Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Arquivo de Janeiro 2016

Demência com início precoce  

 

A demência é uma patologia cerebral que se caracteriza por uma deterioração do funcionamento cognitivo, do comportamento e/ou do estado emocional, limitando a capacidade para realizar tarefas habituais do dia-a-dia.

Sabemos que o envelhecimento do sistema nervoso se relaciona com processos neurodegenerativos ou cerebrovasculares, logo, não é surpreendente que a demência seja classificada como uma doença do envelhecimento. No entanto, alguns factores tais como alterações genéticas, podem acelerar a instalação dos primeiros sintomas, levando a uma demência com início precoce (início antes dos 65 anos).

Foram estabelecidos diagnósticos de demência em pessoas com 50, 40 e até com 30 anos de idade. A prevalência de demência com início precoce é substancialmente inferior à da demência em pessoas com mais de 65 anos. Aliás, esse é um dos factores que dificulta o seu diagnóstico.

É de referir que, quando o diagnóstico de demência é estabelecido antes dos 65 anos, a pessoa pode estar numa fase ligeira, moderada ou avançada da doença, tal como acontece na demência com início tardio. Assim, o termo “demência com início precoce” não está relacionado com o estádio da doença mas sim com a idade em que aparecem os primeiros sintomas.

Os sintomas variam de pessoa para pessoa e estão muito dependentes do mecanismo patológico subjacente. A maior parte dos casos de demência com início precoce são casos de Doença de Alzheimer. Os restantes podem ser, por exemplo, casos de Demência Vascular, Degenerescência Lobar Frontotemporal e Demência com Corpos de Lewy.

No caso de uma demência com início antes dos 65 anos, a pessoa pode ainda ter um papel social, físico e profissional muito activo, podendo (a) ter um emprego a tempo inteiro (b) estar a criar os seus filhos (c) ser financeiramente responsável pela sua família (d) ter uma excelente condição física. Todos estes aspectos podem dificultar a aceitação de um quadro demencial numa pessoa mais jovem.

A esta dificuldade acresce o facto de existirem na sociedade muitas crenças e atitudes relativamente à demência e que muitas vezes condicionam a sua aceitação em pessoas mais jovens (particularmente quando estão muito bem fisicamente).

Todos os cuidadores de pessoas com demência se deparam com inúmeros desafios de natureza física e emocional. No caso de uma pessoa com demência com início precoce, pode ser particularmente difícil assistir à perda progressiva do seu papel activo na sociedade.

Para além disso, a demência com início precoce tende a caracterizar-se por sintomas neuropsiquiátricos (ex: comportamentais ou emocionais) mais intensos ou mais frequentes.

Finalmente, a demência com início precoce demora, em média, mais tempo a ser diagnosticada do que uma demência com início tardio. A sua baixa prevalência e um vasto leque de diagnósticos diferenciais a considerar levam a que decorra mais tempo entre a apresentação dos sintomas e o estabelecimento do diagnóstico acertado.

Todos estes factores podem contribuir para aumentar a sobrecarga do cuidador.

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Como lidar com uma demência com início precoce?

Falar com outras pessoas pode ajudar. Há quem prefira falar com pessoas mais próximas (conjugue ou outros membros da família) mas há também quem tenha mais dificuldade em fazê-lo. Se for esse o seu caso, pense em integrar um grupo de apoio – pode ser útil contactar com pessoas que estão na mesma situação (visite o site da Alzheimer Portugal: www.alzheimerportugal.org).

Comece a pensar naquilo que poderá ser necessário num futuro breve. Pense em falar com a sua família sobre assuntos financeiros e legais. Tratar destes assuntos agora é fundamental para garantir que todas estas decisões são tomadas por si. Poderá também ajudar a reduzir o medo relativamente ao futuro.

Participe activamente no seu processo terapêutico. Questione o seu médico relativamente à terapêutica farmacológica mais indicada mas explore também a possibilidade de realizar terapias não farmacológicas (estimulação cognitiva, fisioterapia, terapia ocupacional) que, actualmente, constituem uma recomendação internacional complementar à medicação.

