Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Arquivo de Fevereiro 2016

Dor após um Acidente Vascular Cerebral (AVC)

 A dor define-se como uma experiência emocional e sensorial geralmente desagradável, associada a uma lesão tecidular real ou potencial, ou descrita em termos dessa lesão.

A dor é um problema comum nas pessoas que sofreram um AVC (11% a 55% dos casos) e que deve ser valorizado.

Ombro doloroso

O ombro doloroso surge em cerca de 11% a 14% dos casos pós-AVC e afecta normalmente o membro superior (braço) mais afectado. Poderá resultar de duas situações: ombro congelado ou sub-luxação do ombro.

Nestas situações um correcto posicionamento do membro é vital para reduzir a pressão realizada sobre as estruturas cápsulo-ligamentares, evitar o surgimento de uma situação de ombro congelado ou sub-luxação e permitir a manutenção da mobilidade do membro superior.

Dor central pós-AVC

A dor central afecta cerca de 12% dos casos pós-AVC e é uma forma de dor neuropática que resulta de uma lesão primária ou uma disfunção do sistema nervoso central após o AVC.

É descrita pelas pessoas como uma sensação de queimadura gelada, dor latejante e com “vida própria”, sendo que se exacerba face a situações de stress físico ou emocional. Algumas pessoas tem a sensação de formigueiro e dormências nas áreas de dor.

Este tipo de dor poderá surgir logo após o AVC ou meses mais tarde e ocorre normalmente no hemicorpo mais afectado, sendo a sua localização variável de caso para caso.

Dor vs. Espasticidade

A dor encontra-se também relacionada com a presença de espasticidade, pelo aumento do tónus muscular, que pode dificultar a mobilização das partes do corpo afectadas. Para além disso a espasticidade provoca uma tensão e contração anormal dos músculos, podendo causar espasmos dolorosos.

É por isso fundamental o tratamento da espasticidade, a fim de evitar o surgimento de contraturas, a diminuição/impossibilidade da mobilidade dos membros afectados e o surgimento de dor associada a estas alterações.

Outras condições dolorosas

Como outras condições dolorosas podemos mencionar a dor nas mãos associada ao edema presente, sendo que este tipo de dor surge normalmente nos casos em que existe uma diminuição ou incapacidade para mover a mão.

A dor de cabeça poderá estar presente, podendo surgir associada ao stress, depressão, dificuldade em dormir ou ser provocada por um efeito secundário da medicação. É por isso importante nestes casos informar o seu médico.

Tratamento

A dor pode persistir por um longo período de tempo após o AVC, influenciando o bem-estar da pessoa, sendo por isso importante o seu tratamento.

  • Tratamento Farmacológico: contacte o seu médico para que este possa ajudar na prescrição de medicamentos adequados à sintomatologia dolorosa.
  • Tratamento Não-Farmacológico: a fisioterapia constitui uma das abordagens que tem efeitos benéficos e eficazes no tratamento da dor e promoção do bem-estar.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Alterações motoras associadas ao AVC

O AVC constitui a principal causa de incapacidade permanente em Portugal.

Uma das principais alterações após o AVC são as alterações motoras e estas diferem consoante o território cerebral que é afectado. As alterações motoras têm um forte impacto na funcionalidade, independência e qualidade de vida das pessoas.

As principais alterações motoras são

Fraqueza Muscular

A fraqueza muscular constitui uma das principais alterações motoras, provocando uma dificuldade na mobilidade que poderá afectar apenas um membro do nosso corpo (ex: o braço) ou todo o hemicorpo (hemiparesia), sendo que a sua gravidade varia de caso para caso.
A fraqueza muscular tem um forte impacto na mobilidade, no equilíbrio e na funcionalidade.

Dor

A dor no AVC é um sintoma motor muito comum que poderá acontecer ou resultar de um processo de fraqueza muscular, em que os músculos não realizam a sua função de protecção das articulações, levando ao surgimento de dor.

Alteração do Tónus Muscular

O tónus muscular caracteriza-se pela resistência ou tensão nos nossos músculos, que permite que o nosso corpo se mantenha em determinada posição.
Poderá surgir uma diminuição do tónus muscular (hipotonia) ou um aumento do tónus muscular (espasticidade), sendo esta última mais comum e que compromete a mobilidade normal do(s) membro(s) afectado(s).

Contractura

A contractura define-se como a contracção permanente de um determinado músculo que leva a uma posição contínua do mesmo e resulta de um processo de rigidez. Normalmente ocorre quando não existe a mobilização regular, podendo originar uma alteração da postura e a diminuição da funcionalidade.

Equilíbrio

Uma das principais consequências do AVC são as alterações do equilíbrio, que comprometem a estabilidade postural (capacidade de manter o corpo em equilíbrio).
O equilíbrio é muito complexo e envolve o trabalho conjunto de vários sistemas do nosso corpo: sistemas sensoriais (vestibular, visual e propriocepção), sistema músculo-esquelético e sistema nervoso.
As alterações do equilíbrio têm como principais consequências a diminuição da funcionalidade nas actividades de vida diária e o risco de queda.

