Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Arquivo de Março 2016

Dicas para auxiliar a pessoa com demência em casa

Com o avançar da progressão da doença, poderá surgir a necessidade de auxiliar a pessoa a orientar-se na sua própria casa. Isto acontece porque a pessoa com demência poderá perder a capacidade de se lembrar de onde ficam as divisões ou percepcionar onde se encontra.

Por questões de segurança, mas também para possibilitar a manutenção da independência e da funcionalidade por um maior período de tempo possível é importante conhecer algumas dicas que facilitam a mobilidade.

Esteja atento e acompanhe a pessoa: poderá ser necessário auxiliar a pessoa, no sentido de a encaminhar para a divisão que deseja. Lembre-se de utilizar comandos verbais simples e directos para facilitar a sua compreensão;

Promova uma boa iluminação dos espaços: o avançar da idade pode causar problemas visuais, sendo por isso importante manter uma boa iluminação em toda a casa e durante a noite poderá colocar luzes de presença a sinalizar o caminho ou deixar a luz acesa;

Sinalize as principais divisões: poderá sinalizar com uma fita de cor ou uma imagem alusiva à divisão, de forma a auxiliar na perceção da pessoa;

Mantenha o acesso livre e seguro às principais divisões: no caso de a casa ter várias divisões poderá optar por deixar a porta aberta apenas das principais (ex: casa de banho, cozinha, quarto e sala), de modo a não confundir a pessoa e garantir a sua segurança;

Promova a sua segurança e conforto: poderá ser necessário adaptar a residência, de modo a facilitar a e prevenir quedas. Relembre aqui algumas adaptações que pode fazer no domicílio.

Todas estas estratégias pretendem auxiliar a orientação da pessoa em casa, no entanto, será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua funcionalidade, às suas dificuldades e ao contexto.

Revisão clínica: Mariana Mateus

 

 

 

 

 

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Sessão: Promover a Segurança da Pessoa com Demência

Destinatários:

Cuidadores ou familiares de pessoas com demência ou qualquer cuidador ou familiar que tenha interesse em aprofundar o seu conhecimento sobre a Promoção da Segurança das pessoas com demência.

Objectivos da Sessão:

  1. Dar a conhecer os motivos que levam à necessidade de prestar mais atenção à promoção da segurança das pessoas com demência;
  2. Discutir, de forma prática, algumas sugestões de adaptação da residência;
  3. Partilhar algumas dicas centradas na pessoa com demência, a fim de potenciar a manutenção da sua independência;
  4. Clarificar outras questões relacionadas com o tema.

Data da Sessão:

A sessão ocorrerá no dia 11 de Abril de 2016 entre as 17h30 e as 18h30.

Local da Sessão:

A sessão será nas instalações do NeuroSer (Rua Prof. Delfim Santos, nº 9 C, 1600-610 Lisboa).

Custo da Sessão:

A sessão tem um custo de €10, sendo necessária inscrição prévia através do e-mail info@neuroser.pt ou ligando para 21 750 60 10.

Orador:

Mariana Mateus (Fisioterapeuta)

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Consulta de Apoio ao Cuidador

As patologias neurológicas (ex: Doença de Alzheimer, Acidente Vascular Cerebral, Traumatismo Crâneo-Encefálico) podem ser particularmente incapacitantes. O cérebro é, entre outras coisas, o órgão responsável pelos nossos pensamentos, emoções, personalidade, funções executivas e pela capacidade de gerar movimento  (as chamadas funções nervosas superiores). Quando existe uma lesão cerebral, seja degenerativa ou adquirida, qualquer uma destas funções pode ser comprometida e, por consequência, a pessoa passar a depender de terceiros para realizar as tarefas do quotidiano.

É muito frequente os cuidadores de pessoas com patologia neurológica experienciarem níveis elevados de stress. Este fenómeno pode ser muito prejudicial para o estado de saúde do doente mas também para o do cuidador.

Foi nesse sentido que o NeuroSer desenvolveu a consulta de Apoio ao Cuidador que se destina a familiares que prestem cuidados a portadores de patologia neurológica.

O Apoio geral ao Cuidador tem dois objectivos principais:

  1. O primeiro prende-se com o ensino de estratégias específicas que possam servir para lidar com os sintomas que resultam da patologia em questão.

