Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Arquivo de Novembro 2015

O que é a Demência Fronto-Temporal

A variante comportamental da degenerescência lobar fronto-temporal – mais conhecida por demência fronto-temporal – representa um quadro de deterioração das funções nervosas superiores em que os sintomas mais marcantes, pelo menos numa fase inicial, estão relacionados com alterações do comportamento e da personalidade (ex: apatia, desinibição, resposta emocional disfuncional, dificuldade em colocar-se na perspectiva do outro).

As pessoas com demência fronto-temporal podem ter comportamentos impulsivos de roubo, de condução imprudente ou de agressividade física. Podem também ignorar as regras sociais, fazendo comentários inapropriados ou tornando-se “frios” e egoístas. Muitas vezes estas alterações comportamentais coexistem com um funcionamento cognitivo perfeitamente intacto.

Os familiares e conhecidos da pessoa com demência têm muita dificuldade em gerir estas alterações pois elas representam, de certa forma, a dissolução da identidade da pessoa. Muitas das vezes os familiares deixam de reconhecer a pessoa que têm à frente. Aliás, sabe-se que os cuidadores de pessoas com qualquer tipo de demência têm mais dificuldade em lidar com as alterações comportamentais do que com as alterações cognitivas.

Esta doença é causada por agregados anormais de proteínas no interior das células cerebrais. A literatura sugere que a degenerescência neste caso tem início nas estruturas frontais e temporais do cérebro, estruturas estas que têm sido implicadas no funcionamento social e que fazem parte de uma rede que parece estar envolvida na descodificação de estímulos emocionais, entre outros aspectos.

À medida que a doença progride, a deterioração neuronal ocorre em áreas mais difusas, afectando também outras funções cognitivas.

Apesar das alterações comportamentais e da personalidade serem difíceis de gerir, existem algumas estratégias que podem ser utilizadas para prevenir ou minimizar o impacto das mesmas. Por esta razão e outras (nomeadamente o ajuste da medicação) é importante manter um acompanhamento médico adequado.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

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Avaliação Neuropsicológica

Em que é que consiste?

A avaliação neuropsicológica é um exame não invasivo que permite avaliar com maior detalhe alguns aspectos do funcionamento cerebral, nomeadamente a cognição e o estado emocional.

Regra geral, a avaliação neuropsicológica contempla os seguintes momentos:

  • Entrevista – visa, entre outros aspectos, recolher a história clínica da pessoa e ouvir os relatos da família relativamente às mudanças que têm observado no seu familiar. A ideia é recolher toda a informação que permita contextualizar o desempenho do indivíduo nas provas.
  • Aplicação de provas – os psicólogos dispõem de um conjunto de instrumentos para estudar as chamadas “funções nervosas superiores” (tais como a cognição, o comportamento e as emoções) que podem ir desde provas (ex: ler, escrever e responder a perguntas breves) a escalas (ex: assinalar a afirmação que melhor reflete o que a pessoa está a sentir). Comparam-se as respostas dadas pela pessoa avaliada com as do grupo normativo (conjunto de pessoas saudáveis com escolaridade e idade semelhantes) para averiguar se estamos perante um quadro patológico ou normal.
  • Devolução do relatório – após a entrevista e a aplicação de provas, gera-se um relatório de avaliação neuropsicológica. A informação que consta neste relatório pode ser indecifrável para quem não tem conhecimentos nesta área. Assim, é fundamental explicar à pessoa e à sua família o significado dos resultados da avaliação e a sua implicação no dia-a-dia. O objectivo não é comunicar um diagnóstico (essa é uma competência do médico responsável) mas sim descrever o perfil cognitivo e emocional da pessoa e fornecer-lhe estratégias para ultrapassar quaisquer limitações que possam existir.

Para que serve?

Geralmente a avaliação neuropsicológica é requisitada pelo médico quando este necessita de mais um contributo para o processo de diagnóstico ou considera que a pessoa tem indicação para realizar intervenção não-farmacológica, pelo que a avaliação neuropsicológica pode servir para delinear um plano de intervenção mais eficaz.

 

Implica algum tipo de preparação?

A avaliação neuropsicológica não exige nenhuma preparação especial, apenas é necessário que a pessoa a ser avaliada ou o seu familiar consiga comunicar os principais problemas e responder às perguntas do psicólogo.

Leve a informação clínica relevante (ex: relatórios médicos, exames de imagem, medicação actual) para que esta possa ser integrada no relatório de avaliação neuropsicológica.

