Centro de Diagnóstico e Terapias: Alzheimer e Outras Patologias

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Arquivo de Maio 2015

Como Encontrar Actividades Adequadas

Como encontrar actividades adequadas à pessoa com Alzheimer e outras demências?

Os momentos em família podem ser muito benéficos para a pessoa com Alzheimer ou outra demência, desde que ocorram num ambiente tranquilo e não conflituoso. No entanto, encontrar atividades adequadas à pessoa em questão pode não ser tarefa fácil. Aqui vão algumas dicas:

  •  Procure encontrar uma actividade que seja do agrado da pessoa: Tenha em conta a sua personalidade e os interesses que tinha antes de ficar doente. Lembre-se que se não estiver motivada não se irá dedicar à tarefa que lhe propôs. Nas fases iniciais da Doença de Alzheimer as memórias mais remotas estão, por norma, mais preservadas do que as memórias mais recentes. Pergunte a outros familiares que tipo de actividades a pessoa gostava de fazer quando era mais nova (ir ver um bailado, ir à praça escolher produtos frescos, fazer puzzles, etc).
  •  Se já não for possível manter as actividades do passado, procure novos interesses: Por exemplo, quem anteriormente se ocupava a produzir coisas poderá gostar de ajudar a cozinhar; quem se ocupava a consertar coisas poderá gostar de tomar conta do jardim/horta ou ajudar em tarefas simples de bricolage; alguém que tenha uma “veia” artística poderá gostar de criar obras de arte (pintura, escultura, etc…).
  • Limite a duração da actividade (15-20 minutos): A doença de Alzheimer ou outra demência pode levar a que a pessoa não consiga manter a concentração durante muito tempo, pelo que prolongar a sua participação na tarefa poderá gerar sentimentos de aborrecimento ou mesmo de frustração. Se, por um lado, a duração da actividade deve ser curta, por outro, é necessário dar tempo à pessoa para a realizar sem pressão, mesmo que não a termine no tempo destinado. Faça uma pausa e retome-a se ainda houver vontade ou passe para a actividade seguinte.
  • Simplifique as actividades ou preste uma assistência adequada: Faça as adaptações necessárias para a pessoa conseguir levar a tarefa a cabo. Por exemplo: tricotar um cachecol em vez de uma camisola, deitar os ingredientes do bolo na taça (já medidos e organizados em cima da bancada), utilizar individuais com o desenho da localização dos talheres/prato/guardanapo/copo para facilitar a tarefa de pôr a mesa. É muito importante não tomar tudo por sua conta. Isto irá ajudar a que a pessoa se sinta mais envolvida na tarefa e demonstra que a sua intenção não é a de questionar as suas capacidades.
  • Assegure-se de que a pessoa pratica algum tipo de exercício físico: O exercício físico é fundamental para a saúde de todos e as pessoas com Alzheimer ou outra demência não são excepção. Comece por confirmar com o médico se existem riscos inerentes à prática de exercício (por exemplo, patologia cardíaca ou pressão arterial não controlada) e quais os exercícios mais indicados para o seu familiar. Algumas sugestões incluem fazer jardinagem, passear, dançar ou nadar. Para quem tem mobilidade reduzida, poderá optar-se por fazer exercícios na cadeira (jogar petanca sentado). Pare ao primeiro sinal de cansaço ou frustração.

Algumas sugestões de actividades:

  • Tarefas domésticas: Ajudar nas tarefas domésticas pode dar à pessoa com Alzheimer ou outra demência a sensação de que tem um objectivo (regar as plantas, pôr a mesa, encher o jarro da água). Mesmo que as tarefas não necessitem realmente de ser feitas, encoraje a pessoa a fazê-las e elogie a sua colaboração (cuidado para não parecer um elogio forçado).
  • Conversação: Pode ser uma boa oportunidade para membros mais jovens da família interagirem com a pessoa com Alzheimer ou outra demência. É importante envolver a pessoa na conversa, não interromper as suas frases e não ignorar a sua presença. Alguns temas que podem ajudar a desencadear uma conversa: futebol, notícias no jornal, vídeos na internet. Quando a comunicação verbal não é possível, a comunicação não-verbal (contacto visual, gestos, toque) pode ser igualmente impactante.
  • Música: Mesmo numa fase de deterioração mais avançada, as actividades relacionadas com a música (ouvir música, cantar, marcar um ritmo com o pé ou dançar ao som de música) podem continuar a ser muito prazerosas. Estudos sugerem que a música pode ajudar a melhorar o humor, o comportamento e o bem-estar. O género de música preferido da pessoa deve ser privilegiado.

NOTA: Dado que tanto a actividade mental como a física consomem uma parte substancial da nossa reserva energética, poderá ser uma boa ideia encorajar a ingestão de água e de alimentos saudáveis e nutritivos no final de cada actividade ou nos momentos de pausa.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo
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Como Evitar a Desidratação no Idoso

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A desidratação é uma das principais causas de problemas de saúde no idoso. Pode levar a alterações renais e cardíacas, causar desorientação e diminuir a eficácia de alguns medicamentos.

No entanto, é frequente existir recusa na ingestão de água e esta recusa poderá ser mais acentuada nas pessoas com demência.

Ficam aqui algumas dicas para aumentar o consumo de líquidos:

  • É importante lembrar que a hidratação não depende só da ingestão de água, mas sim de líquidos em geral. Infusões, águas aromatizadas, sumos sem açúcar, bebidas energéticas e sopas mais líquidas, podem ser ajudas preciosas na manutenção dos níveis de hidratação.
  • Com a chegada do calor pode recorrer a sumos de frutas com muita água, como o melão e a melancia, ou fazer gelados apenas com água e sumo de fruta.
  • Por vezes, existem alterações na sensibilidade intra-oral que podem também condicionar a ingestão de líquidos. Experimente acrescentar água com gás nos sumos, sirva as bebidas a diferentes temperaturas e veja se existe preferência por alguma destas opções.
  • Deixe sempre água disponível perto da pessoa, com um copo ou palhinha, pronto a servir.
  • Promova a ingestão de líquidos em pequenas porções ao longo de todo o dia.
Revisão Clínica: Inês Tello
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Qual a importância da Fisioterapia?

 Na Doença de Alzheimer e outras Demências

A fisioterapia constitui uma das abordagens não farmacológicas envolvidas no tratamento da doença de Alzheimer e outras demências.

O principal objectivo da fisioterapia nestas patologias é manter a máxima funcionalidade e independência, de forma a facilitar as actividades de vida diária, durante o maior tempo possível e lidar com os problemas motores que possam surgir

Vários estudos têm-se focado na eficácia que a fisioterapia tem nesta população tão específica. Existem benefícios principalmente em três áreas-chave: cogniçãocapacidade física e actividades de vida diária.

Ao nível da cognição, destaca-se uma melhoria na fluência verbal. Está provado ainda que o exercício facilita o fenómeno de plasticidade sináptica e neurogénese no hipocampo, uma área importante para a aprendizagem e memória.

Verifica-se uma melhoria da capacidade física, em termos de resistência cardio-vascular, melhoria do padrão de marcha, aumento da força muscular e melhoria no equilíbrio, o que facilita a segurança e o desempenho das actividades de vida diária, diminuindo assim a exigência do apoio dado pelos cuidadores.

A fisioterapia tem também um papel importante no apoio e ensino aos cuidadores e na prevenção e redução do risco de quedas, um dos factores mais associados ao internamento hospitalar nestas patologias.

Revisão Clínica: Mariana Mateus

Referências bibliográficas:

– Burton, E., Cavalheri, V., Adams, R., Browne, C., Bovery-Spencer, P., Fenton, A. M., Campbell, B. W., Hill, K D. (2015). Effectiveness of exercise programs to reduce falls in older people with dementia living in the community: a systematic review and meta-analysis. Clinical Intervations in Aging, 10, 421-434.