Mantenha-se activo. O exercício e a interacção com amigos e familiares contribuirão para que se sinta melhor. Não deixe de fazer as coisas que lhe dão prazer, mesmo que no futuro possa ser necessário realizar algumas adaptações a essas tarefas.

Lembre-se que é possível viver bem com demência. Inicialmente pode ser doloroso pensar nestas questões e nem sempre será fácil pedir ajuda. Precisará de coragem pois o caminho a percorrer será desafiante mas lembre-se que existem pessoas que estarão sempre do seu lado.

 

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

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Alzheimer e Outras Demências: Alterações Comportamentais

Artist- Alberto Ruggieri

Quase todas as pessoas com demência manifestam alterações comportamentais em algum momento da doença. Algumas manifestações comportamentais que são frequentemente reportadas pelos cuidadores são:

  • Agitação
  • Agressividade
  • Deambulação
  • Desinibição

Alguns destes comportamentos podem sinalizar necessidades básicas da pessoa que não estão a ser supridas (ex: fome, dor, aborrecimento, isolamento). Olhar para as causas e pensar nas necessidades da pessoa pode ajudar a reduzir a frequência ou intensidade dos comportamentos desafiantes ou pode ajudar o cuidador a aceitá-los com maior naturalidade.

Regra geral, os cuidadores têm mais dificuldade em aceitar e gerir mudanças de comportamento ou da personalidade do que as alterações cognitivas características. Por exemplo, poderão ter mais dificuldade em aceitar a verbalização de palavrões do que os esquecimentos.

As alterações comportamentais são particularmente complexas de gerir pelos familiares porque são interpretadas como uma desintegração da identidade e da essência da pessoa com demência. Uma pessoa que outrora foi meiga, afável, preocupada com os outros poderá ter passado a ser agressiva (verbal e/ou fisicamente), e mais centrada sobre si.

É importante perceber que manifestar ou não manifestar comportamentos desafiantes não é uma escolha que a pessoa com demência faz de forma livre e consciente. A pessoa com demência pode ter menor capacidade para:

  • Reprimir um comportamento impulsivo ou primitivo (ex: comer tudo o que lhe aparece à frente),
  • Monitorizar o comportamento, classificando-o como apropriado ou não (ex: perceber que andar sem roupa pela rua não é um comportamento adequado),
  • Cessar o seu comportamento, mesmo que se aperceba que este é desadequado.

Esta consciencialização é extremamente difícil e muitas vezes necessita de ser facilitada por um profissional que conheça a patologia e que seja capaz de desconstruir atitudes e crenças sobre a pessoa com demência e redefinir expectativas. Somos nós quem nos temos que adaptar à pessoa com demência e não ao contrário.

O NeuroSer quer dar mais um passo no sentido de ajudar os cuidadores a lidar com estes sintomas desafiantes e a reduzir a sobrecarga que está associada à prestação de cuidados ou ao contacto frequente com pessoas com demência. Nesse sentido, a primeira das Sessões Práticas e Informativas abordará as“Alterações Cognitivas e Comportamentais”, onde existirá a oportunidade de identificar possíveis causas destes sintomas e adquirir estratégias para os prevenir ou gerir. Consulte aqui os objectivos da sessão.

Consulte aqui o Programa sobre o ciclo de sessões dirigidas a familiares e cuidadores de pessoas com Alzheimer ou outra Demência.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

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Sessões Práticas e Informativas: Alterações Comportamentais

Destinatários:

Cuidadores ou familiares de pessoas com demência que manifestem alterações comportamentais, ou qualquer cuidador ou familiar que tenha interesse em aprofundar o seu conhecimento acerca desta temática.

Objectivos da Sessão:

  1. Identificar as principais causas das alterações comportamentais;
  2. Conhecer algumas formas de prevenir a manifestação das mesmas;
  3. Adquirir estratégias para as gerir adequadamente quando surgem;
  4. Identificar os comportamentos que devem ser travados por ameaçarem a integridade da própria pessoa ou de outros.

Data da Sessão:

A sessão ocorrerá no dia 1 de Fevereiro de 2016 entre as 17h30 e as 18h30.

