um impacto crucial na saúde, promovendo o bem-estar físico e mental.

Após um AVC a realização de exercício físico tem de ser adaptado tendo em conta a situação clínica, as capacidades motoras, a tolerância ao esforço, as dificuldades e as preferências da pessoa. É fundamental promover a sua contínua mobilidade, a fim de potenciar a sua funcionalidade e independência.

Quando a pessoa está a realizar um programa de reabilitação, muitas vezes é dado à pessoa e à família um plano de exercícios adaptado a cada caso para complementar a intervenção realizada no domicílio.

No entanto, dado que um AVC tem um forte impacto na funcionalidade da pessoa, nem sempre é fácil a sua adesão a um programa de exercícios.

Por isso aqui ficam algumas dicas para os familiares/cuidadores, que procuram auxiliar a adesão da pessoa:

  • Aconselhe-se com os profissionais da área sobre os riscos e o plano de exercício que deve adoptar: é importante confirmar com o seu médico que não existem riscos para a prática do exercício físico. Depois questione o seu fisioterapeuta sobre o tipo, frequência e duração dos exercícios adequados face à pessoa. Normalmente são os próprios fisioterapeutas que elaboram um plano para a pessoa realizar no domicílio. Este plano é explicado e ensinado à pessoa e ao seu cuidador/familiar, a fim de facilitar a sua realização.
  • Procure auxiliar na execução/compreensão dos exercícios: se a pessoa tiver dificuldades procure auxiliar, tal como o fisioterapeuta recomendou, evite forçar ou obrigar. Se a pessoa não perceber o que tem de fazer, poderá demonstrar a actividade ou explicá-la de forma clara, dando pistas escritas ou visuais.
  • Realize os exercícios num ambiente tranquilo, familiar e que seja do agrado da pessoa: evite ambientes com ruídos ou distracções que poderão comprometer a concentração e adesão da pessoa ao exercício;
  • Seja um participante activo e faça a actividade em conjunto com a pessoa: é um dos principais factores de adesão e motivação para a pessoa, sentir que o seu cuidador/familiar participa nas suas actividades.

  • Realize os exercícios de forma regular: é importante a prática regular, de acordo com as indicações dadas pelo fisioterapeuta, para promover a motivação e os benefícios a longo prazo.
  • Limite a duração da actividade à que lhe foi recomendada: um erro comum é os familiares/cuidadores/pessoa pensarem que quanto mais fizeram, mais rápido vão recuperar. Esta relação não é tão directa como parece, pois é fundamental respeitar/ter períodos de descanso entre as actividades, para que o corpo se possa adaptar aos estímulos e cansaço a que foi sujeito. Para além disso é fundamental adaptar a actividade física à capacidade cardiovascular (tolerância ao esforço), a fim de evitar complicações decorrentes.
  • Esteja atento à pessoa: procure perceber como a pessoa se sente ao realizar os exercícios propostos (presença de dores, cansaço, mal-estar), de modo a que se for necessário os exercícios sejam novamente readaptados à pessoa.
  • Dê um feedback positivo: um erro comum é estar sempre a realçar o que a pessoa fez mal, que leva a que esta se sinta frustrada e triste por constatar as suas dificuldades. Devemos corrigir a pessoa, mas de uma forma construtiva, dando um feedback positivo e realçando as conquistas alcançadas, pois irá promover a sua auto-estima e adesão aos exercícios.

  • Tenha em conta a alimentação e a hidratação: é fundamental realizar uma alimentação nutritiva e ingerir água durante e após o exercício físico ou nos momentos de pausa durante o mesmo.

O NeuroSer quer dar mais um passo no sentido de ajudar os familiares e cuidadores a lidar com as dificuldades motoras e a reduzir a sobrecarga que está associada à prestação de cuidados a pessoas que sofreram um AVC. Nesse sentido, a primeira das Sessões Práticas e Informativas sobre AVC abordará as “Alterações Motoras”, onde existirá a oportunidade de identificar as principais alterações motoras no p+os AVC e adquirir estratégias para com elas lidar. Consulte aqui os objectivos da sessão.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

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A importância de um correcto posicionamento após um AVC

Após um AVC muitas são as alterações que ocorrem, que requerem um aumento dos cuidados e uma adaptação do dia-a-dia da pessoa.

Um dos factores a ter em conta é a promoção de um correcto posicionamento da pessoa ao longo do seu dia, sendo que este tema tem uma maior importância nas pessoas com uma diminuição acentuada da autonomia e funcionalidade.