– Zhu, X., Yu, Y., Wang, H., Jiang, T., Cao, L., Wang, C., Wang, J., Tan, C., Meng, X., Tan, L., Yu, J. (2015). Physiotherapy Intervention in Alzheimer’s Disease: Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Alzheimer’s Disease, 44 (1), 163-174.

– Law, L. L. F., Barnett, F., Yau, M. K., Gray, M. A. (2014). Effect of combined cognitive and exercise interventions on cognition in older adults with and without cognitive impairment: A systematic review. Ageing Research Reviews, 15, 61-75.

– Farina, N., Rusted, J., Tabet, N. (2014). The effect of exercise interventions on a cognitive outcome in Alzheimer´s disease: a systematic review. International Psychogeriatrics, 26 (1), 9-18.

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Quais as fases na Lesão Cerebral Adquirida?

É importante uma intervenção adequada nas várias fases associadas à Lesão Cerebral Adquirida (resultante por exemplo de AVC ou Traumatismo Crânio Encefálico).

  1. Fase aguda: corresponde ao período em contexto hospitalar, existindo como principais objectivos o controlo do ambiente, evitando o excesso de estímulos e a desorientação da pessoa.
  2.  Fase pós-aguda: corresponde ao período em que, passado o risco para a pessoa, se deve implementar um programa de neuroreabilitação que deve ser individualizado, integral, especializado e interdisciplinar. A recuperação é diferente de pessoa para pessoa, sendo a integração num programa de reabilitação fundamental para recuperar ao máximo a funcionalidade. Durante a reabilitação a pessoa conhece as suas capacidades e limitações e aprende a utilizar estratégias para compensar as dificuldades sentidas.
  3.  Período crónico: neste período é importante trabalhar um bom programa de actividades de vida diária, assim como programas de apoio da comunicação, comportamento e emoções.
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O que é a Demência com Corpos de Lewy?

Os Corpos de Lewy – agentes patológicos que dão o nome a esta demência – foram identificados no início do século XX pelo neurologista Friedrich Lewy e são inclusões neuronais (agregados anormais de proteínas) que causam uma disfunção destas células nervosas.

O perfil clínico da Demência com Corpos de Lewy é caracterizado por uma deterioração do funcionamento cognitivo, principalmente ao nível da atenção, das funções executivas (as quais nos permitem planear, organizar e executar uma determinada tarefa) e da capacidade visuoespacial (percepção visual ou espacial). As alterações de memória podem não surgir na fase inicial, mas tornam-se evidentes com a evolução da doença. Estes sintomas têm necessariamente um impacto na funcionalidade da pessoa afectada.

Pelo menos um dos seguintes aspectos está também presente:

  • Flutuações cognitivas – É caracterizado por alterações do estado de consciência e atenção, presença de discurso incoerente, sono excessivo durante o dia e incapacidade para reconhecer o ambiente. Estes episódios podem durar de segundos a dias e são intercalados por períodos de função quase normal.
  • Alucinações visuais – Geralmente de pessoas/animais tridimensionais, totalmente formadas, que falam/interagem com a pessoa afectada.
  • Parkinsonismo – Lentificação dos movimentos; tremor que ocorre em repouso; rigidez dos membros; instabilidade postural.

É comum a pessoa afectada ter também uma perturbação do sono REM manifestada pela ocorrência de sonhos vividos e movimentos complexos durante o sono (cair da cama, espernear, falar, rir à gargalhada).

A identificação deste tipo de demência é particularmente importante uma vez que a especificidade dos seus sintomas e o respectivo impacto ao nível da funcionalidade exigem uma intervenção diferente da de outras demências.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo
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Quais as motivações e consequências de cuidar?