Local da Sessão:

A sessão será nas instalações do NeuroSer (Rua Prof. Delfim Santos, nº 9 C, 1600-610 Lisboa).

Custo da Sessão:

A sessão tem um custo de €10, sendo necessária inscrição prévia através do e-mail info@neuroser.pt ou ligando para 21 750 60 10.

Orador:

Margarida Rebolo (Neuropsicóloga)

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Sessões Práticas e Informativas: Programa

NeuroSer continua o ciclo de sessões práticas e informativas dirigidas a cuidadores e familiares de pessoas com Alzheimer ou outra Demência.

A última sessão abordará o tema das Necessidades do Cuidador.

Pode inscrever-se apenas numa ou mais do que uma sessão através do e-mail info@neuroser.pt ou ligando para 217506010.

Veja o programa e não deixe de se inscrever e de assegurar a sua vaga (os lugares são limitados). O custo por sessão é de €10.

Fique atento a informações mais concretas sobre cada uma das sessões!

Artigo por NeuroSer

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O papel da neuropsicologia na reabilitação pós-AVC.

 

Qual o papel do Neuropsicólogo na reabilitação pós-AVC?

A maioria dos Acientes Vasculares Cerebrais (AVCs) resultam em algum tipo de alteração a nível cognitivo. Se falarmos de um AVC no hemisfério cerebral dominante para a linguagem – hemisfério esquerdo – podem ocorrer, por exemplo, alterações ao nível da linguagem, da capacidade práxica (programação de movimentos) e da memória verbal. No caso de um AVC no hemisfério não dominante – hemisfério direito – podem ocorrer alterações ao nível do reconhecimento de faces, da percepção visuo-espacial e do foco atencional para metade do nosso corpo ou do campo visual, por exemplo.

O neuropsicólogo tem um papel fundamental na reabilitação da função cognitiva mas também na normalização da dimensão emocional e comportamental pós-AVC.

A intervenção neuropsicológica junto de pessoas com lesão cerebral adquirida diferencia-se da intervenção realizada junto de pessoas com patologia neurodegenerativa.

Quando se dá um evento agudo como um AVC, considera-se que existe potencial para restituir a função perdida graças aos mecanismos de plasticidade que permitem que o cérebro se regenere. Neste caso, a intervenção é muito mais dirigida para o treino da função (ex: treino de memória) com o objectivo de aproximá-la o mais possível do seu nível pré-mórbido (estado anterior à lesão).

Já no caso de um quadro neurodegenerativo, o objectivo não é restituir a função mas sim desacelerar o ritmo de deterioração e promover a adaptação da pessoa e da família relativamente às perdas que vão ocorrendo com o decorrer da doença.

Existe muitas vezes a crença de que a reabilitação cognitiva se resume à realização de tarefas computorizadas. De facto, as tarefas computorizadas, com o acompanhamento presencial do neuropsicólogo, podem ser úteis, por exemplo, na reabilitação de alterações atencionais consequentes a um AVC. No entanto, esta técnica apenas deve ser complementar à restante intervenção e nunca assumir um papel preponderante.

Quando não é possível restituir a função, o neuropsicólogo pode sugerir estratégias compensatórias (por exemplo uma agenda ou sistema de post-its como auxiliar de memória) e realizar o ensino da sua utilização para garantir que a pessoa adere e se adapta à estratégia em questão.

Finalmente, é de referir que o neuropsicólogo tem um papel importante no acompanhamento emocional e logístico das famílias durante o processo de recuperação da pessoa que sofreu um AVC. As limitações motoras ou cognitivas podem implicar mudanças importantes na vida familiar e muitas vezes requerem uma orientação de um profissional que saiba trabalhar os processos psicológicos inerentes.

No NeuroSer, um caso de AVC é discutido em equipa multidisciplinar pois tem geralmente implicações a vários níveis: motores (exigindo a intervenção da fisioterapia), da comunicação (necessitando da contribuição da terapia da fala), cognitivos e emocionais (beneficiando da acção da neuropsicologia). Só assim poderá ser prestado um cuidado adequado e verdadeiramente personalizado.

 

 Revisão Clínica: Margarida Rebolo

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