Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

Horário : Segunda a Sexta das 09h00 às 19h00
  Contacto : +351 21 750 6010 | info@neuroser.pt

Arquivo de Junho 2015

Qual o Papel da Terapia da Fala na Demência?

Segundo o Royal College of Speech and Language Therapists (RCSLT, 2013), a intervenção específica de um terapeuta da fala em casos de demência tem, genericamente, os seguintes objectivos:

  • Avaliação da Linguagem – Diagnóstico Diferencial
  • Avaliação detalhada das funções comunicativas – estruturação e discussão de planos de intervenção
  • Intervenção ao nível da melhoria ou manutenção da Comunicação das pessoas com demência e dos seus cuidadores
  • Avaliação e intervenção ao nível da Deglutição
  • Treino/formação da Equipa e dos Cuidadores
  • Investigação científica e desenvolvimento das melhores práticas de intervenção
Revisão Clínica: Inês Tello
Ler Mais

Envelhecimento: Normal ou Patológico?

O que é o envelhecimento normal?

O envelhecimento normal é acompanhado por um declínio de várias funções cognitivas, nomeadamente da memória, da atenção e do funcionamento executivo (responsável pelo planeamento, execução e monitorização de comportamentos).

Aqui vão alguns exemplos de situações típicas do envelhecimento normal:

  • Esquecer-se do local onde deixou as chaves;
  • Esquecer-se de pagar as contas do mês (água, luz, gás);
  • Maior dificuldade em concentrar-se;
  • Maior lentidão a processar informação;

Por outro lado, alguns exemplos de situações típicas de uma demência são:

  • Desorientar-se em locais conhecidos;
  • Esquecer-se de eventos recentes;
  • Esquecer-se de como pagar as contas do mês;
  • Não perceber o significado de uma palavra ou para que serve um objecto que anteriormente conhecia;
  • Perder os óculos e nem sequer lembrar-se de que precisa de óculos;
  • Alterações do comportamento ou da personalidade;

Quando devo procurar o médico?

Pense em agendar uma consulta se as suas queixas contribuem para um estado elevado de ansiedade. Lembre-se de que não é apenas a demência que perturba o funcionamento cognitivo – existem outras causas que o seu médico pode ajudar a reverter. Por exemplo, a sintomatologia depressiva e a ansiedade podem interferir com a sua capacidade de realizar determinadas tarefas, pelo que um tratamento (medicamentoso ou não) dirigido a esses sintomas pode eliminar as suas queixas.

Se as suas queixas interferem com a sua vida diária, considere ir ao médico.

Se já experienciou ou conhece alguém que experienciou algum dos exemplos típicos de uma demência listados acima e, principalmente, se considera que a pessoa em questão está mudada, pense numa consulta médica.

Para mais informações, consulte também os Sinais de Alerta na Doença de Alzheimer.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

 

Ler Mais

Juntos a Relembrar: Como Fazer um Livro de Memórias

Livro de memórias

O que é um livro de memórias?

É uma compilação de momentos, histórias e eventos de uma vida, para ser consultado repetidamente pela pessoa com Alzheimer ou outra demência e pelos seus familiares.

O livro pode ser adaptado ao longo do tempo e é uma actividade que tem todos os ingredientes para ser extremamente gratificante para a pessoa com demência.

Porquê construir um livro de memórias?

Embora a memória de eventos recentes (memória de curto-termo) possa ser difícil, muitas pessoas com demência conseguem facilmente recordar-se de eventos passados (memória de longo-prazo).

Um livro de memórias apoia-se na memória de longo-prazo, enfatizando aquilo que a pessoa consegue recordar.

Um livro de memórias constitui uma ferramenta preciosa para a manutenção do bem estar geral, promove a comunicação e dá confiança e estabilidade.

Pode ser utilizado para contar histórias e interagir com os netos, pode constituir uma ferramenta preciosa para a equipa clínica quando existe uma mudança de contexto, como a hospitalização, ou fazer parte do plano de intervenção terapêutico.

O livro deve ser sempre construído com o próprio e o nível de envolvimento da pessoa com demência na construção do livro de memórias não deve ser desvalorizado.

É importante encontrar tempo para construir o livro em conjunto, pois esta actividade pode ser extremamente estimulante e cheia de significado.

Como construir um livro de memórias?

Não existe um formato padrão para a construção destes livros.

As histórias podem ser ilustradas com cópias de fotografias e documentos como mapas, certificados, postais, bilhetes de eventos significativos, e outros.  Se existir um objecto de grande significado para a pessoa, por exemplo um relógio, pode-se fotografá-lo e inserir essa imagem no livro.

