Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Arquivo de Abril 2016

Sinais e manifestações cardinais na Doença de Parkinson

Sinais e manifestações cardinais na Doença de Parkinson

A doença Parkinson (DP) é uma doença crónica e progressiva do sistema nervoso central, que faz parte do grupo das doenças do movimento. A DP constitui a segunda doença neurodegenerativa mais comum, depois da Doença de Alzheimer.

A causa é ainda desconhecida, mas sabe-se que existe uma diminuição dos neurónios dopaminérgicos, numa região específica do cérebro, na substância nigra. Em condições normais, estas células produzem dopamina, um neurotransmissor que ajuda a transmitir mensagens entre as diversas áreas do cérebro que controlam o movimento corporal.

O diagnóstico é estabelecido segundo critérios clínicos: a presença de bradicinesia e um ou mais dos restantes sintomas motores mais comuns da doença (sinais cardinais), sendo que a sua manifestação se dá de forma diferente em cada doente. Por exemplo, o tremor é muitas vezes o primeiro sintoma, mas em alguns casos este poderá não estar presente. Não existe actualmente nenhum exame radiológico ou análise laboratorial que diagnostique a 100% a DP, sendo que a doença só poderá ser diagnosticada com 100% de certeza com a realização de um exame post mortem do cérebro.

Esta doença apresenta como sinais a manifestações cardinais:

Bradicinésia: caracteriza-se pela lentidão na realização dos movimentos voluntários, mas também é descrita como uma diminuição global da iniciativa de movimento;

Tremor de repouso: tal como o nome indica surge quando o membro está e repouso e desaparece quando a pessoa executa movimentos activos. Na maioria dos casos surge como primeiro sintoma, estando presente em aproximadamente 70% dos casos no momento do diagnóstico;

Rigidez muscular: caracteriza-se pela presença de uma resistência crescente em toda a amplitude passiva de um membro e pode surgir em qualquer músculo dos membros ou tronco, sendo mais comum na região da cervical, ombro e pernas;

Instabilidade postural: que inclui a diminuição do equilíbrio e coordenação, normalmente surge em fases mais avançadas da doença, sendo a principal causa do surgimento de quedas.

Para além destes sinais descritos existem outros sintomas que poderão estar presentes, como por exemplo alterações cognitivas e comportamentais ou alterações do sono.

A presença destes sinais tem um impacto significativo na qualidade de vida destes doentes, sendo assim fundamental que estes e as suas famílias sejam devidamente acompanhados por profissionais de saúde especializados, de modo a que os ajudem a lidar com as implicações no seu dia-a-dia.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Estimulação magnética transcraniana nas doenças do cérebro

Com o aumento da esperança média de vida, aumenta também a comorbilidade de patologias associadas ao envelhecimento e a consequente busca por novas terapias e abordagens de tratamento das doenças do cérebro. Neste contexto específico, as técnicas de neuromodulação, onde se enquadra a Estimulação Magnética Transcraniana (TMS – sigla inglesa), têm tido avanços promissores e suscitado grande interesse por parte da comunidade científica pelo seu potencial terapêutico, nomeadamente após um AVC.

A  TMS é considerada uma técnica de neuromodulação não invasiva porque não implica nenhum procedimento doloroso nem envolve instrumentos que rompam as barreiras naturais do corpo humano.

Esta técnica é baseada no princípio da indução electromagnética, ou seja, um pulso de corrente electromagnética passa por uma bobine, colocada sobre a cabeça da pessoa e induz um campo eléctrico no cérebro.

A TMS modifica a excitabilidade entre os neurónios e activa diferentes estruturas do cérebro ao longo de conecções específicas.

A utilização clínica da TMS obedece a normas éticas e a procedimentos bem estabelecidos  que minimizam quaisquer riscos e fazem com seja considerada uma técnica segura para a modulação não-invasiva de regiões corticais.