No caso de uma demência (ex: Doença de Alzheimer), é particularmente importante dar a conhecer aos cuidadores as estratégias que podem utilizar para evitar ou minimizar as alterações comportamentais que surgem.

No caso de um AVC, pode passar por dar estratégias para promover uma comunicação eficaz ou para realizar adaptações no domicílio quando existem limitações motoras.

Para esse efeito, o Apoio ao Cuidador conta com a contribuição de uma equipa multidisciplinar cujos membros (médicos, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas da fala) colaboram para fornecer as estratégias mais adequadas à família, tendo em conta variáveis como a condição clínica, a personalidade da pessoa com patologia, a dinâmica familiar e não só.

  1. Para além do ensino de estratégias especificas para lidar com os sintomas de uma patologia neurológica, a consulta de Apoio ao Cuidador pretende dar espaço ao cuidador familiar para desabafar as suas frustrações e dificuldades.

Muitas vezes o cuidador depara-se com a necessidade de confiar o cuidado do seu familiar a outras pessoas por não ser física ou emocionalmente capaz de o fazer sozinho, pois uma situação de stress excessivo ou de sobrecarga pode levar a que o cuidador deixe de ser a pessoa mais adequada para prestar cuidados. Por vezes, esta decisão é acompanhada de um sentimento de culpa pois os cuidadores sentem que estão a desistir do seu familiar. Esta consulta pretende dar um suporte emocional para que o cuidador se possa sentir apoiado nestas e outras decisões que toma de forma independente.

Esta consulta também pode ajudar o cuidador a lidar com a sobrecarga associada à tarefa de cuidar, por exemplo ajudando-o a organizar a sua agenda, reservando momentos para si. Este trabalho é realizado por psicólogos com experiência e especializados na área da neurologia.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

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Marcha: dicas para promover a segurança

A marcha por si só envolve a integração da atenção, do planeamento, da memória anterior e de um processo cognitivo-motor. Com a demência, surgem alterações nas funções cognitivas frontais que contribuem para as alterações na dinâmica da marcha.

As principais alterações na marcha são a diminuição do comprimento do passo e a diminuição da velocidade na marcha. Estas alterações contribuem para o surgimento de quedas, sendo necessário por vezes adoptar um auxiliar de marcha (ex: tripé ou andarilho).

É também fundamental o ensino aos cuidadores e familiares de estratégias de segurança durante o acompanhamento da marcha:

Evite distrair ou conversar: de modo a que a pessoa concentre a sua atenção na marcha e no meio envolvente;

Posicione-se atrás ou de lado: para prevenir e auxiliar caso surja um desequilíbrio;

Utilize uma pega segura: no caso de a pessoa necessitar do apoio de 3ª pessoa. Poderá aconselhar-se com um profissional da área para auxiliar na escolha da pega, tendo em conta as capacidades motoras da pessoa;

Concentre a atenção da pessoa no meio envolvente: ajudando-o a perceber para onde se dirige e a preparar previamente o surgimento de um obstáculo (ex: degrau);

Utilize comandos verbais simples e directos: que possibilitem que a pessoa compreenda o que lhe está a ser transmitido (ex: “Vamos virar à direita.”; “Vamos agora subir um degrau.”);

Dê um feedback positivo: de forma a promover a sua auto-estima e realçando as conquistas alcançadas.

 

Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

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Dicas para facilitar os cuidados básicos

Com a progressão da demência, as pessoas vão necessitar de um maior auxílio na prestação dos seus cuidados básicos. Isto acontece porque a pessoa poderá perder a capacidade de utilizar ou reconhecer os objectos ou esquecer-se da sua rotina diária (ex: tomar banho).

No entanto, o auxílio durante os cuidados básicos deverá ser realizado tendo em conta as capacidades da pessoa, o respeito pela sua privacidade e a promoção da sua autonomia e independência.

 

Higiene pessoal

O banho é muitas vezes a actividade de cuidados pessoais mais difícil que os cuidadores enfrentam. Por ser uma experiência tão íntima, as pessoas com a doença de Alzheimer e outras demências podem percepcionar como desagradável ou ameaçador.

