Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Demência com início precoce  

 

A demência é uma patologia cerebral que se caracteriza por uma deterioração do funcionamento cognitivo, do comportamento e/ou do estado emocional, limitando a capacidade para realizar tarefas habituais do dia-a-dia.

Sabemos que o envelhecimento do sistema nervoso se relaciona com processos neurodegenerativos ou cerebrovasculares, logo, não é surpreendente que a demência seja classificada como uma doença do envelhecimento. No entanto, alguns factores tais como alterações genéticas, podem acelerar a instalação dos primeiros sintomas, levando a uma demência com início precoce (início antes dos 65 anos).

Foram estabelecidos diagnósticos de demência em pessoas com 50, 40 e até com 30 anos de idade. A prevalência de demência com início precoce é substancialmente inferior à da demência em pessoas com mais de 65 anos. Aliás, esse é um dos factores que dificulta o seu diagnóstico.

É de referir que, quando o diagnóstico de demência é estabelecido antes dos 65 anos, a pessoa pode estar numa fase ligeira, moderada ou avançada da doença, tal como acontece na demência com início tardio. Assim, o termo “demência com início precoce” não está relacionado com o estádio da doença mas sim com a idade em que aparecem os primeiros sintomas.

Os sintomas variam de pessoa para pessoa e estão muito dependentes do mecanismo patológico subjacente. A maior parte dos casos de demência com início precoce são casos de Doença de Alzheimer. Os restantes podem ser, por exemplo, casos de Demência Vascular, Degenerescência Lobar Frontotemporal e Demência com Corpos de Lewy.

No caso de uma demência com início antes dos 65 anos, a pessoa pode ainda ter um papel social, físico e profissional muito activo, podendo (a) ter um emprego a tempo inteiro (b) estar a criar os seus filhos (c) ser financeiramente responsável pela sua família (d) ter uma excelente condição física. Todos estes aspectos podem dificultar a aceitação de um quadro demencial numa pessoa mais jovem.

A esta dificuldade acresce o facto de existirem na sociedade muitas crenças e atitudes relativamente à demência e que muitas vezes condicionam a sua aceitação em pessoas mais jovens (particularmente quando estão muito bem fisicamente).

Todos os cuidadores de pessoas com demência se deparam com inúmeros desafios de natureza física e emocional. No caso de uma pessoa com demência com início precoce, pode ser particularmente difícil assistir à perda progressiva do seu papel activo na sociedade.

Para além disso, a demência com início precoce tende a caracterizar-se por sintomas neuropsiquiátricos (ex: comportamentais ou emocionais) mais intensos ou mais frequentes.

Finalmente, a demência com início precoce demora, em média, mais tempo a ser diagnosticada do que uma demência com início tardio. A sua baixa prevalência e um vasto leque de diagnósticos diferenciais a considerar levam a que decorra mais tempo entre a apresentação dos sintomas e o estabelecimento do diagnóstico acertado.

Todos estes factores podem contribuir para aumentar a sobrecarga do cuidador.

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Como lidar com uma demência com início precoce?

Falar com outras pessoas pode ajudar. Há quem prefira falar com pessoas mais próximas (conjugue ou outros membros da família) mas há também quem tenha mais dificuldade em fazê-lo. Se for esse o seu caso, pense em integrar um grupo de apoio – pode ser útil contactar com pessoas que estão na mesma situação (visite o site da Alzheimer Portugal: www.alzheimerportugal.org).

Comece a pensar naquilo que poderá ser necessário num futuro breve. Pense em falar com a sua família sobre assuntos financeiros e legais. Tratar destes assuntos agora é fundamental para garantir que todas estas decisões são tomadas por si. Poderá também ajudar a reduzir o medo relativamente ao futuro.

Participe activamente no seu processo terapêutico. Questione o seu médico relativamente à terapêutica farmacológica mais indicada mas explore também a possibilidade de realizar terapias não farmacológicas (estimulação cognitiva, fisioterapia, terapia ocupacional) que, actualmente, constituem uma recomendação internacional complementar à medicação.

Mantenha-se activo. O exercício e a interacção com amigos e familiares contribuirão para que se sinta melhor. Não deixe de fazer as coisas que lhe dão prazer, mesmo que no futuro possa ser necessário realizar algumas adaptações a essas tarefas.

Lembre-se que é possível viver bem com demência. Inicialmente pode ser doloroso pensar nestas questões e nem sempre será fácil pedir ajuda. Precisará de coragem pois o caminho a percorrer será desafiante mas lembre-se que existem pessoas que estarão sempre do seu lado.

 

Revisão Clínica: Margarida Rebolo