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Diversos estudos  demonstraram que a técnica pode ser útil para várias condições neurológicas (por exemplo, Acidente Vascular Cerebral) e condições psiquiátricas (como a depressão major ou alucinações auditivas). No entanto, não se trata de uma cura mas sim de uma intervenção complementar cuja plena potencialidade ainda está a ser investigada.  Novos estudos estão a ser desenvolvidos e espera-se que em breve a sua aplicação possa ser realizada em estudos clínicos com um largo número de pessoas e testando a sua eficácia a longo prazo.

Revisão Clínica: Inês Tello

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Como facilitar as transferências e a mobilidade no leito?

O regresso da pessoa a casa, após um AVC, é vivido pela pessoa/familiares/cuidadores como um momento de grande alegria, mas também de grande ansiedade e insegurança face à nova realidade e aos cuidados que são necessários. É importante o conhecimento de estratégias por parte dos seus familiares e cuidadores que visem facilitar as tarefas de vida diária, adaptações no domicílio e a promoção da funcionalidade e independência da pessoa.

 

Mobilidade no leito

Este termo diz respeito à mobilidade na cama, como por exemplo passar da posição de barriga para cima, para de lado.

O início de uma mobilidade precoce facilita o desenvolvimento de bons padrões de movimento, independência e auto-controlo.

Para facilitar a mobilidade na cama da pessoa devemos ter em conta os seguintes aspectos:

– Treine e aconselhe-se com os profissionais de saúde da área: é importante o treino prévio com o profissional de saúde (fisioterapeuta) que acompanha a pessoa para que este possa ensinar, treinar e auxiliar;

– Promova um correcto posicionamento: para facilitar as actividades de vida diária, comunicação/interacção, mas também o aparecimento de complicações cutâneas e músculo-esqueléticas;

Não puxe pelas articulações: a fim de promover o seu correcto alinhamento e evitar possíveis lesões;

Não arraste o corpo na cama: tendo em conta a integridade da pele e o bem-estar da pessoa;

Privilegie sempre a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração, de forma a promover a sua funcionalidade/independência.

 

Transferências

Uma transferência envolve o deslocamento da pessoa de um local para outro, por exemplo da cama para a cadeira. Estas para serem realizadas de forma correcta, devem promover o alinhamento das articulações, a distribuição de peso de forma homogénea e a segurança da pessoa e do transportador.

Ao realizarmos uma transferência devemos ter em conta os seguintes pontos:

– Treine com os profissionais de saúde da área: é importante o treino prévio com o profissional de saúde (fisioterapeuta) que acompanha a pessoa para que este possa ensinar, treinar e auxiliar na realização de uma transferência;

– Aconselhe-se sobre o tipo de transferência: deve consultar o profissional de saúde da área, para que este possa em conjunto consigo selecionar a transferência adequada tendo em conta a patologia, grau de dependência e as capacidades motoras da pessoa;

Posicione o equipamento: é importante preparar o espaço previamente, retirando possíveis obstáculos, adequando as superfícies de transferência (altura, distância) e colocando o que vai precisar facilmente acessível (ex: auxiliares de marcha ou tábua de transferência);

Promova a sua segurança e o seu conforto: lembre-se de realizar um correcto posicionamento, facilitando a sua mobilidade, diminuindo o risco de queda ou de magoar certas zonas do corpo;

Procure explicar à pessoa o que vai acontecer: antes da realização da transferência é importante explicar à pessoa o que se vai passar, pois irá melhorar a sua colaboração, reduzir a sua ansiedade/medo e promover uma maior sintonia entre a pessoa e o transportador;

Privilegie sempre a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração, de forma a promover a sua funcionalidade/independência;

Posicionamento do transportador: é fundamental o correcto posicionamento do transportador, a fim de facilitar e promover a segurança durante a realização da transferência e evitar possíveis lesões durante a mesma;

Utilize comandos verbais simples e directos: é importante que seja apenas uma pessoa a dar o comando verbal, a fim de possibilitar a sintonia entre o transportador (es) e a pessoa;

Utilize uma pega segura: o mais importante a ter em conta é que não deve agarrar, mas sim suportar, não pressionando os dedos em garra ou pinça. Poderá aconselhar-se com um profissional da área para auxiliar na escolha da pega, tendo em conta as capacidades motoras e colaboração da pessoa, a integridade da pela, o tipo de transferência e localização anatómica.