  • Mantenha a rotina: tente realizar o banho na hora que a pessoa estava habituada a fazê-lo;
  • Prepare previamente a actividade: aquecendo o espaço, colocando o que vai precisar facilmente acessível (champô/sabonete, toalha);
  • Promova a sua segurança e o seu conforto: poderá ser necessário realizar adaptações (ex: barras de apoio, cadeira de banho, tapete anti-derrapante) e controle a temperatura, profundidade e pressão da água, para que seja um momento agradável;
  • Procure explicar à pessoa o que vai acontecer: passo a passo, de forma simples e de fácil compreensão;
  • Privilegie a colaboração da pessoa: poderá orientar/preparar a tarefa e caso seja necessário auxiliar a pessoa, mas pedindo sempre a sua colaboração;
  • Respeite a dignidade da pessoa e a sua privacidade: lembre-se que é uma tarefa íntima, seja flexível durante a mesma;
  • Demonstre a tarefa que lhe está a pedir: facilita o processo de imitação e realização da tarefa;
  • Assegure a correcta higiene das zonas íntimas: para evitar possíveis infeções urinárias ou outros problemas;
  • Dê sempre um feedback positivo: durante e após a realização da tarefa, melhorando a sua confiança e auto-estima.

Vestir

As pessoas com demência tem normalmente dificuldades em vestir-se, porque esquecem-se da ordem da roupa ou pela diminuição de mobilidade.

  • Simplifique as escolhas: limite a escolha a dois conjuntos diferentes, tendo em conta a personalidade da pessoa, os seus gostos, estilo e hábitos anteriores. Pode também retirar a roupa menos própria e adaptadar às estações do ano, para auxiliar a pessoa na sua escolha;
  • Prepare previamente a actividade: esquematize a roupa pela ordem que esta deve ser vestida e oriente ou exemplifique como a pessoa deve fazer;
  • Promova o seu conforto: é importante escolher roupas confortáveis, fáceis de vestir, de textura macia e elástica, a fim de potenciar a independência e favorecer a mobilidade e o bem-estar da pessoa;
  • Procure que utilize um calçado adequado: deve ser justo, confortável, leve, fechado, anti-derrapante e privilegie o velcro em vez dos atacadores, para facilitar a sua autonomia;
  • Tenha em atenção a temperatura: dado que estas pessoas tem dificuldade em exprimir-se será importante adaptar o seu vestuário à temperatura ambiente;
  • Seja flexível: se a pessoa quer vestir a mesma roupa várias vezes, será importante ter opções similares ou até duplicar a mesma roupa, o importante será manter a pessoa asseada e composta;
  • Dê tempo: é importante dar-lhe tempo suficiente para se vestir, tentando não dar importância aos erros e tranquilizá-la caso não consiga. Lembre-se de dar sempre um feebback positivo durante a realização da tarefa;
  • Simplifique o processo de maquilhar: a maquilhagem faz parte da rotina de muitas senhoras e será importante mante-la. Esta esta tarefa pode ser simplificada, auxiliando a manter o seu interesse e a sua auto-estima.

Comer e Beber

É fundamental manter uma correcta e equilibrada nutrição para manter o corpo forte e saudável. No entanto, estas pessoas poderão com a progressão da demência esquecer-se de comer, comer compulsivamente ou não saber como utilizar os talheres.