É importante dormir bem na noite anterior e não estar em jejum ou com fome no momento da avaliação pois estes factores podem limitar a capacidade de pensamento.

Recomenda-se que leve óculos ou aparelho auditivo, se necessitar deles para ver e ouvir melhor.

Finalmente, é aconselhável que a pessoa a ser avaliada se faça acompanhar de alguém com quem conviva frequentemente, pois o seu testemunho poderá ser importante.

 

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

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A importância de um diagnóstico precoce

Porque é importante obter um diagnóstico precoce?

 

Existem casos de demência que podem ser potencialmente reversíveis.

Numa pequena percentagem de casos, as causas de demência são potencialmente reversíveis, podendo responder em parte ou na totalidade a um tratamento específico.

A demência induzida por fármacos é a causa mais frequente de demência reversível mas existem outras causas como alterações metabólicas ou infecções sistémicas.

 

O tratamento precoce pode ser mais eficaz

Apresar de não existir uma cura, o tratamento farmacológico da doença de Alzheimer e de outras demências é normalmente mais eficaz quando realizado precocemente.

Também as intervenções não-farmacológicas, como a estimulação cognitiva, a fisioterapia, a terapia da fala ou a terapia ocupacional, podem ajudar a manter uma maior autonomia, funcionalidade e qualidade de vida durante um período mais alargado.

No início da progressão da doença, é possível compreender a história de vida de forma ampla, quando a pessoa ainda é capaz de esclarecer dúvidas, informar acerca das suas preocupações ou manifestar desejos específicos que permitem a estruturação de uma intervenção mais personalizada e ajustada à pessoa.

 

Um diagnóstico precoce pode ser facilitador das tomadas de decisão

Um diagnóstico precoce permite que a pessoa participe activamente no seu processo de planeamento financeiro, jurídico e de cuidados médicos a longo prazo, tornando assim conhecidos os seus desejos aos membros da família.

Pode igualmente permitir uma priorização das decisões de vida e potenciar decisões positivas, como a realização de projectos, concretização de desejos ou a partilha das memórias.

 

É possível participar de uma forma consentida em estudos de investigação científica

Por vezes, as pessoas diagnosticadas precocemente podem ser convidadas a participar em ensaios clínicos, com novos fármacos, ou apoiar outros estudos tendo em vista a melhoria dos cuidados prestados.

 

O diagnóstico precoce pode ajudar a reduzir o estigma

O diagnóstico precoce pode ajudar a reduzir o estigma associado quando a sociedade começa a associar a doença com as pessoas nos estágios iniciais, quando estas ainda são activas e participativas na comunidade.

No entanto, é importante considerar que o diagnóstico pode gerar rótulos, estereótipos e que estes podem ser responsáveis pela perda de estatuto, sintomatologia depressiva ou comportamentos de oposição. Muitas famílias experienciam e lidam diariamente com as consequências da estigmatização. Por esse motivo, aumentar a sensibilização para o diagnóstico precoce requer também esforços para combater o estigma.

 

Um diagnóstico precoce ajuda as famílias

Um diagnóstico mais precoce permite que os familiares possam aprender mais sobre a doença, desenvolvam expectativas realistas e planos conjuntos para o futuro, o que se pode traduzir numa diminuição da ansiedade, de atitudes negativas e de sentimentos tardios de arrependimento.

Tomado por completo, as vantagens de um diagnóstico precoce traduzem-se em benefícios concretos para a pessoa com a doença mas também para os familiares ou cuidadores, minimizando a sobrecarga física e emocional associada aos cuidados.

Permite mais tempo para valorizar o presente e mais tempo para preparar o futuro.

 

Revisão Clínica: Inês Tello

 

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Sundowning

O que é?

O fenómeno de Sundowning caracteriza-se pelo surgimento ou aumento de sintomas comportamentais ao final da tarde, ao anoitecer ou à noite. É particularmente comum em idosos com demência ou disfunção cognitiva associada a outras patologias. Estes sintomas podem incluir desorientação, confusão, ansiedade, agitação, agressividade verbal e física, deambulação, comportamentos de recusa e não só.

Note-se que estes sintomas não são específicos da síndrome de Sundowning, podendo ocorrer naturalmente num quadro demencial ou, por exemplo, na Doença de Parkinson. No entanto, aquilo que distingue o Sundowning é a manifestação/intensificação destes sintomas num período temporal muito específico (quando começa a anoitecer).

O impacto deste fenómeno pode ser tremendo para quem cuida. Para além disso, está associado a uma maior institucionalização de doentes idosos com demência.