Todas estas estratégias pretendem facilitar a mobilidade no leito e transferências, no entanto será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua condição clínica, à sua funcionalidade e às suas dificuldades. Existem também ajudas técnicas específicas para auxiliar durante as transferências e mobilidade no leito, que poderá informa-se das mesmas nas lojas específicas ou juntos dos profissionais de saúde competentes.

 

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

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Preparar a Fase Seguinte: Sessão Informativa

Destinatários:

Cuidadores ou familiares de pessoas com Alzheimer ou outra Demência que tenham interesse em conhecer as necessidades associadas às várias fases de um quadro demencial.

Objectivos da Sessão:

  1. Identificar e descrever as características das várias fases de um quadro demencial;
  2. Identificar necessidades, da pessoa com demência e do cuidador, associadas a cada uma das fases;
  3. Discutir estratégias que permitam antecipar e preparar a fase seguinte.

Data da Sessão:

A sessão ocorrerá no dia 02 de Maio de 2016 entre as 17h30 e as 18h30.

Orador:

Professora Doutora Mª Vânia Silva Nunes (Neuropsicóloga e Investigadora)

Local da Sessão:

A sessão será nas instalações do NeuroSer (Rua Prof. Delfim Santos, nº 9 C, 1600-610 Lisboa).

Custo da Sessão:

A sessão tem um custo de €10, sendo necessária inscrição prévia através do e-mail info@neuroser.pt ou ligando para 21 750 60 10.

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Demência na Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson é caracterizada por uma dificuldade em iniciar o movimento, lentificação na execução do mesmo e outros sinais como instabilidade postural, tremor de repouso ou rigidez. É, por isso, conhecida como uma doença do movimento. No entanto, cada vez mais se reconhece que os sintomas não motores tais como as alterações cognitivas e comportamentais representam uma componente importante deste quadro patológico.

As alterações cognitivas que acompanham a Doença de Parkinson são sobretudo ao nível da atenção (ex: diminuição da concentração ou dificuldade em ignorar estímulos no ambiente que não são relevantes para a tarefa em curso), do funcionamento executivo (ex: dificuldade em planear uma tarefa) e da memória (ex: dificuldade em evocar nomes ou informação previamente memorizada). Podem existir alterações noutros domínios cognitivos, nomeadamente ao nível da capacidade visuo-perceptiva.

A nível comportamental é comum manifestar-se um quadro depressivo, de desinibição, apatia, agitação, entre outros sintomas.

Os números variam de estudo para estudo, no entanto, podemos dizer que cerca de 40% das pessoas recentemente diagnosticados com Doença de Parkinson apresentam alterações cognitivas compatíveis com um Défice Cognitivo Ligeiro.  Cerca de 30% das pessoas com Doença de Parkinson têm demência. Após 20 anos de evolução de doença, a maioria dos doentes já desenvolveram um quadro demencial. No entanto, e apesar da sua prevalência considerável nesta população clínica, nem todos as pessoas com Doença de Parkinson desenvolvem uma demência.

Acredita-se que a presença simultânea da sintomatologia motora e cognitiva/comportamental na Doença de Parkinson se deva ao mecanismo biológico subjacente. A principal característica patológica é a deposição anormal da proteína α-sinucleína que, numa fase inicial ocorre em áreas mais localizadas na profundida do cérebro – responsáveis pelo controlo motor – e, numa fase posterior, se estende a áreas responsáveis pelas funções nervosas superiores.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

 

 

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A fadiga associada ao AVC

A fadiga é um dos efeitos mais comuns após um AVC, sendo um pouco diferente da fadiga que sentimos normalmente e que pode ter várias causas, como por exemplo, um dia muito cansativo.