  • Privilegie a independência da pessoa: é importante encorajar a pessoa a fazer por si, auxiliando no que for necessário ou exemplificando a tarefa, mas privilegiando sempre a sua autonomia;
  • Procure variar a alimentação: procure realizar uma alimentação variada, privilegiando os vegetais, a fruta, os alimentos com baixo teor em gordura e de proteína magra, evitando os açúcares. Privilegie também os seus gostos e hábitos saudáveis;
  • Promova uma boa hidratação: ofereça copos de água ao longo do dia, para garantir que a pessoa está hidratada;
  • Adapte a alimentação: dependendo das dificuldades da pessoa, poderá adaptar a consistência e a forma como os alimentos lhe são apresentados (ex: cortar previamente). Encontre alimentos que possam ser comidos à mão para facilitar a sua ingestão;
  • Esteja atento a sinais de engasgamento: as dificuldades em deglutir poderão provocar um engasgamento. Evite dar alimentos de difícil mastigação e encoraje a pessoa a adquirir uma postura correcta durante a refeição (sentada com o tronco direito e cabeça ligeiramente para a frente). Verifique durante e após a refeição o conteúdo da boca da pessoa para perceber se engoliu os alimentos;
  • Verifique sempre a temperatura da comida: a pessoa com demência poderá não conseguir distinguir se está frio ou quente, por isso verifique sempre antes de dar a refeição;
  • Adapte os utensílios e a sua disposição: procure utilizar utensílios de fácil manuseamento, percepção e com contraste, evitando padrões que possam confundir a pessoa. Coloque na mesa apenas o que será necessário para a pessoa realizar a refeição;
  • Procure dar a refeição num ambiente calmo e familiar: evite ambientes com ruídos ou distrações que poderão comprometer a concentração e adesão da pessoa;
  • Procure tornar a refeição um momento agradável: é importante tomar a refeição com a pessoa, de forma a encorajá-la a realizar a mesma e promover a socialização;
  • Seja flexível: não se preocupe demasiado com as maneiras correctas e a limpeza, pois isso poderá levar a que a pessoa não queira repetir e associa a refeição a um momento desagradável. Lembre-se de dar tempo e de fazer refeições mais pequenas e frequentes, fazendo do almoço a refeição principal.
  • Perda de apetite ou perda de peso: caso aconteça será importante informar o seu médico.

Imagem alimentação

Todas estas estratégias pretendem facilitar as actividades de vida diária, no entanto será importante previamente discuti-las com os profissionais de saúde da área, de modo a que sejam adaptadas à pessoa, à sua funcionalidade e às suas dificuldades.

 

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Sessão: Actividades de Vida Diária

Destinatários:

Cuidadores ou familiares de pessoas com demência que manifestem dificuldades nas Actividades de Vida Diária (higiene pessoal, auto-cuidado, vestir e despir, alimentação) ou qualquer cuidador ou familiar que tenha interesse em aprofundar o seu conhecimento acerca desta temática.

Objectivos da Sessão:

  1. Conhecer, globalmente, os motivos que levam à existência de dificuldades nas actividades de vida diária na pessoa com Demência;
  2. Discutir, de forma prática, alguns exemplos de dificuldades nas actividades da vida diária (higiene pessoal, auto-cuidado, vestir e despir, alimentação);
  3. Conhecer diversas estratégias práticas que podem ajudar na manutenção destas actividades;
  4. Permitir a partilha e discussão de situações individuais.

Data da Sessão:

A sessão ocorrerá no dia 28 de Março de 2016 entre as 17h30 e as 18h30.

Local da Sessão:

A sessão será nas instalações do NeuroSer (Rua Prof. Delfim Santos, nº 9 C, 1600-610 Lisboa).

Custo da Sessão:

A sessão tem um custo de €10, sendo necessária inscrição prévia através do e-mail info@neuroser.pt ou ligando para 21 750 60 10.

 

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Dicas para facilitar a toma da Medicação

O tratamento farmacológico constitui uma das abordagens no tratamento das demências, pelo que a toma de medicamentos faz parte da rotina diária destas pessoas e, por este motivo, é importante cumprir a sua prescrição. No entanto, com a progressão da demência poderão surgir atitudes de recusa em tomar os medicamentos.

Face a esta situação é importante que os cuidadores/familiares conheçam algumas dicas que poderão auxiliar:

Informe o seu médico da situação: para que este possa rever a consistência (cápsula/comprimido, solução oral/xarope, penso transdérmico) da medicação prescrita, bem como simplificar e reorganizar o horário das tomas de forma mais adaptada ao ritmo da pessoa/cuidadores/familiares caso seja possível;

Procure dar comandos verbais simples e de fácil compreensão: durante a explicação poderá demonstrar a toma, de modo a que a pessoa possa fazer por imitação ou distrai-la conversando sobre um assunto do seu interesse e gosto;

Procure dar a medicação num ambiente calmo e familiar: evite ambientes com ruídos ou distrações que poderão comprometer a concentração e adesão da pessoa;

É importante que a pessoa que dê a medicação seja familiar: procure demonstrar uma atitude calma e serena face à situação, a fim de facilitar a adesão;

Lembre-se de não forçar: caso a pessoa recuse tente novamente mais tarde, um pequeno atraso na toma, não irá influenciar a eficácia do medicamento;

– Poderá esmagar os medicamentos e misturá-los na comida, no entanto deverá em primeiro lugar consultar o seu médico, para verificar se o medicamento não perderá a sua eficácia.