Aproveite sempre as próprias palavras da pessoa para legendar uma fotografia ou uma outra imagem.

memories1000

Algumas dicas para o ajudar a construir um livro de memórias:

  • Esquematize uma linha temporal para o ajudar a organizar a informação. Alguns temas comuns são: o local de nascimento, histórias dos pais e irmãos, memórias de infância, a escola, o primeiro emprego, o casamento e o nascimento dos filhos. Pode incluir outros momentos significativos e marcantes, como um período de guerra. Explore outros temas de interesse como os locais onde viveu ou visitou, estilos de roupas ou penteados, comida favorita, hobbies, entre tantos outros.
  • Escolha sempre com a pessoa o material a incluir no livro de memórias: cópia de fotografias, mapas, documentos, memórias faladas, e o mais que a criatividade se lembrar.
  • Legende a informação visual com palavras e frases curtas.
  • Utilize uma letra clara, tamanho mínimo 14, e tenha atenção aos fundos que devem ser simples de maneira a que não causem distracções visuais.
  • Por último, não coloque muita informação por página.

Lembre-se que o livro não tem que ficar uma obra de arte! Sobretudo, aproveite o momento para estabelecer uma boa relação com o seu familiar. Agora mãos à obra!

Revisão Clínica: Inês Tello
Ler Mais

Mapeamento do Cérebro em 3D

Investigadores do Institute of Neuroscience and Medicine de Jülich na Alemanha e do Montreal Neurological Institute no Canadá, criaram um mapa 3D do cérebro humano, com uma resolução nunca antes atingida.

Estes dados permitirão estudar a estrutura do cérebro com um maior detalhe e poderão ajudar a compreender alguns mecanismos que originam doenças neurodegenerativas.

Siga este link para saber mais sobre a investigação.

Ler Mais

Como Promover o Exercício Físico?

Está provado que o exercício físico regular tem um impacto crucial na cognição, na capacidade física e nas actividades de vida diária das pessoas com Alzheimer ou outra demência, contribuindo para manter a sua máxima funcionalidade e independência durante o maior tempo possível.

Está demonstrado também que a realização de um programa de exercícios a longo prazo diminui a exigência do apoio dado pelos cuidadores. Torna-se assim fundamental que o exercício físico seja uma prática regular, não só em contexto controlado (fisioterapia), como em casa. No entanto, nem sempre é fácil as pessoas aderirem a programas de exercício, por isso aqui ficam algumas dicas:

  • Procure actividades de fácil execução/compreensão e que sejam do agrado da pessoa: tenha em conta os seus gostos pessoais, poderá demonstrar a actividade e deve explicá-la de forma clara, dando pistas escritas ou visuais. Isto fará com que a pessoa se sinta envolvida no exercício;
  • É importante realizá-las num ambiente tranquilo e que lhe seja familiar: evite ambientes com ruídos ou distracções que poderão comprometer a concentração e adesão ao exercício;
  • Seja um participante activo e faça a actividade em conjunto com a pessoa:é um dos principais factores de adesão e motivação para a pessoa, sentir que o seu cuidador/familiar participa nas suas actividades;
  • Realize os exercícios de forma regular: é importante a prática regular para promover a motivação, bem como a memorização e os benefícios a longo prazo;
  • Limite a duração da actividade (15-30 minutos): as alterações cognitivas inerentes à demência limitam a concentração, pelo que se a actividade for muito longa poderão surgir sentimentos de frustração ou de aborrecimento;
  • Aconselhe-se com os profissionais da área sobre os riscos e o plano de exercício que deve adoptar: é importante confirmar com o seu médico se não existem riscos para a prática do exercício físico, podendo também recorrer ao fisioterapeuta para que este elabore um plano adequado, tendo em conta as características individuais de cada pessoa e as suas principais limitações;
  • Tenha em conta a alimentação e a hidratação: é fundamental realizar uma alimentação nutritiva e ingerir água durante e após o exercício físico ou nos momentos de pausa durante o mesmo.
Revisão Clínica: Mariana Mateus

 

Ler Mais

Qual o papel da Neuropsicologia na Demência?

O que é a Neuropsicologia?

A Neuropsicologia encarrega-se de estudar o comportamento humano e a sua relação com o funcionamento cerebral. Por norma, um Neuropsicólogo realiza a sua formação de base em psicologia e, posteriormente, adquire conhecimentos mais específicos na área das neurociências.

Qual o papel da Neuropsicologia no diagnóstico das demências?

Ainda não nos é possível objectivar directamente o funcionamento cognitivo com recurso a um exame médico, apesar de todos os avanços tecnológicos terem tornado as técnicas imagiológicas muito mais sofisticadas. A avaliação neuropsicológica serve, em muitos casos, como um meio complementar de diagnóstico pois é muito sensível para detectar perturbações do funcionamento cognitivo.

Numa avaliação neuropsicológica, é pedido à pessoa que realize algumas tarefas para as quais é necessário recrutar uma ou mais funções cognitivas. Posteriormente, o seu padrão de desempenho nas várias tarefas é comparado com o desempenho médio de um grupo de pessoas sem patologia neurológica, com a mesma idade e com o mesmo nível de escolaridade.

Como sabemos, a Doença de Alzheimer e as restantes demências não afectam apenas o sistema cognitivo. Aliás, é muito frequente os doentes ou os seus familiares reportarem sintomas de apatia, tristeza ou ansiedade logo numa fase muito precoce da doença. Assim, o neuropsicólogo preocupa-se também em compreender a dimensão emocional do sujeito, podendo para isso conduzir uma conversa estruturada ou aplicar algumas escalas que permitem apreciar estas questões.