Após o AVC as pessoas sentem uma diminuição de energia ou de força muscular, tendo uma sensação de cansaço constante, o que poderá influenciar a sua participação no seu processo de reabilitação, nas suas actividades do dia-a-dia, afectando assim a sua qualidade de vida.

Incidência

A fadiga é muitas vezes relatada pelas pessoas com AVC como o seu principal problema, podendo surgir logo após o AVC e manter-se por um curto ou longo período de tempo.

O seu aparecimento não está directamente relacionado com o tipo ou a gravidade do AVC, variando de caso para caso.

Causa

Não existe uma causa concreta para o aparecimento da fadiga e, por isso, algumas pessoas com AVC podem sentir e outras não.

No entanto, pensa-se que os factores físicos e emocionais que surgem após o AVC contribuem para o aparecimento da sensação de fadiga.

Fadiga vs. tempo de evolução pós-AVC

Numa fase inicial após o AVC, a reabilitação é intensiva, consumindo a maior parte da energia da pessoa, sendo muito comum a pessoa sentir-se cansada.

Ao longo do tempo, as alterações motoras associadas ao AVC levam a que a pessoa altere a forma como realiza as suas actividades de vida diária, consumindo energias diferentes. Estas alterações levam a que a pessoa se sinta mais cansada a realizar uma determinada tarefa, comparativamente com o período anterior ao AVC.

Fadiga vs. alterações emocionais

O aparecimento de sintomatologia depressiva ou ansiedade são comuns após um AVC. Muitas das pessoas que têm fadiga, sentem-se também deprimidas ou ansiosas.

É por isso importante estar atento às alterações emocionais que possam surgir e informar ao seu médico.

Fadiga vs. outros factores associados

Os problemas do sono (ex: insónias) ou perturbações do sono (ex: apneia do sono), problemas na alimentação, presença de anemia ou diabetes, poderão também contribuir para o surgimento da fadiga.

Alguns medicamentos poderão também ter como efeito secundário a fadiga, sendo importante informar-se com o seu médico dos mesmos.

Tratamento da Fadiga

Não existe nenhum medicamento específico para o tratamento da fadiga, no entanto, é importante conhecer algumas estratégias para lidar com a mesma:

  • Informe o seu médico da situação: para que este o possa auxiliar a lidar com a fadiga e apurar possíveis causas para o seu surgimento.
  • Lembre-se que é um problema comum: pode acontecer a qualquer pessoa após um AVC e não é culpa sua.
  • Partilhe com os seus familiares e amigos o que sente: muitas vezes as pessoas em seu redor não percebem o que está a sentir. Partilhe para que estes o compreendam e consigam ajudar a lidar com este problema.
  • Realize exercício físico regular: é importante manter a actividade física, tanto num contexto de intervenção, como no domicílio, pois irá auxiliar a lidar/diminuir o cansaço sentido. Lembre-se que o exercício deverá ser adaptado às suas capacidades motoras e limitações funcionais.
  • Tenha em conta a alimentação e o sono: é fundamental realizar uma alimentação nutritiva e promover a rotina do sono.
  • Procure ajuda: a fadiga poderá ser um problema perturbador e inquietante, procure ajuda e apoio junto da equipa de reabilitação que o está a acompanhar.
  • Dê tempo ao tempo: lembre-se que este problema poderá perdurar ao longo do tempo, dificultando a realização das actividades de vida diária, sendo fundamental momentos de descanso entre as mesmas e realizá-las com tempo, tendo em conta as suas limitações funcionais e capacidades motoras.
  • Festeje as suas vitórias: o processo de recuperação após um AVC é intensivo e muitas vezes de longa duração, levando por vezes à frustração e desânimo. Lembre-se por isso de festejar cada conquista alcançada.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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