Estas são apenas algumas dicas que poderão ser úteis, no entanto estas devem sempre ser abordadas em primeiro lugar com os profissionais de saúde que estão a seguir a pessoa antes de as adoptar.

 

Texto de Mariana Mateus com Revisão Clínica de Drª Rita Moiron Simões

 

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Sessões de Grupo: Alzheimer e outras Demências

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Estão abertas as inscrições para novas sessões de Grupo no NeuroSer.

  1. Destinatários: pessoas com Alzheimer ou outra Demência
  2. Duração: períodos de 4 horas
  3. Frequência: a definir
  4. Tipo de actividades:
    • Estimulação Cognitiva
    • Classes de Movimento
    • Comunicação e Socialização
    • Música e Ritmo
    • Actividades de Lazer
    • Actividades no exterior
  5. Inscrição: sujeita à realização de uma entrevista nas instalações do NeuroSer (a entrevista não tem qualquer custo)

Agendamento de entrevista ou solicitação de informações adicionais através de info@neuroser.pt ou 21 7506010.

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Alterações cognitivas pós-AVC

O Acidente Vascular-Cerebral (AVC) é uma condição neurológica súbita que afecta uma área particular do cérebro, levando à perda de função dependente dessa mesma área. É um dos problemas neurológicos agudos mais comuns e uma das causas mais frequentes de internamento hospitalar.

Quais as alterações cognitivas que podem surgir após um AVC?

A maioria dos AVCs resultam em algum tipo de alteração a nível cognitivo. O padrão de alterações cognitivas depende essencialmente da área lesada. Como sabemos, o nosso cérebro recruta áreas difusas e coordena-as de forma integrada para realizar uma tarefa. No entanto, existe alguma especialização funcional no cérebro. Quer isto dizer que algumas áreas têm um papel mais importante na integridade de determinadas funções cognitivas. Por exemplo, a maior parte das pessoas têm as funções linguísticas lateralizadas à esquerda no cérebro. Mais especificamente, o lobo temporal esquerdo tem um papel muito importante na linguagem.

De forma geral, após um AVC podemos observar alterações em vários domínios cognitivos e que se podem associar a uma diminuição da funcionalidade dos doentes.

  • Capacidade atencional

O nosso cérebro recebe uma quantidade enorme de informação a cada segundo. Para nos concentrarmos numa determinada tarefa, o cérebro tem que diferenciar a informação mais relevante da menos relevante, tendo em conta o nosso objectivo final.

A grande maioria das pessoas que sofrem um AVC experienciam dificuldades de concentração, especialmente na fase aguda. A concentração é uma capacidade essencial pois dela dependem uma série de outras funções nervosas mais “sofisticadas”. Se não conseguirmos focar a atenção na informação relevante, não iremos conseguir processá-la, codificá-la nem consolidá-la de maneira a utilizá-la no futuro.

A nível funcional:

  • A pessoa pode não ser capaz de filtrar a informação que a rodeia, dificultando a comunicação inter-pessoal num ambiente mais ruidoso
  • Pode também ser difícil manter-se focado numa única tarefa (ex: ler um livro ou ver televisão)
  • Também pode ser um desafio transferir a atenção de uma tarefa para a outra, pelo que, se for interrompida, a pessoa pode não conseguir retomar a tarefa que estava a executar
  • A pessoa pode não conseguir dividir facilmente a atenção entre duas ou mais tarefas (ex: não conseguir tirar um café com sucesso enquanto fala com alguém)
  • Finalmente, a pessoa que sofre um AVC pode passar a processar a informação mais lentamente, levando, por exemplo, a que não consiga acompanhar um discurso muito rápido.

Após um AVC no lado direito do cérebro, também é possível que a pessoa não repare em objectos que estão do seu lado esquerdo ou que não preste atenção a metade do seu corpo (ex: não fazer a barba ou não se maquilhar do lado esquerdo da cara) e que apenas coma alimentos apresentados do lado direito do prato. Estes sintomas podem ser muito óbvios para outros mas a própria pessoa não se vai aperceber até alguém chamar a atenção para a sua dificuldade.