Finalmente, a avaliação neuropsicológica permite averiguar o nível de funcionalidade do indivíduo, o qual constitui um dos critérios de diagnóstico de uma demência. O objectivo é perceber quais as tarefas do dia-a-dia (profissionais, sociais, financeiras, domésticas, higiene) que já não são realizadas com tanta facilidade e que impacto é que isto tem na vida da pessoa (relações inter-pessoais, auto-estima, dinâmica familiar, etc…).

 

A Neuropsicologia tem um papel terapêutico nas demências?

Estudos demonstram que a estimulação cognitiva pode ajudar a desacelerar o ritmo da deterioração cognitiva na Doença de Alzheimer e outras demências. No entanto, para este efeito positivo se fazer sentir, as actividades devem ter algum significado para o indivíduo e devem aproximar-se o mais possível das suas tarefas do dia-a-dia.

Tal requer um conhecimento profundo da pessoa. Assim, antes de desenvolver e implementar qualquer plano de intervenção, o neuropsicólogo procura obter um retrato completo da pessoa (personalidade, vivências, papel na comunidade e na família) e do seu contexto social (familiares, amigos, profissionais de saúde) e tenta envolver todas estas pessoas no processo terapêutico.

Como sabemos, a demência é uma doença “da família” pois, para além de afectar quem dela sofre, tem um impacto devastador na vida das pessoas mais próximas. Assim, o papel do neuropsicólogo passa também por dar apoio aos cuidadores de pessoas com demência, escutando as suas preocupações e angústias e fornecendo toda a informação necessária para que estes possam ultrapassar os obstáculos que surgem diariamente em casa.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo

 

Ler Mais

Go Purple for Alzheimer

Num gesto de apoio e de união com a Alzheimer’s Association, que lançou uma campanha mundial de consciencialização sobre a doença de Alzheimer durante o mês de Junho, o NeuroSer alterou, temporariamente,  a sua fotografia de perfil, tal como sugerido no âmbito da campanha. Celebre o dia 21 de Junho, o dia mais longo do ano, e vista algo roxo. Vamos todos dar o nosso pequeno contributo para despertar consciências!

Siga o link e junte-se à iniciativa: Go Purple for Alzheimer

Ler Mais

O Cérebro Regenera-se?

Vídeo: Could your brain repair itself? – Ralitsa Petrova- TED Ed

Neurogénese é o processo de formação de novos neurónios em determinadas áreas do cérebro. Até há poucos anos, acreditava-se que a neurogénese ocorria apenas durante o desenvolvimento infanto-juvenil, mas estudos feitos recentemente, concluíram que a neurogénese ocorre continuamente durante toda a idade adulta.

Esta descoberta tem originado inúmeros estudos sobre como é que o cérebro se pode regenerar e quais as possíveis aplicações terapêuticas desta descoberta  no tratamento de doenças neurodegenerativas, como a Doença de Alzheimer.

Apesar de entusiasmantes, as descobertas da investigação na área da neuroregeneração como uma forma de terapêutica na Doença de Alzheimer, ainda não oferecem uma solução viável mas novos estudos  estão já a ser desenvolvidos para aprofundar esta temática.

Revisão Clínica: Inês Tello
 
Ler Mais

Demência em Rápido Crescimento

A cada 4 segundos uma nova pessoa desenvolve um quadro demencial e este número vai duplicar nos próximos anos!

Existe uma necessidade urgente de preparar os serviços de saúde, de desenvolver intervenções estruturadas para pessoas com demência, de consciencializar e sensibilizar a sociedade e de investir na investigação científica para que existam tratamentos mais eficazes.

Se sofre de Alzheimer ou outra demência ou é familiar/ cuidador de alguém com demência, saiba que não está só! Procure informar-se e procure o apoio que permita prolongar a autonomia, a auto-estima e a qualidade de vida.

 Fotografia: Alzheimer’s Disease International (ADI)
Ler Mais

A importância das Actividades na Comunidade

Nem todas as intervenções com pessoas com demência são feitas isoladamente em gabinetes. Um excelente exemplo de intervenções realizadas em contexto ecológico é o projecto “Meet Me“, criado pelo Museu MoMa. O grande objectivo deste projecto é tornar a arte acessível a pessoas com doença de Alzheimer, proporcionando-lhes momentos de bem-estar e estimulação cognitiva.

As sessões incluem conversas, debates e análises de obras adaptadas às capacidades das pessoas com demência. Em Portugal foram criados alguns projectos similares como o Projecto ‘EU no musEU’, que resulta de um protocolo de colaboração com a Associação Alzheimer Portugal e o Museu Nacional de Machado de Castro.

Também no NeuroSer se pretende que algumas das actividades sejam desenvolvidas na comunidade, contribuindo para reforçar a autonomia e a auto-estima da pessoa.

Ler Mais