Sensibilidade

O AVC poderá afectar a sensibilidade de diferentes formas dependendo de cada caso, destacando-se, como mais frequentes:

  • Diminuição/aumento da sensibilidade dolorosa;
  • Alteração da sensibilidade táctil e térmica;
  • Alteração da sensibilidade profunda (noção de posição ou de movimento do corpo).

Tratamento

A fisioterapia tem um especial enfoque na reabilitação das alterações motoras, reeducação do equilíbrio, da marcha, promoção de mobilidade, treino de actividades funcionais (ex: mobilidade na cama), com o objectivo global de promover a funcionalidade, a independência e melhorar qualidade de vida.

A reabilitação nestes casos deve iniciar-se o mais precocemente possível, é intensiva, individualizada e muitas vezes de longa duração, a fim de potenciar a máxima funcionalidade e independência possível.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Sessões Práticas e Informativas: Alterações Motoras e Dor na Demência

Destinatários:

Cuidadores ou familiares de pessoas com demência que manifestem Alterações Motoras ou Dor, ou qualquer cuidador ou familiar que tenha interesse em aprofundar o seu conhecimento acerca desta temática.

Objectivos da Sessão:

  1. Conhecer e vivenciar as principais alterações motoras na demência;
  2. Apresentar estratégias que promovam o exercício físico e auxiliar a lidar com as alterações motoras;
  3. Treinar estratégias que facilitem a segurança durante o acompanhamento da marcha;
  4. Exemplificar actividades a desenvolver pelos próprios cuidadores e familiares;
  5. Clarificar questões relacionadas com este tema.

Data da Sessão:

A sessão ocorrerá no dia 29 de Fevereiro de 2016 entre as 17h30 e as 18h30.

Local da Sessão:

A sessão será nas instalações do NeuroSer (Rua Prof. Delfim Santos, nº 9 C, 1600-610 Lisboa).

Custo da Sessão:

A sessão tem um custo de €10, sendo necessária inscrição prévia através do e-mail info@neuroser.pt ou ligando para 21 750 60 10.

Orador:

Mariana Mateus (Fisioterapeuta)

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As dificuldades motoras na Demência

A demência constitui uma patologia predominantemente cognitiva, mas também está associada a dificuldades motoras. Estas são muitas vezes desvalorizadas, por se pensar que estão unicamente relacionadas com o avançar da idade.

Qual a sua causa?

Estas alterações surgem pelo processo de atrofia das áreas cerebrais responsáveis pelo planeamento motor.

Quais são as principais alterações motoras associadas à demência?

  • Alteração do padrão de marcha;
  • Diminuição do equilíbrio;
  • Diminuição da mobilidade

Alterações da Marcha

A marcha por si envolve a integração da atenção, do planeamento, da memória anterior e de um processo cognitivo-motor. Com a demência surgem alterações nas funções cognitivas frontais que contribuem para as alterações na dinâmica da marcha.

As principais alterações na marcha são a diminuição do comprimento do passo e a diminuição da velocidade na marcha.

Estas alterações surgem, em cerca de 50% dos casos, três anos após o diagnóstico, sendo que em fases mais avançadas as pessoas podem perder a capacidade de andar.

As alterações na marcha contribuem para o surgimento de quedas, sendo necessário por vezes adoptar um auxiliar de marcha (ex: tripé ou andarilho). É também fundamental o ensino aos cuidadores e familiares de estratégias de segurança durante o acompanhamento na marcha.

Diminuição do equilíbrio

A diminuição do equilíbrio é um problema comum nesta população e é o principal factor do aumento do risco de queda. Uma queda pode originar a sensação de medo, um declínio da actividade física, diminuição da mobilidade geral e perda de independência, aumentando assim a necessidade dos cuidados prestados por parte dos cuidadores.

Diminuição da mobilidade

A diminuição da mobilidade surge a nível geral e caracteriza-se pela lentificação do movimento (bradicinesia). Este facto contribui para uma diminuição da funcionalidade, surgimento de sedentarismo e diminuição da independência nas actividades do dia-a-dia.

Dor

Já aqui falamos anteriormente sobre a dor, este é um problema real, sendo que as pessoas com demência possuem uma maior dificuldade em reconhecer e comunicar a dor, sendo por isso importante estar atento aos comportamentos sugestivos de dor (expressão facial, linguagem corporal e vocalizações negativas).

 O que há a fazer?

A fisioterapia é a principal área responsável por intervir nestas alterações, sendo o seu principal objectivo manter a máxima funcionalidade e independência, de forma a facilitar as actividades de vida diária, durante o maior tempo possível e lidar com as alterações motoras que possam surgir da demência e do avançar da idade.

Tem também um papel fundamental no ensino aos cuidadores e familiares de dicas a adoptar em casa para a promoção do exercício físico e na prevenção e redução do risco de quedas.