  • Memória

É muito comum surgirem problemas de memória após um AVC, particularmente nas primeiras semanas/meses. Não obstante, alguns destes problemas podem ser explicados pela dificuldade de concentração já referida.

A pessoa pode ter dificuldade em lembrar-se de informação que acabou de lhe ser comunicada ou daquilo que ia fazer. Pode também esquecer-se de datas importantes (ex: consultas médicas), do sítio onde colocou um determinado objecto, do nome de uma pessoa ou daquilo que esta lhe disse da última vez que a viu.

  • Funções executivas

As alterações do funcionamento executivo também são comuns após um AVC. As funções executivas permitem-nos planear, monitorizar e executar tarefas, resolver problemas e tomar decisões. Também nos permitem adaptar a nossa resposta em função das contingências do meio.

A nível funcional:

  • A pessoa que sofre um AVC pode não ser capaz de planear e executar com sucesso a confecção de uma refeição ou simplesmente não conseguir mudar o canal da televisão
  • Pode também ter uma diminuição da iniciativa para fazer determinadas tarefas (ex: só tomar banho quando alguém lhe diz para o fazer) ou precisar de pistas de ajuda ao longo da tarefa
  • Pode ser mais difícil interpretar expressões faciais ou a linguagem corporal ou colocar-se na perspectiva do outro, limitando assim o funcionamento social.
  • Capacidade práxica

Cada vez que nos movimentamos, o nosso cérebro tem que planear os movimentos a executar e garantir uma sequenciação correcta dos mesmos para alcançarmos o nosso objectivo. Um AVC pode comprometer a capacidade para executar movimentos sobreaprendidos (ex: vestir, fazer chá, preparar uma refeição), mesmo na ausência de défices motores – apraxia.

Em termos funcionais a pessoa pode não conseguir realizar uma tarefa por comando verbal (não justificado por alterações motoras), apesar de compreender perfeitamente o que lhe está a ser solicitado. Aqui a dificuldade está no planeamento do movimento, pelo que a pessoa pode não ser capaz de fazer o gesto de “dizer adeus” por comando verbal, mas ser capaz de o fazer espontaneamente quando alguém se vai embora. Neste último caso, trata-se de um comportamento que pode ser considerado mais automático e que não implica um nível de pensamento tão sofisticado. Estas dificuldades podem ser facilmente confundíveis com defeitos puramente motores (ex: por diminuição de força), mas os clínicos dispõem de instrumentos que lhes permitem distinguir as duas condições.

  • Capacidade visuo-perceptiva

Após um AVC, a pessoa pode não conseguir avaliar certas características dos objectos (ex: profundidade, tamanho, volume, orientação). Pode também não conseguir avaliar a distância a que se encontra de um obstáculo ou a altura de um degrau.

Pode também ser difícil identificar um prato branco sobre uma toalha branca ou interagir com os objectos com sucesso (ex: tapar um recipiente).

  • Gnosia (reconhecimento)

Depois de um AVC, a pessoa pode não conseguir reconhecer um objecto visualmente, pelo toque ou pelo som. Este fenómeno recebe o nome de agnosia. A agnosia geralmente é especifica para uma modalidade sensorial, ou seja, a pessoa pode não conseguir reconhecer o objecto visualmente, mas não ter essa dificuldade quando toca nele.

Podem ainda surgir alterações noutros domínios cognitivos e também não podemos esquecer as alterações da comunicação que são tão frequentes nesta doença neurológica e tão incapacitantes para os doentes e familiares.

Para além disso, as alterações motoras também são muito comuns nos AVCs e contribuem para aumentar a dependência de terceiros. Por isso, o trabalho multidisciplinar é essencial para prestar os melhores cuidados de saúde possíveis a pessoas com AVC.

 Revisão Clínica: Margarida Rebolo

O NeuroSer quer dar mais um passo no sentido de ajudar os familiares e cuidadores de pessoas que sofreram um AVC. Nesse sentido, a terceira das Sessões Práticas e Informativas sobre AVC abordará as “Alterações Cognitivas, Comportamentais e Emocionais”, onde existirá a oportunidade de identificar as principais alterações pós AVC e adquirir estratégias para com elas lidar. Consulte aqui os objectivos da sessão.