Um correcto posicionamento:

  • previne o surgimento de complicações motoras (encurtamentos musculares, diminuição da amplitude de movimento, entre outros)
  • previne a alteração na integridade da pele (zonas de pressão)
  • promove o conforto e o bem-estar da pessoa.

Para além disso, tem também um impacto crucial na capacidade da pessoa comunicar e realizar uma determinada tarefa, facilitando muitas vezes a sua funcionalidade e comunicação.

Para promover um correcto posicionamento:

  • Aconselhe-se sobre o tipo de posicionamento: deve consultar o profissional de saúde da área (fisioterapeuta), para que este possa em conjunto consigo seleccionar o posicionamento adequado tendo em conta o grau de dependência, as capacidades motoras da pessoa, as limitações articulares, a presença de dores e a preferência da pessoa.
  • Treine com os profissionais de saúde da área: é importante o treino prévio com o profissional de saúde (fisioterapeuta) que acompanha a pessoa para que este possa ensinar, treinar e auxiliar
  • Posicione o equipamento: poderá ser necessário utilizar, por exemplo, almofadas, sendo por isso importante ter o material necessário perto de si. No entanto, é importante balancear entre o conforto extremo e a capacidade de a pessoa se conseguir mover.
  • Utilize movimentos seguros e suaves: no caso de ter de posicionar a pessoa, lembre-se de utilizar uma pega segura e suave, é importante não agarrar, mas sim suportar, não pressionando os dedos em garra ou pinça. Quando mover a pessoa evite arrastar o corpo sobre a superfície, tendo em conta a integridade da sua pele e o seu bem-estar.
  • Promova a sua segurança e o seu conforto: procure manter sempre um correcto alinhamento da coluna vertebral, mas também das restantes articulações, facilitando assim a sua mobilidade, diminuindo o risco de queda, de lesões cutâneas ou de magoar certas zonas do corpo.
  • Procure explicar à pessoa: é importante explicar, caso a pessoa compreenda, a importância de estar bem posicionada. Se for necessário auxiliar, explique à pessoa previamente, pois irá melhorar a sua colaboração, reduzir a sua ansiedade/medo e promover uma maior sintonia entre a pessoa e o cuidador/familiar.
  • Privilegie sempre a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração, de forma a promover a sua funcionalidade/ independência.
  • Posicionamento do familiar/cuidador: é fundamental o correcto posicionamento do familiar/cuidador que está a posicionar a pessoa, a fim de facilitar e promover a segurança durante a sua realização e evitar possíveis lesões durante a mesma.

Todas estas estratégias pretendem facilitar um correcto posicionamento, no entanto, será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua condição clínica, à sua funcionalidade e às suas dificuldades.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Necessidades do Cuidador: Sessão Informativa

Destinatários:

Cuidadores ou familiares de pessoas com Alzheimer ou outra Demência que tenham interesse em abordas as necessidades e as consequências de cuidar.

Objectivos da Sessão:

  1. Descrever sucintamente a natureza dos cuidados a prestar nas diferentes fases da demência;
  2. Identificar os factores que motivam os cuidadores a prestar cuidados;
  3. Discutir as necessidades físicas e emocionais do cuidador;
  4. Identificar perfis e traços do cuidador que podem influenciar a forma como este presta cuidados;
  5. Discutir estratégias para prevenir, identificar e gerir sinais de sobrecarga.

Data da Sessão:

A sessão ocorrerá no dia 16 de Maio de 2016 entre as 17h30 e as 18h30.

Orador:

Margarida Rebolo (Neuropsicóloga)

Local da Sessão:

A sessão será nas instalações do NeuroSer (Rua Prof. Delfim Santos, nº 9 C, 1600-610 Lisboa).

Custo da Sessão:

A sessão tem um custo de €10, sendo necessária inscrição prévia através do e-mail info@neuroser.pt ou ligando para 21 750 60 10.

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Livro: Tudo muda num instante

O aumento da esperança média de vida e o envelhecimento da população levam a um aumento da preocupação dos cuidados prestados nesta fase e das implicações que esses têm no indivíduo, na família e na própria sociedade.

Este livro, junta um grupo de profissionais especializados em saúde, abordando questões essenciais para viver e lidar melhor com o processo de envelhecimento, partindo de experiências pessoais e profissionais, realçando também o importante papel do cuidador.