O NeuroSer quer dar mais um passo no sentido de ajudar os cuidadores a lidar com as alterações motoras e a dor e a reduzir a sobrecarga que está associada à prestação de cuidados ou ao contacto frequente com pessoas com demência. Nesse sentido, a terceira das Sessões Práticas e Informativas abordará as “Alterações Motoras e Dor”, onde existirá a oportunidade de identificar possíveis causas destes sintomas e adquirir estratégias para os prevenir ou gerir. Consulte aqui os objectivos da sessão.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

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Entrevista Professor Doutor Alexandre Castro Caldas

Alzheimer, uma resposta global e integrada

No passado Sábado, dia 06 de Fevereiro,  saiu com o Jornal Público, uma entrevista do Professor Doutor Alexandre Castro Caldas, director clínico do NeuroSer, dada à Revista Pontos de Vista.

A entrevista abordou vários aspectos que que se prendem com a doença de Alzheimer e outras Demências.

Não perca toda a entrevista em versão pdf ou em versão digital.

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O que não dizer a uma pessoa com Alzheimer ou outra demência

 

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Existem algumas coisas que não deve dizer a uma pessoa com Alzheimer ou outra demência. Alguns exemplos são os seguintes:

Não lhe diga que está errada

Não vale a pena contrariá-la ou corrigi-la se disser algo que não corresponde à realidade. Não existe justificação para o fazer, pois:

  • Se a pessoa com demência estiver suficientemente consciente, aperceber-se-á de que cometeu um erro e sentir-se-á frustrada;
  • Por outro lado, se não se aperceber da razão pela qual aquilo que disse/fez foi considerado errado, poderá levar a que fique mais confusa, agitada ou agressiva.

Tente mudar subtilmente de assunto, orientando a conversa para um tema que dê prazer à pessoa ou que facilmente consiga captar a sua atenção.

Não lhe pergunte se se lembra de uma determinada coisa

É muito tentador perguntar a alguém se se lembra de algo – todos nós o fazemos com regularidade. No entanto, o mais provável é que a pessoa com Doença de Alzheimer não se recorde, uma vez que a principal característica clínica desta doença é precisamente uma alteração da memória recente.

Nesse sentido, deverá evitar perguntas como “Lembra-se do que é que almoçou?”, “Recorda-se quando é que fomos passear à Baixa?” ou “Esta é a Mariana. Lembra-se de a ter conhecido a semana passada?”.

Saiba que é normal utilizar a palavra “lembra-se…?” pois esta faz parte do nosso vocabulário. Deixar de fazer estas perguntas requer treino. Pode ser útil pensar da seguinte forma: da mesma maneira que não perguntaria a um invisual se consegue ver ou a uma pessoa que não tem uma perna se consegue correr, também no caso da Doença de Alzheimer não devemos perguntar se a pessoa se lembra de um evento recente.

Não ponha a memória da pessoa à prova

Evite dizer coisas como: “Como é que eu me chamo?”, “Diga-me lá quando é que nasceu? “Quando é que foi a última vez que eu a vim visitar? Vá lá, pense um bocadinho…”

Estas perguntas podem aumentar o nível de ansiedade da pessoa e não são uma forma eficaz de estimular a memória.

Não relembre a pessoa com demência que o seu ente querido já faleceu

Frequentemente as pessoas com demência acreditam que uma pessoa que já faleceu ainda está viva. Podem estar confusos ou sentirem-se tristes por essa pessoa não os vir visitar. Se lhe disser que essa pessoa já faleceu, é possível que fique muito perturbada ou até que não acredite em si.

A excepção à regra é se a pessoa com demência lhe perguntar directamente se determinada pessoa já morreu. Neste caso deverá responder honestamente.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

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Sessões Práticas e Informativas: Dificuldades de Comunicação

Destinatários:

Cuidadores ou familiares de pessoas com demência que manifestem Alterações de Comunicação, ou qualquer cuidador ou familiar que tenha interesse em aprofundar o seu conhecimento acerca desta temática.

Objectivos da Sessão:

  1. Conhecer os motivos que levam à existência de Alterações de Comunicação na Demência;
  2. Discutir, de forma prática, alguns exemplos de dificuldades de Comunicação;
  3. Conhecer diversas estratégias que podem ajudar na interacção comunicativa;
  4. Implementar algumas técnicas e estratégias a exemplos práticos;
  5. Permitir a partilha e discussão de situações individuais.

Data da Sessão:

A sessão ocorrerá no dia 15 de Fevereiro de 2016 entre as 17h30 e as 18h30.

Local da Sessão:

A sessão será nas instalações do NeuroSer (Rua Prof. Delfim Santos, nº 9 C, 1600-610 Lisboa).

Custo da Sessão:

A sessão tem um custo de €10, sendo necessária inscrição prévia através do e-mail info@neuroser.pt ou ligando para 21 750 60 10.

Orador:

Inês Tello Rodrigues (Terapeuta da Fala)

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