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Cognitive Stimulation Therapy

O que é o Cognitive Stimulation Therapy (CST)?

Após um diagnóstico de demência, existe uma tendência para a pessoa retirar a sua participação de tarefas mentalmente estimulantes o que, por sua vez, leva a uma maior perturbação do nível funcional porque a pessoa deixa de utilizar determinadas competências e perde confiança. Sabemos que o cérebro, tal como o corpo, precisa de ser exercitado mas escolher as actividades mais adequadas para uma determinada pessoa com demência não é tarefa fácil.

O CST é um programa de estimulação cognitiva, concebido por uma equipa da University College of London (Inglaterra) e destinado a pessoas com demência em fase ligeira a moderada. É um programa baseado na evidência, sendo que o seu desenvolvimento foi motivado pelos resultados de um conjunto de investigações.

O objectivo do CST é disponibilizar actividades que sejam desafiantes mas exequíveis, sem que a pessoa entre em frustração. Foram desenvolvidas de forma a serem o mais holísticas possível (recrutando várias funções cognitivas, emocionais e até motoras).

 

Em que é que consiste o CST?

Tipicamente, o CST é desenvolvido em grupo e engloba 14 ou mais sessões de actividades temáticas, com uma frequência bissemanal. Por um lado, o objectivo das sessões passa por estimular activamente a pessoa com demência e encorajar a sua participação em tarefas significativas. Por outro, visa promover a interacção social e criar um ambiente estruturado e confortável para serem feitas novas aprendizagens.

Cada sessão de CST é desenvolvida em torno de um determinado tema (ex: som, infância, comida, temas da actualidade, criatividade). Existe um leque de actividades possíveis para cada sessão e estas devem ser selecionadas de acordo com as preferências dos membros do grupo.

Exemplo de uma actividade:

Com recurso a imagens ou objectos antigos e modernos (ex: discos de vinil, máquina fotográfica antiga, computador, telemóvel), promova a discussão utilizando as seguintes questões como ponto de partida:

  • Para que servem este objectos?
  • Quais as semelhanças e diferenças entre os objectos antigos e modernos?
  • Quais são os seus preferidos e porquê?
  • Já alguma vez teve algum destes objectos?
  • Quais considera mais fáceis de utilizar?
  • Quais são os objectos mais caros?

Chegando ao fim das 14 sessões, e de modo a prolongar os efeitos benéficos do CST, recomenda-se que a pessoa com demência não abandone a estimulação cognitiva.

Mais recentemente, foi desenvolvida uma versão do CST para aplicação individual que também tem tido resultados positivos. Os temas das sessões são semelhantes mas estas foram adaptadas para que pudessem ser aplicadas por cuidadores informais ou formais apenas a uma pessoa.

 

Em que contexto é que o CST pode ser aplicado?

O CST foi desenvolvido para ser administrado por qualquer profissional da saúde que trabalhe na área das demências (ex: psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros), desde que tenha recebido formação prévia para esse efeito. Para implementar o CST, os profissionais devem participar em formações internacionais e orientar-se pelos manuais disponíveis.

O programa pode ser implementado em contexto domiciliário, de centro de dia ou de lar.

O CST já é desenvolvido, pelo menos em parte, em algumas instituições em Portugal entre as quais se encontram o NeuroSer, no entanto ainda se encontra em processo de adaptação e validação para a nossa população.

 

O CST em grupo é eficaz?

            Sabemos que a eficácia do CST é comparável à dos fármacos anti-demenciais de que dispomos actualmente. Aliás, as normas de orientação clínica do Reino Unido (National Institute for Health and Care Excellence) recomendam que todas as pessoas com demência ligeira a moderada participem num programa de CST em grupo, independentemente da terapêutica farmacológica que estão a receber.

 

O CST individual é eficaz?

Existem evidências de que as pessoas com demência percepcionam uma melhoria da relação com o seu cuidador após participarem no programa de CST individual. Os benefícios estendem-se também aos próprios cuidadores que reportam uma melhoria ao nível da qualidade de vida depois de implementarem o CST individual. No entanto, os efeitos positivos do CST em grupo parecem ser mais expressivos do que os do CST individual, o que nos leva a crer que a dimensão da socialização tem um valor terapêutico importante.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

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