Como prevenir?

É comum as pessoas com demência terem uma exposição inadequada à luz durante o dia. Isto pode dever-se, por exemplo, aos défices sensoriais que decorrem do processo de envelhecimento. Por outro lado, também é frequente que as pessoas com demência passem grande parte do seu dia no interior – muitas vezes num ambiente mal iluminado – porque os cuidadores sentem a necessidade de protegê-los de perigos no exterior (obstáculos à marcha, ruídos perturbadores, condições climatéricas adversas, etc…). Se a iluminação interior já for pobre durante o dia, será ainda mais pobre quando o sol se começar a por, dificultando a percepção de elementos visuais e originando/exacerbando sintomas de confusão ou agressividade.

Assim, a prevenção de manifestações comportamentais associadas ao período do anoitecer pode ser feita através da regulação da luz interior, sendo que o objectivo é manter o mesmo nível de iluminação durante o dia e ao final da tarde. Ao anoitecer, pode optar por colocar um foco de luz perto da pessoa, para além da iluminação de sala.

Considere também instituir uma rotina diária para que as tarefas do dia-a-dia se tornem cada vez mais automatizadas e para que a pessoa com demência não fique tão confusa e agitada com a passagem do dia para a noite.

É muito importante que a pessoa com demência tenha um padrão de sono saudável. Se estiver fatigada o seu funcionamento cognitivo pode estar mais prejudicado, o que pode dificultar a percepção e o pensamento.

É possível intervir ao nível farmacológico e não farmacológico de modo a regularizar o seu ciclo de sono. De um modo geral, as sestas longas durante a tarde devem ser evitadas pois poderá haver maior dificuldade em dormir ininterruptamente à noite.

Outras intervenções que podem ajudar a prevenir esta síndrome são (a) musicoterapia; (b) estimulação sensorial; (c) exercício físico. No fundo, qualquer actividade que melhore o humor, o bem-estar e, acima de tudo, que induza um estado de relaxamento ao anoitecer.

Como gerir?

             Se a pessoa com demência começar a apresentar comportamentos desafiantes (por exemplo: agressividade ou deambulação), não a contrarie e não a contenha. Tente não levar a peito e lembre-se que estes comportamentos são uma consequência da patologia neurológica subjacente. Se for necessário ausente-se da sala por momentos para não alimentar situações de conflito. Respire fundo e volte para junto da pessoa com demência transmitindo-lhe calma e contribuindo para que se sinta mais segura.

Permita que a pessoa ande se houver necessidade de deambular mas mantenha-se por perto para garantir a sua segurança.

É sempre muito importante reportar ao médico que acompanha a pessoa com demência estas manifestações comportamentais ao entardecer. O médico poderá dar orientações relativamente à intervenção (farmacológica ou não) mais adequada para o caso em questão.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

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Demências potencialmente reversíveis

Em muitos casos, a demência está relacionada com doenças neurodegenerativas cuja progressão, até ao momento, não pode ser interrompida, ou com acidentes vasculares cerebrais cujas lesões são irreversíveis. No entanto, numa pequena percentagem de casos, as causas são potencialmente reversíveis, podendo responder em parte ou na totalidade a um tratamento específico.

Quais são as principais causas de demência potencialmente reversíveis?
A demência induzida por fármacos é a causa mais frequente de demência reversível. Há fármacos que interferem com a atenção o raciocínio, a memória e/ou a linguagem, podendo diminuir as capacidades cognitivas e simular uma demência.

A incidência de reacções secundárias aos fármacos aumenta em função da idade, do uso simultâneo de diferentes medicamentos (polifarmácia) e à existência de doenças concomitantes (especialmente renais, hepáticas e cardíacas) e por isso os idosos são mais propensos a esta situação.

Outras causas adicionais de demência “reversível” podem ser as perturbações metabólicas/endócrinas como o hipotiroidismo, os défices graves de vitamina B12 ou de ácido fólico ou ainda algumas infecções sistémicas mas podem ser diagnosticadas mediante análises laboratoriais.

É possível identificar as causas de demências potencialmente reversíveis?

É importante procurar assistência médica quando existem queixas de mudança nas capacidades cognitivas como, por exemplo, esquecimentos, desorientação e dificuldade de concentração.
O médico avaliará a evolução dos sintomas, medicação e interacções medicamentosas e fará um exame clínico que orientará o pedido de exames complementares. Nesses exames está incluído, por regra, o despiste de causas tratáveis de demência.

Revisão Clínica: Drª Rita Moiron Simões (médica neurologista)

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