“A esperança de vida desafia-nos com um “novo envelhecimento” que tem de voltar a ser assumido como um processo natural, integrado na família e na sociedade. Este livro pretende estimular-nos a desenvolver comportamentos que garantem até mais tarde uma vivacidade intelectual e a manutenção de competências individuais para uma autonomia saudável.”

 Revisão: Mariana Mateus

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Teoria da validação

Para muitas famílias e cuidadores comunicar com a pessoa com demência pode tornar-se um desafio crescente, à medida que a memória vai ficando mais comprometida e que a sua capacidade de expressar os seus sentimentos diminui. A perda de memória recente pode fazer com que o passado se comece a fundir com o presente, traduzindo-se em dificuldades acrescidas para os familiares e cuidadores.

A teoria da validação foi construída sobre uma atitude empática e uma visão holística dos indivíduos. Esta contempla a pessoa com demência como um indivíduo único, com muito valor. Baseia-se na premissa de que as pessoas com esta doença crónica e progressiva estão a tentar resolver assuntos que deixaram por resolver de modo a poderem partir em paz.

O cuidador assume um papel importante no sentido de promover a expressão destas emoções, de forma verbal ou não-verbal. Acredita-se que, ao vermos a vida “através dos olhos” do outro, podemos entrar no mundo de pessoas com desorientação e melhor compreender o significado dos seus comportamentos.

Foram designados alguns princípios orientadores que visam auxiliar os cuidadores a validar as emoções da pessoa com demência e, consequentemente, a diminuir o seu sofrimento:

  • Todos os indivíduos são únicos e devem ser valorizados:

Devemos abordar a pessoa com respeito e como um indivíduo único.

Por exemplo, uma senhora com 90 anos vive num lar de idosos. O cuidador dirige-se à idosa como “querida” ou “avó”.  Segundo a terapia da validação, o cuidador deveria dirigir-se à senhora como “Sr.ª D. Maria” ou “Maria”, dependendo da situação.

 

  • Pessoas com desorientação devem ser aceites como são: não devemos tentar mudá-las:

Não é benéfico tentar mudar um comportamento se o indivíduo não estiver pronto ou se não tiver capacidade cognitiva para o fazer. Contrariar a percepção da pessoa com demência, por mais longe que ela esteja da nossa realidade, não é producente.

Por exemplo, uma senhora com Doença de Alzheimer está convencida que a sua filha anda a deitar fora os seus pertences, incluindo álbuns de fotografias e o seu diário de quando era mais nova. No entanto, é ela própria que os esconde e depois se esquece onde os pôs. A filha contesta e fica profundamente ofendida com a acusação.

Segundo a terapia da validação, a filha poderia aproveitar a oportunidade para promover um momento de reminiscência com a mãe de uma forma positiva. “A sua aliança desapareceu. Acredita que fui eu que a roubei? É uma aliança muito bonita. Porque não me conta a história de quando conheceu o pai?

 

  • Quando os sentimentos de angustia são reconhecidos e validados por uma pessoa de confiança, estes podem ser atenuados:

A aceitação dos sentimentos expressos pela pessoa com demência, através da empatia, é muito importante. Ignorar ou desvalorizar sentimentos de angustia não contribui para atenuá-los – muito pelo contrário, pode exacerbá-los e levar à manifestação de comportamentos desafiantes. Ao reconhecê-los, gera-se confiança, reduz-se a ansiedade e contribui-se para restaurar a dignidade do indivíduo.

Por exemplo, a pessoa com demência pergunta “Onde está a minha mãe?”, e o cuidador responde “A sua mãe já morreu há 30 anos. Estamos em 2016.”

Neste caso, seria mais adequado validar o sentimento que está por detrás desta pergunta – possivelmente a pessoa está a perguntar pela mãe porque tem saudades dela. “Fale-me um bocadinho da sua mãe… Como é que ela era?”

 

  • A desorientação pode sinalizar que uma ou mais das seguintes necessidades humanas não estão a ser supridas:
  • Eliminar situações de dor ou desconforto.
  • Compensar quando a visão, audição, mobilidade e a memória estão mais comprometidas;
  • Sentir-se útil e produtivo;
  • Ser ouvido e respeitado;
  • Expressar sentimentos e ser escutado;
  • Estabelecer contacto humano (sentimento de pertença e de amor); .

Apesar do resultados da validação se fazerem sentir gradualmente e não de um dia para o outro, estes podem ser muito positivos e permanentes. Pode resultar numa diminuição de comportamentos desafiantes, da labilidade emocional e dos níveis de deambulação e num aumento da eficácia da comunicação bem como da auto-estima.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo e Rita Ferreira

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