A informação disponível tende a focar-se nos aspectos negativos de cuidar de uma pessoa com demência, pois não existem dúvidas de que a sobrecarga do cuidador é um fenómeno real e verdadeiramente incapacitante. No entanto, de acordo com um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), a maior parte dos cuidadores familiares orgulham-se de assumir esse papel e identificam vários aspectos positivos, nomeadamente o companheirismo e a promoção de uma melhor qualidade de vida. Para muitos, cuidar de uma pessoa com demência é gratificante e pode contribuir para sentimentos de utilidade e realização.

A afectividade parece ser o principal factor motivador para os cuidadores familiares. O amor pela pessoa que está a sofrer é a razão mais invocada para cuidar. Apenas uma percentagem muito pequena dos interrogados referem que cuidam porque não têm alternativa.

Ainda assim, importa não esquecer que o papel de cuidador familiar é exigente por várias razões, entre as quais:

  • O tempo que é necessário despender no cuidado da pessoa afectada;
  • A variedade e intensidade dos sintomas comportamentais e cognitivos que surgem;
  • A necessidade de gerir outros papéis sociais para além do de cuidador (mãe/pai, mulher/marido, profissional).

Sabe-se que os cuidadores tendem a isolar-se socialmente devido à natureza exigente do seu papel. Por vezes geram-se conflitos familiares porque os respectivos membros não estão conscientes ou não reconhecem tudo aquilo que é exigido do cuidador principal. Estes também podem surgir quando existe a percepção por parte de um familiar de que a responsabilidade de cuidar não está a ser partilhada por todos. Os assuntos financeiros relacionados com o cuidado de uma pessoa com demência também podem originar alguns desentendimentos.

É muito importante que os cuidadores familiares também possam pedir ajuda, tanto para o cuidado formal, muitas vezes necessário, dos seus entes queridos, como para aliviar a sua sobrecarga e assim conseguir também manter a sua qualidade de vida e a qualidade das suas relações.

Link relatório OMS Dementia: A public health priority, em parceria com a Alzheimer’s Disease International.

Revisão Clínica: Margarida Rebolo
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Qual o papel do cuidador familiar?

 

É indiscutível o papel da família no acompanhamento de pessoas com Alzheimer ou outras patologias neurológicas. O papel do cuidador familiar pode passar por:

  • Prestar apoio na realização das tarefas diárias (ex: supervisionar a toma da medicação, ajudar na gestão das finanças e nas compras);
  • Estar atento a mudanças comportamentais/cognitivas/físicas significativas de modo a reportá-las ao médico;
  • Estruturar a rotina diária da pessoa com demência e normalizá-la, na medida do possível;
  • Dar apoio emocional (promover interacções sociais e momentos de alegria, validar atitudes ou percepções).

O nível de apoio necessário tende a aumentar à medida que a demência progride. Numa fase mais avançada será necessária uma supervisão constante. É normal os cuidadores familiares procurarem ajuda profissional, especialmente quando o esforço físico e emocional se tornam demasiado exigentes.

É de referir que as necessidades da pessoa com demência e a sua evolução ao longo do tempo dependem de uma multiplicidade de factores, nomeadamente de:

  • O perfil clínico (tipo de demência, gravidade das alterações cognitivas, comportamentais e emocionais);
  • A presença de outras condições médicas;
  • Os seus hábitos;
  • A sua personalidade;
  • A natureza da sua rede social (relações interpessoais significantes).
Revisão Clínica: Margarida Rebolo
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A importância da Família

Em 1993 a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) proclamou o dia 15 de Maio como o Dia Internacional da Família, focando o papel fundamental da Família na sociedade. Apesar de na próxima Sexta-Feira se celebrar pela 22.ª vez este dia, continua a ser uma celebração cheia de sentido.

As próximas mensagens serão fundamentalmente direccionadas para as famílias de pessoas com demência e outras patologias neurológicas, cruciais para garantir o bem-estar do seu familiar, e que necessitam de ser muito apoiadas e acarinhadas, para que elas próprias não se sintam desorientadas e esgotadas.

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